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Livros Contra Cigarros (ou qualquer coisa)

Tive uma conversa com uma boa amiga ontem. Ela disse que os portugueses, apesar de serem leitores ávidos, lêem poucos livros. Preferem revistas e jornais. Fiquei surpreendido porque quando visitámos Portugal, sempre apercebemos livrarias em toda a parte. Há ainda mais do que aqui em Londres. Ora bem, é verdade dizer uma grande parte da diferença é por causa da influência do Amazon (o site, não o rio, amigos brasileiros) aqui em Inglaterra, mais mesmo assim, tinha a impressão que os portugueses são um povo bem literato que amam livros e têm poesia nas suas almas.

Books Vs Cigarettes by George Orwell Isso lembrou-me de uma dissertação pelo autor inglês George Orwell, nomeada “Books vs Cigarettes” (Livros Contra Cigarros). Escreveu-o nos anos quarenta, logo depois a segunda guerra mundial, e dois anos antes de publicar a sua obra mais conhecida, “1984”.

Nesta dissertação, o Orwell fez conta de todos os seus livros e os preços de cada um (incluindo livros emprestados e livros oferecidos) e ao outro lado, fez conta de quanto dinheiro gastou para cigarros e para cerveja. Não queria persuadir alguém não fumar (teria sido loucura naquela altura!) mas sim provar aos seus leitores que livros não são para os ricos somente. Nesta altura, toda a gente fumava. Idosos fumavam, adolescentes, homens, mulheres, até mulheres grávidas, bebés neonatos, padres na igreja, médicos na sala de operações… Tooooodaaaa a gente. Portanto, um bom método de provar a sua tese foi comparar os preços relativos de livros e cigarros durante um ano. Podes adivinhar o resultado: concluiu que os livros foram menos caros, e deram melhor valor do que os cigarros ou até uma bilhete de cinema!

É claro que hoje em dia menos pessoas fumam. Apenas os mais idosos (que não podem deixar) ou os mais novos (que não podem imaginar as suas mortes) permanecem com o hábito. Pessoas da minha geração deixamos de fumar há anos! Mas para fumadores, o argumento é ainda mais forte no século XXI. Os livros são mais caros do que antigamente, é verdade, mas cada vez mais, os impostos que são acrescentados ao preço do álcool é do tabaco deixam ambos muito, muito mais caro. Aqui na Inglaterra, um livro tem a preço de dois pacotes de cigarros. Acho que em Portugal é diferente. Mas mesmo assim, não há dúvida que são relativamente mais caros do que na época de Orwell.

E para não fumadores? Revistas são mais baratas, claro, mas demoram menos tempo para ler. Podem ser lidas grátis no café, sim, mas livros pode ser lidos grátis também, graças às bibliotecas.

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Transatlantic Reading

As you’ll know if you were crazy enough to watch the video I posted the other day, I am currently reading a Brazilian book called ‘Jonas o Copromanta’ (Jonas the Copromancer) about a bloke who reckons he can read the future in his toilet bowl. I’m not following the grammar or vocabulary as closely as I normally would, because I don’t want to confuse myself – I’m mainly just trying to practise pronouncing the words and following the gist of the story.

I’ve become obsessed with one line though:

O que achava da afirmação “Deus dá crases a quem não tem frases” de Ferreira Gullar’

I wondered what “crases” meant só I plugged it into gtranslate and the first thing it came up with was “quotations”. God gives quotations to people who don’t have sentences. Considering he’s actually quoting someone at the time, that’s a funny line! But then it changed to ‘sentences’. Well, God gives sentences to people who don’t have sentences is just rubbish, so I looked on the online dictionary, Priberam. Priberam gives four other meanings, none of which make any sense (to me, anyway) when I drop them into the wider sentence.

So now I don’t know what the sentence means and feel vaguely like I’m missing out on something important. If anyone reading this knows, I’d love to hear about it.

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Vamos Ler Thrillers #SeptemberThrills

I’ve really on a reading kick at the moment. My poor smartphone has been gathering dust for hours at a time 🎻. More worryingly, I can’t stop buying them, no matter how the TBR shelves groan under the weight, suspended above my head while I sleep, threatening to kill me with a nocturnal literature-avalanche.

Some of my favourite Portuguese Booktubers are doing themed challenges and I thought I’d tag along and carry on the momentum from finishing the chunky-ass thriller I’ve just put back on the shelf. I’m going to read some books in both languages and try and write/say something about them in Portuguese just because it’s more fun than doing exercises.

I haven’t done many videos and don’t intend to make it a regular thing (I know, I know, the Lord is merciful) but it’s fun to do, and I learn how to use the video editing software as well as stretching my Portuguese speaking skills a bit. I’m quite happy to see how much better this is than the last one, but there is still a lot of umming and ahhing, and a lot of really horrible errors that even I can see, so god knows how it comes across to others! In other words, there’s a long way to go… Useful trends to pick up are that I use “por isso” more than I think is really natural, seem to be using “no” instead of any other em-related word, and “isso” for all my demonstrative pronouns for some reason, even when I know the thing is masculine and I’m actually holding it in my hand. The other thing that’s starting to bother me is how lazy my accent is. I never used to worry about it before because I was more concerned about understanding the mechanics of the language but I’m at a stage now where I ought to be able to roll my Rs properly and make a proper -ão sound that isn’t a disgrace to humanity. I think I might go back to the Portuguese With Carla blog and really do it properly, making an effort to say everything out loud and teach my mouth to be less flat and british.

No, I’ve no idea what that first few seconds is about, but it took me about two hours to make, so I hope you enjoy it!


Update:

While writing this, five people (five!) have commented on the video. I don’t know why this should surprise me since I posted it in public on a social network using a hashtag, but I suppose I thought it’d be like the last one and get seen by three people over a period of about six months. I’m simultaneously happy to be so warmly received and blushing slightly at the attention.

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Comentário sobre “A Célula Adormecida” de Nuno Nepomuceno

Finalmente terminei de ler este livro gigantesco. Tem 577 páginas e prometi-me* que leria 20 páginas por dia para ler o livro inteiro dentro duma mês. Falhei. Fiz uma pausa no meio e não recomecei a sério até à semana passada.

O livro é um romance, tipo “Thriller”, mas é diferente duma típica história deste género. Os eventos desenrolam em Lisboa, excepto alguns capítulos que acontecem na Turquia. O enredo tem a ver com um grupo de terroristas do autoproclamado Estado Islâmico. No início do livro, no dia da eleição legislativa, fazem um atentado no centro de Lisboa, detonando uma bomba num autocarro. Depois, levantam a bandeira do Daesh no monumento da revolução de 25 de Abril. No mesmo dia, o vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro, suicida-se. Um professor, que conhecia um dos terroristas mortos durante o ataque foi recrutado pelo SIS, para ajudar na caça dos outros antes da cimeira da NATO em Lisboa daí a um mês. Entretanto, uma jornalista começa a investigar o mistério do aparente suicídio, seguindo o pedido da viúva do político que fica convencida que ele fora assassinado.

Ambos têm problemas: o professor é assombrado por um passado escuro e a jornalista tem cancro. Os dois encontram-nos na Turquia e juntam-se para descobrirem a verdade.

O que é impressionante é que durante esta história de atrocidades terroristas, o escritor tentou com muito esforço evitar tratar todos os muçulmanos como terroristas (um problema comum em muitos thrillers). Explicou vários aspectos da sua fé, a cultura e a história do Islão, e a história recente da Síria e do Médio Oriente. Isto parece uma fraqueza no romance porque reduziu o suspense do enredo, mas acho que foi uma decisão do escritor. Hoje em dia há tantos mal-entendidos no mundo, e tanto ódio pela religião que nos forneceu com tantos grupos armados, que penso que é bom lembrar que a maioria das vítimas do terrorismo são muçulmanos, e aqueles muçulmanos de vários países receiam os efeitos da guerra nos seus próprios países ainda mais do que nós temos medo do terrorismo nos nossos países.

A Célula Adormecida: AmazonOfficial SiteBertrand

Thanks Raphael, Hugo, Sofia for the corrections

*=This means “I promised myself”. Someone suggested “Comprometi-me” (“I made a commitment”) which is a good option too. It wasn’t what I was trying to say but maybe “I promised myself” isn’t a phrase that’s used often in Portugal…?

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Instagram picture from some time ago when I was still just 90 pages in
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Mais Um Dia em Edimburgo

notebook_image_829756O primeiro espectáculo do dia foi “Shakespeare for Breakfast”. Cinco actores protagonizaram “Macbeth”, e a peça foi mudada para ser uma luta pela presidência duma horta comunitária. Foi muito engraçado e conteve referências ao referendo, ao “Game Of Thrones”, àquele gajo cor-de-laranja e ao nosso espectáculo preferido “Hamilton the Musical”. Deram papéis a três espectadores para fazerem parte do drama. Gostámos muito dele.

 

Thanks to Sofia for the corrections

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Edimburgo

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Estamos de férias em Edimburgo, a capital da Escócia. Nasci aqui no século XVII. Cada ano há um festival de comédia, drama e artes mas nunca vi nenhum até este ano. Chegámos ontem. Fomos assistir a um concerto “A Capella” que foi maravilhoso. Deitámo-nos cedo. Madruguei, e tive 2* horas inteiras para ler o meu livro, que foi um verdadeiro paraíso. Finalmente, estava na hora de levantarmo-nos. Fiz o pequeno almoço para a família e levei-o. Assistimos a 2 espectáculos hoje: “Into the Woods” que foi bastante bom e “Sweeney Todd” que foi impressionante. Não havia uma canção má, e os actores mantiveram as nossas atenções durante as duas horas. E as letras tiveram a ver com a minha cidade:

Há um buraco no mundo como um poço preto
Está cheio de pessoas que estão cheias de merda
E os vermes do mundo moram lá
E o nome dele é Londres

Parece um comentário de tripadvisor dum americano que não recebeu gelo suficiente no seu cocktail.
Depois, comprámos duas pizzas para comer no hotel.

 

*=I usually write numbers in full for practice but should probably start using the proper rules at this point.

 

Thanks to Sofia, Kellin and Celso for the corrections

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A Chegada

This is just a straight translation of the “Aliens – Spoiling it for Everyone” post from a few days ago. What’s the Portuguese equivalent of Déjà vu? Já visto?

Anteontem de noite, a Senhora 18ck sugeriu que vissemos um filme que se chama “Arrival” (A Chegada*) com Amy Adams no papel principal como uma linguista genial, apoiado pelo Jeremy Renner no papel do Jeremy Renner, e Forest Whittaker como um oficial militar com um sotaque exagerado (na minha opinião, Forest Whittaker e Jeff Goldblum hão de estar em todos os filmes feito em Hollywood).

Enfim, não sou crítico de filmes, pois porque é que menciono este filme? Ora bem, a Amy Adams começou a primeira cena numa sala de aulas, a falar sobre um assunto de Português e porque é que parece tão diferente das outras línguas românicas.

Vou precisar de mais pipocas

Estava muito curioso para saber mais, mas infelizmente, naquela altura, o filme ficou estragado para mim, pelo som duma sirene que anunciou a chegada de doze naves espaciais cheias de extraterrestres que queriam… Hum, não vou deixar cair spoilers aqui, mas chega para dizer qur não pretendiam ajudá-la com o discurso.

Depois, a Amy começou a ter prioridades novas, portanto nem sequer leu o próximo parágrafo. Pesquisei na Internet e encontrei uma discussão sobre o discurso numa página do Reddit. Acho que alguns contribuidores copiaram e colaram as suas respostas do Wikipedia, e há vários brasileiros que responderam que toda a gente na América do Sul têm quase o mesmo sotaque mas apesar disso, fiquei contente de ver que não sou a única pessoa que quis mais. Talvez um dia alguém lance uma ‘versão do director’ que incluirá o discurso inteiro. A esperança é a última morrer…

*=Isto é uma tradução literal. De acordo com o Wikipedia, o título em Portugal é “O Primeiro Encontro

Thanks Jorge, Sofia and Guilherme for corrections.

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Video Day

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A Canoa

Hoje de manhã, eu e a minha filha fomos até à cidade de Reading. O rio de lá não está sob influência da maré e por isso a água é menos assustadora (e mais limpa!) do que aqui em Londres. Há um centro desportivo que dá para o rio. Eu e a Oli alugámos uma canoa e demos um passeio ao longo do rio. Ela sentou-se na frente da canoa, à minha frente. Entrámos no barco com cuidado, porque não queriamos cair na áqua em frente do treinador porque teríamos ficado muito envergonhados. Adorámos a experiência. Foi divertida e relaxante. O sol até conseguiu de brilhar às vezes.

Thanks Luís, Sofia, Tiago and Douglas for corrections