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Pisco-De-Peito-Ruivo

Pisc-de-peito-ruivo (Robin)
O Pisco

Thanks for the corrections, Dani Morgenstern and Teafvigoli

Vivemos num apartamento no segundo andar e temos um alimentador de pássaros suspenso acima de uma janela.

Nos anos passados tivemos poucos visitantes. As vezes, um chapim-real faria um pausa no alimentador par comer umas sementes mas mais nada. Num certo ano um pombo lançou uma campanha de comer a ração toda ainda que fosse grande que fazia o alimentador balançar de uma maneira perturbadora, as suas tentativas foram muito divertido. Mas uma esmagadora maioria* de meses passaram sem atividade de lado de fora da janela. Os bolos de gordura permeneceram imbicados. Imbicados? É uma palavra? Pois, agora é.

De qualquer maneira, este ano, um pisco-de-peito-ruivo (também conhecido como pintarroxo, papo-ruivo ou papo-roxo) descobriu o alimentador. À manhã, das 8 para meio-dia mais ou menos, este passarinho aproxima-se à janela, pousa no alimentador, come alguma coisa, e descola na direção da janela. Bate no vidro com as asas e pernas e depois mergulha abaixo, desaparece durante uns minutos.

No início, achámos que o homenzinho queria entrar no apartamento. Mas após algum tempo começamos a perceber que o modo de bater na janela não era assim. Estava a ver o seu próprio reflexão e a interagir com o “outro” pisco, quer a tentar roubar-lhe as sementes, quer a atacar, não sei, mas os piscos são altemente territoriais.

Abri a janela e o comportamento da pisca mudou. Deixou de voar pelo espaço onde havia a janela. Em vez disso, pousa no beiral da janela para espreitar os livros e os móveis e a tralha dos humanos. Uma vez, ficou de pé num regador dentro da janela. Após um minuto, com a sua curiosidade satisfeita, virou-se e voou pela janela fora. É muito fofinho. Espero que isto continue, pelo menos durante algum tempo.

*=this phrase doesn’t really make sense here. It means “the overwhelming majority (of months)”. I just wanted to cram that esmagadora maioria in there somewhere.

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A Neuterful Mind

Hm, I’m really scraping the bottom of the barrel with these neuter puns aren’t I? (previous examples here and here)

For anyone who was interested in the issue of well-meaning-but-annoying young activists trying to force a neuter gender into Portuguese grammar as a way of describing either individuals who self-describe as gender-neutral, or mixed groups of male and female people, here’s an example in a meme of someone trying to use it in a group situation.

I have to ask myself if it’s real or a joke. If it’s real then Marcelo probably should have said “convidades” to match the adjective to his openening noun. I’m with Mariana, Lucas, Karina and the rest in this one though I think. Its hard enough trying to remember that saucepans have gender without also having to remember that some people have one of 67 imaginary ones.

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Swimply the Breast

I went swimming yesterday for the first time since before the age of covid. Since a long time before, in fact. I recorded the workout in my fitness app. Yes, I’ve become one of those people! Anyway, like most things on my phone, it’s in Portuguese so I had to try and figure out what this lot meant. They’re not words I’ve ever needed before. So here’s the scoooooop:

  • Natação =swimming
  • Braçada =stroke. “estilo” and even “movimento” can be used instead.
  • Costas =backstroke
  • Bruços =breaststroke (aka “de peito”)
  • Mariposa =butterfly – also called “borboleta” and “golfinho”
  • Estilo Livre =crawl actually called “crawl” in Brasil and “crol” in portugal, and these seem to be more common names than “Estilo Livre” as far as I can see.

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Tense, Nervous Headache

Examples of high-octane verb usage based on a C1 exercise that I really screwed up.

Se ela não chegar, depois telefono-lhe.

Lamento que o seu filho não tenha ido à escola a horas na semana passada.

Não acho que a minha filha queira ir à escola hoje.

Caso ela venha tarde, a mãe dela preocupa-se.

Se ela vier tarde, a mãe dela preocupar-se-ás.

Quando for para a universidade ela terá passado os exames escolares todos.

Oxalá ele veja o filme francês que o professor deu como tpc mas acho que não está nada interessado.

Vou perguntar-lhe como se diz “LOL” em português

Se dissesses aos jovens de hoje que vivias num caixote sem água nem comida em* criança eles nunca acreditariam.

Se me disseres que estás a pensar em estudar apicultura, é garantido que faço um trocadilho qualquer sobre “exames de enxames”.

Há quem traga uma bandeira do UE para o concerto..

Ainda não sei se eles touxeram a amiga da filha com eles.

Apesar de ele já ter feito muitos pudins o de ontem não foi um êxito.

Será melhor se vocês beberem um copo de vinho e se esquecerem de tudo.

Diga eu ou que disser**, não me desatem deste mastro.

Ainda que ela ouça mal, está sempre ao pé de mim de cada vez que abro um saco de ração***.

Lamentamos que o senhor não tivesse pedido ajuda quando a cobra entrou no quarto.

Não repitas o que o pai disse na sala de aula.

Falas tão baixo. Podes repetir?

Ainda não faço ideia de quando ela parte para Edimburgo.

A picture that has nothing to do with Portuguese verb conjugations.
Tense nervous headache? Try conjugatin

*=em, not como. In child, not as a child.

**=I managed to get this doubly-wrong. I wrote “diga ou que eu dizer”

***=I wrote “lata de ração” but ração is dried food. Tinned cat/dog food is “comida de gato/cão”

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Leveling Up

I’m on day 66 of my epic quest for C1 competence. I’ve finished Português Atual (which is one of the books reviewed on this page) and signed on for the Instituto Camões course. They are the people responsible for administering the exams so I feel like this is “straight from the horse’s mouth” as it were, but I wish they’d work on the website a bit more because all I’ve learned so far is how to say “page loading”.

I’ll update on here as I go along. If I go along…

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Portugueses Na Grande Guerra

Portugueses Na Grande Guerra de Carlos Baptista Mendes

Um dos meus projectos de estimação é tentar aprender mais sobre a história de Portugal. Deparei com este livro durante uma visita à uma livraria online e fiquei interessado porque confesso que raramente ouço falar do facto de que Portugal fez parte do conflito que devastou a Europa durante 4 anos mas fez, mesmo, e não só na Europa mas também em África onde os portugueses lutaram contra as alemães no sudoeste do país na fronteira de Angola e Namíbia por exemplo.

Portugueses Na Grande Guerra (The Portuguese in the Great by Carlos Baptista Mendes)

Quase achei que estava a ler uma sequela ao Auto À República porque os eventos neste livro decorreram logo depois do nascimento da República e tiveram raízes na mesma conferência em Berlim que deu à luz a grande época do colonialismo, a partilha de África que alimentou as rivalidades entre os impérios europeus. Felizmente, neste conflito, os nossos países lutaram lado a lado. “Com os Bretões marchar, marchar!”*

Os contos de heroísmo são narrados na forma duma série de bandas desenhadas e são histórias verídicas, claro. O livro tem prefácio do General Loureiro dos Santos cuja carreira abrangeu vários papéis importantes nas forças armada e no governo do país.

*This is a sort of joke based on the national anthem. I’ll be doing a post about that fairly soon.

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Um Auto À República

Opinião d'”Um Auto À República” de Cidália Fernandes

Este livrinho é um texto dramático – um guião duma peça de teatro que podia ser apresentado numa escola enquanto parte de… Suponho… um programa educativo sobre a cidadania e o crescimento da democracia em Portugal.

Um auto à República

Mas há uma peça dentro da peça. Ou seja as personagens são alunos e a sua professora pede-lhes apresentar uma peça de teatro. Então, eles assumem papéis de pessoas históricas tal como o Rei D. Carlos e o poeta Guerra Junqueiro, e representam a história daquela época, explicando o Mapa Cor-De-Rosa, o ultimato da Grã-Bretanha, e a perda de confiança no papel da monarquia.

O livro foi escrito há 12 anos. O que mais me chamou a atenção foi o seu modo como fala de África. Não só os protagonistas da peça-dentro-da-peça mas até os alunos e a sua professora (que vivia no tempo presente) falam do território disputado como se pertencesse ou a Portugal ou à Grã Bretanha e ninguém perguntou “Hum…e os africanos?”. Não há dúvida que nós ingleses sofremos da mesma cegueira de vez em quando… Acho que hoje em dia um professor de qualquer destes países seria mais cauteloso e lembraria que há mais de um lado – e até mais de dois – em cada história!

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A Metrópole Feérica

Opinião sobre um livro de José Carlos Fernandes e Luís Henriques

Quanto mais livros de José Carlos Fernandes leio, mais gosto do seu modo de criar mundos surrealistas. Nesta banda desenhada, introduzem-se seis cidades imaginárias, cada uma com a sua própria história. Embora seja BD, não é um exemplo típico do género. Os desenhos são arrepiantes e escuros, e existem poucos balões de diálogo, so de narração. É quase uma colecção de contos absurdos, cada um ilustrado com um estilo adequado ao seu assunto.

Para mim, o capítulo mais bem sucedido é o último que reconta a história da torre de babel. Adoro ficção que usa, como base, temas religiosos e este, como o Caim de José Saramago e o último capítulo do Bichos de Miquel Torga é um exemplo excelente, cheio de humor contundente.

A Metrópole Feérica de José Carlos Fernandes
A Metrópole Feérica
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Children of the Corno

I see the word corno a lot on social media in different contexts so I thought I’d dig into it a bit.

Corno
Me so corny

Ordinary, standard meanings are pretty straightforward:

  • A horn – ie, what a cow has on its head (you’ll also see “chifre” and “galho” especially in relation to a deer’s antlers, but the distinction between horns and antlers seems a little permeable…?)
  • By extension, various other things that are a bit like horns (antennae, tentacles, bone spurs and so on) will sometimes be referred to as cornos. You’ll also see “corno de abundância” or “corno de Amalteia” for cornucopia, or corno de sapato for shoehorn, for example.
  • A horn on a car (I’ve never seen this in the wild – buzina is the more usual word – but this definition exists in priberam).
  • One of the points at either end of a crescent moon.
  • A kind of plant – careful though, its not what we call corn (that’s milho), but a family of shrubs in the cornacea family.

But when I see it on social media, it usually means one of two things, depending on whether its singular or plural.

When it’s in the singular, it usually means cuckold, either in the original sense of a man whose wife is unfaithful, or the more modern one of someone who enjoys watching his wife be unfaithful. So when you see it online it’s often by the sort of person who would use the word “cuck” as an insult in English. They tend not to be the loveliest people, I’m afraid.

And in the plural, it usually means the face or head – so “um tiro nos cornos” =a bullet in the head, “levou uma pá nos cornos” = he got hit in the face with a shovel, and you’ll see various combinations of levar/ apanhar/ dar + nos cornos meaning various types of damage being inflicted above the neckline. In some cases it’s figurative – if someone loses a war or an argument or a football match, say.

There’s also “passado dos cornos”, gone in the head, meaning maluco or doido.

Calm down, lad!

So there you go. I hope you have enjoyed this dose of hardcore cornography. I feel like I should set homework for you. Try going in twitter now and searching for the expression “nos cornos”. Browse through a few examples and see if you can work out what the tweeter is trying to imply – whether they’re describing an actual physical injury or just some sort of defeat. Tell me your favourite example in the comments.