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A Pronúncia

Today’s written work is abiut the accent in the Azores. Thanks for the corrections teafvigoli

Ai, que obra desafiadora. Apesar de ter tentado muitas vezes, não é nada fácil entender o sotaque açoriano. Ouvi dizer que o sotaque madeirense é difícil também. A minha esposa sempre fica frustrada por causa dos funcionários do consulado que fingem não entender as suas palavras mas na minha orelha não é assim to diferente dos sotaques continentais.

Por outro lado este sotaque no vídeo é quase incompreensível. Sem as legendas eu não seria capaz de entender patavina. Mal acreditaria que seja sequer português. Soa francês.

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O Vírus de Schrodinger

Practice text, with corrections from teafvigoli (thank you!). I’ve added some notes at the bottom.

Há uns dias, eu e a minha esposa ficámos com sintomas dum resfriado: narizes constipados, espirros, tosses , cansaço. Não nos preocupamos assim tanto porque havia muito pólen e muito calor e achávamos que era algum tipo de febre de feno, combinado com falta de sono.

Mas a minha esposa recebeu uma notificação do NHS (sistema de saúde nacional inglês) que disse que ela tinha entrado em contacto com alguém com o covid 19 4 dias antes. Pediu um teste PCR. Dois dias depois, sabemos com certeza que ela estava com o vírus. A família inteira está vacinada (embora a filha ainda tenha um dose só) portanto o nosso risco é muito reduzido mas ainda assim, levamos a doença a sério.

Eu pensei, ah, se assim é, os meus sintomas* devem ser por causa do mesmo vírus. Pedimos mais dois testes (um para mim e um para a macaquinha), fizemo-los**, mas os resultados voltaram negativos.
Para mim, isso não bate certo. Se eu não tivesse o vírus, a única explicação seria que eu apanhei um resfriado no mesmo dia que ela apanhou o covid e nós dois viviamos juntos no mesmo apartamento sem transferir os nossos vírus*** um ao outro, nem à nossa filha. Parece-me mais provável que tenha estragado o teste de qualquer maneira. Mas não tenho certeza.

Em ambos os casos, preciso de ficar em casa mas acho que preciso de agir como se tivesse o vírus porque é mais seguro assim.

* Sintoma (symptom) is one of those nouns ending in -a that come from Greek and take masculine pronouns.

** Fazer testes, not just for school tests but even when when it’s a test kit like this – you do it, you don’t use it.

*** vírus has no plural. Not viruses, not viri.

A useful idiomatic phrase here is “mais vale prevenir que remediar” (prevention is worth more than cure) as I was reminded in the comments!

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O Meu CV

Another practice text. Thanks to danimorgenstern for the help.

Tenho um agendamento para falar através do Skype com um especialista em recrutamento que me vai ajudar rescrever o meu CV. Demorei muito a contactar este homem porque sempre pensei “É a minha vida. Quem sabe melhor do que eu como resumir a minha própria carreira?”

Mas infelizmente não é assim tão simples. Escrever um CV é um bicho-de-sete-cabeças. É preciso ter confiança sem ser arrogante. Temos de incluir todos os nossos cargos recentes, as nossas competências e as nossas formações. Os recrutadores costumam usar uma aplicação informática que analisa o CV do candidato. Portanto não é suficiente escrever uma história; a história deve conter palavras específicas para assinalar a nossa adequação. Se não o nosso CV acabará por ser arquivado no arquivo redondo sob a mesa*.

*=O arquivo redondo sob a mesa (“the round filing cabinet under the table”) is a phrase I used jokingly, translating from English but apparently the wastepaper basket is sometimes called “O arquivo vertical” because of the way papers land one on top of another.

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O “Prom”

Thanks danimorgenstern and teafvigoli for the corrections. They double-teamed me but it wasn’t too bad. Only 3 mistakes between them!

Carrie (1976) Prom scene
Prom-Etheus, about to steal fire (and electricity and water and falling stage settings) from the gods.

A minha filha está na festa do fim da escolaridade. Hoje em dia a festa chama-se o “Prom” como a festa da mesma época na vida dum adolescente americano. Não faço ideia porquê*.
Vestiu um vestido roxo com saltos altos. Parece tão crescida mas também permanece a minha menina. Foi com a sua amiga depois de beber um Pimms com morangos e pepino. É um rito de passagem. Sinto-me com saudades da bebé mas também estou cheio de orgulho por causa da confiança e a beleza da mulherzinha que a substituiu.

*=Seriously though, fam, why are we calling it Prom now? Has there ever been a good, trouble-free prom experience in any American movie you’ve ever seen?

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Um Novo Podcast

Today’s daily text is about a book podcast in English. Thanks to danimorgenstern for the corrections

Backlisted podcast

Há algum tempo ouvia dois podcasts sobre livros: Bookshambles e Mostly Lit mas o segundo acabou quando um dos três apresentadores saiu para escrever os seus próprios livros. Depois, o primeiro deixou de falar sobre livros e fiquei aborrecido.
Mas ontem ouvi falar dum podcast interessante chamado Backlisted. Não é novo, apenas não tinha reparado nele antes. O seu arquivo tem montes de gravações sobre livros antigos que eu adoro tal como “A Month In the Country” de JL Carr e “The Dark is Rising” de Susan Cooper. Os apresentadores adoram livros e sabem tanto mas mesmo tanto sobre os autores dos quais falam. Estou a gostar muito!
Não conheço nenhuns podcasts portugueses semelhantes mas não me importa assim tanto porque existem Booktubers amadores que deixam opiniões sobre os seus livros preferidos e é aí que mato a minha sede livrólica!*

*=i originally tried to write this last sentence by splicing together two lines from two of the poems I’ve been learning by heart: “nele é que espelho o céu” (from Mar Português by Fernando Pessoa) and “Com luar matar a sede ao gado” (from Rústica by Florbela Espanca). It ended up as “nele é que mato a minha sede livrólica!” but I’d obviously bitten off more than I could chew!

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Ikea

Another practice text. Thanks to redditor ansanttos for helping correct my mistakes

A minha filha e a minha esposa visitaram o IKEA hoje. Queriam comprar umas cortinas mas voltaram com 1 300 251 bolachas, 8 formas* de gelado, uma escovilhão de loiça, um candeeiro e várias flores e decorações inesperadas. Juro que aqueles suecos põem drogas nas almôndegas para hipnotisar os clientes e fazê-los comprar coisas de que não precisam.

*=ice cream moulds. I originally said “moldagens” here. I get so confused even over the English word give that there are jelly moulds and moulds that grow on old food and I always have to pause and think is mold is the right spelling for either? It’s not, it’s the American spelling of both but in UK English we don’t use mold at all. Anyway, forma is apparently the right word in Portuguese. but molde is also OK. Not moldagem (which is the act of moulding something) or moldura (a picture frame). And certainly not moulde. I’d like to blame the Americans for that last one but I can’t make the charge stick.

Posted in English, Portuguese

The New New Normal

Since “The New Normal” has been a theme today, here’s Sergio Godinho with a song of that name, written in August last year and containing obvious references to the long nightmare from which we hope we will soon awake (although I’m writing this the day after “Freedom Day” and I am regning in my optimism…)

Dadas as circunstâncias Given the circumstances
Mantenha as distâncias Keep your distance
Respeite os espaços Respect the spaces
Controle essas ânsias Control your urges
De beijos e abraços for kisses and hugs
Refreie as audácias e as inobservâncias Refrain from risks and non-observances

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O Novo Normal Existe?

Description in Portuguese of the course I wrote about earlier in English. Thanks to redditor teafvigoli for helping root out the errors.

People photo created by rawpixel.com - www.freepik.com
Red and Green Dyed Lockdown Hair Goes Back To The Office

Participei num curso online. O título era “O Novo Normal Existe?” e faz parte dum conjunto de cursos chamado “O Café Filosófico”. Experimentei um curso online português anteriormente mas saí quando entrei em pânico porque percebi que teria de falar!

Ora bem, gostei muito deste. A professora começou por mandar-nos escrever as nossas próprias respostas (no meu caso “O nosso novo normal é igual ao velho normal da Coreia do Sul” (porque já costumam de usar máscaras lá)

De sequida, havia três vídeos com outros pontos de vista e depois, o grupo partiu-se e todos nós participámos em discussão em grupos pequenos. Confesso que não compreendi verdadeiramente o terceiro (uma comédia brasileira) mas fiquei influenciado pelas opiniões dos outros participantes.

Um afirmou que a normalidade em si nem sequer existe. Isso é verdade até certo ponto: cada um tem uma vida única e a situação muda constantemente. Mas cá para mim, o normal é o que não nos faz exclamar de surpresa. A estação de ano muda, o tempo muda, o governo muda, mas permanecemos dentro do espectro do normal. Mas de vez em quando algo realmente imprevisto (tal como uma pandemia) acontece que nos perturba. Está tudo estranho, e neste momento reconhecemos a normalidade perdida. Mas passado um ano e meio, será que o esquisito tornar-se-á normal? Achava que sim mas uma mulher no meu subgrupo foi céptica.

Acabei por crer que o novo normal pode existir se quisermos. Ou seja a maioria de coisas vão voltar um dia ao normal mas aprendemos muito em termos de modos de trabalhar e de viver e somos capazes de manter uns aspectos do normal temporário nos nossos próprios novos normais pessoais.

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O Jogo

A minha filha está a ensinar a mãe a jogar um jogo baseado na série The Walking Dead. No início ela era cética. Não gosta de jogos. Prefere ver a televisão mas acabou por aproveitar o diálogo.

Estão as duas sentadas no sofá, a mãe a tricotar e a filha a controlar o protagonista. Cada vez que ela precisa de tomar uma decisão, a mãe é que manda.
“Vamos matar o Ben” ela diz.
“Mais tarde mãe, teremos uma hipótese em breve. Agora precisamos de roubar esta bateria”
E assim por diante…

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Um Trocadilho Inglês

A minha filha marcou uma consulta com a dentista ontem às duas e meia da tarde. Para nós, uma família que adora piadas (ou melhor dois de nós adoramos), este facto é mesmo engraçado porque em inglês, “as duas e meia” (two thirty) soa igual a “dorzinha de dente” (tooth hurty).
“two thirty” diz a macaquinha
“sim” respondo eu
“tenho de ir ao dentista” diz ela
“ah ah ah ah” respondo eu.
Coitadinha da mãe.