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O Turno da Noite

Catching up with corrected texts from Writestreakpt today. This is from a few days ago. Thanks to Dani for the corrections. It was originally called “o Turno Noturno” which does seem to exist as a phrase but it wasn’t right – maybe a brazilianism…?

Quando eu e a minha esposa nos conhecemos, éramos ambos cuidadores. Trabalhávamos com pessoas com deficiência mental. Hoje em dia, trabalho com computadores (que às vezes também têm deficiências mentais) mas a minha esposa, que fez uma pausa depois de se tornar mãe, recentemente voltou a trabalhar no campo da saúde, no qual tem oportunidade de utilizar as mesmas capacidades, mas desta vez com doentes num hospital. Muitos dos mesmos têm Covid-19 claro.

O emprego inclui turnos noturnos. Tinha-me esquecido de como esse tipo de trabalho pode virar o mundo de cabeça para baixo durante os dias antes e depois. Ui!

Não seria capaz de voltar a esse tipo de trabalho na minha idade mas ela está a gostar do trabalho e é isso que importa.

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Parabéns às Leoas

Provavelmente já disse que não sou fã de futebol. Mas ainda assim, fiquei muito feliz por ver que a nossa seleção ganhou o campeonato europeu*. Hoje foi mesmo inspirador para raparigas interessadas em desporto. As jogadoras fizeram um esforço incrível e venceram as alemãs (coisa que os rapazes deste pais que não conseguem há muito tempo).

* Campeonato is the tournament. Taça is the cup itself: the actual physical object (unlike in Britain where we talk about “the World Cup” to refer to the tournament. I used “copa” for some reason which is the brazilian equivalent of taça, so double fail, really.

Euro 2022
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O Senhor Jeitoso

O escritor inglês Alan Bennett disse uma vez que ele gosta de dar um jeito à sua bicicleta porque tem ar de quem não é muito jeitoso no domínio das coisas mecânicas mas gosta de desmentir as suposições de quem duvide da sua habilidade.

Bicycle Repair Man
Alan Bennett, yesterday

Eu também fico orgulhoso quando consigo reparar uma bicicleta. Uma bicicleta bem mantida dá muito jeito quando, por exemplo, queremos fazer as compras (desde que não compremos uma máquina de lavar roupa*).

Recentemente demos a bicicleta da minha filha a outra menina** (era pequena demais). Limpei o quadro, o selim***, os punhos e os garfos, arrumei os cabos, meti óleo na corrente e nas manetes dos travões e arranjei qualquer problema que encontrei. Deixei a bicla a jeito, pronta para a nova dona.

Ainda que não tenha muito jeito para, por exemplo, manter carros, sei cuidar de uma bicicleta.

*I wrote “roupas” which is wrong. Not that “roupas” always has to be single; you can say “tantas roupas” or “tantas peças de roupa” But the machine is uma máquina de lavar roupa.

**I wrote “a uma outra menina” but you don’t really need the “uma” on there.

***I used the Brazilian word for some reason. Should have read my own post!

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Petiscos Vivos

O meu pequeno-almoço foi uma tigela cheia de iogurte com framboesas e amoras que colhi ontem na horta. Antes de adicionar o iogurte, inspecionei os frutos minuciosamente e encontrei duas formigas e 8 bichos* quaisquer (Minhocas? Lagartas**?) com 3 milímetros de comprimento. Finalmente deixei de olhar para eles e comi as bagas todas. Pergunto-me quantos animais terão restado na tigela e que não encontrei. Felizmente não sou vegan.

Uma aranha numa amora

*Shocked that “bichas” was corrected to “bichos” here. I thought I was on safe ground, referring to wormy, caterpillar things as “bichas” (check this post for my reasoning) but apparently not. Although everything in the post is true, informally bicha tends only to be used for “fila” (queue) or as a word for gay men – the fifth and third definitions respectively, in that post. As a result, it sounds a bit odd. Bicho, as a more general name for creature, seems the better option.

**And while we’re on the subject, can we talk about the fact that lagarta means caterpillar and lagarto means lizard? Was there some very confused Portuguese zoologist who was convinced that a caterpillar was just a female lizard and his taxonomy just stuck?

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Negative Self Talk

These two texts are just me freaking out about my lack of preparedness for the race km doing. Probably not very helpful, although since I wrote them I have actually pulled my finger out and done some good training, so maybe the negativity helped after all!

Publicidade da corrida

Daqui a duas semanas faço uma corrida de 15 quilómetros e estou a treinar mas infelizmente o treino está a ter o efeito oposto ao desejado e estou a engordar e a perder força. Acho que é por causa da minha dieta. Não resisto aos mimos e petiscos que encontro no meu dia-a-dia

Vi a página de Facebook da corrida na qual vou participar no dia 7 de Agosto. Raios, esses tipos têm ar de atletas profissionais. Espero que ninguém se ria quando chegar à meta uma hora depois dos outros concorrentes!

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Futebol Feminino

Yesterday’s texto do dia was about football. Not something I write about often, but it made me laugh. Thanks to Dani_morgenstern and Patis12 for the corrections.

Os meus irmãos e o meu pai assistiram às semifinais da copa EURO Feminino. Uma jogadora inglesa marcou um golo incrível e a equipa acabou por arrasar as suecas por 4-0 . Estou contente por ver adeptos do desporto a interessar-se em jogos entre mulheres (mesmo que me esteja nas tintas para futebol de qualquer género) mas ri-me às escondidas porque de cada vez que alguém falava sobre alguma coisa de impressionante, feito por um membro da seleção, todos os três concordavam “devemos transferir aquele atacante/guarda-redes/treinador/qualquer coisa para a seleção masculina, pá” “verdade, verdade, ela está desperdiçada lá”

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O Festival

A minha filha vai a um festival amanhã com uma amiga. Ela tem estado a ler um livro – “A Cúpula” de Stephen King, cujos protagonistas masculinos têm todos a mesma personalidade: misoginia. As femininas também têm uma: mamas. Como provavelmente já adivinharam, ela não é uma grande fã do autor! É um calhamaço de 900 e tal páginas e ela não queria o levar com ela, portanto tem passado os últimos três dias a ler e mais naaadaaa para que possa passar para algo mais portátil.

(uns dias depois)

A nossa filha está no festival com a amiga dela tal como falei há uns dias. Nós, os pais, estamos em casa sem a nossa querida. Ela envia mensagens de texto de vez em quando. Estamos a acostumar-nos a este sentimento. Daqui a um ano, ela vai para universidade e depois será adulta e capaz de começar a sua própria família. 😭

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Cadernos da Água – João Reis

Este livro é meu terceiro do João Reis. Geralmente, acho o seu estilo um pouco difícil: a frequência com que estico o braço para agarrar o dicionário é cem vezes maior do que quando estou a ler um thriller como Segredo Mortal, por exemplo. Mas esta vez, consegui ler o livro inteiro sem sentir que estava a perder alguma coisa por falta de domínio da língua. Pois bem, qualquer evidência de progresso é muito bem-vinda!

Cadernos da Água - João Reis
Cadernos da Água

O género do livro é completamente diferente do último. Trata-se duma história distópica que se passa num futuro próximo mas não é ficção científica ou futurista como Admirável Mundo Novo, por exemplo. É um romance quase profético que conta a história de um possível futuro que pode acontecer daqui a poucos anos. As alterações climáticas dão em escassez de água e de comida (porque o crescimento das plantas também depende da disponibilidade de água). Segue-se uma sucessão de eventos catastróficos incluindo uma nova pandemia e uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Se não me engano, o livro foi escrito antes da guerra atual mas ainda assim… O enredo às vezes é indistinguível das notícias!

No meio deste transtorno, uma guerra surge entre os países do sul da Europa e do norte de África. A Península Ibérica torna-se um campo de guerra; a República portuguesa dissolve-se e portugueses e espanhóis (entre outros) fogem para a Escandinávia e Alemanha. O meu país não é mencionado. Quem sabe? Talvez as ilhas tenham afundado sob as ondas do Atlântico durante “o primeiro evento” ou talvez o primeiro-ministro seja a Priti Patel. Mas seja como for, durante este exílio, os sul-europeus vivem em “centros de acolhimento” e é aí que a protagonista do livro começa a escrever no seu caderno.

O futuro, segundo este romance, é sombrio, até desolador, mas será esse o futuro se não fizermos mudanças na nossa vida. Não há motivo para ser otimista.

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Odisseia

I can’t quite believe I haven’t written this one up yet. It must be about a week old by now. Anyway, thanks to Dani for the corrections.

Odisseia

Parte 1 de 17

Vi ontem o último episódio da série Odisseia que mencionei há uns dias. Gostei mas confesso que não entendi tudo. A grande tragédia da minha vida é ser fã de comédia. Infelizmente, mais do que em todos os outros géneros de arte, os praticantes falam rápido, usam calão e falam numa maneira fora do padrão. Entendi muito, claro, mas houve cenas nas quais me senti como um boi a olhar para um palácio*. Talvez deva escolher um programa sobre a gastronomia a seguir. Há de ser mais fácil.

Parte 2 de 17

Lamento que os próximos 15 episódios da minha opinião sobre esta série tenham sido cancelados** pelos realizadores de Reddit mas eu e os meus amigos juntámos mil euros e eu apostei o dinheiro todo num casino para ganhar o suficiente para continuar. Com os meus lucros (37 cêntimos), apresento-vos o texto que se segue.

Apreciei o surrealismo da série: os encontros absurdos e as cenas que se passam “fora” do mundo imaginário, quando o realizador, o elenco e a tripulação falam uns com os outros sobre o enredo e o orçamento. E adorei as referências a vários filmes americanos (pelo menos os que reconheci eram americanos mas talvez houvesse outros dos quais não me percebi***). Mesmo que não tenha entendido o diálogo todo, nunca me senti aborrecido.

*I wrote something else entirely here but the corrector suggested this expression and I live it so it’s a yes.

** This is an in joke which you’ll only get if you’ve seen the series

*** Yeah, there were a couple I missed, including “Talk to Her” by Spanish director Pedro Almodôvar, according to this summary.

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RAPLGBTQIA+

O humorista Ricardo Araújo Pereira tornou-se alvo de críticas anteontem por ter escrito sobre uma série de outdoors lançada pela Fox Life através da sua marca ABCLGBTQIA+. Ele sublinhou o excesso de pudor dos desenhadores que definiu palavras como “homossexual” em termos de atração “romântica” e “afetiva” sem mencionar o sexo. Afirmou que esta definição não indisporia o seu “Tio Alfredo” (cuja existência tenho alguma dúvida mas na escrita do humorista é representativa de homens homofóbicos em geral) mas omite algo indispensável do significado desta palavra.

Ainda por cima, a Fox Life suporta uma definição de “bissexual” que consiste em “atração […] por dois _ou mais_ géneros.” que implica que a bissexualidade não tem nada a ver com sexo nem com “bi”.

Pois, não sou gay nem trans portanto provavelmente não me diz respeito mas é evidente que há um problema aqui: as definições destas palavras tão importantes nas lutas de direitos civis da geração passada estão diametralmente opostas à ortodoxia desta geração de ativistas que afirma que o género é mais importante do que o sexo e há um leque de géneros, não apenas dois.