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“Breves Notas Sobre o Medo” de Gonçalo M Tavares

Breves Notas Sobre o Medo

Não gostei deste livro, mas é provável que não o tenha entendido bem. As frases usadas pelo autor são compridas e complexas. Fiquei com a impressão que autor é pretensioso, porque havia tantas páginas que tive de reler, rereler ou até rerereler, mas muitas vezes as pessoas que acham obras de arte pretensiosas não as entendem e, uma vez que o meu português é fraco, podemos concluir que a minha opinião sobre este livro não vale nada.

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Procrastinação

Tenho uma lista de tarefas diárias porque a minha memória está feito num farrapo. Adicionei uma nova tarefa há uns dias mas andava a ignorá-la dia após dia. Senti-me faltoso e inquieto durante este tempo todo porque sabia quão importante era realizar o objetivo. Finalmente, ontem, sentei-me à escrivaninha e fi-lo. E foi fácil. E depois foi como se um peso tivesse sido levantado dos meus ombros. Não faço ideia de porque demorei tanto. Podia ter evitado os dias de má consciência se tivesse dedicado cinco minutos a cumprir o meu dever quando percebi que era necessário.

Thanks to Dani for the corrections

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Possessivos Alternativos

I was told I used “sua” and “seu” too much when “dela” and “dele” might be better. Dela and dele tell you about the gender if the owner, so it can be useful when you want to emphasise that it’s her sandwich you’re talking about, not his sandwich. If you just say “sua sandes” you can’t tell. Anyway, I wrote a text on which I did it in every case. But… Well, I might have gone too far…

Vamos hoje ao centro comercial fazer as compras. A minha filha vai para universidade daqui a 17 dias…

(pausa para hiperventilação)

…e precisamos de abastacê-la de frigideiras e colheres de chá e blablabla. A sua amiga dela quer ir connosco quando formos à universidade, para ajudar no processo de nidificação mas a sua universidade dela* fica longe daqui e o carro alugado é pequeno. A sua amiga dela é simpática mas não cabe no porta-luvas. Haverá muitas caixas e malas pesadas. Quando as levarmos do carro para o seu apartamento dela, ficaremos completamente suados dela** se usarmos dela** roupas de tecido grosso

O gif lá em cima pode representar eu a pensar na perda da filha, ou o Flip a tentar corrigir esta merda.

*Well, no, because I mentioned the friend most recently, so it sounds like I’m saying the friend’s university.

**obviously replacing sua from suados and se u from se usarmos with dela is just a joke.

Thanks to Cataphract for bravely stepping in to correct this car crash!

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Tomateiros

Este verão tem sido húmido e frio em Inglaterra. Isso não é assim tão estranho, e até chega a ser conveniente: durante a nossa estadia na Madeira, as plantas não morreram. Mas desde o nosso regresso, houve apenas… Sei lá… 3 dias de sol fraco. Os meus tomateiros andam carregados de tomates verdes e precisam de calor para se tornarem vermelhos mas estou prestes a desesperar.

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Futebol

Mais uma vez, encontro-me cheio de otimismo por causa do futebol. Como provavelmente já disse muitas vezes, estou-me nas tintas para o futebol, mas gosto muito do sentimento de alegria que se espalha por todo o lado quando uma equipa nacional ganha uma competição desportiva, portanto apoio sempre os ingleses quando percebo que estão perto de ganhar alguma taça , mesmo que eu seja escocês. Neste momento a seleção feminina inglesa está a preparar-se para enfrentar Espanha no final do mundial. Estou a vacilar entre “Não me importa” e “Força Leoas!”

(Added Next Day)

A equipa inglesa perdeu o jogo contra as espanholas. É uma desilusão, mas, por outro lado, consegui correr no parque com ele quase vazio porque toda a gente estava em casa a ver futebol.

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Rabo de Peixe

Rabo de Peixe é uma série da Netflix cujo enredo se desenrola nos Açores. Os protagonistas são açorianos jovens, pescadores e empregados dum videoclube. Todos têm os seus próprios desafios na vida: por exemplo, o pai do protagonista é cego, o da amiga dele é um bandido. Sonham com* melhorarem a vida ou escaparem-se da ilha.

Rabo de Peixe
Rabo de Peixe (aka “Turn of the Tide”)

As vidas deles mudam por completo quando um barco se afunda perto da ilha, espalhando caixas de cocaína, embrulhadas em plástico, ao longo das praias. Em breve, toda a gente tem a sua parte da carga. Padres, médicos, velhas, todos andam com pó em volta das narinas. Os protagonistas que sabem navegar põem-se a recolher as caixas restantes de vários esconderijos inacessíveis entre as rochas a beira-mar.

Nos dias seguintes, um grupo de polícias chega de Lisboa para trabalhar lado a lado com as forças da região autónoma, mas também chega um membro da máfia italiana, dono da droga, que quer recuperar a cocaína perdida.

É uma das séries mais bem realizadas que já vi em português. A cinematografia é incrível e os atores, incluindo o comediante Salvador Martinha, protagonizam os seus papéis muito bem. Existem vários buracos no enredo, mas não há nada perfeito.

*I’ll never get used to the fact that you dream with something, not of something.

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Yeast of Yeetin’

Há uns dias uma jornalista feminista chamada Julie Bindel escreveu um artigo sobre o seu desdém com um tipo de pão: o sourdough, ou seja pão de massa ácida. A escritora é famosa no Reino Unido pelas suas opiniões fora de moda sobre um leque de questões polémicas, mas pela primeira vez foi alvo de “cancelamento” porque estava farta de comer pão grosseiro.

Pessoalmente, concordo com ela, mas apenas a noventa e nove por cento: numa entrevista ela disse que responsabiliza os homens machistas por terem infligido esta desilusão ao mundo. O quê? Tanto quanto sei, é mil vezes mais apreciado por mulheres. A minha esposa prefere, as minhas amigas online também gostam. Até existem mulheres aleatórias no Twitter que ameaçam retirar o meu direito de beber ginginha quando desprezo este pão desanimador. Elas sabem quem são(1).

Então porque é que Julie Bindel nos quer censurar a nós homens inocentes?

Deixem-nos em paz, feministas, estamos a comer pão normal. Com manteiga, caralho! Vocês devem é culpar a padeiriarquia(2)

The Pimping of Crustitution

(1) Bad form to make in-jokes, i know, but one of the correctors on the reddit group commented under something I’d said about sour things not being as good as sweet things, saying that I had lost the right to enjoy booze flavoured with sour cherries. So, I was just incorporating that into my rant, really.

(2) o trocadilho é desajeitado porque “patriarquia” não existe, segundo o priberam mas vi a palavra online e acho que o propósito é mais nítido do que seria se tivesse escrito ‘padeiriarcado’.

Thanks to Dani for the corrections

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Filha de Peixe Sabe Programar

Ufa, que alívio! A minha filha recebeu os resultados dos seus exames. Foi aceite* na universidade da sua primeira escolha. Vai estudar programação de videojogos na Universidade Abertay em Dundee, na Escócia. Estou tão feliz. Durante as últimas semanas, ela andava a dizer “chumbei, pai, eu sei que chumbei!” mas não, o seu trabalho deu em sucesso.
Pena que não saberá a alegria de migrar bases de dados como o seu pai, mas ser um criador de videojogos, por mais banal que seja, é trabalho honesto e não há vergonha nenhuma nisso.

* aceite vs aceita here

Obrigado pr01b1d0!

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Uma Conversa no Jardim

Falei com a anfitriã do Podcast sobre o qual escrevi há uns dias. Parece-me uma professora simpática, e o Podcast é uma ideia interessante. Éramos três: uma búlgara, uma espanhola e eu. O plano da professora é recrutar 15 pessoas de várias nacionalidades. Sendo fora de casa, no jardim do arquivo nacional, havia muito barulho de aviões a sobrevoar o bairro, rumo ao aeroporto Heathrow e de gansos à minha volta à procura de migalhas de pão. Quando ela marcar uma data para gravar o episódio, escolherei um lugar mais sossegado!

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Brasuguês Portuleiro

The book I’m reading right now is a classic Brazilian book, “Capitães da Areia” by Jorge Amado, about a group of street kids in Salvador da Bahia in the 1930s. My edition was published by a portuguese company called LeYa, and advertised under the government’s Ler+ initiative. At first, I thought someone at the publishing house had tweaked the language to make it more understandable to portuguese readers. Let me explain why, and why I was wrong.

As you probably know, (check here if you don’t) Brazilians typically address each other as “você” in their conversation and change the verb endings accordingly. “Tu” is more common in Portugal.

What’s weird about this book is, the characters all address each other as “tu”, after the European style, but the verb conjugations all use the você form. This looked like a mistake to me, so I went online to ask if maybe someone had screwed up at LeYa HQ.

Here’s my question in portuguese, and I’ll put a summary of the answer down below in English.

Capitães da Areia - Folha da Guarda

Estou a ler um livro brasileiro chamado Capitães da Areia, mas ao que parece a editora, Leya, mudou determinadas frases para soarem mais naturais a um leitor europeu. O resultado é… Surpreendente. Ou pelo menos eu fiquei surpreendido. Há montes de diálogo onde o pronome é “tu”, como se usa em Portugal, mas o verbo fica na terceira pessoa como se seguisse o pronome “você”

“Tu quer me fazer um favor”

e

“Tu liga para guarda?”

e

“Tu sabe, Sem-Pernas, que ele é um bicho calado”

Isto tudo está errado ou eu estou a enlouquecer? Ou… Talvez haja uma explicação melhor. É normal em PT-BR? A maior parte da história parece-me como o original (calão e vocabulário brasileiros, “trem” em vez de “comboio”, etcetera. Até há um daqueles “us” com hum… Umlaut… (Google) Trema! U com trema, que nem sequer existe em PT-PT, nem antes do AO nem depois.

Many of the replies said yes, this was a horrible disgrace, but there were quite a few brazilians who told me that all this is normal: it’s just a dialect spoken in some parts of southern Brazil. Besides, they added, the street kids haven’t really had the benefits of education, so it’s no surprise that they don’t have immaculate grammar.

There are a couple of ways of approaching the question of how to define good use of a language. The first is prescriptivism, which says there is one correct way of speaking and anything that deviates from it is wrong. The second is descriptivism, which starts from the premise that if people are speaking in a non-standard way and being understood by the people around them then they are just speaking a different version of the language, using different rules, and the linguists’s job is to describe what they’re doing, not to tell them they’re wrong. Most linguists and dictionary writers tend to be descriptivists on principle* with some exceptions**. I tend to be mostly descriptivist until someone tells me that ‘literally’ can mean ‘figuratively’, at which point I reach for my kalashnikov.

So, for example, you could argue that Brazilian portuguese is bad portuguese because it has diverged from the standard form of the language, spoken in Lisbon. But you could equally well say the same about Madeiran portuguese, or. Scouse English. In fact, if you wanted to be very hard-line about it, you could say portuguese is badly-spoken Latin since it has deviated from the language the Romans brought there in the third century BC.

Let’s say, for the sake of argument, that portuguese is it’s own language now, and that Brazilian portuguese is one among many dialects of Portuguese spoken in Portugal and it’s former colonies. But what about within Brazil? Is this Salvador de Bahia variant a separate dialect that has diverged and formed its own rules or are it’s speakers just hicks whose babbling would be scorned by educated people in Rio, let alonwle Coimbra?

The answer probably depends on your personality and your politics, but for me, as a learner, I just have to appreciate the book for what it is: a milestone of literature in portuguese. Let the linguists argue over the details.

If you’re studying a language, you should probably think like a prescriptivist because the people marking your work will be following a standard. If you use a você verb ending with someone you’ve addressed as tu, they won’t treat that as a delightful regional variation, they’ll just deduct marks. I made this point in what I thought was a light-hearted way to a strong descriptivist who told me “right and wrong don’t exist” when it comes to questions of language, but I got downvoted, suggesting most people disagreed. 😂

Cancelled for my prescriptivist tendencies

* If you haven’t read “The Meaning of Everything” by Simon Winchester I can recommmend it, and it addresses why early lexicographers made this choice.

**There have been some famously sarcastic and biased definitions in English dictionaries in the past. More recently, prescriptivist tendencies have come out in attempts by activists to get the meanings of words changed in order to short-circuit debate and bring about social change in a more top-down way. The most famous was this one in the aftermath of the George Floyd murder.