Another text that hasn’t been proofread #UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON
Hello, ladies!
Este senhor, Tristão Vaz Teixeira, também conhecido por Tristão das Damas, aparece em pacotes de açúcar na Madeira. Ao ver o nome dele, assumi que haveria uma outra explicação pelo apelido. Por exemplo, uma dama é uma peça num jogo. “Talvez”, pensei, “os cabeços de amarração, que parecem estas peças, também sejam chamados por damas, e este homem era um capitão dum nave ” Mas enganei-me, ele era um poeta madeirense cortês, que fez vários motes a mulheres e por isso ficou conhecido por esse apelido. Contudo, o seu pai, Tristão Teixeira era navegador mesmo, portanto, eu não era assim tão longe da verdade!
The lyrics of this one remind me of X-Ray Spex: the idea that consumer society means everything – and everybody – is plastic and disposable. I can’t say I enjoyed it as much as X-Ray Spex, unfortunately, but each to their own. Chiclete is one of those annoying words that’s feminine in European Portuguese and masculine in Brazilian Portuguese. I think “Pastilha Elástica” is a more common way of describing chewing gum, but I guess it doesn’t sound as good in the song, so here we are!
Portuguese
English
E como tudo o que é coisa que promete A gente vê como uma chiclete Que se prova, mastiga e deita fora, sem demora Como esta música é produto acabado Da sociedade de consumo imediato Como tudo o que se promete nesta vida, chiclete
And like everything promising We see it like a chiclet That can be tasted, chewed and thrown away without delay Like this song is a finished product Of a consumer society Like everything promising in this life, chiclet
E nesta altura e com muita inquietação Faço um reparo e quero abrir uma excepção Um casse-tete* nunca será não, chiclete Pra que tudo continue sem parar Fundamental levar a vida a dançar Nesta vida que tanto promete, chiclete
And right now, and with a lot of agitation I make a correction and I want to make an exception It will never be a puzzle, chiclet So that everything continues without stopping It’s essential to go through life dancing In this life that promises so much, chiclet
E como tudo o que é coisa que promete A gente vê como uma chiclete Que se prova, mastiga e deita fora, sem demora Como esta música é produto acabado Da sociedade de consumo imediato Como tudo o que se promete nesta vida, chiclete
And like everything promising We see it as a chiclet That can be tasted, chewed and thrown away without delay Like this song is a finished product Of a consumer society Like everything promising in this life, chiclet
I was hoping to get this proof-read, but I guess it’s not happening, so this goes out under the #uncorrectedportugueseklaxon
Toda a gente no meu círculo social online está a elogiar uma Açoriana que se chamava Natália Correia e muitas pessoas têm livros dela nas suas páginas do Goodreads. A razão por tantas pessoas lerem a mesma autora é que o centenário do nascimento dela já passou no dia 13 deste mês. Confesso que nunca ouvi falar dela mas li a sua biografia e uau, parece que ela viveu uma vida cheia de ação e animação. Participou no movimento contra o Estado Novo, e até fez parte na publicação das Novas Cartas Portuguesas. Escreveu vários livros que estende-se por géneros diversos, incluindo poesia, ensaio e romances. Após a revolução dos cravos, continuou a intervir ao nível da cultura e da política. Foi eleita e serviu como deputada na Assembleia da República a partir de 1980. Ui… Pretendia alistar todas as conquistas e os êxitos da vida dela mas há tantos e não quero escrever toda a noite. Faleceu em 1993 com 69 anos tendo vivido, tanto quanto constatei, 100 vidas.
I was hoping to get this proof-read, but I guess it’s not happening, so this goes out under the #uncorrectedportugueseklaxon
Ontem, descobri que existe um tradutor Online do código Morse, a sistema de representar palavras através de uma série de pontas, traços e espaços. Não é assim tão surpreendente que tal coisa existe em 2023, mas nunca antes pensei nisso.
Este audiolivro é um breve resumo do mundo dos livros: a paixão que os leitores sentem em relação às suas bibliotecas e as mudanças trazidas pela tecnologia: como sobreviverão os alfarrabistas face ao poder da Amazon? Embora o foco do livro seja em Portugal, esta questão existe ao nível global, e o autor fala sobre, entre outras coisas, a famosa aldeia dos livreiros, Hay on Wye no país de Gales, que é um dos meus sítios favoritos.
Desde que estabeleci uma associação de moradores, a minha vida anda cheia de trabalho. Tenho uma vizinha que está sempre a pedir favores. Acabei de imprimir 4 fotos para ela e logo lhas entreguei, ela respondeu “podes fazê-las menores?” Oh minha senhora, são quase 22h! Não é um cargo que fica bem num introvertido.
“Li” este livro com os ouvidos (sempre que digo isto, as pessoas explicam que devo dizer “ouvi”: está bem, mas gosto de dizer “ler com os ouvidos”. Deixem-me fazer as minhas parvoíces de velho!), que tornou-o mais difícil. Geralmente, se não percebo alguma coisa, viro-o de volta e leio as ultimas páginas, mas com um audiolivro, sobretudo enquanto estou a lavar a loiça, não é nada fácil, e pouco a pouco, perdi o fio a meada. O livro conta as histórias de pessoas diversas que se juntam para formar uma família. Entendi basicamente tudo, e gostei dos acontecimentos individuais, as personagens e o estilo do autor, e o fato de ele ter gravado o seu próprio livro, mas conseguiria resumir a história? Dificilmente… Acho que vou voltar a este livro e ler mais uma vez, talvez com os olhos.
I’m in a translation mood again, and this one is a more traditional number: Lisboa, Menina e Moca by legendary fadista Carlos do Carmo. It’s pretty well known, and I hear it very often, so this is one of those songs to be aware of. The title is literally “Lisbon, Girl and Young Woman”, and he’s basically talking to the city as if it it was a girl and he was trying to – as the young folk say – rizz it up. It strikes me as a tiny bit cringe, but maybe that’s my cultural perspective. Let’s dive into the lyrics and see what it’s like. The version I’ve chosen is from an appearance on The Voice Portugal, and it’s notable because he breaks off part-way through to tell the young people in teh audience to stop clapping because it’s fado, not rock, which is a classic old dude move. That’s enough of your malarkey, Jack!
Portuguese
English
No Castelo ponho um cotovelo Em Alfama descanso o olhar E assim desfaço o novelo de azul e mar Á Ribeira encosto a cabeça Almofada da cama do Tejo Com lençóis bordados à pressa na cambraia dum** beijo
I put one of my elbows on the castle I rest my gaze on the Alfama And like that, I undo the knot* of blue and sea I lean my head on the Ribeira The pillow on the bed of the Tejo With hastily-embroidered sheets, in the cambric of a kiss
Lisboa, menina e moça***, menina Da luz que os meus olhos vêem, tão pura Teus seios são as colinas, varina**** Pregão que me traz à porta, ternura Cidade a ponto-luz, bordada Toalha á beira-mar, estendida Lisboa, menina e moça, amada Cidade mulher da minha vida
Lisboa, girl and woman, girl By the light my eyes see, so pure Your breasts are he hills, sea lady The call that brings me to the door, tenderness CIty with points of light, emroidered Towel by the seashore, stretched out Lisbon, girl and woman, loved City, woman of my life
No Terreiro eu passo por ti Mas na Graça eu vejo-te nua Quando um pombo te olha, sorri, és mulher da rua E no bairro mais alto***** do sonho Ponho um fado que soube inventar Aguardente de vida e medronho******, que me faz cantar
On the Terreiro, i pass by you But in Graça, I see you naked When a pigeon sees you, it smiles, you are a woman of the road And in the highest suburb of the dream I give you a fado that I knew how to invent Brandy made of life and fruit that makes me sing
Lisboa no meu amor, deitada Cidade por minhas mãos, despida Lisboa, menina e moça, amada Cidade mulher da minha vida
Lisboa on my love, laid City by my hands, undressed Lisbon, girl and woman, loved City, woman of my life
*Novelo usually means a ball of thread or a cotton reel, but can mean a complicated thing, so I’m thinking he’s talking about a knot that he’s undoing, rather than a cotton reel – it just seems to make more sense in the context but I could be wrong.
**I couldn’t make any sense of this and thought he was saying “dei um beijo”, but that ain’t it chief! He’s just comparing the lightness of a kiss to the lightness of the material. There’s an explanation of all this needlework metaphhor here if you want to know more.
***I’m, translating moça as woman, not young woman, because I think it sounds better. FIght me! By the way, Menina e Moca is also the name of an early portuguese novel by Bernadim Ribeiro. Maybe there’s a link?
****Eesh! How to translate this? I think he’s saying she’s a woman who lives by the side of the sea – the second meaning given on Priberam – and that woudl make a certain amount of sense.
*****Referring to the Bairro Alto neighbourhood, of course, a wretched hive of wine and fadory if ever there was one
Esta BD é a terceira das três do mesmo autor que comprei de uma vez, e gostei de todas. Parece-me que ele é um homem que não se importa correr riscos na sua arte. A segunda (que não resumi porque é em inglês) tem um pedófilo como protagonista, e o desta é um racista da velha guarda, que, além de ter opiniões nojentas e/ou patéticas, quando lutava na guerra colonial, cometeu um crime grave. A revelação causa ondas nas vidas dos outros em seu redor. Assim como o segundo, este livro espantou-me, mas não cheguei ao nível de boquiabertice* que senti após fechar a capa d'”O Cuidado dos Pássaros”.
*This is a made-up word of course. Estupefação would be better