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Diabo na Cruz – Vida de Estrada

OK, well this is one of the bands I listened to the other day and liked enough to want to dive into their lyrics. It’s not an easy one because a lot of it is lists of things and events, like the lists in “Its the End of the World as we Know It” by REM or “We Didn’t Start the Fire” by Billy Joel and I am pretty sure I am missing some of the references. I’ll put links on the ones I recognise because it’s probably easier than writing 30,000 words of footnotes. Speaking of feet, there’s a really excellent live video out there and teh lead singer has a cast on his ankle, so well done him for not calling in sick that day!

🇵🇹🇬🇧
Siga em fila vai
Nove emprego cinco sai
Quinto império do atalho
Bomba, escola, pão, talho
Form a line, go
Nine employed, five leave
Fifth empire by a shortcut
Bomb, school, bread, meat
Trívia e televisão
Aurora do quadrilião
No ar um cheiro a esturro
Bom pró esperto, mau pró burro
Trivia and television
Glow of the quadrillion
In the air a smell of burning
Good for the smart, bad for the stupid
Perto, tão perto do oásis no deserto
Longe, tão longe de ir lá hoje
Mora, demora
O que é bom nunca é pra agora
Quem me dera ir daqui pra fora
Close, so close to the oasis in the desert
Far, so far from getting there today
Lay, delay
What is good is never for now
I wish I could get out of here and away
Trânsito no Jamor
A ouvir notícias do terror
Troika, bolha imobiliária
É cara a vida e a pensão precária
Traffic on the Jamor
Hearing news of terrorism
The Troika, a property bubble
Life is expensive, and pensions at risk
Água, cabo, net
Luz, ginásio, yoga, creche
IUC, IMI, IRS
Paga paga, esquece esquece
Water, cable, internet,
Lighting, gym, yoga, creche,
IUC,IMI,IRS
Pay, pay, forget, forget
Fraco tão fraco o sol neste buraco
Boa, tão boa a vida boa
Mora, demora
O que é bom nunca é pra agora
Quem me dera ir daqui pra fora
Weak, it’s so weak, the sun in this hole
Good, so good, the good life
Lay Delay
What is good is never for now
I wish I could get out of here
Mergulhar mãos no volante e adiante
Pra qualquer lugar
Vidro aberto, rádio alto, no asfalto
Sem me apoquentar
Saborear o mar, as serras
Cobrir-me de pó e geada
Roer o osso desta terra
Na vida de estrada
Grab the steering wheel and go
To anywhere
Window open, radio loud, on the asphalt
Without fear
To enjoy the sea, the mountains
get covered in dust and frost
Chew the bones of this land
In life on the road
Sismo no Japão
Zara, nova coleção
Espionagem, guerra, muda o tema
Woody Allen no cinema
Earthquake in Japan
Zara, new collection
Espionage, war, change the subject
Woody Allen at the cinema
Zapping e jornal
Série e logo futebol
O vizinho num concurso
A fazer figura de urso
Channel-hopping and news
Series and then football
The neighbour in a competition
To act like an idiot
Chato, tão chato papar grupo barato
Oco, tão oco o circo louco
Mora, demora
O que é bom nunca é pra agora
Quem me dera ir daqui pra fora
Annoying, so annoying, support cheap group*
Hollow, so hollow, the crazy circus
Live, delay
What is good is never for now
I wish I could get out of here
Mergulhar mãos no volante e adiante
Pra qualquer lugar
Vidro aberto, rádio alto, no asfalto
Sem me apoquentar
Saborear o mar, as serras
Cobrir-me de pó e geada
Roer o osso desta terra
Na vida de estrada
Grab the steering wheel and go
To anywhere
Window open, radio loud, on the asphalt
Without fear
To enjoy the sea, the mountains
get covered in dust and frost
Chew the bones of this land
In life on the road
Onde não há prazos nem obrigações
Não há debates nem euromilhões
Onde o sol eleva e a frescura acata
Sem consulta ao homeopata
Onde a cura é sem vacina
E a cardina é sem pesar
Por lagoas e colinas
Vê-se a lágrima a secar
Dá o vento na cara
E nada nos pára
Nada nos pára
Where there are no deadlines or obligations
No debates, no euromillions
Where the sun lifts you and the coolness follows you
Without an appointment with the homeopath
Where the cure doesn’t take a vaccine**
And the grime doesn’t weigh you down
Through lakes and hills
Feel the wind in your face
And nothing will stop us
Nothing will stop us
Perto, tão perto do oásis no deserto
Longe, tão longe de ir lá hoje
Mora, demora
O que é bom nunca é pra agora
Quem me dera ir
Quem me dera ir daqui
Quem me dera ir daqui pra fora
Close, so close to the oasis in the desert
Far, so far from getting there today
Delay, delay
What is good is never for now
I wish I could get out
I wish I could get out of here
I wish I could get out of here and away
Mergulhar mãos no volante e adiante
Pra qualquer lugar
Vidro aberto, rádio alto, no asfalto
Sem me apoquentar
Saborear o mar, as serras
Cobrir-me de pó e geada
Roer o osso desta terra
Na vida de estrada
Grab the steering wheel and go
To anywhere
Window open, radio loud, on the asphalt
Without fear
To enjoy the sea, the mountains
get covered in dust and frost
Chew the bones of this land
In life on the road

*best guess is that he’s saying you should support independent artsists

**They broke up in 2019, in case you were wondering if this was some sort of covid reference

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Dores de Nádegas

Tenho uma tradição anual de ir de bicicleta até Cambridge, (a Coimbra de Inglaterra). Este ano, planeei em fazer a minha peregrinação no dia 24 para assistir ao concerto de Richard Thompson (um guitarrista que conjuga música folclórica com o rock) no dia 25. Mas, estando doente, não consegui viajar na sexta, portanto adiei para o sábado, o dia do concerto. Estava ligeiramente preocupado porque Cambridge fica 60-e-tal milhas (100 quilómetros, mais ou menos) do meu bairro e achava que me custaria chegar a horas. Felizmente correu tudo bem, e cheguei à cidade, uma hora antes do concerto. Não me senti muito cansado, mas eh pá, o meu rabo está com tantas dores… Também tenho formigueiros nos dedos por causa da pressão dos meus pulsos no guiador.

Antes de arrancar, lubrifiquei a corrente, o câmbio traseiro, e os manetes de travão, e enchei os pneus para não desperdiçar energia a combater fricção, mas devia ter posto uma almofada no selim também.

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Rrr

Uma vez, passei a noite no palácio do Rei de Rússia, a beber rum. Mas vi um rato a aproximar-se de garrafa e fiquei preocupado caso algo acontecesse que não fosse capaz de descrever.

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Babysitter

Como se diz “babysitter” em português? Não há nada mais fácil: Babysitter.

Também existe “babá” em PT-BR e “ama” em PT-PT

Essa última, “ama”, chamou-me* a atenção porque nós tivemos uma “amah” quando éramos novos em Singapura. Será que as duas palavras estão interligadas? Fica a pergunta. Segundo o dicionário Priberam, a origem é “latim hispânico amma, mãe, dona de casa

Entretanto, o Free Dictionary diz que amah é “a housemaid or children’s nurse, especially in East Asia and Southeast Asia.” Está bem, não me admira, porque encontrei-a em Singapura. Então qual a origem? Se fosse uma palavra chinesa, ficaria surpreendido, mas não seria a maior coincidência de sempre: palavras usadas por bebés têm de ser fáceis, e é muito fácil para os nossos concidadãos desdentados balbuciar o som “amamam”. É mais do que possível que a palavra possa ter-se desenvolvido em simultâneo no Porto e em Pequim.

No fim, soprei o pó do topo do meu dicionário. Acredites ou não, antigamente, os dicionários eram publicados por editoras e tinham páginas feitas dos cadáveres de árvores. E segundo o Chambers English Dicionário…

… a nossa “amah” é oriunda de Portugal. Pergunto-me qual foi o rumo da palavra. Será que percorreu as rotas marítimas para Macau ou Goa e a partir daí espalhou-se para as colónias britânicas na vizinhança? Ou os comerciantes do vinho do Porto adotaram-na e levaram-na diretamente para a Índia? Não faço ideia! Mas é interessante, não é? Mais uma palavra roubada aos tugas!

Uma ama-de-leite é uma mulher que amamenta uma criança alheia (“wet nurse”) e existe uma lenda sobre a invenção da rabanada A rabanada é o que nós chamamos “french toast”, “gypsy toast” ou “eggy bread” mas os portugueses polvilham-nas de açúcar e canela. Em Inglaterra, toda a gente sabe quem inventou este petisco tradicional: a nossa avó. Mas em Portugal, segundo a lenda, foi inventada por uma mulher que, tendo poucos ingredientes doados pelos vizinhos, combinou-os com tanto sucesso que depois conseguiu amamentar as crianças dos outros, como ama-de-leite.

*I originally wrote “agarrou-me a atenção”. I don’t know where I got the idea that was a thing, it is not a thing.

As ever, thanks to Cristina of Say It In Portuguese for the corrections.

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Salsichas, Ovos e Batatas Fritas Se Faz Favor

Esta frase foi uma das primeiras que aprendi quando fiz os meus passos iniciais no caminho para a fluência. É uma tradução de uma piada de Eddie Izzard, quando aquele comediante ainda tinha graça. Faz referência à tendência dos anglófonos para se fazerem surdos às outras línguas e culturas do mundo. “Chegamos ao Afeganistão” disse ele, “e dizemos ‘sausage egg and chips please'” 

Lembrei-me disto hoje porque encontrei esta loja online onde se vendem camisas de ciclismo que acho muito giras. Pois, custam os olhos da cara, mas são lindíssimas!

Mas… Espera lá… A loja fica no Porto, e usa materiais de fábricas locais mas… O site não tem uma versão portuguesa? Que raios? Buuu, hipsters, Buuuuuu!

(thanks to Cristina for spotting the horrible mistakes in the first version of this)

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Expressions of Expiration

Após ter escrito um blogue sobre expressões para descrever a morte em inglês, decidi voltar ao assunto com um resumo das expressões equivalentes em português. Roubei-as todas de um podcast mas vou parafrasear as definições para fazer um treino mental! A maioria são eufemismos, mas também existe a palavra “disfemismo” que é o oposto, e provavelmente existe em inglês mas nunca se usa, portanto é quase desconhecida, mas quer dizer uma expressão propositadamente irónica ou crua para distrair da realidade da morte quando perdemos alguém.

On of my subscribers reading today’s blog

Então, vamos a isto!

A hora dela tinha chegado – temos esta expressão em inglês também. Significa que a hora da morte da pessoa já chegou

Estar com os pés para a cova – estar quase a morrer

Abotoar o paletó – uma expressão brasileira. Um paletó é uma espécie de casaco largo com bolsos que se usa por cima de outra roupa. Podemos imaginar um cadaver vestido de “fato domingueiro.***

Dormir o sono eterno – esta não precisa de mais explicação, acho eu

Morar para a companhia dos pés juntos – uma expressão militar: uma companhia é um grupo de soldados

Bater as botas – Ainda que já conhecesse esta expressão, eu não sabia que tinha raízes na vida militar: bater as botas é o ato de bater com os calcanhares quando um soldado sai da presença de um superior.

Bater a caçoleta – provavelmente é oriundo da mesma fonte: uma caçoleta é uma arma de fogo.

A última morada – o cemitério, obviamente!

Estar nas Malvas e Jardim das Tabuletas – também se referem ao cemitério. O primeiro enfatiza a presença de uma flor chamada malva (o que nós ingleses chamamos “mallow“) enquanto a segunda faz referência às peças de madeira ou de pedra (lápides), entalhadas com os nomes dos falecidos.

Entregar a alma ao Criador – Uma expressão religiosa, clara

O catolicismo também nos deu Ir desta para melhor e Ir para a terra da verdade* – ambas razoavelmente compreensíveis sem explicação

Esticar o pernil – Este disfemismo faz referência à matança de um porco(!) que, na hora da sua morte, dá um coice reflexivo.

Dar o peido-mestre – é uma versão disfemístico do mais certo “Dar o último suspiro” o que será familiar entre os leitores anglófonos!

Fazer Tijolo(s) – o autor do texto deixou o melhor para o fim: após o grande terramoto de lisboa, os portugueses daquela época precisaram de barro para fazer tijolos. Incluído nesta busca de materiais foi um campo de terra argilosa onde os colonialistas** muçulmanos enterraram os seus mortos antes da reconquista. Os ossos deles (que naquela altura tinham à volta de quinhentos anos!) fizeram parte dos tijolos, e a expressão faz referência a essa profanação.

* This one came up in a previous blog post when I was trying to learn poems by heart. I was studying Rustica by Florbela Espanca and I was confused by her direction of travel. The line was Quando descer à “terra da verdade”… and I mused “I’m not sure what the land of truth means here(…). If it’s heaven, why is she descending and not ascending? I’ve read the bible and spent a lot of time in church but this makes no sense to me I’m afraid.”

**I originally wrote “colonistas” but note that this word doesn’t seem to mean the same as colonist in English. It’s a near synonym of colonialista. I changed it to the more common version, although I think colonizador is probably the word I should have used…?

***Not in the original text, but priberam also has “vestir o paletó de madeira” which is probably what I should have used in place of my earlier blog title “sobretudos de madeira” and might be an explanation of “abotoar o paletó” as well, instead of the one I’ve given in the text (which I found online somewhere…)

If you’d like to know more about this, the original podcast episode is here

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for correcting this text.

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Regras de Isolamento

Já li três romances desta autora mas este livro é um diário no qual ela fala do seu confinamento em casa e dos seus pensamentos e leituras durante a época mais escura da nossa história recente. Gostei menos deste do que da sua ficção (principalmente “A Visão das Plantas” que foi um dos meus livros favoritos do ano 2023) e, com o conjunto de fotos aborrecidas tiradas pelo conjuge dela, a preto e branco, senti-me ligeiramente deprimido quando virei a última página.

Para ser justo, não estou no melhor estado do espírito, atualmente, para digerir ensaios sobre assuntos pesados, e talvez o tenha julgado mais severamente do que era preciso, mas sinto o que sinto, e não gostei deste livro como dos outros…

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Sobretudos de Madeira

Simon Farnaby
Say what you like, this was Simon Farbnaby’s finest hour!

This little exercise is an answer to a question about euphemisms for death in english. None of the translations of english expressions really exist in portuguese. I think I’ll be doing one about actual portuguese expressions around death in a couple of days though. There are loads to choose from!

Sim, existem certos eufemismos ingleses para abrandar o choque de falar sobre a morte de alguém. Além de termos o nosso equivalente da palavra “falecido” (“deceased”), é muito comum falar de um familiar como “no longer with us” (já não está connosco) ou ter “passed away” (foi-se embora). Isto acontece principalmente quando falamos com pessoas que perderam recentemente alguém. Acho que usamos este abrandamento para não magoar alguém por lhe lembrar abruptamente a sua perda. Também temos as nossas expressões coloquiais, muitas das quais são parecidas com as vossas. Por exemplo, nós também vamos desta para melhor (os religiosos dizem “com Jesus”). Não batemos botas nenhumas, mas pontapeamos baldes*? Sim senhora! E também compramos quintas**, mordemos o pó***, rebentamos os nossos… hum… (folheio o dicionário) tamancos****, vestimos sobretudos de madeira***** e empurramos os malmequeres para cima******. Até certo ponto, esta capacidade de rir com a morte é encorajadora. Desrespeitando o ceifador por falar nele assim, ficamos cada vez mais capazes de pensarmos no inevitável fim das nossas próprias vidas sem ficarmos deprimidos.

*Kick the bucket

**Buy the farm

***Bite the dust

****Pop your clogs

*****Wooden overcoat

******Push up the daisies

Thanks as always to Cristina for correcting this lot.