Category: Portuguese
Madeira em Chamas
Provavelmente já ouviste dos incêndios no arquipélago da Madeira. É uma tragédia. Nos dias de hoje, este tipo de incêndio descontrolado é cada vez mais comum, mas na Madeira, uma ilha remota cujo território é íngreme, bem florestado e pouco acessível, combater as chamas é altamente desafiante.

Hoje, li uma carta anónima, publicada no site do Correio da Madeira que explica o problema, na opinião de um cidadão. Segundo o autor, a ilha perdeu 8 mil hectares de floresta em 7 dias (a carta apareceu no dia vinte de Junho e este número está quase certamente desatualizada). Apesar de ter 700 bombeiros, ele diz, apenas cem foram destacados para lidar com as chamas. Como resultado, os bombeiros estão exaustos e os agricultores e moradores têm de agir como bombeiros na sua própria terra. Ainda por cima, o único helicóptero que existe na ilha é demasiado pequeno para controlar os danos. O autor reconhece o facto de helicópteros custarem uma pipa de massa (19-32 milhões de euros) mas afirma que o custo de inação é ainda maior.
O escritor da carta responsabiliza o governo autárquico: o presidente regional e o Secretário da Proteção Civil estão de férias e a Secretária de Agricultura, Pesca e Ambiente desapareceu. Esta ausência representa uma demonstração chocante da irresponsabilidade e da falta de competência. Ainda por cima, o autor denuncia a tendência do governo negligenciar as vitimas deste tipo de catástrofe. Segundo ele, quando os fundos forem proporcionados, “uma fração” do dinheiro chegará aos donos das quintas, e depois os promotores imobiliários terão uma oportunidade comprar as terras queimadas para construir casas de luxo nas cinzas da manta das tanarifas*
Claro está que o escritor está farto disto tudo e coloca uma pedra no assunto com uma mensagem simples: a Madeira merece melhor.
*Esta frase não se usa no texto; refere-se a esta lição no dialecto madeirense
Cabidela 2
Challenge following on from this note-taking exercise Vendo este vídeo pela terceira vez, marcou-me quão irritante é o apresentador. Os comentários sob o vídeo culpam os dois apresentadores por terem falado de mais. A sério? Ela fala tanto quanto ele? Falar fala, mas numa maneira apropriada à ocasião. O macho não. Está sempre a interromper. Ela tem a paciência de Jó. Como é que ela não o esfaqueou com uma faca de descascar*?
Lista de palavras usadas associadas diretamente com a gastronomia/culinárias/métodos de cozinhar ex. estrugido (AKA refogado)
- Confeccionar** (basically cook something from scratch)
- Flor de sal (salt crystals)
- Picar (chop)
- Caldo (stock) not to be confused with calda – a sugar solution
- Aletria (o pudim no balcão que a apresentadora começa a trincar no meio do programa)
- Cozido (confusingly can mean boiled (pp of “cozer”) but can also be an assemblage of different foods)
- Condimentos (condiments, surprisingly)
- Apimentar (spice up)
- Olhos(??) de gordura (13:45)
- Toque de vinagre (Hint of vinegar)
- Temperar (season)
- À portuguesa (often preceded by “cozido” but not in this video – in a typically portuguese style)
- Macia (tender)
- Retifique (fine-tune)
- Recipiente de Barro (clay serving dish)
Quais são os critérios de avaliação das cabidelas?
20 pontos – Apresentação – incluindo a qualidade dos tachos, mas também o tamanho das peças, se o arroz está aglomerado etcetera
60 pontos – Sabor que tem a ver com as qualidades dos ingredientes
20 pontos – técnica de cozinha
*Different kinds of knives! Now there’s a whole area of vocabulary I haven’t even thought of! I got this name from this site.
**One of those words that is spelled with two Cs in Priberam even though it says right there at the bottom that the AO spelling only has one C
I must say, I found it pretty hard work. There’s a lot of rapid talking, over each other, in accents, as well as the vocabulary sometimes being technical and-or unknown. Focusing on the specific words really made me realise how much I was filling in the blanks as I was listening the first couple of times.
Dois Dedos de Testa
I’m trying to get familiar with Carolina Deslandes’ back catalogue now that I have tickets to see her. When I reached “Dois Dedos de Testa” I was intrigued by the title, which means “two fingers of forehead”. What could it mean? I went down a few dead-ends when I researched it: the first site I found was explaining that having dois dedos de testa (ie, a forehead that’s more than two fingerwidths deep) was a sign of whether or not a fringe would suit you. But I was pretty sure the sing wasn’t about hair styling. I finally found this page which sums it up in the first line
Ter dois dedos de testa costuma ser sinónimo de gente inteligente, com boa cabeça

So I think that’s the relevant meaning: being clever, having common sense. I’m going to translate “ter dois dedos de testa” as “to be smart” in the lyrics for simplicity’s sake and because “to have two fingerwidths of forehead” would sound ridiculous.
The video also starts with “fátima futebol fado”, which was the Estado Novo’s equivalent to “bread and circuses”: the way of focusing the population’s attention away from thoughts of revolution. She changes it to one she likes better.
All in all, I really like the lyrics. Sometimes I do these translations and the lyric are baffling, sometimes they’re too easy, but I like that this had some mysteries that could be solved and led me to discover new things.
| Português | Inglês |
|---|---|
| Ser mulher aqui é ser mulher de quem? Ter um papel assinado pra ser alguém Ser decente, quem se apresenta à mãe Mesmo que o filho não valha a mulher que tem | Being a woman here means being who’s wife?* To have a role assigned to be someone To be decent, someone fit to meet your mother Even though the son isn’t worthy of the woman he has |
| Ser mulher aqui é ser submissa Rezar o terço, dizer sim e ir à missa Não ter opinião, ser bonita Ser tão nova quanto o estado e andar bem vestida | To be a woman here is to be submissive Pray the rosary**, say yes and go to mass Don’t have a opinion, be pretty Be as young as the state*** and be well-dressed |
| E eu que tenho a liberdade debaixo dos braços Tenho brasas a arder debaixo dos pés Pus uma pedra sobre o meu passado E se o que eu sou ofende quem és | And i who have freedom in my grip**** I have coals burning under my feet I put a stone on top of my past***** And if who I am offends, who you are |
| Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa Que eu, eu quero esquecer Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa Eu, eu quero aparecer | Let me shake my head, put more wine on this table Because me, I want to forget I want to be the centre of the party, the subject of conversation Me, I want to appear |
| Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa Que eu, que eu hoje faço um brinde Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa Sou a voz e nem sou boa ouvinte | Let me shake my head, put more wine on this table Because me, I want to make a toast I want to be the mistress of the party, be smart I’m the voice and I’m not a good listener |
| Foi deixada, abandonada É carente e mal amada Está tão triste e tão sozinha Pobrezinha | She was left, abandoned She was needy and barely loved She’s so sad and so alone Poor thing! |
| Sem apelido e sem marido E de quem será o filho? Está cansada, ela trabalha Coitadinha, coitadinha | Without a surname, without a husband And who’s child is it? She’s tired, she works Poor thing, poor thing! |
| Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa Que eu, eu quero esquecer Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa Eu, eu quero aparecer | Let me shake my head, put more wine on this table Because me, I want to forget I want to be the centre of the party, the subject of conversation Me, I want to appear |
| Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa Que eu, que eu hoje faço um brinde Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa Sou a voz e nem sou boa ouvinte | Let me shake my head, put more wine on this table Because me, I want to make a toast I want to be the mistress of the party, be smart I’m the voice and I’m not a good listener |
| E eu que tenho a liberdade debaixo dos braços Tenho brasas a arder debaixo dos pés Pus uma pedra sobre o meu passado E se o que eu sou ofende quem és | And I who have freedom in my grip**** I have coals burning under my feet I put a stone on top of my past***** And if who I am offends, who you are |
| Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa Que eu, eu quero esquecer Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa Eu, eu quero aparecer | Let me shake my head, put more wine on this table Because me, I want to forget I want to be the centre of the party, the subject of conversation Me, I want to appear |
| Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa Que eu, que eu hoje faço um brinde (brinde) Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa Sou a voz e nem sou boa ouvinte | Let me shake my head, put more wine on this table Because me, I want to make a toast I want to be the mistress of the party, be smart I’m the voice and I’m not a good listener |
* This sentence loses a lot of its cleverness in the translation, I think
**Catoliquices! Actually, strictly speaking, the Terço is just part of the rosary, I think. I hung out with a lot of catholics at uni so I more-or-less know what this is about but I’m a bit vague about the details. Here’s what o Santuário de Fátima has to say about it if you’re interested.
***Another one that loses some of its force in english – it’s another reference to the Estado Novo, if I read it correctly
****Debaixo do braço is a set phrase meaning grasped under the arm, next to the body, so I am picturing her holding liberdade like a rugby ball
*****This one smelled like an expression too. Most results return as “colocar uma pedra sobre” and “pôr” is less common but obviously scans better. You can find both on this page. I think we’re meant to imagine the stone as a paperweight you put on your work when you’ve finished writing or something. It means what we would now call “drawing a line under” the subject, basically, putting a full stop to the sentence.
O Meu Sofrimento Insuportável
I made a load of stupid mistakes in the first version of this so it’s been fixed now and I have publicly shamed myself by footnoting all my errors
Durante o meu treino, o meu pé ficou preso* numa pedra e eu atrapalhei-me e cai no trilho da margem da ribeira Beverly. O meu joelho direito dói-me. Está arranhado, com pequenos ferimentos** e uma contusão. Felizmente, não é um daqueles feridos que põem fim ao treino. A rótula*** não está partida e não há nada torcido****. Ufa!

*I originally wrote “enganchado”, but that’s far too literal – not just caught but literally impaled on a hook (gancho)
** I keep forgetting this word exists. It’s too similar to ferramenta, I think, so it sort of slides into the part of my brain that deals with tool use instead of living with ferida (also an injury) and ferir/ferido (verb to injure)
*** “Patela” does exist in portuguese, and that’s what I wrote originally but it caused as much confusion as if I said “patella” in a normal english conversation when I meant “kneecap”
**** Embarrassingly wrote “torcida”, signalled by the a on the end of “nada”. Nada is an indefinite pronoun, and even when it’s acting as a noun it’s masculine – detail here.
O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo
So one of the exercises in Português em Foco just casually says “Read the book O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, by Germano Almeida and complete the following questions”. LOL, well, that’s quite an exercises there, lads. OK, I already have 6 books on the go so I’ll fill in the detail but I decided to watch the film adaptation instead because I need listening practice more than I need reading practice. Here’s the film in case anyone else reading this is interested, and my answers are in the table below, with the book stats nicked from the Wook product page.
| Título da obra: | O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo |
| Editor: | Editorial Caminho (filme realizado por Francisco Manso) |
| Local e data da edição da obra: | Portugal, 1989 (filme 1997) |
| Informações sobre o autor (biografia resumida): | O autor é um cabo-verdiano que nasceu no fim da segunda guerra mundial. Trabalhou como advogado e estabeleceu uma revista literária. |
| Outras obras do autor (bibliografia): | O Fiel Defunto Estórias contadas A Confissão e a Culpa |
| Resumo / sinopse da obra: | A ação passa-se em Mindelo em Cabo Verde. Uma mulher descobre que é a filha ilegítima do recém-falecido senhor Napomuceno de Silva Araújo. Com ajuda das cassettes que ele lhe deixou, começa a constatar os factos da vida dele. Ouve dos seus negócios, os seus namoros e a sua candidatura a vereador, terminando com a revolução, a independência e o declínio do Senhor, incapaz de comer sem ajuda e cheio de arrependimentos. |
| Citações da obra: | 54:10 “Meus senhores, quero propor um brinde a este notável comerciante e a perspicácia com que soube prever este êxito comercial 1:30:10 “A vida é uma mulher nua deitada numa cama” |
| Comentário sobre o livro: | Acima de tudo, a história lembrou-me do filme clássico “Citizen Kane” que também começa com um homem rico e respeitado e, no rescaldo da sua morte, as outras personagens desvendam o lado humano de uma pessoa quase lendária. |
| (E mais notas sobre o filme) | Fiquei surpreendido por quão facilmente entendi o que os atores disseram apesar dos seus sotaques regionais. Falam muito nitidamente e enunciam bem cada palavra. Quem me dera que houvesse mais filmes assim! A cantora cabo-verdiana Cesária Évora aparece no filme e canta num bar. |
Carolina Deslandes

Como Londrinos, em 2024, estamos a ser mimados . Temos tido tantos espetáculos portugueses para escolher. Recentemente vi nas redes sociais que vai haver mais um concerto de Carolina Deslandes, uma estrela da música pop e da televisão. Vai aparecer no Jazz Café em Outubro. Vou assistir ao concertou e estou a tentar persuadir a minha esposa a vir comigo.
O Êxodo das Hortênsias
A minha mãe pediu-me para transplantar as suas hortênsias por razões complicadas que têm a ver com a venda de uma metade do quintal dela. Se não forem resgatadas, provavelmente morrerão todas e ficarão sob uma casa como a Bruxa Malvada do Leste (mas sem meias riscadas). Planeio movê-las durante o outono quando as temperaturas estiverem mais brandas.
E se morrerem de qualquer das formas? É muito provável porque são arbustos maduros com raízes fundas. Por isso, estou a seguir um plano B. Cortei umas estacas do azul, do cor-de-rosa e sobretudo do branco (o seu favorito, como ilustrado infra!) Escolhi brotos verdes, sem flores. Tratei as partes inferiores dos troncos com hormônio de enraizamento e coloquei-os num canteiro cheio de compostagem. Se tudo correr bem, as raízes irão crescendo (ouvi dizer que a taxa de sucesso é em volta de 50%) e nós teremos 4 ou 5 mudas sobreviventes para substituir qualquer arbusto que bata as botas.

Dundee
Pointless waffle only written to use as many expressions with the word “cabeça as I could crowbar in.
Fomos visitar a nossa filha no fim-de-semana passado Foi a primeira vez desde o espetáculo no qual o Mika era cabeça de cartaz.
Na escola, ela andava com a cabeça nas nuvens mas agora está a atirar-se de cabeça à sua obra, um romance. Há uma parte de mim que quer fazer a cabeça dela e convencê-la a voltar à universidade, mas tenho de confiar nela. Provavelmente vai usar a cabeça e voltar daqui a uns anos mas ela tem mais confiança do que antigamente; anda de cabeça levantada pelas ruas da sua cidade adoptada. Eu prefiro Londres mas não lhe passa pela cabeça voltar para a capital. Está feliz por lá.
Tem um novo telemóvel após várias horas a tentar mudar o seu contrato porque antes do seu aniversário, foi eu que a paguei as contas. A empresa não queria saber, portanto nós os dois passámos quase um dia inteiro a tentar desenroscar a situação. Eu dei com a cabeça na parede. Ela deitou as mãos à cabeça.
Casa Trabalho Casa 2
I’ve just fixed some errors in my listening-and-writing exercise I did here, and was challenged to re-do it. This time I will try and get down keywords instead of trying to sumamrise it in whole sentences and I will try and include the following key phrases
- deixar marinar (“let it marinate”)
- o mal-estar já se instalou (“the bad feeling has set in”)
- em funções de “suporte” (“in a support role”)
- fazermos parte (“taking part”)
- falar com a chefia (“speak to the management”)
O Que Fazer Quando o Nosso Trabalho Não é Valorizado
- Sugerido por ouvinte
- Identificamos
- 62% – Flexjobs sondagem: falta de equilíbrio , baixo salario, cultura tóxica
- pessoas desligam ‘ silent quitting
- o que é?
- Quais são as necessidades? O que está a acontecer?
- Uma opinião sobre sentimentos dos outros
- Deixar o sentimento marinar é perigoso
- ate se for resolvido o mal-estar já se instalou
- Continua a sentir a mesma
- Termos impacta
- temos de nos sentir importante.
- Difícil para quem trabalhe em funções de “suporte” (apoio)
- Fazer parte é uma necessidade
- Procurar papeis com mais visibilidade
- Falar com a chefia sobre o sentimento
- Há chefes que não entendem isto
- Faz com que reparem em ti
- “Burnout” é sintoma
- Responsabilidade de falar sobre isto
- “proativa”
- “O nosso valor enquanto pessoa não depende de outra pessoa .. é intrínseco”
Hm, I don’t feel like I nailed this at all, but that’s why we practice! I’ll do more of these, I think.
