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Cuidado Com o Cão

Rodrigo Guedes de Carvalho - Cuidado como Cão

Cuidado Com o Cão é o segundo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho que já li e gostei mais do que o primeiro (mas li o primeiro há três anos e tal, e custou-me ouvir um audiolivro inteiro naquela altura!)

O romance conta as histórias de várias pessoas cujos destinos parecem estar interligados, e de quatro cães, que igualmente podem ser o mesmo cão(!)

Comecei o livro há meses mas deixei de ouvir porque não tinha tempo. Voltei ao início em Outubro e retomei a história durante a minha estadia em Portugal. Fez-me companhia durante as horas a caminho entre vários lugares interessantes. O narrador é excelente e gostei dos pensamentos das personagens mas também adorei as divagações sobre as suas obsessões musicais. Explica-se bem os laços que nos ligam aos cantores que nos chamam a atenção.

Recomendo este livro para quem quiser experimentar um audiolivro português que seja mais adulto do que, por exemplo, O Principezinho, mas que não quer sofrer com um narrador que não fala nitidamente. Está tão bem lido que um ouvinte de nível B2 ou mais consegue entender.

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Tamara Alves

Acabo de ler o livro que comprei no Festival Iminente, sobre a arte de Tamara Alves. Há pouco texto no livro e é bilíngue, mas ignorei o texto inglês porque não sou cobarde!

O livro consiste em quadros exibidos nas galerias como Galeria Underdogs em Lisboa, e em murais ao ar livre. Os quadros são excelentes: não há dúvida de que a artista é talentosa e sabe desenhar figuras realistas, mas também cria desenhos mais abstratos ou fantasmagóticos… Hum queria dizer “fantasmagóricos” mas acho que a minha gralha produziu, por engano, um adjetivo que até serve para descrever vários! São mais ou menos realistas, e incluem corpos e caras humanos e, às vezes, lobos. Fizeram-me lembrar filmes e séries da cultura popular, principalmente um filme do Studio Ghibli, chamado A Princesa Mononoke.

Mas para mim, os murais é que dominam a obra. O estilo da artista fica bem nas paredes da cidade. Em alguns exemplos, parecem fazer parte da paisagem. E os fotógrafos que tiraram as fotos exploraram o formato do livro para acentuar a beleza do ambiente em volta de cada um. Acima de tudo, gostei de um mural no qual o rosto de uma mulher é dividido em duas metades: uma velha pintada a preto e branco e uma mais nova e colorida. O fotógrafo dispôs a imagem numa página dupla com a divisão mesmo no centro, na divisão entre as duas folhas.

Num outro exemplo, um mural aparece entre duas árvores à noite. O fotógrafo iluminou a cena, mas a luz iluminava as folhas da árvore. Acho que usou um tempo de exposição longo porque as folhas, que flutuam ao vento estão tremidas estão bem iluminadas, que dá à fotografia um ar onírico.

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Dia 2

Comecei o trabalho de investigar os conceitos necessários para o C2. Que chatice.

Escrevi um texto e fiz um exercício de audição com o Fado de Estudante (coisa horripilante: não entendi muito)

Fiz mais Puzzle Brain e ouvi mais um audiolivro (“Faz-te Homem!” de Luis Coelho ) A mesa está cheia de franceses!

Finalmente, tendo ignorado os exercícios estruturados durante o dia inteiro, lancei-me ao último capítulo do PEF, sobre Fernando Pessoa.

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Então, Como Correu o Primeiro Dia da Preparação?

Ouvi uns podcasts, li o álbum de Tamara Alves, e vi não só um quarto d’Os Gatos Não Têm Vertigens, mas o filme inteiro, com subtítulos. O diálogo é muito rápido, e há pessoas de várias gerações a falar cada um à sua maneira – adolescentes a usar palavrões e calão, bêbados a gritar e velhos a murmurar ternamente um ao outro. Precisei dos subtítulos mas em breve espero que continue sem a “muleta” do texto!

Dei por várias coisas interessantes que não tinha percebido antes, como por exemplo “Balelas”, que significa “mentiras” ou algo semelhante.

Simpatizo com a Dona Rosa nesta cena. O genro dela é um idiota.

Também vim a saber* que “aliança” não só significa um compromisso entre dois países ou grupos para colaborar um com os outros mas também é o anel que simboliza um casamento.

O filme também me lembrou desta canção que já ouvi, porque a Catarina gosta dela. Um dos protagonistas, o Jó, vai com a Rosa numa barca pois ela queria espalhar as cinzas do seu marido mas uma vez que é** ilegal, Jó tem de distrair um homem que está por perto. Pede-lhe lume*** e fala com ele sobre o futebol mas o homem está a ouvir a canção Não Venhas Tarde de Carlos Ramos na Rádio Amália.

Gosto do facto da protagonista ser uma velha. Acho que há poucos filmes que ousam destacar atores mais velhos em papéis como este. A outra personagem, Jó, é secundária e, no início do filme, é mesmo chato. É membro de um grupo de jovens criminosos que lhe roubaram a mala, e é assim que o Jó vem a conhecer a Rosa. Não é muito simpático de todo, mas a Rosa, que é uma pessoa com uma história longa e interessante, vê algo nele que a incentiva a lhe dar um hipótese de redenção.

O Jó tem de superar a sua relação com os seus amigos, que não servem para nada, e com o seu pai, que é um filho**** de puta, mas afinal a Dona Rosa tem razão: o puto consegue endireitar-se e acaba por ser escritor.

O filme não é perfeito mas é mesmo bom e gostei mais desta vez do que quando o vi a primeira vez, anos atrás.

Também curti este trocadilho.

Ao fim do dia, fiz o exercisio de Puzzle Brain, ouvindo o Quarto Livro de Crónicas de António Lobo Antunes enquanto fazia um Puzzle de mil peças. Que malandrice! Segundo o Goodreads o livro, tem 328 páginas mas o audiolivro não dura mais de uma hora! Então, não é a obra completa. Mas por outro lado, é um pouco deprimente e não preciso de mais!

Amanhã, exercícios! Bora lá!

*Shout out to 2021 Colin, who wrote this article that I came across today and had forgotten all about.

**Surprised this wasn’t subjunctive after “uma vez que”. It seems like it depends slightly on how hypothetical you’re being.

*** “Lume” Not “um lume” – too literal translation from “Hev yew got A loight boy?” (This guy is long overdue for a revival IMHO)

****Embarrassingly I wrote uma filha de puta. Have I really sunk so low that I am making nouns agree with other nouns? Dear oh dear.

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Menina e Moça

Menina e Moça de Bernardino Ribeiro

No livro que estou a ler, há um conto sobre um chimpanzé chamado Golo. Este primata* gosta de brincar com uma máquina de escrever automática. Um dia, Golo martela nas teclas durante algum tempo com os seus dedos grossos e além de números, letras e símbolos aleatórios, produz a seguinte frase: “Menina e moça, me levaram de casa de meu pae para muito longe”.

Para mim,”Menina e Moça” não é mais nada do que um fado de Carlos do Carmo, mas é evidente que o protagonista conhece a frase e que não tem nada a ver com o cotovelo no castelo. Ao longo dos dias, mais parágrafos aparecem da mesma novela. Fiz uma pesquisa e descobri que “Menina é Moça**” é um romance pastoral escrito por Bernardo Ribeiro em meados do século XVI. É considerado o primeiro livro do seu género na península ibérica e foi editado  quando um tal Miguel de Cervantes ainda estava a usar uma fralda***.

*As personagens humanas dizem “macaco”, pois não existe uma tradução equivalente da nossa “ape” mas acho que primata é melhor.

**The text wiki uses is different from what Golo comes up with. I don’t know if there’s any significance to that or if there are just different manuscript versions with slight differences in wording.

***OK, OK, he was about 7 I think, but these geniuses are often late developers, I hear.

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Carolina Deslandes

Uau! Que espectáculo incrível! As minhas expectativas do concerto de Carolina Deslandes eram baixas; gosto de algumas canções dela, mas regra geral, aquele estilo de música não é o meu preferido. Mas ainda que não me sentisse otimista, a realidade do concerto esmagou-me. Ela cantou todas as canções de que mais gosto, e além disso muitas canções boas de outros (Rui Veloso, Sérgio Godinho, António Zambujo e Amy Winehouse) e criou um ambiente animado e feliz naquele espaço íntimo.

Entre as canções, ela falou e brincou com o público. Entendi quase tudo, mas tive de perguntar à Catarina sobre umas coisas que me passaram ao lado. Por exemplo, para ilustrar quantas tugas há nesta cidade, ela contou uma história sobre uma peça de teatro que ela foi assistir com uma amiga quando morava cá em Londres. A amiga comia alguma coisa e uma funcionária do teatro disse que “you can’t eat tha’ ‘ere”. Quando a funcionária virou as costas, a amiga disse (em português) “que estúpida” e a funcionária voltou a virar-se, com um gesto muito português e disse (também em português) “estúpida és tu”, que deixou a amiga da Carolina baralhada porque não sabia que as suas palavras seriam compreendidas. 

Entendi isto tudo, mas no final da anedota a amiga sacou uma sandes, embrulhada em alumínio, porque “Tuga que é tuga ________”

Ao que parece, as palavras que perdi foram “leva merenda”.

Antes do espectáculo principal uma artista portuguesa chamada Raquel Martins, que mora em Londres já há 7 anos tocou umas músicas. Levou uma convidada ao palco e aqui tenho mais uma confissão: achei que ela disse que a convidada era a sua irmã, mas que disse irmã num sotaque invulgar. Mas errei. O convite foi a cantora Irma!

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Life in El

Estou a caminho do concerto de Carolina Deslandes mas a minha esposa estragou tudo ao fazer uma reserva num restaurante espanhol. Olha! “Pan”, “Queso”, “Beringena”. Falam um português pior do que os brasileiros! Estou a perder fluência com cada minuto que passa.

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O Cultivo de Flores de Plástico

A primeira vez que disse “O meu autor português favorito é…” conclui a frase com “Afonso Cruz”. Gostei imenso do seu “Os Livros que Devoraram o Meu Pai” e “Para Onde Vão os Guarda-Chuvas” foi o meu primeiro calhamaço português. Mas hoje em dia acho os seus livros um pouco irritantes. Este é quase uma paródia do “À Espera de Godot” e dei comigo a bater com os dedos na mesa de impaciência.