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O Rato Roeu a Rolha da Garraaaaarrgh!

Anteontem, enquanto estava na horta comunitária, coloquei umas coisinhas na pilha de compostagem: cascas de ovos, cascas de batatas, uma banana preta, uns saquinhos de chá e borras de café. Depois, fui buscar água para ensopar tudo. Quando virei em direção ao regador, ouvi um som atrás de mim, dentro do contentor de compostagem. Não pensei muito no som, mas quando cheguei ao contentor novamente, vim a perceber o que era que tinha feito o som. Uma ratazana aterrorizada saltou da compostagem, voando pelo ar, passando a 15 centímetros do meu braço direito e desapareceu a correr por um buraco ao fundo da cerca. “MuaAaaaAAAUAaehaeHee” disse eu, num perfeito sotaque lisboeta.

Acho que a criatura fofinha viu uma oportunidade de comer as delícias que acabei de despejar lá dentro, enquanto as minhas costas estavam viradas. E havia indícios da sua atividade noutros lugares; dentes de alho com marcas de dentes de rato, bulbos de narcisos e tulipas, desterrados e abandonados por todo o lado. Que chatice.

Mas apesar do susto, a vantagem deste horror é que descobri o buraco por onde entrava, e já está bloqueado com palha de aço, com uma tábua no lado dentro e uma pilha de terra no lado fora.

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Scavenging Song lyrics

Acabo de ouvir um vídeo sobre o videojogo Fallout 4, enquanto fazia o pequeno almoço. O narrador fallout sobre… Hum… Falou sobre vasculhar em ruínas e casas abandonadas em busca da tralha da civilização do pré-guerra, com a qual consertar armas desgastadas, ou construir novos itens. Esta imagem de ser caçador de lixo é a metáfora que veio à mente enquanto Vascolei… Hum… Vasculhei na letra do Fado do Estudante à procura de novas palavras para colocar no Anki e, ao mesmo tempo, encontrei novas expressões interessantes:

Negra Sina – soa como uma expressão mas não é: o seu destino, ou o fim ao qual o cantor chegou é escuro… Ou se preferes “obnubilado” e nada mais.

Cabeça ao léu – significa “sem chapéu”, mas léu também significa “Ausência de preocupações ou de necessidade ou da vontade de trabalhar” portanto a expressão não foi escolhida completamente à toa, acho. No mesmo verso, “de capa ao ar” cheira a expressão idiomática, também, mas tanto quanto sei, não é. Não sei como interpretar a frase. Capa tem vários significados mas em contexto (perto da referência ao seu chapéu) tem de ser a peça de rouparia, certo? Está tão despreocupado que não repara no vento a soprar a sua capa??? Está a correr tão rápido em direção às raparigas que a capa flutua atrás de si? Adoro esta última imagem mas parece-me pouco provável porque o Vasco não tem o corpo de uma atleta ou um super-herói.

Sem me ralar – Ah, não percebi antes, mas este verbo é igual à expressão “não te rales” ou seja, não te chateies ou não te preocupes. Um ralador é uma ferramenta para picar queijo, cenouras e outras comidas mas “ralar-se” pode ter um significado mais figurativo: aborrecer-se. Noutras palavras, o Vasco nunca ficou farto de amar. Não me admira*.

É canja – “é fácil”. Em inglês, dizemos “a piece of cake” mas a equivalente em português é uma comida mais saudável! Já sabia disto, mas fui enganado pelo facto de “deixá-las eu” soar como “de chá, lazer”. A frase inteira soava como uma receita de uma vida relaxada: chá, sopa e descanso.

Traidora da franja – hum… Meu deus, quem me dera ter prestado mais atenção ao enredo. Suponho que está a referir a uma personagem do elenco. Mas quem? Enquanto canta a frase, desenha um rosto na parede** mas não é reconhecível. Tem uma franja, um olho e mais nada. Será que a “traidora” é Alice? Espero que não: ela tem uma franja, sim, mas Alice (Beatriz Costa) é mais bela, tem dois olhos e ainda por cima, está casada com o Vasco quando esta cena tem lugar!***

Tostão – uma moeda de pouco valor. Sem tostão = falido. “penniless”.

Batina – rouparia preta de um padre ou, neste contexto, a veste do mesmo estilo usada por estudantes de certas universidades.

Botas a rir???

Botas a rir – Estou a usar a imaginação aqui. Imediatamente após a referência às suas roupas rasgadas, suponho que o Vasquinho é tão pobre, mas tão pobre que as suas botas também estão ratas, com solas descoladas do couro em cima. Assim, o buraco entre a sola e o resto da bota parece uma boca a rir…? Não é inacreditável, pois não?

Bengalão – Não me lembro se o estudante usa uma bengala grossa****, mas esta palavra vem logo depois da assim mencionada “botas a rir”. Pode ser uma continuação da descrição (o feitio do buraco é curvado como a alça de uma bengala?) ou talvez o cantor simplesmente queira completar a imagem de si mesmo como o vagabundo criado por Charlie Chaplin poucos anos antes.

Afinar – Pode significar “tornar mais fino” mas suspeitava que também significa “ajustar o tom”, o que foi confirmado pelo Priberam. Ambos fazem sentido no contexto do verso, acho eu.

Tenir / Fugor – Não têm significados nenhuns. Quando cheguei a “fugor”, comecei a perguntar-me, “tratam-se de erros de digitação”? Fulgor (=brilho)? AHA!!!! Sim, as letras de ontem estavam incorretas! Raios partam! Há aqui uma versão que contém “fulgor” em vez de fugor e “tinir” em vez de tenir.

Então, que exercício profícuo! Aprendi muito e acrescentei mais 9 palavras à base de dados.

*I’m not rewriting this whole paragraph, but Cristina tells me the line is better understood as him saying he doesn’t think about the girls afterwards. “o resto são cantigas” is an actual expression, which has in turn been used as the name of at least one TV show.

**Há-de haver uma dissertação de um estudante de artes (carago!) sobre as raízes da arte dos grafiteiros portugueses tipo Vhils, Luísa Cortesão e Tamara Alves neste pequeno acto de vandalismo no maior clássico na história da cinematografia portuguesa. 😆

***Update, yes it is her, and she is being called a traitor because she’s changed him from his old gaddabout ways and made him settle down. Mate, count yourself lucky. Look at her, and look at yourself. She’s waaaaay out of your league!

****Not just this student, it was part of the standard Coimbra student getup apparently

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Fado do Estudante

Vasco Santana is supposed to be a graduating student in A Canção de Lisboa, but he was actually 35 years old when they made it, so it’s all a bit Steve Buscemi…

Anyway, I decided to go back and listen to one of the songs again. I’m doing this one as a listening exercise rather than as a translation, because seeing that play on my first day in Lisbon reminded me that one of the difficulties of listening to old black and white films is that the quality of the sound recording means that a lot of the dialogue sounds muffled or flattened, so it’s quite challenging to follow. The songs are doubly hard because the words have to fit the rhythm of the music instead of normal speech.

Let’s see how much I can get purely by ear… I’ll put it in one side of a table then drop the real lyrics in next to it to show how far off I am.

NOTE – I’m leaving this as it is, but some of the footnotes and even the translation turned out to be wrong when I did a deeper dive into the song the following day, so if you want to know more about how that all happened, have a look at “Scavenging Song Lyrics

My TranscriptionActual Lyrics
Que nem quer assim de ver-me assim
Que só deve ir-me degradante
Ai que saudade sinto em mim
Do meu viver de estudante
Nesse fugaz tempo de amor
Que dum rapaz é o melhor
É um audaz conquistador das raparigas
De capo ao ar, cabeça ao ___?
Só para amar vivia eu
Sem ??? e tudo mais eram cantigas
De nenhum delas me aprendi
De cha, lazer e de canja
Até o dia em que pareci
Essa fragura de franja
Sempre tenir(?)-se em tostão
Bati um ___ ou um rasgão
Botar _____ um bengalão
E artes, carago!
Invade o ar com outras mães
E a dançar pelos areais
P’ra namorar, beber, folegar,
Cantar o fado
Fora agora com soledade
Os calhamaços que lia
Os professores da faculdade
Minha amiga dá-me tremia
E ouve as minhas recordações
Que não tem fim dessas lições
P’ra o então jardim do velho campo da Santana
Aulas que eu dava e estudasse
Onde estava nesta classe
E eu faltava sete dias por semana*
O fado é toda a minha fé
Embala, encanta e nevaria
Ou chega a ser bonita até
Na radiotelefonia
Quando é tocado com calor
bem atirado e a rigor
É belo fado e ninguém há que o resista
É a canção mais popular
Tem emoção p’ra nos vibrar
E eis a razão p’ra ser doutor e ser fadista
Que negra sina, ver-me assim
Que sorte vil e degradante
Ai que saudade eu sinto em mim
Do meu viver de estudante
Nesse fugaz tempo de amor
Que de um rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar, cabeça ao léu
Só para amar vivia eu
Sem me ralar e tudo mais eram cantigas
Nenhuma delas me prendeu
Deixá-las eu era canja
Até ao dia em que apareceu
Essa traidora da franja
Sempre a tenir, sem um tostão
Batina a abrir, por um rasgão
Botas a rir um bengalão
e ar descarado
A vadiar com outros mais
E a dançar nos arraiais
P’ra namorar, beber, folgar
Cantar o fado
Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia
Os professores da faculdade
E a mesa de anatomia
Invoco em mim Recordações
que não têm fim dessas lições
frente ao jardim No velho campo de Santana
Aulas que eu dava e se estudasse
ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana
O fado é toda a minha fé
Embala, encanta e enebria
Pois chega a ser bonito até
Na rádio telefonia
Quanto é tocado com calor
Bem afinado com fugor
É belo o fado ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular
Tem emoção faz-nos vibrar
E eis a razão de eu ser Doutor e ser Fadista

*As the kids say, “literally me!”

Oof! Wow, I started this exercise about 3 weeks ago and have only just picked up the post and restarted. I think I must have given up because it was so disheartening to realise how little of it I could write down first time. The effect of my “palpites” is pretty surreal in places, because sometimes I am just transcribing sounds and not really being able to link them back to written words I’ve seen, so I was just inventing verbs left and right. Amazingly, one of them “Tenir” turned out to be real, although I don’t know what it means and neither does Priberam.

Obviously even when I did come up with a real word, I knew some of them must be wrong “E artes carago!” was clearly stupid, but I couldn’t hear it any other way. Others were positively surreal: “Invade o ar com outras mães” is a very fine example. But misheard lyrics are nothing new. I remember at secondary school thinking there was a Gary Numan song called “I’m a Plastic Bag” (It’s actually called “That’s too bad”) and there are whole blog posts and even sites dedicated to misheard lyrics, so I’m not too downhearted!

The fact that a lot of small words – mainly pronouns – escape my ears hasn’t helped. Mostly, I should have known better: the “o” in place of “lhe” in the third-from-last line, for example. But the most maddening one was the “se” in “Aulas que eu dava e se estudasse” was the key to unlocking the sentence. I knew something wasn’t right, because there was no reason for it to change from indicative to subjunctive like that so I should have guessed there was a se in there somewhere, and if I’d realised that I probably could have unfucked the rest of the sentence too. Ugh…

Posted in English, Portuguese

Avião de Papel

I decided to translate this for fun. It’s easy peasy, but that’s OK, I’m not in exam mode, so it’s nice to do one that’s not just enjoyable and doesn’t make my brain bleed. It’s a duet between Carolina Deslandes and Rui Veloso and I thought maybe it was a version of something he’d written, simply because the lyrics sound like they are said by a man (she says she’ll become a “cavaleiro” for example, although now I think of it, is there even a feminine form of cavaleiro?) Anyway, it’s not, he doesn’t even get a joint writing credit, so I’m glad I checked before just writing that! Their voices work really well together, don’t they? They couldn’t be more different, but it’s a nice contrast.

PortuguêsInglês
Amor o mundo quebra-te os sonhos
Às vezes cai-te todo nos ombros
Eu levanto-o inteiro por ti
Eu viro o cavaleiro por ti
Amor o mundo deixa-te ao frio
Às vezes larga-te no vazio
Eu pinto de todas as cores por ti
Eu viro Leonardo Da Vinci por ti
Darling the world broke your dreams
Sometimes it all fell on your shoulders
I’ll lift it all up for you
I’ll become a knight for you
Darling, the world left you in the cold
Sometimes it left you in the void
I’ll paint all the colours for you
I’ll become Leonardo da Vinci for you
Fiz-te um avião de papel
Daqueles das cartas de amor
Pra voarmos nele quando o mundo é cruel
E não há espaço que chegue pra dor
Fiz-te um avião de papel
Daqueles dos quantos queres
Pra voarmos daqui em lua de mel
Pra te levar pra onde quiseres
I made you a paper plane
One of those made out of a love letter
So we can fly in it when the world is cruel
And there’s not enough room for pain
I made you a paper plane
One of so many you want
So we can fly from here to a honeymoon
To take you wherever you want
Amor o mundo tira-te o ar
Chega a proibir-te de dançar
Eu danço as músicas todas por ti
Eu viro bailarino por ti
Amor o mundo fez-te mulher
Mais cedo do que tinha de ser
Eu faço o tempo voltar por ti
Eu viro super-homem por ti
Darling, the world took away your breath
It even prevented you from dancing
I danced to all the songs for you
I’ll become a dancer for you
Darling, the world made you a woman
Earlier than it had to
I’ll make time go backwards for you
I’ll become Superman for you
Fiz-te um avião de papel
Daqueles das cartas de amor
Pra voarmos nele quando o mundo é cruel
E não há espaço que chegue pra dor
Fiz-te um avião de papel
Daqueles dos quantos queres
Pra voarmos daqui em lua de mel
Pra te levar pra onde quiseres
I made you a paper plane
One of those made out of a love letter
So we can fly in it when the world is cruel
And there’s not enough room for pain
I made you a paper plane
One of so many you want
So we can fly from here to a honeymoon
To take you wherever you want
Fiz-te um avião de papel (Pois fiz)
Daqueles das cartas de amor
Pra voarmos nele quando o mundo é cruel
E não há espaço que chegue pra dor
Fiz-te um avião de papel
Daqueles dos quantos queres
Pra voarmos daqui em lua de mel
Pra te levar onde quiseres
I made you a paper plane (of course!)
One of those made out of a love letter
So we can fly in it when the world is cruel
And there’s not enough room for pain
I made you a paper plane
One of so many you want
So we can fly from here to a honeymoon
To take you wherever you want
Pra te levar
Pra te levar
Onde quiseres
Onde quiseres
To take you
To take you
Wherever you want
Wherever you want
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Em Busca da Identidade

Já li 75% deste livro mas… Eh pá, não acredito que estou a escrever isto… Fui assistir a um concerto dos Goldie Lookin Chain (estou aqui agora, mas o support act é chato, portanto aqui estou eu a escrever!) e li o livro no trânsito público a caminho para aqui… Mas… Que vergonha… Não há maneira fácil de dizer isto… Enfim… Fui à casa de banho e o livro caiu do meu bolso pela sanita abaixo.

Na verdade, não me importa assim tanto. O autor é um filósofo mas não estou acustomado ao jargão da especialidade dele: “fragmentação da subjectividade”? Pois é, pois é. Onde está o autoclimso?

Ah ah, estou a brincar, mas aquela espécie de escrita, muito abstrata e rarefeita, sem referência aos dados deixa-me insatisfeito, até em inglês. Experimentei o “sabor” do seu raciocínio mas não tenho vontade de ir buscar mais um exemplar para constatar a sua “conclusão”.

Bom, acho que os Gales estão quase a chegar. Vou publicar este texto sem revisão. Espero que seja aceitável!

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Sentinel – Luís Louro

Convém lembrar que ninguém consegue trabalhar sem pausa. Prescindir de descanso aumenta os níveis de stresse até estarmos prestes a saltar pela janela fora. Dito isso, a não ser que estude, vou chumbar no exame e logo vem aí a depressão, o sofrimento e a vergonha.

Tendo em conta estas duas conclusões desoladoras, larguei as canetas e, a partir da 1h30 da manhã do Domingo, escovei os dentes e deitei-me na cama com uma banda desenhada portuguesa. Pus-me a ler.

O Sentinel é a sequela do Watchers e é igualzinho: tem desenhos giros de uma Lisboa realista, no sentido de ter prédios, lojas e ruas idênticos à cidade verdadeira, mas também irrealista com elétricos voadores, e “bichinhos” (mini-girafas, hipopótamos pequeninos, elefantes de bolso) por todo o lado e árvores a irromper pelos telhados. Esteticamente, lembra-me de mais uma BD, a “Dog Mendonça e Pizzaboy”, que tem a mesma mistura de realismo, magia e humor.

Sentinel Luís Louro

O artista também tem o seu lado galhofa, como pequenos pormenores engraçados escondidos nos cantos dos quadrinhos. É claro que Luís Louro nasceu para desenhar BDs. Tem um jeito incontornável.

Então, que pena que a história não tenha pés nem cabeça.

Encontramo-nos num mundo futurista, em Lisboa, algum tempo depois dos eventos do primeiro livro. Os discípulos do “Sentinel” querem continuar a sua interpretação da sua missão por… Ora bem, não me lembro bem o primeiro livro, mas mexem nas vidas das pessoas com os seus drones de espiam-nas com as suas câmaras em prole da sua ideologia patética. Em suma, é uma chatice.

Certo dia a esposa de um homem morto no primeiro livro decide consertar o seu coração despedaçado por vingando-se da memória do Sentinel. Saca uma arma (De onde? Como? Sabe-se lá!), calça um fato de girafa (De onde? Como? Sabe-se lá!) e aprende as competências de um espião ou um agente do Serviço de Informações de Segurança* (DO? C? S-SL!). Em breve, mete-se em sarilhos mas conta com a ajuda de um bandido ucraniano que ela encontra durante um assassínio de um discípulo. Basicamente dá por ele porque está a tentar dar cabo de uns criminosos. Salva-lhe a vida. Ele quer retribuir o favor. A sua deformação profissional é exatamente o que ela precisa para continuar a matar os pilotos dos drones.  Durante este tempo todo há uma espécie de coro grego na forma de mensagens numa rede social qualquer. Adoro isto. Não devia funcionar mas funciona mesmo contrariando todas as leis de Deus e do Diabo**.

Infelizmente, a vingança é um beco sem saída. Por fim, ela assassina um inocente a tiro e pinta o símbolo dela na parede com o seu sangue. Os dois ficam presos e temos de enfrentar a reviravolta mais rebuscada e mais parva de sempre.

Quando sair o terceiro tomo, espero que o autor largue as citações cinemáticas (bué cringe) e adicione mais uma semana de reflexão sobre o enredo e o diálogo, porque com mais investimento de tempo pode criar algo verdadeiramente impressionante.

*I should have just written it SIS but since it was followed by a string of abbreviations I thought I’d spell it out in full. Portuguese MI5, anyway.

**I originally wrote “de Deus e do Homem ” (all the laws of god and man!) but this is the actual expression, apparently. I was just being lazy and translating literally.

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Apresentação Atualizada

There’s no point messing with perfection, so I’ve updated the presentation from C1 but not really altered it much.

O meu nome é Colin. Tenho 55 anos. Sou escocês por nascimento mas quase sempre morei em Inglaterra. Estou casado com uma madeirense e temos uma filha com dezanove anos que é escritora. Sou consultor de informática. Gosto de correr. Não sou muito desportivo mas cheguei a uma idade na qual fiquei com uma escolha: ou correria para perder peso ou correria risco de infarto e outros problemas de saúde. A corrida é um desporto solitário e não sou fã de desportos da equipa, portanto a seleção da atividade foi fácil. Adoro correr logo de madrugada quando há pouca gente no parque, apenas veados, coelhos, pássaros e outros homens gordinhos de meia idade. Consigo pensar, ouvir um audiolivro, e ver o sol nas copas das árvores. Treino forte e feio para aumentar o meu desempenho, mas é difícil porque como bolos a mais. Em Outubro, participei na Maratona de Lisboa. Não batei nenhum recorde, mas foi um dia incrível.

Comecei a aprender português a sério em 2016, mas já tinha feito algumas tentativas esporádicas anteriormente. Embora a minha esposa fale inglês fluentemente, a sua tia não falava e eu queria comunicar com ela.

Pedi dupla cidadania em 2019, mas houve um problema por causa da minha residência outrora nos Estados Unidos e o processo foi por água abaixo durante a época da pandemia. Fiz um segundo pedido mais recentemente e estou à espera da resposta. Não gosto de voar e por isso, fui a Portugal poucas vezes, mas visitei Lisboa, Cascais, o Porto, Coimbra, o Algarve e a Madeira que é, sem dúvida o meu lugar favorito, e não só porque a minha mulher vivia lá!

Sendo um pouco introvertido, falo pouco com outras pessoas mas gosto de ler, e isso, para mim, é o meu principal contacto com a língua portuguesa: leio muito. Há uma citação de Fernando Pessoa que diz “A minha pátria é a língua portuguesa”. Identifico-me com este sentimento, porque estou a pedir dupla cidadania mas acho que passo mais tempo a ler livros portugueses do que passei no país. É uma situação invulgar.

Às vezes, quando comecei, custava-me muito ler livros como “Bichos” de Miguel Torga (que tem muito vocabulário desconhecido que tem a ver com a vida bucólica), “A Costa dos Murmúrios” de Lídia Jorge (cujo estilo é um pouco denso) ou os livros do João Reis, que é um autor moderno e muito simpático (falamos no Instagram de vez em quando), mas achei o seu humor difícil de entender. Mas fui melhorando pouco a pouco e, nos dias que correm, é raro perder o fio à meada. Até me apetece voltar a ler alguns livros que li há anos e mal entendi. Leio qualquer espécie de livro: adoro os livros de Ricardo Araújo Pereira, de Miguel Esteves Cardoso, de João Tordo, e de Djaimilia Pereira de Almeida mas também leio não-ficção: uma Biografia do Marquês de Pombal, a Brevíssima História de Portugal e vários ensaios sobre a língua, a história e a cultura do país. Também li um livro sobre a corrida, escrito pela atleta portuguesa Jéssica Augusto.

Sou membro da Sociedade Anglo-Portuguesa, a qual tem os seus encontros ali no outro lado da rua. É um bom método para ficar a par de aspetos da cultura, mas convém lembrar que existem muitas maneiras de nos encontrarmos com a cultura portuguesa em Londres: concertos de Fado, restaurantes, exibições de arte, como a de Paula Rego que decorreu no Tate há um ano, e até existem comediantes portugueses que montam espetáculos em Londres, porque como há tugas suficientes aqui eles encontram público disposto a ouvir comédia no seu próprio idioma.

Em resumo, pretendo viver uma vida interna que é meio portuguesa, mesmo que não fale muito.

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Retyping with Corrections

This is a Produção e Interação Escrita essay for a DUPLE exam. I’m retyping it with fixes to help me remember them. I did a letter too, but I’m not retyping that because I decided what I’d actually said in it was brainless.

By the way, something else I’m noticing with these: maybe it’s better to avoid subjects you care about. I find it tempting to write about things I have strong opinions about, because I feel like I’ve thought them through already. The trouble is, when I do that, I want the essay to be fair and accurate and the effort to do that channels my brainpower away from my efforts to write grammatical sentences. Maybe it’s better to pick boring topics where I can write something bland, not offend anyone and just express my milquetoast opinions on beautifully accurate Portuguese. I think I’ve done that in this case in another modelo, I wrote one about social media influence on elections. Just a few days after Trump, I think that was probably a mistake.

OK, here we go. The topic is whether the tourism industry is bad for a region.

É verdade que a indústria do turismo tem custos significativos, mas também há benefícios. Enquanto alguns lugares dinamizam a sua economia por minando carvão ou urânio, o turismo fornece uma oportunidade para gerar vastos lucros sem perigo de morte, sem poluição do lençol freático e sem fumo, ruído ou vibração. Basicamente a cidade, a zona ou o país está a ser pago só por existir e por ser o que é. É perfeito, não é?

Até certo ponto.

Infelizmente, nesta indústria, o produto é a cultura e as matérias* primas são os cidadãos e o espaço onde vivem. Em breve a cidade torna-se um parque de receios; restaurantes têm ementas em 5 línguas, casas de fados abrem as portas exclusivamente aos estrangeiros que não se importam de pagar cinco vezes mais do que os locais, e os apartamentos tornam-se quartos do “Air B&B” enquanto aumenta o número de sem-abrigos**.

O desafio para as câmaras municipais é exigente: como usar os lucros que os turistas trazem (em forma de impostos nas empresas no sector turístico) para construir novas casas, estabelecer novas infraestruturas*** e impedir que a cidade perda a sua personalidade.

Isto não é apenas uma estratégia defensiva. Também se trata de “sustentabilidade”, porque se a cidade perder os seus aspectos únicos, deixará de ser fixe**** e perderá os turistas também.

*I’m pretty sure it isn’t the first time I’ve done this but I used “materiais” as if “material” was the noun and not an adjective.

***Spelling challenge for English speakers: spell this word without forgetting the e. Difficulty rating: a million.

**Sem-abrigos = “the homeless”, but if you want to go for people it’s “pessoas sem-abrigo” , not “pessoas sem abrigos”. O suppose I was fooled because in English homeless is an adjective so I was trying to make it agree with pessoas. And that’s obviously stupid, because pessoas is femimine, so it would have to be “sem-abrigas” wouldn’t it, and that’s not going to fly at all!

****In a way, this is the right word, and I chose it because I had Lisbon in mind and Lisbon keeps getting voted as the coolest city in Europe, but it’s also a very informal word and I probably should have given it a bit more context otherwise it would probably seem quite jarring in an exam situation.

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Cuca Roseta

O concerto foi assim-assim. A fadista subiu ao palco muito depois da hora da abertura. Esperei quase duas horas na igreja (mas o tempo não foi desperdiçado: entretanto fiz uma pesquisa que se tornou o teor do blogue passado). Ela cantou um leque de fados tradicionais, muitos dos quais eu não conhecia, mas reconheci o “Barco Negro” e o “Foi Deus”. Acho que a decisão dela não tocar “Chamem o FBI do Coração” foi boa estratégia porque não teria batido certo naquela sala. Ela tem uma voz incrível mas eu estava de mau humor por causa do atraso e não apreciei a música. Ainda por cima, a sua versão do “Barco Negro” foi demasiado lenta, o que me irritou.

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In Time and Space

Revi alguns exercícios do livro “Qual É A Duvida” sobre passar o discurso direto para o discurso indireto. Não é assim tão difícil mas escaparam-me determinadas “regras do jogo”, sobretudo que não só preciso de mudar o tempo verbal mas também o sítio onde os eventos descritos aconteceram. Quando fazemos estes exercícios, imaginamos que estamos num outro lugar, a contar a história que contem o diálogo.

Por exemplo, na frase seguinte

19. Para ele ter vindo , teria de ter passado pela segurança e não há nenhum registo. Portanto é que não veio

Rescrevi com mudanças do tempo verbal, mas retive o “cá”, mas estou a descrever eventos que aconteceram algures, sabe-se lá onde.

A. Eles afirmaram que, para ele ter ido , teria de ter passado pela segurança e que não havia nenhum registo. Portanto, era porque ele não tinha ido.

Igualmente “este” passa para “aquele”, “isso” para “aquilo” e assim por diante, porque o objeto referido pelo pronome demonstrativo está longe de nós os dois, o narrador e o ouvinte.

18 Se ele tivesse dito isso, eu seria a primeira a saber

A. Ela disse que, se ele tivesse dito aquilo, ela seria a primeira a saber.

Tudo isto é mesmo óbvio mas tinha-me esquecido de tudo, portanto valeu mesmo a pena fazer os exercícios mais uma vez.