Posted in Portuguese

Deslocado

Tradicionalmente, faço uma tradução da canção portuguesa antes do Festival Eurovisão de Canção mas perdi a oportunidade desta vez. Eis as letras dois dias depois. Peço humildemente a vossa desculpa pelo atraso.

E afinal, vale a pena? Para mim, é bom, mas não é nada de especial. Não há nada que me chama a atenção; parece-me uma faixa assim-assim de um álbum que provavelmente abandonaria antes de chegar ao fim. Mas a letra fala de estar longe de casa e das saudades da terra. Apeteceu-me ouvir mais minuciosamente para entender a mensagem.

🇵🇹🇬🇧
Conto os dias para mim
Com a mala arrumada
Já quase não cabia
A saudade acumulada
do azul, vejo o jardim
Mesmo por trás da asa
Mãe olha à janela
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
Que eu ‘tou a chegar a casa
I count the days for myself
With my bag packed
There’s hardly enough room
For the weight of my sorrow
From the blue, I see the garden
Right behind the wing
Mum, look out the window
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Because I’m coming home
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home
Porque eu vim de longe
Eu vim do meio do mar
Do coração do oceano
Eu tenho a minha vida inteira
O meu caminho eu faço a pensar em regressar
À minha casa, é ilha, paz, Madeira
Se eu te explicar, palavra a palavra
Nunca vais entender a dor que me cala
A solidão que assombra a hora da partida
Carrego o sossego de poder voltar
Mãe olha à janela que eu ‘tou a chegar
Because I came a long way
I came from the middle of the sea
From the heart of the ocean
I have my whole life
I make my way, thinking of returning
My home is an island, peace, Madeira*
If I explain to you, word by word
You’ll never understand the pain that quiets me
The solitude overshadowing the departure time
I bear the comfort of being able to go home
Mum, look out the window, I’m coming
Por mais que possa parecer
Eu nunca vou pertencer àquela cidade
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
No matter how much it might seem
I’m never going to belong to that city
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Não me convo’ ah ah ah ah ah ahh uh uh uh
O mar de gente, o Sol diferente
O monte de betão não me provoca nada
Não me convoca casa
Doesn’t invite…
The sea of people, the different sun,
The concrete mountain can’t move me
Doesn’t call me home

* Ah, right, I hadn’t realised they were Mrs L’s homeboys!

Posted in Portuguese

D’Hondt Panic!

Já não falei sobre as legislativas (as eleições para a Assembleia da República Portuguesa) de 2025 mas hoje é o Dia D. Convém lembrar de que o preço da liberdade é a eterna vigilância (e a votação de vez em quando), portanto eis um vídeo da Mathsgurl que explica, de forma singela, como funciona a sistema de contar votos e porque é que a democracia importa tanto.

Posted in Portuguese

Guiana Brasileira

Surgiu há umas semanas um meme no qual vários tipos de sotaque carioca falaram de “Guiana Brasileira”. Isso enraiveceu os influenciadores portugueses tanto que não resisti investigar as origens da tendência.

Tanto quanto consigo constatar, o meme tem origem num vídeo da plataforma TikTok. Os brasileiros, percebendo que existem uma “Guiana Francesa”, uma “Guiana Britânica” (ou simplesmente “Guiana”) e uma “Guiana Holandesa” (o atual Suriname) na sua fronteira norte, pensaram “Oi galera, se estes gringos europeus têm Guianas no nosso continente, nós também devíamos obter uma Guiana no seu”.

E daí nasceu o meme: Portugal é a Guiana Brasileira, o 28° Estado daquele país e o único fora da América do Sul.

Para continuar a sua campanha de provocação, também atribuíram nomes a este novo estado, entre os quais o meu favorito é “Pernambuco em Pé”, porque o estado de Pernambuco tem a mesma forma de Portugal mas é horizontal em vez de vertical.

Como eu já disse, muitos portugueses ficaram indignados ao ouvirem deste fenómono mas o linguista Marco Neves, grande explicador de tudo sobre a língua de Camões (e não só essa língua), também gravou um vídeo sobre a Guiana Brasileira. O tom do seu vídeo é mais irónico, e acho que, nestas situações, a melhor estratégia é empregar a ironia em vez de raiva.

Posted in Portuguese

Serial Non-Attender

Olá! Lembras-te de mim? Entrei num learning slump e por isso peço imensa desculpa pela falta de conteúdos neste blogue. Mas apeteceu-me escrever sobre alguns tópicos. Portanto, aqui vou eu com o primeiro. Calma Colin, sem pressão, um texto hoje, mais um amanhã e quem sabe, talvez o “mojo” volte em breve…

Matar Aulas… Mas não são aulas, são espectáculos.

Adquiri o hábito de desperdiçar bilhetes. Já perdi a oportunidade de assistir aos espetáculos de vários comediantes por vários motivos, apesar de ter um bilhete. No domingo passado, não tive tempo suficiente para ouvir os Capitão Fausto porque andava a esvaziar o nosso apartamento antes da chegada dum mestre-de-obras que está a fazer várias mudanças no nosso lar. E ontem, por pura preguiça, eu e a minha esposa decidimos ficar em casa em vez de irmos ao teatro onde se grava a série “Have I Got News For You?”

Bem, a preguiça não é assim tão má mas, uma vez que eu esteja preguiçoso, por que raios é que insisto em gastar dinheiro em bilhetes???

Posted in Portuguese

O Dia 25 de Abril

Olá!

Já esqueceste deste blogue? Eu também? Sei lá porque. A vida não é assim tão atarefada hoje em dia. Ou seja na verdade, ando com um bico-de-obra, mas passei por tempos piores. Consigo escrever mais, mas falto-me a motivação.

Mas hoje o meu insta está cheio de fotos de manifestações contra o fascismo e celebrações da democracia portuguesa que, com 51 anos, é mais nova do que eu.

Para comemorar este aniversário da liberdade, tentei ler o livro “Quanta Liberdade” de Rui Garcia e Gabriel Lagarto mas não me chamou a atenção. Provavelmente escolhi mal: encontrei o livro numa loja de segunda mão em Setúbal mas ele nem sequer existe no Goodreads, o que significa que poucos portugueses já leram! Tratam-se de um conjunto de textos e de desenhos rabiscados, montados num formato remanescente de uma pasta, usando a tipografia daquela época e com os carimbos e o lápis azul do Estado Novo. Tem bom aspecto mas infelizmente, achei os conteúdos fracos e incoerente.

Posted in Portuguese

Patuá Macaense

A minha esposa enviou-me este vídeo interessante sobre o crioulo que surgiu em Macau. Para quem não saiba, Macau é uma ex-colónia portuguesa na costa da China perto da Hong Kong e tendo o mesmo estado de “Região Administrativa Especial” no sistema politico daquele país.

O crioulo está quase extinto nos dias que correm, com a grande maioria dos seus falantes idosos e/ou bilingues. Noutras palavras, tem um número de utilizadores aproximadamente igual ao da Língua Corniça. O vídeo é ótimo e inclui exemplos de nativos de Macau a falar o idioma.

Posted in Portuguese

Hipopotomonstrosesquipedaliofobia

Encontrei um artigo sobre a palavra que mais mete medo aos falantes da língua portuguesa. Devia adivinhado a resposta antes de abrir a página mas engoli a isca e fiquei enganchado pelo anzol. hipopotomonstrosesquipedaliofobia existe em inglês também mas a nossa palavra contém mais uma letra (“ph” em vez do “f” só).

I suppose there are good reasons why AI doesn’t transcribe exactly what we tell it to write, but it’s mildly annoying, all the same.

Mas o que é que significa esta palavra gigantesca? Ironicamente, é o medo irracional das palavras compridas ou complicadas. Existem poucas pessoas que sofrem da condição e a profissão de psiquiatria não reconhece a existência dela. A palavra é basicamente uma piada: descreve uma condição que aterroriza os doentes que sofrem da mesma!

Posted in Portuguese

Amizade Colorida: Well, That’s a New One on Me

Não ouvi esta expressão antes. Quando a mulher no vídeo disse a frase eu achava que teria a ver com a palavra “cor”, servindo como uma versão abreviada de “coração” na expressão “saber de cor” (vê por exemplo as notas de rodapé deste blog se não conheces este sentido daquela palavra) mas nada disso. Ah ah, que surpresa!

E ela tem razão, a expressão realmente existe. Até há uma página da Wikipedia que descreve o fenómeno.