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O Quarto

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A minha filha, a minha bebé, a minha abóborinha, já não está tão pequenina. Hoje em dia, prefere um CD de música rock em vez de se vestir como princesa.

Recentemente, pediu algumas vezes se podia renovar a decoração do seu quarto. Ora bem, vivemos aqui desde 2005 (dois mil e cinco) mas ainda não redecoramos. Por isso, consenti. Durante as férias da Páscoa, estamos a pintar as paredes, o tecto e a porta. Na segunda feira, passámos o dia inteiro a esvaziar o quarto. Levámos os livros, deitamos fora o lixo (3 sacos grandes!) e passámos a cama até ao centro do chão. Ontem, aplicamos uma camada de tinta. Hoje, não podemos fazer nada, mas amanhã, hemos de pintar a segunda camada. Depois, vamos pintar a porta e a madeira.

A madeira vai estar escarlate, uma parede preta e o resto amarelo claro. Finalmente, o quarto vai se encher novamente com móveis e as paredes com fotografias de rapazes bonitos com guitarras eléctricas e penteados fascinantes. O meu cargo, como pai já será cumprido.

 

Thanks Sophia and Giovanna for help with the corrections

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O Dia B

This texto has been on iTalki for a while now, which is why it’s not as topical as it once was!

Para nós ingleses que votámos contra o Brexit, a semana passada foi triste. Afinal, a primeira ministra, Theresa May mandou uma carta ao Presidente do Conselho europeu, para iníciar o que consta no artigo 50 do Tratado de Lisboa e começou o processo de saída da UE. Sem adiar, um líder outrora do partido conservador tentou provocar uma guerra contra os nossos amigos espanhóis. Tanta loucura!

Li uma piada seca numa rede social “Uma grande vantagem de ser gay é isto: Nunca vou ser obrigado a explicar aos meus netos o que aconteceu hoje”.

Infelizmente não sou gay.

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A Vida Nos Livros

“A Vida No Livros” de José Jorge Letria – Tradução

Nem dez vidas me bastaram, eu sei

Ten lifetimes wouldn’t be enough, I know

para ler os livros que fui arrecadando

to read the books I’ve been collecting

e que me desafiam para que

and that challenge me because

me perca neles como um peregrino

I lose myself in them, like a pilgrim

nas rotas de um mitigado desespero.

on the trails of a muted despair

Sou eu que pertenço aos livros

It’s me that belongs to the books

e não o contrario, já o disse tantas vezes

and not the other way around, I’ve said it many times

pois o que eles vão entesourando

because the treasure they are hiding

é a pequenez do tempo que me resta

is the shortness of the time that remains to me

para os ler e neles me encontrar.

to read them and find myself in them

Os livros falam de vidas e de guerras

The books speak of lives and wars

e eu só falo do que os livros contam,

and I only talk about what the books tell me

esquecido que ando do que vivi

oblivious that I’m wandering from what I lived

e bem podia e devia contar-vos.

and can and should tell you

São os livros que me acenam

It’s the books that move me

apontando-me para os mostradores

pointing me to the faces

dos seus relógios imóveis e opacos,

of their motionless, opaque clocks

assim como quem diz: por mais que vivas,

as if they were saying: no matter how you live,

por mais que faças, tu partirás

no matter what you do, you will depart

e nós, bem ou mal, havemos de ficar,

and we, good or bad, have to stay

porque não nos cansámos de viver

because we never got tired of living

a ficção de que são feitas estas vidas.

the fiction from which these lives are made

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Se Faz Favor

Faça favor de não usar o autoclismo desta sanita para despejar fraldas, pensos higiénicos, lenços de papel, pastilhas elásticas, telemóveis velhos, contas por pagar, correio indesejado, a camisola da sua “ex”, esperanças, sonhos ou peixes dourados.
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A Vista do Comboio

Hoje de manhã estou a viajar mais uma vez para Warrington, uma cidade no Norte de Inglaterra. Tenho sorte de ter bilhetes de primeira classe porque estavam ao mesmo preço dos bilhetes de classe turística. Há um empregado que me faz a pedicure enquanto que escrevo. A sério. Isto é o estilo de vida dos um por cento.

Pela janela vejo o sol a brilhar num céu azul e nítido, algumas árvores, um rebanho de ovelhas e carneiros e uma lagoa. As árvores ainda estão despidas, sem folhas, mas a Primavera já chegou e daqui a uma semana, quem sabe? Talvez estejam verdes novamente. De forme geral, a Primavera em Inglaterra é linda

A minha frente está uma mulher com cinquenta e tal anos a trabalhar com um portátil e a comer uma fatia de torrada com marmaleda (mas a marmaleda inglesa – um espécie de geleia de laranja). Tem cabelo claro e veste um top listrado.

Através do corredor. Há um homem com entradas no cabelo. Usa um cachecol e um fato cinzento e olha pela janela. Entretanto está a ter uma conversa com um telemóvel com auscultadores e microfone.

Até agora está a ser um bom dia. Infelizmente, enquanto que escrevi este texto, fiz uma pausa para usar a casa de banho. Depois, fui empurrar o botão para abrir a porta e… Nada aconteceu! A porta ficou fechada. Enfim, depois de tentar por cinco minutos com cada vez mais força, desisti. Tive que tocar o alarme para chamar um empregado para abri-la. Bolas! Fiquei muito envergonhado.

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Tradução 

Translation of the song in the last post

Se um dia alguém, perguntar por mim

If one day anyone asks about me (#futuroDeConjuntivoKlaxon)

Diz que vivi para te amar

Say that I lived to love you 

Antes de ti, só existi

Before you, I only existed

Cansado e sem nada para dar

Tired and with nothing to give

Meu bem, ouve as minhas preces

My love, hear my prayers

Peço que regresses, que me voltes a querer

I’m asking you to come back and love me again

Eu sei, que não se ama sozinho

I know that you don’t love alone

Talvez devagarinho, possas voltar a aprender

Maybe slowly you can learn again

Meu bem, ouve as minhas preces

My love, hear my prayers

Peço que regresses, que me voltes a querer

I’m asking you to come back and love me again

Eu sei, que não se ama sozinho

I know that you can’t love alone

Talvez devagarinho, possas voltar a aprender

Maybe slowly you can learn again

Se o teu coração não quiser ceder

If your heart doesn’t want to surrender 

Não sentir paixão, não quiser sofrer

Doesn’t want to feel passion, or to suffer

Sem fazer planos do que virá depois

Without making plans for what comes after

O meu coração, pode amar pelos dois

My heart can love enough for both of us

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Booktube Roundup

I have a few portuguese youtube channels about books that I watch on a more-or-less regular basis these days: AOutraMafalda, CreepySantos, TiagosWorld, CatInTheNet and the newest, BooksAndBeers. As I mentioned before, listening to videos and podcasts about a subject you’re interested in is usually more engaging than listening to boring aural comprehension exercises or news programmes or whatever, and I often hear about interesting-sounding books, which is a bonus.

Recently, a couple of them have suggested a tag about endorsing Bandas Desenhadas (comics, graphic novels) and since I haven’t done much speaking lately I thought I’d join in. The result is below. It’s pretty horrible. I had a good feeling about it to start with and thought I’d be pretty fluent but in the end it’s about 50% composed of me going “ummmm… ahhhhh…..” and looking at the cieling. When I do speak, I use the wrong tense, the wrong verb, mismatched adjectives… ugh! It’s a right old mess. I’m going to do more of these though precisely because I am so shit at it.

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More Deolinda Fanboying

 

I came across a song I’d never heard on Youtube by Deolinda and it’s fantastic! Lyrics here if you need them.

According to Wikipedia:

A canção Parva que Sou, estreada nos quatro concertos feitos nos Coliseus de Lisboa e Porto, em Janeiro de 2011, foi imediatamente considerada um hino de uma geração.[17]

O tema “Parva que Sou” inspira o movimento “Geração à Rasca” que no dia 12 de Março de 2011, realiza as maiores manifestações não vinculadas a partidos políticos desde a Revolução dos Cravos.[18]

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Amor De Livros

notebook_image_774967A minha filha tem estado num “reading slump” (ouvi adolescentes portugueses a usar esta frase inglesa – adivinho que não há equivalente em português…?) nos meses passados. Como muitas raparigas da sua idade, frequentemente escolhe o telemóvel com as redes sociais e vídeos em vez dum livro e, por isso, não tem lido muitos livros neste ano.
Contudo, recentemente, tudo isso mudou. Alguém disse-lhe que há de experimentar “A Court Of Thorns and Roses” de Sarah J Maas. Agora, ela está completamente viciada na série. Ontem, apenas 50 páginas não foram lidas* e eu disse-lhe “só termine este capítulo e então desligue o candeeiro”. Mas hoje, quando acordei-a, perguntei “quantas páginas faltam agora?” ela respondeu “hum… Pai, já acabou. Comecei o segundo livro.”
Ela permaneceu acordada até duas horas de manhã e até subiu um tamborete para atingir a sequela** (que era por cima dum estante alto porque ela soube que havia um “spoiler” na capa dela). Finalmente acordou a sua mãe para discutir o argumento e as personagens, e a mamã, muito cansada, disse-lhe para não fazer asneiras e voltar para cama imediatamente!
Fico contente de ver que ela voltou a ler mas espero que não perca o sono e não esteja cansada na escola por causa do seu novo entusiasmo!

 

*=I tried “deslidas” for “unread”. Computer said no.

**=Apparently this sentence is a bit of a mess but I don’t have a better one, so…Anyway, she climbed on a stool to reach the sequel