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Chama os Bombeiros… Não, espera… Os canalizadores.

Estou na biblioteca perto da sede do meu cliente. Tivemos que sair do prédio porque tocou o alarme de incêndio. Mas depois de sairmos, ouvi que não foi por causa dum incêndio mas sim um problema com a canalização do prédio. Um cano rebentou e água nojenta derramou pelo tecto dos dois primeiros andares. É frustrante porque não tenho o meu portátil e portanto não consigo fazer nada. Mas não faz mal, pelo menos há uma biblioteca onde posso ler e escrever.

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A Horta no Inverno

IMG_20190210_174856_289Não há muitas coisas para fazer nesta estação do ano. Há algumas flores a crescer perto da casinha; jacintos, narcisos e tulipas. Os primeiros botões estão a aparecer nos ramos das groselheiras e o ruibarbo está a acordar-se.  Mas já comecei a preparar. Espalhei composto no solo, amarrei as amoreiras (grande frase, esta. Soa bonita!) e cortei os ramos duma árvore que lançava uma sombra através do lote e reciclei-os para fazer um canteiro elevado para os morangos.

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Moedas Comemorativas

Notes on commemorative editions of the 100 Escudo coin. My daughter recently received a beautiful parcel containing 18 of these, big, chunky things with designs on them spanning years.

Ano Internacional do Deficiente (1981)

Mostra-se uma imagem do Jacob Rodrigues Pereira (1715-1780), que nasceu em Espanha, duma família cripto-judaica portuguesa e tornou-se educador de surdos em França.

D. Nuno Alvares Pereira / Batalha De Aljubarrota (1985)

Comemora 600 anos desde esta batalha, uma das maiores batalhas defensivas contra o exercito castelhano que tentou conquistar Portugal. Dom Nuno Alvares é considerado um génio de estratégia e ainda por cima, foi beatificado e canonizado pelo papa XVI em 2009, mas confesso que não faço ideia por quê.

Fernando Pessoa (1985)

São retratados nesta moeda o poeta mais conhecido e mais amado no país, e mais três gajos que o semelham esquisitamente…

D. Afonso Henriques (1985)

Comemora 8 séculos desde a morte de D. Afonso I, o conquistador, e o primeiro rei da primeira dinastia portuguesa.

X Aniversário da Autonomia Regional (1986)

Logo depois da revolução dos Cravos, a república portuguesa começou a reconstruir a democracia e isso resultou numa nova constituição, que foi publicada em 1976. dando autonomia regional para as ilhas, com os seus próprios hinos e bandeiras.

XII Mundial de Futebol (1986)

Dois homens a saltar por cima duma esfera… Não faço ideia do que é que estão a fazer…

Amadeo_de_Souza-Cardoso,_Untitled_(Coty),_1917,_oil_and_collage_on_canvas,_94_x_76_cmAmadeo de Souza-Cardoso (1987)

O centésimo aniversário do nascimento deste pintor modernista cuja morte com 30 anos acabou com uma carreira promissora.

Nuno Tristão (1987)

É um motivo de vergonha para países tal como Portugal e a Inglaterra que tantos de nossos heróis também foram vilões. Esta moeda celebra a vida de um explorador que descobriu muitas zonas de África até então desconhecidos (pelo menos a nós europeus), incluindo o Rio Gambia (1446) mas o explorador também foi um mercador de escravos. Hum…

Diogo Cão (1987)

Diogo Cão era um dos navegadores que concretizaram a reputação do país como terra de exploradores. A data na moeda é 1486, ano do seu falecimento que ocorreu durante a sua segunda viagem para África do Sul em busca de Preste João. Foi retratado no Padrão dos Descobrimentos a grande escultura a beira do Rio Tejo, e foi imortalizado pela caneta de Fernando Pessoa no seu poema “Padrão”

Bartolomeu Dias / Cabo de Boa Esperança (1988)

O quingentésimo aniversario do regresso a portugal do explorador Bartolomeu Dias após da sua expedição além do cabo de Boa Esperança (O ponto mais a sul do continente da África.

Arquipélago Dos Açores (1989)

Comemora várias viagens de descoberta ao arquipélago entre 1427 e 1432. Ao que parece, as ilhas já eram conhecidas e por isso não percebo porque é que as viagens tiveram tanto significado, mas… sei lá, deve de haver alguma coisa que perdi.

Ilhas Canárias (1989)

Comemora a ocupação dos portugueses das ilhas desde 1336 até 1479. Depois, o Tratado das Alcáçovas-Toledo afirmou o controlo das ilhas pelos castelhanos enquanto Portugal ficou com as ilhas dos Açores e da Madeira.

Navegação Astronómica (1990)

Parece que esta moeda é apenas a celebração da Ciência. Não acho que celebre um aniversário ou a pessoa que a inventou, mas claro sem a navegação astronómica, os portugueses nunca teriam sido capazes de explorar o mundo antes do época do Sistema de Posicionamento Global e por isso é um tipo de especialidade nacional.

Camilo Castelo Branco (1990)

Celebra a vida do autor de “Amor de Perdição” e “Maria Moisés” entre outros.

Restauração da Independência (1990)

Comemora 350 anos desde a saída de Portugal da União Ibérica, que é um lembrete amargo para nós ingleses que há países no mundo capazes de saírem duma união política sem fazer-se uma desgraça. A União tinha permanecido durante 60 anos desde a guerra da sucessão portuguesa que resultou num espécie de governo imperial sob a coroa espanhol.

Antero de Quental (1991)

O senhor Antero foi um poeta do século XIX que fez parte (com Eça de Queiroz e Oliveira Martins) num movimento literário, Geração de 70, que pretendia revolucionar a cultura pela introdução de realismo. Confesso que não tinha ouvido do senhor anteriormente mas é um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa**. Fernando Pessoa escrevi o elogio seguinte

Properly speaking there has been no Portuguese literature before Antero de Quental; before that there has been either a preparation for a future literature, or foreign literature written in the Portuguese language.

D. António, Prior do Crato (1995)

Marca 400 anos desde a morte deste rei (ou seja pretendente ao trono). D. António teve uma vida cheia de histórias. Acompanhou D. Sebastião na campanha em Marrocos e foi preso na batalha onde o rei morreu. Depois do seu regresso a Portugal, António reclamou o trono mas foi negada porque varias pessoas tinha dúvidas que fosse o filho legitimo do seu “pai”, D. Luís. continuou a afirmar o seu direito de ser rei durante a crise da sucessão portuguesa, quando o país perdeu a sua independência e ficou sujeito ao Rei Felipe I (Felipe II de Espanha) e acabou por ser exílio na Inglaterra com o inimigo do seu inimigo, a rainha Isabel I.

Centenário da Autonomia Dos Açores (1995)

As Ilhas ganharam a sua independência administrativa em 1895, até o estado novo reestabeleceu controlo sobre as ilhas em 1928.

* PADRÃO (Fernando Pessoa – Mensagem)
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.

A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

** Let’s have a look:

O QUE DIZ A MORTE

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs, de que escarnecem…

Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem. –

Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso intérprete sagrado
Das cousas invisíveis, muda e fria,

É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.

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Agora e Na Hora da Nossa Morte – Susana Moreira Marques

 

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Diz-se que não se pode avaliar um livro pela capa, mas confesso que comprei este livro por esse motivo só. Os livros da editora Tinta da China são sempre bonitos. Este tem capa mole cor de lavanda com cantos arredondados. O assunto é igualmente bonito, apesar de ser menos alegre. O assunto é a morte. A escritora viajou com profissionais da saúde e de cuidados paliativos para visitar pessoas com pouco tempo de vida e familiares dos recém-falecidos, numa paisagem fora das grandes cidades, onde parece que um modo de vida está a morrer também. Ali, ela ouviu as histórias das pessoas, e escreveu os pensamentos delas sobre a morte, a vida e o que é importante no fim de contas.

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Setúbal

Fui ontem para a residência do embaixador português em Inglaterra, para ouvir um discurso sobre o Festival de música de Setúbal. O director contou a história da origem do festival, o motivo pelo qual foi estabelecido, e descreveu os efeitos benéficos para a cidade. Foi muito um discurso interessante. As escolas participam no festival, o que traz oportunidades para estudantes de música, ainda que alguns tenham deficiências físicas ou mentais. As comunidades imigrantes também fazem parte do projecto, e isso aumentou o seu sentimento de pertencimento. Trouxe benefícios nas áreas de economia, de infraestrutura e de saúde e bem estar.

Uma estudante nativa de Setúbal tocou violino, e depois havia uma recepção com petiscos e vinho.

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Feminismo Negro em Portugal

Um gajo que sigo no Twitter mencionou uma historia do Jornal Público (“Feminismo negro em Portugal: falta contar-nos”) sobre o desenvolvimento de feminismo negro em Portugal. Como muitos países europeus, Portugal tem uma história de colonialismo e escravatura, e isso trouxe muitos novos habitantes que, mais tarde, tornaram-se cidadãos e o artigo descreve as mudanças da população e destaca o papel de mulheres negras.

A história começa no século XVI, muito antes da palavra “feminismo” ser usada, mas era possível encontrar negras a participar politicamente na sociedade portuguesa. No inicio do século XVIII foi apresentado por mulheres uma petição de reclamação contra as perseguições quotidianas da comunidade negra.

Mais tarde, no fim do século XIX, tendo a escravatura sido já abolida, vê-se uma nova oportunidade de participação. Claro que isso não continuou durante o novo estado, enquanto todas as forcas liberais foram subjugadas pelo governo Salazarista.

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A mulher mais interessante do meu ponto de vista, foi a Virgínia Quaresma, que nasceu em 1882, e viveu uma vida cheia de acção politica até a sua morte com 90 anos. Ela foi uma das primeiras mulheres a licenciar no Curso Superior de Letras na Escola Normal de Lisboa. Tornou-se jornalista (a primeira no país) e redactora duma revista feminista. Foi um membro activo de várias ligas feministas, pacifistas e republicanas durante os anos antes da primeira guerra mundial, e viveu abertamente como lésbica apesar do clima moral daquela época. Foi seleccionada pelo serviço diplomático, e viajou para o Brasil muitas vezes com a namorada dela onde arranjou eventos culturais para cultivar ligações entre os dois países.


Quero agradecer Alisson pela ajuda.

By the way, can we talk about that outfit VQ is wearing? Dapper AF!

 

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Lendo Livros Fora de Ordem

18619684No inicio do mês, li um livro que faz parte duma saga de 4 livros. Já li o primeiro em 2017 e apeteci-me em continuar a historia. É uma obra de ficção científica com elementos de espionagem e por isso é difícil seguir todos os pormenores das vidas de todas as personagens. Às vezes, o escritor menciona pessoas e acontecimentos que não me lembrava. “Pois”, pensei, “deve ser algo que me esqueci do primeiro livro ou talvez muito tempo tenha se passado neste mundo literário entre os dois primeiros livros”.

Ora bem, se calhar já adivinhaste a verdade: eu tinha saltado o segundo volume. Este livro nas minhas mãos era o terceiro! Quando cheguei naquela revelação, foi tarde demais para abandonar, portanto continuei. Felizmente, fez sentido (mais ou menos) apesar disso.
Lembrou-me dum outro erro. Fiz quase a mesma coisa com um outro livro de ficção cientifica. Naquela altura, foi um audiolivro do “The Time Traveller’s Wife”  [O Mulher do Viajante no Tempo]. Eu comecei na segunda metade do livro. Mais uma vez, não diminuiu muito o meu prazer, porque o enredo salta do passado ao futuro e de volta para o passado!

Ouvi falar dum livro chamado “The Unfortunates” [Os Desgraçados? Os Desafortunados?] de BS Johnson, que foi lançado em mil novecentos sessenta e nove e que se vendia numa encadernação* com vinte e sete capítulos deparadas lá dentro. O leitor podia ler vinte e cinco em qualquer ordem, desde que começasse no primeiro e terminasse no último. Hei de lê-lo em breve!

 

* = Or “pasta” (folder) – Pasta AZ and Pasta Arquivo are given as options. Ananda even linked to Portuguese Staples.  More detail on the italki question page.

Thanks to Luís, Alisson and Thamires for the help fixing the errors.