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The Sense of An Ending

I wrote this a couple of days ago but the mistakes made were quite hard to unscramble because of the way I’ve ordered the examples, so it’s taken a while to lick it back into shape. Thanks to Cristina of Say it in Portuguese for helping me desenroscar esta merda toda, but if I’ve missed anything, that’s my fault, obviously, not hers.

Falhei em aprender a lição deste blog portanto tenho TPC: escrever uma frase com cada expressão. Gramática é chato e estou farto de exercícios. prefiro falar sobre o meu novo programa televisivo mas sou um bom estudante portanto vou resistir a este impulso e aderir ao plano. Vamos a isto.

Finalmente 

  • Finalmente consegui encontrar tempo suficiente para ver o primeiro episódio do Pôr do Sol. É incrível!

No fim 

  • A série abre com dois amantes a passear na praia de Santarém e a argumentar, e no fim do seu caminho, chegam a um barco, ao lado do qual há um homem que compra uma das filhas gémeas deles, arranca, e logo depois o barco explode, matando o homem e (aparentemente) a filha.

No final 

  • No final desta abertura, e após uma canção do estimado Toy, retomamos a história 30 anos mais tarde.

Por fim

  • Tentei seguir o enredo e o diálogo louco mas custou-me e por fim liguei as legendas. Confesso que nem sequer percebi que se tratava de uma comédia no início. Fiquei com a pulga atrás da orelha quando o homem no barco disse que tinha comprado um babygrow de Dulce Pontes. Mas foi a aparência do Toy que afastou as minhas dúvidas!

No fim 

  • Felizmente a bebé gémea não morreu. Protegida pelo berço e o maço de tabaco da mãe(!) a menina flutuou ao longo do rio e no fim chegou a Lisboa onde foi adotada e já está a trabalhar numa revista

No fim 

  • Na superfície, ela é muito bem sucedida mas no fim ela sabe que alguma coisa não bate certo na história do seu nascimento, portanto está muito mal humorada, sobretudo quando a sua assistente fala com ela. A assistente é mais alta que ela, e ela não suporta tal coisa.

Ao fim 

  • Entretanto em Santarém a mãe das irmãs está a beber gin (apesar de não gostar) e a falar com o seu marido, a gémea restante e o caseiro da família (o que, se percebo bem, é o pai das irmãs). Ao fim de trinta anos de mentiras, ela está cheia de arrependimentos.

No fim

  • O seu marido também tem a sua cruz: o médico o informou que tem uma doença grave e está quase no fim da sua vida.

Afinal

  • O filho do caseiro namora com a outra gémea. Os pais dele vêm a saber disto e o pai fica zangado porque como já disse, é (acho eu) o pai de ambos. Vivemos numa sociedade muito liberal mas afinal ainda há um tabu contra o casamento com uma meia-irmã. Tanto preconceito*! 

Enfim

  • Enfim, tendo visto o primeiro episodio, adorei. Vou continuar!

No fim de contas 

  • Mas ainda tenho uma dúvida: no fim das contas, porque é que os escritores troçam tanto de Dulce Pontes?

Que acham? Consegui cumprir o meu dever sem ficar distraído?

*Narrowly avoided writing “prejuizo” here. Schoolboy error! One of the best-known false friends, that one!

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Preguiça e Política

Estou a perceber que estou numa fase de preguiça: escrevi muitos blogues nas semanas passadas que tratam de aprender português, mas são escritos neste idioma feio chamado “inglês” que nem sequer distingue entre “estar” e “ser”. Chegou a hora de escrever mais na língua de Camões* e menos na língua do Shakespeare.

Na próxima semana, pretendo fazer um projeto sobre a política portuguesa. Vem aí umas eleições legislativas. Planejo escrever um texto por dia. Esbocei uma agenda:

  • Ouvir uma debate entre dois líderes dos partidos principais (escolhido de modo aleatório desta série) e tomar notas durante a conversa
  • Discutir os problemas dos jovens em Portugal, segundo este artigo.
  • Discutir uma política menos central à agenda nacional, mas que tem paralelos com outros países ocidentais – identidade de género – porque estou interessado no atual formulação do género e o seu progresso dos EUA para o resto do mundo e há um novo decreto-lei que é semelhante a um lei proposto pelos nacionalistas escoceses no meu país
  • Transcrever um breve discurso de um líder dum partido menor: estou a pensar em Rui Tavares porque li um livro dele e imagino-o como um “pai centrista” português. Encontrei um vídeo dele a falar sobre a democracia. Dois minutos. Vamos a isto!
  • Resumir o escândalo na ilha mais bela do mundo
  • Resumir o escândalo inacabável do resto do país e as estantes por todo o lado
  • Atualizar este blogue de 2019 dando mais informações sobre os partidos principais e falar sobre o aumento de poder dos partidos populistas ou simplesmente esquisitos que estão a explorar a crise política

E quem sabe, se calhar, pode continuar após o fim de semana

*De vez em quando, acho que estou quase a ficar acostumado a este teclado mas acabo de passar um minuto a tentar escrever Camões com o til no E. Ainda bem que não me permitiu porque o meu pedido de dupla cidadania teria sido cancelado!

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From Rui With Love

Estou a ver um vídeo antigo de Rui Tavares a falar na Assembleia da República mas há uma espiã* por trás do deputado. Passou despercebida porque andava disfarçada, com óculos escuros e um bigode falso.

*It’s a weird one, this. Espiã is technically the correct feminine form of espião, but apparently most people use espia, so much so that in this ciberduvidas article someone asks if espiã is just a typo. Note that espia is a nome de dois generos – in other words it replaces both espiã and espião. There’s also a purely feminine word espia, which means a cable. TBH, I’d prefer to use the accented words because it’s less ambiguous, especially when describing espionage in a naval setting, but obviously not everyone in Portugal is going to change the way they speak and write just because of what I say, so I’ll have to make space in my brain for both.

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D’oh!!!!

Então é por isso que a definição de “equipa” fez tão pouco sentido (neste blogue). Andava com modo Brazuca* ativado!!!

*Não acho que esta palavra seja ofensiva mas peço desculpa se estou a dizer asneiras

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Efe(c)tivamente

O blogue de hoje é mais uma tradução. O título não segue o acordo ortográfico mas não me importa. A palavra “efe(c)tivamente” é cognata com a palavra inglesa “effectively” mas tem um valor ligeiramente diferente porque é usada muitas vezes em situações nas quais usamos “really”. Lê a segunda definição nesta página para mais informações.

PortugueseEnglish
Adoro o campo as árvores e as flores
Jarros e perpétuos amores
Que fiquem perto da esplanada de um bar
Pássaros estúpidos a esvoaçar
Adoro as pulgas dos cães
Todos os bichos do mato
O riso das crianças dos outros
Cágados de pernas para o ar
I love the field, the trees, the flowers
Jugs and everlasting loves
That are close to the tables of a bar
Stupid birds, fluttering
I love the dogs’ fleas
All the woodland creatures
The laugh of children and others
Terrapins with their legs in the air
Efectivamente escuto as conversas
Importantes ou ambíguas
Aparentemente sem moralizar
Effectively, I listen to important and ambiguous conversations
Apparently without moralising.
Adoro as pegas e os pederastas que passam
Finjo nem reparar
Na atitude tão clara e tão óbvia
De quem anda a enganar
Adoro esses ratos de esgoto
Que disfarçam ao pilar
Como se fossem mafiosos convictos
Habituados a controlar
I love the whores* and the pederasts who pass by
I pretend not to notice
In the clear, obvious attitude
Of one who is being deceptive
I love those sewer rats
Who hide behind the pillar
As if they were convicted mafiosos
Used to being iin control
Efectivamente gosto de aparência
Imponente ou inequívoca
Aparentemente sem moralizar
Effectively I like imposing or unequivocal appearance
Apparently without moralising
Efectivamente gosto de aparência
Aparentemente sem moralizar
Aparentemente escuto as conversas
Effectively I like appearance apparently without moralising
Apparently I listen to conversation
Efectivamente sem moralizar
Efectivamente, sem moralizar
Aparentemente, sem moralizar
Efectivamente
Effectively without moralising
Effectively, wothout moralising
Apparently, without moralising
Effectively

*This could be translated a few different ways but I guess this is the one he means, unless the paedos were chasing a magpie!

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Frases de Engate

Claro que, como estudante desta língua, não tenho tempo para praticar a arte de sedução e ainda por cima a minha esposa não me permitiria, mas o Dia dos Namorados está quase a chegar e achei que alguns de vocês, os meus caros leitores, podiam gostar desta lista de frases de engate que roubei desta página do Observador de há oito anos.

Confesso que gosto muito da terceira (ah ah, soou como um daqueles anúncios de Clickbait “A terceira vai te chocar!”) mas concordo com o cabeçalho; são mesmo horríveis. Este julgamento não visa criticar o machismo implícito nas frases. Isso seria aceitável se fossem engraçadas mas…. eh pá… “Posso pagar-te um copo ou preferes dinheiro?” Boa sorte em limpar a Sagres da tua camisa depois de dizer essa merda!

Vou explicar cada uma em inglês para quem não sabe, mas estou demasiado constrangido para pedir ajuda de um professor , portanto pode haver alguns erros. Desculpem. (Obrigado pela ajuda, Cristina)

  • Que pernas tão bonitas. A que horas abrem? [“What great legs. What time do they open?”]
  • Ó fêvera! Junta-te aqui à brasa! [fêvera = febra, so “Hey, fresh meat, come over here to the charcoal”]
  • Ó joia! Anda aqui ao ourives. [“Hey, jewel, come to the goldsmith”]
  • Usas cuecas TMN? É que tens um rabo que é um mimo! [“Do you wear TMN knickers? Because your bum is a treat” (TMN seems to be a brand of undercrackers, but it used to be the name of a telecoms company who used a mime (“mimo” can mean both “mime” and “treat”) in its ads. You can see an example here. Considering how old it is (the ad gives prices in Escudos!) I can’t imagine this is going to get you very far in 2024]
  • Ó flor… Dá para pôr?! [“Hey, flower, can you be laid?” Not sure about this one: por can be used for laying flowers eg on a grave, and there’s obviously a double meaning, so I think this is probably the closest I can get] [No, apparently it’s even cruder than that. It means “Hey, flower, can I put my dick in you?” Fuxake, rapazes, não têm rizz nenhuma?]
  • Ó estrela, queres cometa? [“Hey, star, do you want a comet?” I guess this is meant to sound like “comer esta”]
  • Andas na tropa? É que já marchavas. [“Are you in the army? It’s just that you were looking really good” Assuming this is the fifth, informal definition of “marchar” here)]
  • Contigo… era até achar petróleo! [“With you… it was like striking oil” This is a weird one because it sounds like something you say after you’ve slept with someone, not before]
  • Posso tocar no teu umbigo… por dentro? [“Can I touch your navel… from the inside?”]
  • Tens um rabo que parece uma cebola. É de comer e chorar por mais! [“You have a bum like an onion. You eat it and cry for more”]
  • Sabes onde ficava bem essa roupa? No chão do meu quarto… [“D’you know where those clothes would look good? On my bedroom floor”]
  • Com umas boias dessas o Titanic não tinha ido ao fundo. [“With floats like that, the Titanic would never have sunk”]
  • Posso pagar-te um copo ou preferes dinheiro? [“Can I buy you a drink or would you prefer money?”]
  • Tanta carne e eu em jejum… [“So much meat and I’m fasting”]
  • Não és ave-maria, mas és cheia de graça! [“You’re not a hail Mary but you’re full of Grace”]
  • Estou a lutar desesperadamente contra o impulso de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo. [“I’m desparately struggling against the impulse to make you the happiest woman in the world”]
  • O teu pai deve ser terrorista porque és cá uma bomba! [“Your dad must be a terrorist because you are da bomb!”]
  • Perdi a chave da minha casa, posso ir dormir na tua? [“I’ve lost my house key. Can I sleep at yours?”]
  • Com uma montra dessas… Imagino como é que é o armazém! [“With a shopfront like that, I’m picturing what must the storeroom be like!”]
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A Couple of Unrelated Blatherings

Writing this lot out so I remember it.

Plantention

Niche point about the difference between planning to do a thing and intending to do a thing. I recently had an exercise to paraphrase the following snippet

“visa colocar o país”

It’s obviously not a full sentence so it’s a little difficult to do. “Visa” here doesn’t mean a visa you use to get into a country, it’s part of “visar”, which means “aim”, either literally (aiming a weapon) or in the sense of intending or having an objective.

So a good translation would be something like “intends to put the country” (in the original, it was followed by something like “…on a path toward sporting success”). Well, I suppose I was thinking something like that needs a long term strategy, or, if you like, a plan, so the word I used in place of “visa” was “planeia”. That’s not precise enough though. Planear is about the journey to get to your objective, and visar is more to do with your intention.

Better synonyms of visar would have been “pretender”, “tencionar” or “objetivar”

O Papel Absorvente

I also had to come up with a synonym for “o papel absorvente”. You’re obviously supposed to think of aborbent paper like kitchen towel (as opposed to papel higiénico, which is toilet paper), but it’s a trick! Papel can also mean “role”, and in the context “a escola assume um papel muito absorvente na vida deles” (from here) it was saying that school occupied a role in their lives that absorbed a lot of their attention and free time.

Status

I said something about “estado social” intending to say “social status”, but it means “social state”. The word for status is actually “status”, which is weird becuse you don’t get many words in portuguese that start with st-. But there you have it: status social.

Equipa/e

I knew “equipe” was a “francesismo”*, but I was a bit thrown by seeing it used in the wild so I looked up both equipe and equipa in Priberam. The lexicographers haven’t really been very helpful in explaining it, but the TL;DR is that yes, equipa is the preferred spelling. It’s just that the frenchified version is allowed and is sometimes used. I suppose it’s like cafe/café in english. É doesn’t really exist in our alphabet, so cafe is the closest standard english spelling but nobody is going to have an aneurism if you bust out an accent.

Homem Rico vs Rico Homem; Velha Casa vs Casa Velha

Um rico homem seems to mean “a good/valued man” as opposed to just a rich man. It’s the eighth definition on Priberam, although they use it for netos rather than homens. A question on Wordreference Forums refers to a blog (sarcastically?) asking of José Socrates is “um rico homem ou um homem rico” but I can’t find the original.

There’s also an old-fashioned expression “rico-homem“. with a hyphen, which seems to mean a member of the nobility.

Velha casa seems to be more deprecative, meaning outmoded or old fashioned, as opposed to simply old. This meaning of velho is the fourth one in Priberam, but they use it with technology rather than houses. My sense is that this one isn’t as clear-cut. I don’t see many references or explainers, and it’s translated all sorts of ways in Linguee.

*Which sounds like it should mean “earthquake in Paris” but actually just means a word or phrase borrowed from french, just like anglicismo means a word or phrase borrowed from english.

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Foyles

Estávamos no centro de Londres para assistir a uma peça de teatro. Como o teatro fica perto da livraria Foyles, entrámos para que eu pusesse vasculhar nas estantes portuguesas. Antigamente, esta livraria era a melhor fonte de livros portuguesas, mas a secção portuguesa tinha encolhido ainda mais desde a minha última visita. O Império francês devorou mais estantes e sobram três e meia. 😢

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Maria Cachucha

Escrevi um texto na segunda-feira, que terminou com “tinham batido a bota longe antes”. Infelizmente esta frase está errada porque “longe” é uma palavra que descreve distâncias físicas. Por exemplo, a Ilha da Madeira fica longe de Portugal continental.

A substituição sugerida foi “no tempo da Maria Cachucha”. Quem é, ou quem foi, esta senhora? Ninguém! Ou seja, “ela” não era um ser humano, mas sim uma dança (igual ao corridinho! Que maravilha que quase todos os mistérios da língua portuguesa se resolvem da mesma maneira: “é uma dança”!

A cachucha era oriunda da Espanha mas segundo o Ciberdúvidas “teve uma certa voga na França” e depois, em Portugal, foi escrita uma letra gracejadora e zombeteira, a Maria Cachucha para acompanhar a música. Portanto, no século XIX, as pessoas dançavam os passos espanhóis ao seu som. Daí “no tempo da Maria Cachucha” significa muitos, muitos anos atrás.