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Primeiro Eu Tive Que Morrer – Lorena Portela

Hum… Já li montes de livros brasileiros neste verão, não é? Li este como Audiolivro no app Kobo no meu telemóvel enquanto tratava dos arbustos no jardim da minha mãe.

O livro conta a história de uma mulher que trabalha numa empresa cuja cultura é machista e “tóxica” (palavra de jovens, mas parece-me apropriada neste âmbito) e quer afastar-se de tudo e descansar. Durante esta viagem de autodescoberta, encontra novas amigas que a ajudam a entender a si própria. As mulheres partilham os seus traumas*, contam as suas histórias e dão conselhos umas às outras. Segundo o prefácio, a autora imaginou os seus leitores principalmente como mulheres, e é provável que as leitoras acharão mais fácil identificar-se com as experiências da protagonista. Para falar como homem, gostei da história mas não me marcou de mesma maneira como esta brasileira descreve no seu vídeo, o que não é surpreendente!

E falando como estudante de PT-PT, o sotaque da narradora é estranho, e a gramática também, claro, mas apesar disso achei a gravação muito fácil de entender. Não perdi o fio à meada tanto quanto como no último audiolivro brasileiro que li – O “Memórias Póstumas de Brás Cubas”

*New masculine-word-ending-in-A unlocked!

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Chamem O FBI do Coração

Cuca Roseta is coming to play in London soon. It really has been an excellent year for portuguese entertainment here. I’m sure there are a lot of fair-sized towns in Portugal that haven’t had as much choice of big name acts visiting them as we have. Anyway, I’d never heard of her, as far as I remember, but I looked her up and found one of the craziest song titles ever: Call the FBI of the Heart. It’s mid but I thought I’d try and translate it. It didn’t make me like it any more, I’m afraid.

PortuguêsInglês
Tirem-me às palavras o sentido
Se é p’ra ser sonante ao ouvido
Do que é certo ou do que tem mais valor

Tenso assalto aos meus neurónios
De uma espécie rara de demónios
E que ninguém saiba que se chama amor
Take the meaning of my words
If it sounds better to your ear
Of what is right or has more value

Tense assault on my braincells
by a rare kind of demon
And that no-one knows it’s called love
Tirem-me as palavras à cigana
Que de faca e de mão na trama
Saem da boca sem lhe dar a permissão

Eu bem que me tento comedir
Penso em trocá-las ao sair
Mas sou sempre ultrapassada p’la emoção
Take my words from the gypsy
Who, with knife and a hand in the plot
come out of her permission

I’m trying to contain myself
I’m thinking of swapping them on the way out
But I’m always overtaken by emotion
Chamem o FBI do coração
Façam sindicato da paixão
Tragam-mе as algemas para a boca
Estou a ficar louca
Levem-mе para a prisão da Cuca
Call the FBI of the heart
Make a love syndicate
Bring me handcuffs for my mouth
I’m going crazy
Take me to Cuca-prison.
Tirem-me as palavras que desato
Quando chegas perto e eu relato
Digo tudo o que não queria dizer

Venho a mastiga-los pela boca
De uma outra eu que é meia louca
Que faz sempre o que eu não queria fazer
Take my words that I untie
When you get close and I report
I say everything I didn’t want to say

I come to chew them in the mouth
Of another me who’s half crazy
Who always does what I didn’t want to do
Ao meu lado
Dorme a tristeza
Gota a gota dessa vil certeza
De não te poder tirar do coração
At my side
Sadness is sleeping
Drop by drop of this criminal certainty
of not being able to take it from my heart
Chamem o FBI do coração
Façam sindicato da paixão
Tragam-me as algemas para a boca
Estou a ficar louca
Levem-me para a prisão da Cuca
Chamem o FBI
Chamem o FBI
Chamem o FBI
Do coração
Call the FBI of the heart
Make a love syndicate
Take these handcuffs off my mouth
I’m going crazy
Take me to Cuca-prison.
Call the FBI
Call the FBI
Call the FBI
of the heart
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This Book Is Really Kicking My Bum

It’s Atirar Para o Torto by Margarida Vale de Gato. Just about every page brings me a whole crop of obscure vocabulary. It makes it hard to get absorbed in the flow. I underlined the mysterious strangers on this page because there were so many I couldn’t keep track. Some are obvious (“forçosamente”,”desdiz”), others I’d seen before but couldn’t remember (“frincha”) and others are total mysteries (“vesgo”). Outrossim looks like it’s combining ‘outro’ and ‘assim’ but it’s “likewise” (another one like that) rather than what I thought at first: “otherwise” (like something else entirely)

Even the title of the book was a mystery: “Atirar para o torto”. Torto can mean someone who has a physical deformity of some sort – they’re lame or cross-eyed – as in Que Mulher é Essa by A Garota Não, so I wondered in a vague way if she was taking about some sort of persecution of disadvantaged people. That wouldn’t be a great title for a poetry book though. “Para o torto” means something like “wide of the mark”, so if you threw something at me but your aim was way off, you could say you had thrown “para o torto”. So the book means something like “Shooting and Missing”.

Edit – I’ve been re-listening to old episodes of Say It In Portuguese and the word Torto comes up in this episode, so if you want to know more, have a listen.

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Let’s Learn About False Friends with Newscasters

Lembras-te deste vídeo?

Ainda não entendo tudo, mas a minha informadora explicou-me algumas coisas: o jornalista diz “é muito complicado” e a senhora sugere-lhe que deixe o microfone e a ajude. Não entendi o “complicado” porque a palavra parecia-me tão deslocada. Achava que devia ser algo parecido com “conflagrado” e daí a minha confusão.

E porque é que o senhor diz “complicado”? Complicado, segundo o Priberam, tem o mesmo significado como o seu cognato inglês “complicated”. Consigo sugerir montes de adjetivos mais apropriados para descrever um incêndio: trágico, horrível… mas complicado? Há poucas coisas menos complicadas do que um incêndio: é um fogo. Arde. Queima tudo no seu caminho. É simples.

Antes de mais, o jornalista é parvo e mostra uma falta de sensibilidade neste vídeo, portanto não quero sugerir que falemos assim às vítimas de desastres. Mas ainda assim, é óbvio que “complicado” tem uma sombra de negatividade além da ideia de ter muitos fatores em jogo. Não é um falso amigo, mas acho que devemos usar a palavra com cuidado.

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Zé do Telhado

Este texto é batota porque a pergunta (do Português em Foco) diz que tenho de escrever sobre uma personagem literária mas escolhi uma pessoa verdadeira. Contudo, tenho uma desculpa. O protagonista desta história também estrelou em várias obras literárias, cinematográficas e dramáticas.

José Teixeira da Silva nasceu em 1818 e trabalhou como destomateficador* de animais na herdade do seu tio. Na sua adolescência, juntou-se ao exército, nos Lanceiros da Rainha (Maria II, caso tenhas interesse em saber qual a rainha!) mas após uma derrota, refugiou-se na Espanha.

Ao regressar, meteu-se em outros movimentos contra o governo daquela época, e acabou por fazer parte da Revolução da Maria da Fonte em 1846, na qual foi um dos líderes, mais tarde ficando às ordens do general Sá da Bandeira. Foi condecorado, mas após isto tudo, foi expulso pelo partido por não pagar os impostos exigidos pela nova administração.

Foi nesta altura que o nosso herói assumiu o nome José do Telhado. Sob este pseudónimo, cometeu um grande número de assaltos durante um período de grande transtorno no país. Enfim, foi preso e desterrado para África onde se tornou negociante de borracha, cera e marfim.

Segundo a lenda, Zé do Telhado roubou dos ricos para dar aos pobres, como o nosso Robin Hood. A Wikipedia não dá exemplos deste comportamento, mas diz que os Angolanos o consideravam como um “bandido bom”.

* I just made this word up. He was working with animals and castrating them was one of his duties. I am paraphrasing Wikipedia and I don’t know many synonyms for “person who cuts the bullock’s bollocks off”, but tomates is a slang word for bollocks (fica a dica – careful when using it!) so I just decided to wing it!

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Mariza

(Edited this and the previous one. Lots of typos recently. Sorry. All this typing while walking and typing while on the bus is taking its toll, apparently. Thanks to Cristina for the corrections)

O concerto de ontem foi esmagador. Ela cantou muitas canções que adoro, como por exemplo “Gente da Minha Terra”, “Senhor Vinho” e “Estranha Forma de Vida”. Havia quase dois mil portugueses na sala mas eu sentei-me ao lado de dois brasileiros. Que azar! Aproveitei a oportunidade de lhes ensinar o básico da língua portuguesa.

Após a última música, ela voltou ao palco para cantar mais uma que não conheço, mas deve ser muito famosa. Porque toda a gente cantou em uníssono. Vou estudar as letras em breve.

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No Autocarro

Estou a caminho do concerto da Mariza no Centro Barbican. Ainda há bilhetes disponíveis, o que me surpreende. Pensei em convidar a minha filha que prolongou a sua estadia connosco durante mais 3 dias, mas ela prefere ficar em casa com a nossa televisão e umz pizza grande. Não me admira. Já fomos assistir a um concerto dela há uns anos. Houve três convidados no palco naquele espectáculo, incluindo Carlos do Carmo. Leva 4 paga 1.