Lembras-te do pisco-de-peito-ruivo? Depois de eu ter escrito o texto de ontem, o pássaro ficou ainda mais valente. Esvoaçou do topo da janela até ao candeeiro e daí de volta à cortina e pela janela fora. Que lata!
I mean, how heavy must he be to tip the lampshade like that?
Após algum tempo, levantei os olhos do portátil e lá estava o pássaro na estante a espreitar os livros. Até me engasguei. Bati as palmas para afastar o meu novo “inamigo”. Mas pelo menos somos ambos fãs de leitura. Talvez tivesse sido um bibliotecário numa vida passada. Há quem não acredite na reencarnação mas não negue à partida uma ciência que não conhece*.
* This is a reference to a TV psychic from the 90s called Alcina Lameiras. I’ll probably do a text about it in a day or two.
Thanks for the corrections, Dani Morgenstern and Teafvigoli
Vivemos num apartamento no segundo andar e temos um alimentador de pássaros suspenso acima de uma janela.
Nos anos passados tivemos poucos visitantes. As vezes, um chapim-real faria um pausa no alimentador par comer umas sementes mas mais nada. Num certo ano um pombo lançou uma campanha de comer a ração toda ainda que fosse grande que fazia o alimentador balançar de uma maneira perturbadora, as suas tentativas foram muito divertido. Mas uma esmagadora maioria* de meses passaram sem atividade de lado de fora da janela. Os bolos de gordura permeneceram imbicados. Imbicados? É uma palavra? Pois, agora é.
De qualquer maneira, este ano, um pisco-de-peito-ruivo (também conhecido como pintarroxo, papo-ruivo ou papo-roxo) descobriu o alimentador. À manhã, das 8 para meio-dia mais ou menos, este passarinho aproxima-se à janela, pousa no alimentador, come alguma coisa, e descola na direção da janela. Bate no vidro com as asas e pernas e depois mergulha abaixo, desaparece durante uns minutos.
No início, achámos que o homenzinho queria entrar no apartamento. Mas após algum tempo começamos a perceber que o modo de bater na janela não era assim. Estava a ver o seu próprio reflexão e a interagir com o “outro” pisco, quer a tentar roubar-lhe as sementes, quer a atacar, não sei, mas os piscos são altemente territoriais.
Abri a janela e o comportamento da pisca mudou. Deixou de voar pelo espaço onde havia a janela. Em vez disso, pousa no beiral da janela para espreitar os livros e os móveis e a tralha dos humanos. Uma vez, ficou de pé num regador dentro da janela. Após um minuto, com a sua curiosidade satisfeita, virou-se e voou pela janela fora. É muito fofinho. Espero que isto continue, pelo menos durante algum tempo.
*=this phrase doesn’t really make sense here. It means “the overwhelming majority (of months)”. I just wanted to cram that esmagadora maioria in there somewhere.
Hm, I’m really scraping the bottom of the barrel with these neuter puns aren’t I? (previous examples here and here)
For anyone who was interested in the issue of well-meaning-but-annoying young activists trying to force a neuter gender into Portuguese grammar as a way of describing either individuals who self-describe as gender-neutral, or mixed groups of male and female people, here’s an example in a meme of someone trying to use it in a group situation.
I have to ask myself if it’s real or a joke. If it’s real then Marcelo probably should have said “convidades” to match the adjective to his openening noun. I’m with Mariana, Lucas, Karina and the rest in this one though I think. Its hard enough trying to remember that saucepans have gender without also having to remember that some people have one of 67 imaginary ones.
If, like me, you’re a fan of Portuguese graphic novels and comics, you might enjoy this “fio” (thread) in which a podcaster discusses some of his favourites
I went swimming yesterday for the first time since before the age of covid. Since a long time before, in fact. I recorded the workout in my fitness app. Yes, I’ve become one of those people! Anyway, like most things on my phone, it’s in Portuguese so I had to try and figure out what this lot meant. They’re not words I’ve ever needed before. So here’s the scoooooop:
Natação =swimming
Braçada =stroke. “estilo” and even “movimento” can be used instead.
Costas =backstroke
Bruços =breaststroke (aka “de peito”)
Mariposa =butterfly – also called “borboleta” and “golfinho”
Estilo Livre =crawl actually called “crawl” in Brasil and “crol” in portugal, and these seem to be more common names than “Estilo Livre” as far as I can see.
I’m on day 66 of my epic quest for C1 competence. I’ve finished Português Atual (which is one of the books reviewed on this page) and signed on for the Instituto Camões course. They are the people responsible for administering the exams so I feel like this is “straight from the horse’s mouth” as it were, but I wish they’d work on the website a bit more because all I’ve learned so far is how to say “page loading”.
Um dos meus projectos de estimação é tentar aprender mais sobre a história de Portugal. Deparei com este livro durante uma visita à uma livraria online e fiquei interessado porque confesso que raramente ouço falar do facto de que Portugal fez parte do conflito que devastou a Europa durante 4 anos mas fez, mesmo, e não só na Europa mas também em África onde os portugueses lutaram contra as alemães no sudoeste do país na fronteira de Angola e Namíbia por exemplo.
Quase achei que estava a ler uma sequela ao Auto À República porque os eventos neste livro decorreram logo depois do nascimento da República e tiveram raízes na mesma conferência em Berlim que deu à luz a grande época do colonialismo, a partilha de África que alimentou as rivalidades entre os impérios europeus. Felizmente, neste conflito, os nossos países lutaram lado a lado. “Com os Bretões marchar, marchar!”*
Os contos de heroísmo são narrados na forma duma série de bandas desenhadas e são histórias verídicas, claro. O livro tem prefácio do General Loureiro dos Santos cuja carreira abrangeu vários papéis importantes nas forças armada e no governo do país.
*This is a sort of joke based on the national anthem. I’ll be doing a post about that fairly soon.
Este livrinho é um texto dramático – um guião duma peça de teatro que podia ser apresentado numa escola enquanto parte de… Suponho… um programa educativo sobre a cidadania e o crescimento da democracia em Portugal.
Mas há uma peça dentro da peça. Ou seja as personagens são alunos e a sua professora pede-lhes apresentar uma peça de teatro. Então, eles assumem papéis de pessoas históricas tal como o Rei D. Carlos e o poeta Guerra Junqueiro, e representam a história daquela época, explicando o Mapa Cor-De-Rosa, o ultimato da Grã-Bretanha, e a perda de confiança no papel da monarquia.
O livro foi escrito há 12 anos. O que mais me chamou a atenção foi o seu modo como fala de África. Não só os protagonistas da peça-dentro-da-peça mas até os alunos e a sua professora (que vivia no tempo presente) falam do território disputado como se pertencesse ou a Portugal ou à Grã Bretanha e ninguém perguntou “Hum…e os africanos?”. Não há dúvida que nós ingleses sofremos da mesma cegueira de vez em quando… Acho que hoje em dia um professor de qualquer destes países seria mais cauteloso e lembraria que há mais de um lado – e até mais de dois – em cada história!
Quanto mais livros de José Carlos Fernandes leio, mais gosto do seu modo de criar mundos surrealistas. Nesta banda desenhada, introduzem-se seis cidades imaginárias, cada uma com a sua própria história. Embora seja BD, não é um exemplo típico do género. Os desenhos são arrepiantes e escuros, e existem poucos balões de diálogo, so de narração. É quase uma colecção de contos absurdos, cada um ilustrado com um estilo adequado ao seu assunto.
Para mim, o capítulo mais bem sucedido é o último que reconta a história da torre de babel. Adoro ficção que usa, como base, temas religiosos e este, como o Caim de José Saramago e o último capítulo do Bichos de Miquel Torga é um exemplo excelente, cheio de humor contundente.