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Ansiedade de Fim de Ano

Estamos perto do final do ano* e fico sempre com ansiedade para levar ao fim os meus projetos antes da passagem de ano. Todos os dias durante o pequeno almoço, revejo a minha lista de tarefas e escolho 4 ou 5 para completar. “Será que consigo cumprir estas obrinhas?” pergunto… E faço que sim, mas no meu coração sei que estou a sonhar porque não há 65 horas num dia.

*Bit of a treasure trove of article-related mishaps, this. I originally wrote the title as “Ansiedade do fim do ano” – Anxiety of THE end of THE year but it’s more correct to leave out the articles and write it this way which I guess is more like “year end anxiety”. Notice in the body of the text, in the first sentence, we have a couple of “do”s: “we are close to THE end of THE year” because we’re talking about this specific year, but later it’s back to de when we talk about “(a) passagem de ano”. Um… Why though? According to priberam, Passagem do ano is correct.

Apparently the answer is that I’m talking about the concept in general, because i have switched to talking about what happens every year. “Passagem de ano” is a set phrase like “Fim de semana”, and you only use the article if you’re talking about one specific new year. Got it? OK, so do I, I think. Oof. Complicated!

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Ninfas e Adamastors

Ninfas e Adamastores

Ninfas e Adamastores é um conto escrito por Raquel Ochoa que fala sobre uma família judia* cujo pai emigra para a ilha de S Miguel nos Açores deixando a sua mulher grávida para trás no Magrebe.

A história faz parte duma série lançada pelo jornal Diário de Notícias sob a rubrica de “Contos Digitais”. Já li alguns contos da mesma coleção e ainda que este não seja o meu favorito, vale a pena. Não o odeiei!

*Feminine of judeu – which apparently is a very irregular adjective!

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Easy as ABC

False friends are always fun to deal with, and I saw a pretty good example today in a social media post by a Brazilian who was trying to translate “Fui alfabetizado nos Estados Unidos” into English. Obviously as an English speaker, you automatically try and englishify it as “I was alphabetised in the United States”, imagining João arriving at the airport and being placed in an ordered list between Joana and Joaquim.

It’s a lovely image but no, it’s not that, obviously. Alfabetizar means to teach literacy – so he was taught to read and write in the United States. It’s not a very common word, but you’ll see a related adjective – analfabeto (illiterate) – quite often when people are criticising each other’s poor grammar online so hopefully it won’t be that hard to remember.

And are you ready for the word to use when you need to put your words in alphabetical order? It’s “alfabetar” without the iz. So not that different, but you probably want to keep them straight in your head or you’ll get funny looks when you explain to someone that you have been procrastinating from study by teaching your CDs to read. In fact, if they’re under 25 you night have to explain to them what a CD is first.

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Ser Português: Resumo

Here’s the summary of the book I’ve been reading and discussing in my texts lately. Thanks as usual to Dani for the corrections. TL;DR – it’s weird and you could probably find a better book in the same subject.

Ser Português de António Lameira (Frei António)

Já acabei de ler este livro, mas fiquei com várias dúvidas. Houve muitas coisas que me deixaram boquiaberto (por exemplo isso dos bens do analfabetismo)

Li-o com muita atenção porque quero entender mais sobre a cultura portuguesa e este livro pareceu prometer iluminação mas… Sei lá… Nem sempre tenho certeza de que compreendi perfeitamente o que ele queria dizer. Entendi mal algumas palavras? Levei-o a sério de mais? Perdi um tom irónico? E ainda por cima, mesmo que tenha compreendido perfeitamente, quão típicas são as opiniões dele? Claro está que é um homem religioso e conservador. Então é só ele que acredita nesta ou naquela afirmação ou será que a maioria dos portugueses concordam.

Mas é sempre interessante ler as opiniões de pessoas com outras perspetivas, portanto vou ver este livro como um ponto de partida, em vez duma chave que desvendará os segredos da alma dum povo!

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Insucesso Glorioso

This is the last of my texts summarising individual chapters in the book Ser Português by António Lameira, aka Frei António. I’ve been a bit sloppy with the credits lately but as ever, huge thanks to Dani on the writestreakpt subreddit for her invaluable help correcting texts.

No final do livro, o autor fala de vários exemplos de insucesso na história do país que resultaram em benefícios apesar de tudo. Nesta rubrica, fala da vida do Prior do Crato em tentar pôr fim* à crise mencionada no último capítulo, e atiçar** o país contra os espanhóis, e também de Humberto Delgado, outrora simpatizante do fascismo que se tornou crítico do regime Salazarista e foi assassinado em resultado disso.

Além disso, fala das Tripas à Moda do Porto como mais um exemplo glorioso da manha do povo, e também das reformas após o terramoto de 1755 como exemplo de triunfo face ao desastre. Mas o último e mais insólito exemplo prende-se com o isolamento do país: apesar*** do analfabetismo e da pobreza que resultaram dos vários transtornos ao longo dos anos, o povo conseguiu manter as suas tradições, a religião e a individualidade que se teriam perdido se tivesse havido mais contacto com outras culturas e outros mercados.

* I messed this up by trying to apply the phrase “levar até ao fim” but that means something like “bring it to completion”. It’s been corrected to “pôr fim a” meaning “put an end to”

** I used “suscitar” for stir up but that’s not really le mot juste when we’re talking about riling people up against an enemy.

*** Hm, interesting one. I originally write “além” instead of apesar because apesar seems to imply they maintained their tradition in spite of their illiteracy, but that’s not actually what he’s saying: he’s implying that their isolation resulted in many detrimental effects, including illiteracy but that at least it meant they got to maintain their faith and their way of life. I guess a charitable reading of this is that he’s finding a silver lining, but there’s a definite whiff of religious conservatism here that makes me purse my atheistic lips. Anyway, I had made up my mind to ignore that correction, but she’s also given a rewritten version of the paragraph that correctly states what i was trying to say. So… The only conclusion I can come to is that “apesar” has a slightly different weight or sense to it than the equivalent “in spite of”

You can see the rewritten paragraph in the comments here if you’re interested.

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As Vergonhas do Império

O penúltimo capítulo do Ser Português de Frei António é dedicado às Vergonhas do Império. Como muitos países europeus, Portugal compartilha na vergonha de ter participado no tráfico global de escravos que já existia em África, e de ter agravado aquele tráfico ao mesmo tempo que espalhava o evangelho cristão pelo mundo. Mas em vez disso, o autor escolheu eventos do passado distante: o abandono de Ceuta pelo infante dom Henrique e a crise de sucessão em 1580, precipitada pela morte dum outro Henrique, Dom Henrique. Pois, entendo, mas acho que, face ao título desta secção, existem eventos mais recentes que têm mais impacto na sociedade nos dias de hoje.

Depois, fala da perseguição dos judeus e, mais recentemente, dos crimes da PIDE e também do alcoolismo, que, na minha opinião, tem pouco a ver com o Império em si, mas concordo que o alcoolismo é uma praga surja onde surgir.

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“Rússia e Europa, Uma Parte do Todo” de José Milhazes: Opinião

José Milhazes: Russia e Europa: uma parte do todo

Here’s a review I did of this non-fiction audiobook. I was surprised at how easy it was to follow. It’s read really clearly and the vocabulary isn’t too bad, so if the topic interests you, I can recommend it. Of course it’s written before the current war in Ukraine so it’s a little out of date, but it is a good primer all the same. You might remember Milhazes in his role as a pundit earlier this year, when he shocked the nation by translating a Russian crowd chant a little too literally.

Estou a ouvir um audiolivro de José Milhazes. O título do livro é “Russia e Europa – uma Parte do Todo”. É uma tentativa de descrever a história daquele país, enfatizando os laços que o ligam aos outros países do continente, para que o vejamos como uma nação com a sua própria história, em vez de o tratar como uma ameaça e mais nada.

Uma grande parte dos conteúdos fala sobre a fricção entre a Rússia e o ocidente (especificamente a EU e os EUA) por causa das invasões dos seus vizinhos, o que não se inscreve* rigorosamente dentro do tópico, mas não faz mal, vale mesmo a pena considerar a perspetiva russa neste conflito, mesmo que não haja desculpa para o que está a acontecer.

*Interesting correction here. I originally wrote it as “o que não é rigorosamente dentro do tópico” but that doesn’t work as a word-for-word translation.

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O Sucesso

Frei António guardou as coisas mais famosas do país para o oitavo capítulo. Nessas dez páginas, o autor esboça as personagens de Vasco da Gama e o seu Homero, Camões. Também esboça as histórias e as delícias do pastel de Belém e o vinho do Porto. Finalmente, descreve duas importações /adaptações do médio-oriente: o azulejo e a caravela.