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Comentário Sobre “A Doença, O Sofrimento e A Morte Entram Num Bar” de Ricardo Araújo Pereira

Escolhi este livro por causa do seu título que parece a primeira frase duma piada. O assunto tem a ver com como escrever textos humorísticos. O autor, tem uma teoria de que existem certos elementos – ou seja certas técnicas – comuns aos grandes escritores de cada época. Estes são os seguinte:

  • Opor uma coisa a uma outra para ver o contraste entre elas.
  • Imitar alguma coisa, como vemos no caso da sátira em que políticos são escarnecidos dia-a-dia na televisão.
  • Virar uma coisa de pernas para o ar (gosto muito desta frase!) para subverter as expectativas do leitor.
  • Aumentar uma coisa para ver quanto pesa, quanta graça, uma ideia pode suportar
  • Mudar uma coisa para outro sítio para surpreender o leitor com trocadilhos e jogos verbais.
  • Repetir uma coisa para fazer uma palavra quotidiana mais absurda por causa da repetição.

Daí a diante vou procurar estes elementos enquanto leio qualquer livro humoroso.

Finalmente, O Sr Pereira (que, convém assinalar, é um humorista português muito bem conhecido) dá as suas opiniões sobre do sentido de humor e o propósito do riso na vida dum ser humano. A sua conclusão é que uma gargalhada ajuda-nos a esquecer-nos do espectro da morte. Mas não podemos evitar a morte e por isso, afinal, o riso é inútil e o alivio não dura muito. “…talvez apenas durante o tempo que dura a gargalhada. Às vezes nem tanto.”

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The Porto Reporto – Part 3

16230406_1065981440214853_7811550234357530624_nO domingo no Porto começou mais cedo do que o sábado. Acordámos às 8:00 e comemos o pequeno almoço no hotel. A Olivia e a Catarina visitaram a Livraria Lello e passámos a manhã a fazer compras turísticas. Também atravessemos o Rio Douro na Ponte Dom Luis I. A vista da Ponte era maravilhosa.

 

 

 

16464763_1937685976454696_2901759907533422592_n1Enfim, chegou o tempo para voltarmos ao aeroporto. O peso das nossas malas quase dobrou por causa dos livros (comprei doze e a Catarina mais dez) e outras lembranças das nossas férias. O taxista conduziu mal, mas não me importei. Costume da condução horrível dos taxistas portugueses. Tentei aproveitei a ultima oportunidade de falar português mas não consegui de pensar em muitos assuntos além do tempo e dos sinais. Esta situação mudou quando aproximamo-nos do aeroporto. Ora, o aeroporto do Porto tem o nome do ex-presidente Francisco Sá Carneiro. O Sr Carneiro morreu num acidente de avião em 1980. A serio, não é uma piada: o nome do aeroporto comemora um acidente de avião! Aqueles portuenses tem um sentido de humor muito esquisito!

16464017_1316807545071605_3484120059410907136_nExistem varias teorias sobre este acidente. Algumas pessoas crêem que o Sr Carneiro foi assassinado pelos americanos porque opôs-se à presença americana nas ilhas portuguesas. A minha esposa é uma delas. Outras pessoas afirmam que o verdadeiro assassino foi Mário Soares (o politico que morreu em Janeiro deste ano). O taxista subscreveu a este teoria.
Um debate acalorado começou. Não contribuí.
O Voo correu bem (mas estava assustado de qualquer maneira). Chegámos muito atrasados e apanhamos mais um táxi. Este taxista declarou o seu apoio ao Brexit e para o governo de Donald Trump
Mais um debate acalorado começou. Neste caso, contribuí muito mas infelizmente só em inglês.

 Epilogue

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The Porto Reporto – Part 1

16463940_769003953276170_6681174413246726144_nCom rosto pálido e unhas roídas, desci do avião e dei o meu primeiro passo na terra de Portugal do Norte. Era o aniversário da minha esposa, e estávamos a fazer um fim de semana longo para celebrar. Tínhamos saído de casa às 5:00 da manhã e chegámos no Porto ao meio-dia. Após de recolher as nossas malas, fomos de táxi para o hotel. Meus deuses! Não fiquei nunca num hotel tão elegante! Cada detalhe era perfeito: os edredons estava fofos, os lençóis suaves, o café de boa qualidade e tudo limpo e a com um cheiro doce.
Almoçámos num restaurante perto do hotel. A comida estava deliciosa.

16229047_1909816642582100_135199317005697024_n1Então, a minha esposa e filha regressaram ao hotel para descansar e eu fiz uma peregrinação à Livraria Lello.
Essa loja é bonita, sem dúvida. tive que pagar para entrar, mas o preço do bilhete foi deduzido do preço das compras. O Porto tem livrarias em todo o lado. Os habitantes deve de ser muito bem educados, inteligentes e cultos.

 

16229298_1850207495202344_4844600746269736960_nÀ noite, fomos a um restaurante e comemos delicias locais: polvo grelhado (o polvo quase nunca é servido aqui em Inglaterra) e uma sobremesa que consistiu em queijo, nozes e chocolate com mel servido num prato de madeira. Sendo ingleses*, chegamos às 19:00 e o restaurante estava vazio. porque os portugueses jantam mais tarde do que nós. Quando saímos, todas as mesas estavam ocupadas.
Afinal, deitamo-nos muito cedo e dormimos até às nove da manhã.

 Day 2 – >

*=ora, dois ingleses e uma portuguesa que tem vivido aqui há muitos anos….

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Era Uma Vez Um Cravo

notebook_image_767045“Era Uma Vez Um Cravo” é um livro escrito por José Jorge Letria sob a forma de um poema. Conta a história de um cravo na manhã do dia 25 de Abril de 1974. Uma florista ofereceu-o a um militar que passou pela frente da loja dela. Pô-lo na sua espingarda. Há muitos desenhos da vida lisboeta na madrugada da revolução: as praças, as pessoas com penteados e roupas típicas dos anos setenta… Mas até para mim, um cidadão de um outro país, o poema deu-me um sentido de emoções do povo: a alegria, o orgulho, o alívio de serem libertados enfim.

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Receita: Porco à Baionense

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON
Porco à Baionense é uma receita de Baião, uma vila no distrito do Porto. Encontrei-a no livro “Viagens Pelas Receitas de Portugal“* de Nelson Cavalheiro e decidi faze-lo.
Para fazer, coloque um pernil de porco numa tigela com uma marinada feito de manteiga, azeite, rosmaninho, tomilho, louro, cravo-da-índia**, alho e vinho branco. Cortar o pele em ziguezague*** e inserir um pouco da marinada (em forme duma pasta) dentro da carne. Deixe-o marinar por 12 horas.
Então, passe a carne para um tabuleiro com seis cebolas e um bocadinho de vinho e coloque no forno, aquecido anteriormente na temperatura máxima. Depois duma meia-hora, reduzir a temperatura para 170°C e assar para mais 3 horas. Afinal, cobrar o carne com alumínio e deixe-o repousar por 10 minutos.

Infelizmente, penso que o meu forno estava mais caloroso ao inicio, e por isso as cebolas queimaram rapidamente, mas o carne mesmo foi delicioso, tipo o Americano “pulled pork”. Servi-o com cenouras e ervilhas fervidas (para ser honesto, fervidas de mais… Ora sou inglês….) e batatas assadas. A nossa convidada gostou-o (o fingiu que gostou… mas não, sem dúvida gostou a serio.)  Hei de fazer este prato mais alguma vez.

**=I love portuguese names for herbs and spices. Rosemary, Thyme, Laurel… Cravo-da-India literally means “Indian Carnation” but it’s actually what we would call a clove. I think you can also use “cravinho”.
***=Yes, that means what you think it means.
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A Morte De Um Político 

 

Mário Soarss
Mário Soares

É um clichê dizer que o ano 2016 (dois mil e dezasseis) foi caracterizado pelas mortes duma legião de grandes cantores, actores e outras figuras publicas bem amadas. Mas ao início de 2017 (dois mil e dezassete), morreu uma grande figura pública na vida política de Portugal, Mário Soares. Foi um membro dos governos provisórios depois da “revolução dos cravos” no dia 25 de Abril 1974 (mil novecentos e setenta e quatro). Depois, foi primeiro ministro dos dois governos constitucionais. Presidiu ao fim das guerras coloniais em África e saudou um meio milhão de “retornados”.  


Talvez até mais importante, fez parte da fundação da democracia e da liberdade portuguesa e cultivou um sentido de independência de pensamento. Teve as suas próprias fraquezas, sem dúvida. Foi humano. Mas deixou o seu país mais forte, mais livre, mais orgulhoso do que antes.

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Entre o Natal e o Dia do Ano Novo

Os seis dias entre o Natal e uma passagem de ano são estranhos. Não são férias mas ninguém quer trabalhar. Muitos escritórios ficam quase vazios. Além disso, as escolas estão fechadas e muitas pessoas gostam de tirar dias de folga para umas férias longas com os seus filhos. Há um sentido do fim de ano mas não há uma renovação que chega em Janeiro. Há muito álcool e muitas delicias em casa e nada para fazer além de consumi-los e escrever as desejos do ano novo.

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Bacalhau à Gomes de Sá

Ontem, não tínhamos quase nada no frigorífico, mas encontrei duas postas de bacalhau. Decidi de fazer um prato tradicional português – Bacalhau à Gomes de Sá. Alterei a receita. Por exemplo, o bacalhau deve estar demolhado, mas o meu estava fresco. Não faz mal.

Em três tachos, cozi umas batatas, escaldei o bacalhau em leite, e* fritei duas cebolas e uns dentes de alho. Quando as batatas acabaram de cozinhar, cortei-as e coloquei tudo num tabuleiro com sal e pimenta. Levei o tabuleiro ao forno.

Depois a uns cinquenta minutos, retirei-o do forno e decorei-o com ovos cozidos e azeitonas pretas.

Para ser honesto, não sou um grande fã de peixe mas a gastronomia dum país parece uma parte importante da cultura. Quero tentar fazer mais receitas portuguesas, além de ler livros e ouvir música de Portugal.

*=The iTalki correction got rid of this poor little e but I think that’s a misunderstanding of what the sentence is saying. Lists of actions in which the last item in the list contains an “and” often cause confusion in english too

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O Candidato

1/12/2016
Realiza-se hoje na minha cidade uma eleição. Vivemos perto do aeroporto Heathrow no oeste de Londres. Há muitos anos, o governo britânico anunciou a sua decisão de construir mais uma pista em Londres para melhorar o sistema de transportes. Mas onde construir? Esta era a grande pergunta. O nosso deputado, Zac Goldsmith é membro do partido conservador, o partido do governo, mas o que tem em comum com muitos londrinos é que odeia notebook_image_752151o barulho do aeroporto. Por isso, prometeu demitir-se do governo se ficasse decidido construir a nova pista aqui. No mês passado, a decisão publicou-se: a nova pista será em Heathrow. O Zac, um homem de palavra, demitiu-se. Espera-se  que os eleitores irão apoiá-lo como candidato independente*. E talvez tenha razão mas acho que não. Lembramo-nos da eleição da prefeitura [em que ele usou argumentos racistas contra o candidato do partido trabalhador. Os Londrinos não aceitam isso caraças. Lembramo-nos também do seu apoio pelo “Brexit”. Setenta por cento de nós votámos não. Todos queremos parar a pista mas neste caso, acho que o Zac não é o nosso candidato.

 

*=One correction that changed the meaning of the sentence but was interesting anyway was “Resta aos eleitores apoiarem-no como candidato independente” (it remains with the electors to…” instead of “he hopes the electors will…”

 

Uma actualização

O Zac perdeu a eleição!

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Mudanças de Casa

Nasci ao fim dos anos sessenta em Edimburgo em Escócia, a minha terra da minha mãe. O meu pai era um médico e a minha mãe uma enfermeira no mesmo hospital. Conheceram-se um ao outro, casaram, e um ano mais tarde fiz a minha entrada no mundo.

Alem de ser médico, o meu pai era membro do exército britânico – um médico militar. Por causa do seu trabalho, mudámos de casa muitas vezes nos primeiros seis anos da minha vida entre vários acampamentos militares. Vivemos nas cidades do Harrogate e Colchester e passamos três anos em Singapura e depois voltámos para Inglaterra onde vivemos num último acampamento. Entretanto tinha ganhado dois irmãos. Suponho que isso seja algo bom. 🙂

Enfim, o meu pai saí do exército e a minha família mudou de casa outra vez para uma casa na cidade de Preston, onde ainda moram os meus pais.