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A Chegada

This is just a straight translation of the “Aliens – Spoiling it for Everyone” post from a few days ago. What’s the Portuguese equivalent of Déjà vu? Já visto?

Anteontem de noite, a Senhora 18ck sugeriu que vissemos um filme que se chama “Arrival” (A Chegada*) com Amy Adams no papel principal como uma linguista genial, apoiado pelo Jeremy Renner no papel do Jeremy Renner, e Forest Whittaker como um oficial militar com um sotaque exagerado (na minha opinião, Forest Whittaker e Jeff Goldblum hão de estar em todos os filmes feito em Hollywood).

Enfim, não sou crítico de filmes, pois porque é que menciono este filme? Ora bem, a Amy Adams começou a primeira cena numa sala de aulas, a falar sobre um assunto de Português e porque é que parece tão diferente das outras línguas românicas.

Vou precisar de mais pipocas

Estava muito curioso para saber mais, mas infelizmente, naquela altura, o filme ficou estragado para mim, pelo som duma sirene que anunciou a chegada de doze naves espaciais cheias de extraterrestres que queriam… Hum, não vou deixar cair spoilers aqui, mas chega para dizer qur não pretendiam ajudá-la com o discurso.

Depois, a Amy começou a ter prioridades novas, portanto nem sequer leu o próximo parágrafo. Pesquisei na Internet e encontrei uma discussão sobre o discurso numa página do Reddit. Acho que alguns contribuidores copiaram e colaram as suas respostas do Wikipedia, e há vários brasileiros que responderam que toda a gente na América do Sul têm quase o mesmo sotaque mas apesar disso, fiquei contente de ver que não sou a única pessoa que quis mais. Talvez um dia alguém lance uma ‘versão do director’ que incluirá o discurso inteiro. A esperança é a última morrer…

*=Isto é uma tradução literal. De acordo com o Wikipedia, o título em Portugal é “O Primeiro Encontro

Thanks Jorge, Sofia and Guilherme for corrections.

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A Canoa

Hoje de manhã, eu e a minha filha fomos até à cidade de Reading. O rio de lá não está sob influência da maré e por isso a água é menos assustadora (e mais limpa!) do que aqui em Londres. Há um centro desportivo que dá para o rio. Eu e a Oli alugámos uma canoa e demos um passeio ao longo do rio. Ela sentou-se na frente da canoa, à minha frente. Entrámos no barco com cuidado, porque não queriamos cair na áqua em frente do treinador porque teríamos ficado muito envergonhados. Adorámos a experiência. Foi divertida e relaxante. O sol até conseguiu de brilhar às vezes.

Thanks Luís, Sofia, Tiago and Douglas for corrections

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A Noite

Estou aqui em Sheffield por causa do trabalho. Fico aqui durante duas noites. Estou num hotel bonito mas mesmo assim tenho saudades da família. Cheguei muito tarde e por isso experimentei um novo restaurante que fica aberto até às onze de noite. Depois, pass(e)ei** pela praça. A noite estava fresca mas não demasiado fria, com ar limpo após a chuva. O relógio em cima da câmara municipal tocou as dez horas de noite (or “as 22h00)*. A cena foi bonita.
E por hoje, termino.

*Apparently it can’t just strike ten, it has to strike ten at night or a proper 24-hour-clock time. This seems to be more of a thing in Portugal than Brazil, judging by the corrections.

**Passei por = I went through (passar), Passeei por = I took a walk though (passear). Some corrections suggested the latter but I think I want the former since I walked back from the restaurant to the hotel via the square)


Thanks to Larissa, Sofia, Leandro for the corrections

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Mais Uma Tradução

Stoyo Petkanov, a personagem* principal do novo romance de Julian Barnes é uma criação satírica de génio. Três partes Todor Zhivkov, o líder outrora** da Bulgária, uma parte Alf Garnett(1), é um deposto líder comunista dum país soviético sem nome. Prisioneiro dos seus sucessores reformadores, vai ser julgado. O julgamento vai ser transmitido na TV. Para Peter Solinsky, o advogado chefe de acusação, isso é uma oportunidade para obter uma promoção no estado novo. Para os milhões de espectadores, é uma oportunidade para afastar o passado. Contudo para o Petkanov, o tribunal fornece-lhe um palco pelo qual pode apelar a história. “Não tencionou protagonizar o papel alocado para ele. Tinha um outro papel em mente”.

(1) para quem não sabe, este gajo é uma personagem duma comédia da televisão inglesa

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*=Male character but still a feminine word

**=apparently not an adjective that changes with the noun!

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A Encontrar o Senhor Samuel Holberry

(mais um texto do ‘Instagram Language Challenge #IGLC’ Gosto de escrever no Instagram mas infelizmente não existem lá estudantes simpáticos que fazem correcções e por isso, fui ao italki) 
🙂 
Não encontrei ninguém hoje além da empregada que me trouxe um prato de peixe e a puré de batata*. Ela anda a aprender Russo. Por isso falámos de línguas e como aprendê-las (ela é fã de Rosetta Stone mas não gosto disso). Claro que não tirei uma fotografia dela porque não sou um psicopata, mas eis uma fotografia duma placa que comemora um herói local, Samuel Holberry que não encontrei mas tomei conhecimento da história dele pela primeira vez. O Holberry foi um activista no movimento que se chama Cartismo cá em Inglaterra. Os cartistas queriam aumentar os direitos do povo para participarem na democracia. De início a campanha estava pacífica mas depois de alguns anos, instigou uma insurgência contra o governo. Foi apanhado e feito prisioneiro até à data da sua morte.
Os seus métodos foram questionáveis mas hoje em dia, é bom que possamos** lembrar as pessoas que lutaram contra a tirania, e pela liberdade do povo inteiro.

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*=I originally wrote “batatas esmagadas” which is literally that, but it’s wrong. I think the people correcting the text thought I meant “batatas a murro” which is a kind of roast potato that has been squished, and it sounds pretty nice to me.

**=more natural with a personal infinitive, as “é bom podermos” but let’s leave it like this because I’m doing a lot of subjunctives this week


Thanks to Gustavo, Larissa, Sofia and Rubens for help with the corrections

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Nem Todos Que Vagam Estão Perdidos

I wrote this one during adverb day in the Instagram Language challenge. Adverbs are often linguistic parsley on top of the lamb-chop of language so I often leave them out. This exercise was partly to see if I could place them correctly relative to the verbs they modify. One of the early language-hacking tips I read was to learn adverbs because there are so few of them that a little effort gets you mastery over a whole class of words. I think that’s daft advice tbh, but I’m sharing it in case you find it useful.

Sou tão parvo! Comprei esta t-shirt porque gostei a legenda “Not All Who Wander Are Lost”*. Senti VAGAMENTE que reconheci-o mas não soube de onde. Mas hoje encontrei uma enfermeira** que GENTILMENTE disse-me o que deve ser óbvio para toda a gente (excepto eu): é um dito do Albus Dumbledore! Na realidade, até isso não é verdade porque a frase apareceu ORIGINALMENTE num poema escrito por JRR Tolkien, mas é NORMALMENTE atribuído ao Dumbledore porque hoje em dia quem não é fã de Harry Potter?

*=e porque foi barato

**=Not just a random meeting…

Thanks Larissa, Eriksoncel, Thiago for your help in correcting errors.

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Capitães de Abril (April Captains)

Ontem de manhã, acordei muito cedo.Não pude voltar a dormir mas também não me apeteceu* começar a trabalhar às seis de manhã. E quanto a uma corrida ao amanhecer… Esquece.

Por isso, fiquei cá dentro e vi o filme Capitães de Abril, sobre a revolução dos cravos. Tentei vê-lo muitas vezes anteriormente mas cada vez falhei porque não entendi patavina. Contudo, esta tentativa correu melhor, e consegui seguir o enredo e a maioria do diálogo (embora haja muitos buracos…)

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Main picture: the real Salgueiro Maia, and inset, the fictional version played by Stefano Accorsi

Foi muito educativo para mim, porque mostrou o contexto da revolução: as guerras coloniais, claro, e preocupações sobre o que seguiu depois: uma ditadura militar (não: a luta contra o militarismo foi o incentivo maior dos rebeldes) Ou pode ser mais influência da Rússia (claro que não: este foi Portugal nos anos setenta, nem os Estados Unidos no ano 2017). Adorei o filme. Confesso que não sei quão realístico é, mas a história foi bem contada e os personagens parecem credíveis: nem santos, nem “heróis de filme de acção” tipo Hollywood, mas pessoas verdadeiras.

More about Capitães de Abril on Wikipedia in English and Portuguese. If you are interested in watching it, though, all I can say is good luck! I can’t find it on any of the Portuguese sites I usually use, and even on Amazon it’s currently showing as out of stock although when you read this that might have changed, you never know. You could try Youtube. I think that’s where I extracted the digital version I have. Not legal, I know, but believe me, if I could give them my money, I would!

*=I could have used “não tive vontade” here. Vontade seems to be one of those well-used Portuguese words that I keep forgetting exists.

Capitães-de-Abril-DVD

Thanks very much to Daniane and Larissa for correcting my mistakes

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Uma Tarde No Hospital

Ontem de tarde tivemos um grande choque que felizmente não durou muito tempo. A minha filha anda com gripe desde quarta-feira. Hoje na hora do almoço, começou a sentir uma grande dor de barriga e o corpo abanou violentamente. Coloquei a mão na testa dela e foi claro que tinha uma temperatura elevada. Telefonei ao médico e marcámos um compromisso para uma hora depois. O médico pareceu preocupado. Avaliou a sua saúde – temperatura, dores, pulso – e anunciou “é provável que esta moça tenha apendicite. Deve ir para hospital sem adiar!” Fomos para casa para buscar a mãe e também vários pertences necessários (telemóvel, carregador de telemóvel, auscultadores para telemóvel… E talvez uma escova de dentes também) e fomos embora para o “A&E” (o departamento de urgências do hospital). Lá fizeram mais testes. A essa altura, a Olivia tinha vomitado e depois melhorou muito. O médico de urgência disse que ela não tem apendicite e que pode voltar para casa. Todos nós ficamos muito aliviado. Passámos 2 horas a ser aborrecidos até a morte* mas o resultado foi óptimo. Não havia necessidade para cirurgia e a nossa linda macaquinha é perfeitamente saudável (apesar da gripe mas que importa o gripe?)

*=Literally “Bored to death” but it’s not a Portuguese expression. You can say “morto de fome” or “morto de medo” so maybe “morto de aborrecimento” would fit, suggests Heron (a Brazilian). But beware the literal translation.

Thanks Heron & Larissa for help with corrections

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Três Livros

I’m still writing a lot of Portuguese on Instagram. Here’s one of the larger posts, which I have copied onto iTalki for corrections

Hum, estou numa reunião de nerds aqui em Londres e parece que, sem tentar, adquiri três livros impressos por editoras** independentes. “The White Road” foi fornecido gratuitamente na mala de boas vindas quando chegámos*** mas li a capa e não acho que terá nada para elogiar. “The Royal Sorceress” tem um enredo interessante mas os comentários e classificações no Goodreads não superam 3 estrelas. Mas “Europe in Winter*” deve ser melhor. Já conheço o autor (apenas através das redes sociais) e creio que escreve bem. O género**** dele é ficção científica que se passa na Europa dum futuro-próximo, depois do desmoronamento da União Europeia e da maioria dos seus países. Desde a publicação temos visto o referendo aqui no Reino Unido, vários partidos de extrema-direita ganharam votos altíssimos nos próprios países e o ressurgimento da Rússia novamente beligerante. Por isso, o livro pode ser um pouco presciente. Hum… Pensamentos sérios. Há algo mais feliz? O autor assinou a capa também. Woo-hoo!

notebook_image_823791*=It’s actually called “Europe in Autumn”. I think I must have been thinking of “The World in Winter” by John Christopher, which is a really nice piece of old-school speculative fiction.

**=I wrote “imprimadores” which is definitely wrong. There is a word “impressora” for printer but of course, even in english, we don’t call a company that produces books a “printer”, we say “publisher” and that tranlates as “editora”

***=All my corrections dropped the acute accent,but I think that’s a Brazil/Portugal thing and it’s OK.

****=Corrections all changed the acute to a circumflex, but I think that’s another Brazilian thing.


Thanks to Danilo, Larissa and Thaís for the corrections

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Tradução

notebook_image_823103I recently tried to translate the first paragraph of “The Porcupine” by Julian Barnes” into Portugese. It was a real struggle because of the high literary style. Anyway, the result was quite interesting because it shows that there’s more to transation than just constructing grammatically correct versions of each sentence in turn. The corrections I got back were all right, in the sense that they were free of errors, but the result was stilted and not really reflective of the original. For reference, Larissa wrote her own translation, in Brazilian Portuguese, to show how a real native speaker would express it.

So here’s the fixed  version of the original

O velhote estava de pé tão perto da janela do sexto andar como permitiu o soldado. Lá fora, a cidade estava estranhamente escura; cá dentro, o poder fraco do candeeiro de secretária deslizou ligeiramente da orla metal dos seus óculos. Era menos elegante do que tinha suposto o militar: o terno dele estava amassado por baixo e o resto dos seus cabelos loiros surgiam de forma duns penachos*. Mas a sua postura mostrou confiança e mesmo havia uma certa pugnacidade na maneira em que o seu pé foi colocado na linha pintada. Com cabeça inclinada, o homem ouviu enquanto a manifestação das mulheres serpenteou pelo centro estreito da capital que tinha liderado durante tanto tempo. Sorriu para si mesmo.

And here’s Larissa’s

O velho permaneceu o mais próximo da janela do sexto andar quanto lhe permitiria o soldado. Lá fora, a cidade estava anormalmente escura; dentro, a luz de baixa voltagem da luminária de mesa refletia fracamente nos aros metálicos de seus pesados óculos. Ele era menos elegante do que esperava o militar: o terno estava amarrotado nas costas e o que ainda restava do seu cabelo cor de areia movia-se em tufos. Apesar disso, sua postura era confiante; havia até mesmo certa agressividade no modo que seu pé esquerdo permanecia firmemente plantado na linha pintada. Com a cabeça ligeiramente inclinada o velho ouviu o protesto das mulheres que seguia pelo apertado centro da capital que ele havia comandado por tanto tempo. Ele sorriu para si mesmo.

And finally, here’s a line-by-line comparison of the two with Larissa’s in red and mine in blue. I’ve italicised the words that I think (I might be wrong) are not generally used in European Portuguese “por padrão”, but the rest should be basically just a more natural, fluid way of describing the scene in the novel.

O velho** permaneceu o mais próximo da janela do sexto andar quanto lhe permitiria o soldado.

O velhote estava de pé tão perto da janela do sexto andar como permitiu o soldado.

Lá fora, a cidade estava anormalmente escura; dentro, a luz de baixa voltagem da luminária de mesa refletia fracamente nos aros metálicos de seus pesados óculos.

Lá fora, a cidade estava estranhamente escura; cá dentro, o poder fraco do candeeiro de secretária deslizou ligeiramente da orla metal dos seus óculos.

Ele era menos elegante do que esperava o militar: o terno estava amarrotado nas costas e o que ainda restava do seu cabelo cor de areia movia-se em tufos.

Era menos elegante do que tinha suposto o militar: o terno dele estava amassado por baixo e o resto dos seus cabelos loiros surgiam de forma duns penachos.

Apesar disso, sua postura era confiante; havia até mesmo certa agressividade no modo que seu pé esquerdo permanecia firmemente plantado na linha pintada.

Mas a sua postura mostrou confiança e mesmo havia uma certa pugnacidade na maneira em que o seu pé foi colocado na linha pintada.

Com a cabeça ligeiramente inclinada o velho ouviu o protesto das mulheres que seguia pelo apertado centro da capital que ele havia comandado por tanto tempo.

Com cabeça inclinada, o homem ouviu enquanto a manifestação das mulheres serpenteou pelo centro estreito da capital que tinha liderado durante tanto tempo.

Ele sorriu para si mesmo.

Sorriu para si mesmo.

 

*=Penachos might be OK for “tufts” but it seems a bit touch-and-go.

**=Velhote seems to be specific to Portugal. On the other hand, the Brazilian “O Velho” is slightly dismissive in Portugal. Alternative phrases are “pessoa de idade” or “idoso”

 


Thanks Sofia, Larissa, Andre, Vitor and Natan for help with the corrections