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Lisboa – A Cidade Mais “Cool”

(This is old, old news, which I’ve had on my “stuff to write about” for over a year)

Lisboa permanece na lista de “18 melhores sítios para visitar em 2018” de CNN mas já não vi o anúncio de “cidade mais fixe” deste ano. Em 2014 e novamente em 2017, Lisboa ganhou essa honra. Havia 7 razões pela decisão:

  1. Os bares e restaurantes ficam abertos ainda mais tarde do que os de Madrid, e a vida nocturna é bastante gira
  2. Há tantos restaurantes e tascas onde se servem cozinhas interessantes*
  3. Há um grande sentido de ironia e melancolia. Citaram um dito de Fernando Pessoa “Tinha-me levantado cedo e tardava em preparar–me para existir”.
  4. Existem muitos sítios históricos tais como castelos, palácios e a Torre de Belém, mas além disso, também existem praias bonitas.
  5. Desde os pormenores dum rótulo duma garrafa de vinho até os edifícios mais altos, quase tudo em Lisboa mostra um estilo muito elegante.
  6. Há um património rico de arte, e museus em toda parte.
  7. Até as ruelas têm um ar fascinante. Dar um passeio através da cidade a ver as portas, as paredes e os azulejos é mesmo divertido

*=interesting cookings not interesting cooking

lisboa

 

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Quando As Plantas Atacam

IMG_20180921_55978Hoje de manhã, quando acordei, havia algo estranho na cama (!) Senti umas picadas na pele da minha mão, como se houvesse umas agulhas nos lençóis, Não fazia ideia o que é que estava a causar este fenómeno. Tentei ignorá-lo mas cada vez que tocava nos lençóis, levava mais ferroadas nos dedos e depois nos braços e nas costas até já não puder ignorá-las. Levantei-me e fui em busca da pinça da minha mulher. Havia centenas de espinhos pequeninos em todo o lado, nos dedos, nos braços,  nas palmas das mãos… Pareciam pêlos fininhos, picando a pele. Passei uns minutos com a pinça, a retirar espinho após espinho mas já agora, fico com algumas. Quando faço um punho com a mão esquerda, consigo sentir umas ferroadas, mesmo que não veja nada.

Quando a minha esposa acordou, perguntei-lhe se teve o mesmo problema mas ela respondeu que não. Voltei para o quarto e vi o culpado: havia um cacto numa prateleira por cima da cama. Durante a noite, o cacto derrubara-se e caíra da prateleira. Caíra na mesa e rebentara-se, espalhando espinhos em toda a parte. Embora eu tenha dores nos dedos o cacto sofreu um destino ainda pior. Coitadinho.

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A Corrida

No sábado passado, eu fiz uma corrida de dez quilómetros. Há dois anos costumava correr muito. Corria mais de* vinte quilómetros por semana. Até fiz umas maratonas. Mas hoje em dia, estou mais gordo e menos em forma. Por isso, custou muito para me preparar para este evento. Treinei três vezes por semana durante um mês, até consegui correr em volta do parque. O perímetro do parque tem um comprimento de 11 quilómetros e mais inclinações do que o percurso da corrida. Por isso, quando chegou o dia, senti-me forte o suficiente para correr numa velocidade relativamente alta sem recear que eu cansasse antes do final. Cruzei a linha de chegada dentro de uma hora e quarenta e oito segundos, que é longe do meu melhor desempenho pessoal de sempre, mas apesar disso, senti-me muito contente.

*=I wrote “mais do que” forgetting this recent post

 

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Vinte e Dois Minutos Atrasado, Gelo Preto em Norbiton

My attempt at explaining (in portuguese, mostly) the difference between the english words “late” and “delayed”

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Delayed

Delayed é o particípio passado do verbo “delay” (acho que o verbo mais perto em português é “adiar” ou possivelmente “atrasar”). Pode usa-se como adjectivo. Não se aplica nunca como adverbio
“I was delayed on my way to work”
“My train was delayed”
MAS NUNCA
“I arrived delayed”
Se alguma coisa é delayed, acontece mais tarde do que as minhas expectativas mas não necessariamente tarde de mais ou “mais tarde que permitido” digamos assim.

Late

Late pode ser um adjectivo ou um adverbio. Portanto, podemos dizer
“I am late” (adbjectivo) ou
“I arrived late” (adverbio)
Late implica que o evento aconteceu (ou a pessoa checgou) tarde de mais

Later

Embora Later é relacionado com “Late” e pode significar “ainda mais atrasado, é mais comum que quer dizer “depois”.

Exemplos

Há uma regra na minha empresa que empregados devem chegar antes de 09:00. Eu costumo de chegar as 08:00
Um dia, havia um pneu furado na minha bicicleta. Por isso, apanhei o autocarro e cheguei as 08:45. Disse “I was DELAYED on my way to work” porque cheguei mais tarde do que normal (I arrived LATER than usual”) mas não precisei de oferecer nenhum desculpa. I was DELAYED but I was NOT LATE because I still arrived before 09:00
Havia duas reuniões naquele dia.
Uma foi agendado para 09:30, mas o chefe mandou um email para mudar a hora para 10:00 porque tive uma telefonema muito importante.
Uma foi agendado para 14:00, mas comecei as 14:30 porque o chefe bebeu de mais durante a hora de almoço e esqueci-se do agendamento.
The first meeting was DELAYED because everyone agreed that it should start LATER than usual
The second meeting was also delayed, but we could say it started LATE because it should have happened at 14:00 but it started half an hour after that time due to the boss being drunk

Há outros significados de “late” também que são relacionados mas não se confundam com “delayed”
“The Late Twentieth Century” = os últimos anos do século XX
“My late father” = um modo muito respeitoso de dizer “O meu pai que está morto”

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Andemos de Bicla

1Intro
Me and the teenager in pre-teenager days

Acabo de ler um artigo velho sobre o uso de bicicletas (ou seja “biclas” que é, se não me engano, uma palavra infantil que quer dizer a mesma coisa). O escritor utiliza o argumento de que andar de bicicleta a caminho da escola. é melhor para crianças Como muitas cidades, Braga tem ruas construídas para facilitar o movimento de carros exclusivamente e por isso, não é sempre seguro para ciclistas mais novos. O escritor aconselha-nos que não deve ser perigoso se os pais acompanhá-las à pé. Por este método, os nossos filhos aprendem habilidades de auto-conhecimento, consciência do ambiente, navegação e sentido de equilíbrio. Além disso, ficam mais saudáveis e evitam os efeitos mais graves do peso e da falta de exercícios. Sobretudo, o escritor espera que o governo autárquica veja estes ciclistinhas e façam mudanças ao sistema de trânsito na cidade para tornar tudo mais seguro e mais fácil para os viajantes mais vulneráveis.

Eis o artigo para quem tem interesse: Braga Ciclável

Thank you Marcio for the correcdtions!

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It’s All Too Much

More jottings from Ciberdúvidas, this time about different ways of saying too many/much. There does seem to be an overlap between the uses, so I’ll just spread them out and see what’s what.

Demais

Can be:

  1. An adverb meaning “a heck of a lot”. Ele fuma demais seems to be “he’s a heavy smoker” and not “he smokes too much”
  2. An intensifier where it does the same job as the adverb but it underscores other adverbs or adjectives – A jarra é frágil demais; vai partir-se
  3. A kind of indefinite nouny-pronouny thing along the lines of “the surplus” or “the others”: Daquelas senhoras, uma comeu peixe, as demais comeram carne 
  4. A way of saying “além disso”: Esse trabalho é muito difícil; demais, é mal pago [also spelled “ademais” in this case]

De Mais

Ciberdúvidas says it’s an adverb but it’s behaving like an adjective, expressing that the amount is excessive. It’s equivalent to “a mais”. It’s always referring to quantity, not degree. Comprei livros de mais

Demasiado

Can be

  1. An adjective and fulfills the same function as de mais. Note that, like other adjectives, the ending changes. It’s more commonly used in Portugal than in Brazil. Goes before the word it’s qualifying. Passam demasiados carros. 
  2. An adverb, where it fulfills the same function as demais. Comi demasiado.
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Salazar – Agora, na Hora da Sua Morte

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Este livro é uma biografia de Salazar. O ditador outrora de Portugal está perto da morte, a assistir a sua própria vida que desenrola-se como um filme ou um sonho.

Adoro a atmosfera alucinatória das imagens, que combinam desenhos, propaganda da ditadura e fotografias, mas fico frustrado por não saber o suficiente sobre a sua carreira para ser capaz de distinguir ficção de facto, sonho de realidade, biografia de opinião política. Porém, acabei com a ideia que os autores acreditam que o ditador tinha altos ideais para fazer crescer a economia do país e melhorar a alma do povo, mas sob a superfície era tudo apodrecimento, violência e receio. O capítulo mais poderoso, na minha opinião, trata d'”A Lição de Salazar”, a série de 7 cartazes ilustrando as valores do novo estado tal como a vida bucólica, comunidade, poder militar, respeito pelas autoridades. Depois de cada cartaz, os personagens da imagem mudam, tornam-se mais sombrios. O pai da família ideal torna-se ameaçador e bate a mãe, enquanto as crianças encolhem-se nas cadeiras. Entretanto, na casa do povo, homens discutem opressão até às polícias chegarem. A contraste entre a retórica e a realidade está muito bem feito.

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O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado

32734503.jpg“O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” é um livro infantil, escrito por Jorge Amado, um brasileiro, com ilustrações de um outro brasileiro – Carybé. Conta uma “história dentro duma história”. A Manhã conta ao Tempo uma história sobre os dois animais para ganhar uma rosa azul e “fazer menos pesada a eternidade”. A história trata-se num parque onde um gato malhado aterroriza todos os animais com exceção duma andorinha. Apaixona-se por este pássaro mas é “o amor que não ousa miar o seu nome”, digamos assim, porque um gato não pode casar-se com uma andorinha, nem sequer num livro infantil. Os capítulos são estações do ano, com divagações do autor nos vazios entre capítulos.

As ilustrações são encantadoras e fazem-me lembrar “O Principezinho”. Na ultima página até há um desenho duma cobra a devorar um mamífero dalgum tipo, que é obviamente reminiscente da imagem mais conhecida daquele livro.

Apesar de ser um livro infantil, há muito vocabulário desconhecido. Não sei se isso é porque é velho, mas “O Banqueiro Anarquista” é ainda mais velho, mas achei-o mais fácil. Talvez seja por causa do país de origem… Enfim, o livro é giro apesar do facto que precisei dum dicionário ao pé de mim.


Thanks are due to H Lewis (not, I assume, the editor of the New Statesman) who corrected this. It was corrected very Brazilianly so I have had to decide which changes to retain and which not. I hope the result is more-or-less correct.

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O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

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O Banqueiro Anarquista é um conto escrito pelo famoso poeta Fernando Pessoa. Faz parte duma coleção (também chamada “O Banqueiro Anarquista”) publicada pela* Relógio d’Água.

O conto trata-se da vida dum homem rico, burguês que afirma que, ao contrário do que a gente pode achar, é um anarquista, e não simplesmente um anarquista teórico, mas um anarquista a sério que aplica a teoria à sua própria vida. Aqueles gajos que atiram bombas são meros amadores comparados com o banqueiro. Sentado num restaurante, o banqueiro conta ao seu amigo como é que as reviravoltas do seu raciocínio o levaram ao seu actual modo de viver. É um bom exemplo de como uma pessoa se pode enganar, por sofisma e acaba por adoptar um modo de viver ao contrário às suas crenças mais fortes por um método aparentemente puro e rigoroso. É muito engraçado.

Acho que o livro se lê bastante bem. Como um novato da língua portuguesa, fiquei preocupado por começar um livro escrito por um dos gigantes de literatura portuguesa, mas há muitos palavras de política e economia que tornam tudo mais fácil porque são muito parecidas com os cognatos ingleses.

*=I would have gone for “pelo” because Relógio is masculine but it’s the name of a publisher (a editora) so it’s feminine.

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Licença Para Protagonizar

Havia uma questão bastante polémica nas redes sociais na semana passada; um boato de que o realizador dos filmes de James Bond pensa em escolher Idris Elba para protagonizar o espião no próximo episódio. Ele seria o primeiro actor negro neste papel caso isso aconteça.

UntitledOra bem, para os fãs dos livros (e para racistas também, obviamente!) isto pode ser um problema. Leitores frequentemente se queixam que realizadores de filmes não usam fidelidade o suficiente quando adaptam livros para o cinema. Há excepções, claro: de vez em quando, um realizador escolhe um elenco muito diferente para sublinhar um aspecto do enredo (por exemplo, um Othello Branco numa cidade de mouros, ou um Hamlet feminino). Noutros casos, realizadores fazem filmes baseados em livros estrangeiros e adaptam-nos para usar actores da sua própria nacionalidade para evitar a necessidade de usar legendas. Nenhum destas situações descreve o situação com James Bond.

Mas há uma problema para quem quiser se opor qualquer actor que não cabe no modelo de Ian Fleming: de acordo com os livros, Bond é branco sim, mas também é velho o suficiente para ter lutado na segunda guerra mundial. Se se importa com o personagem original, deve perceber que o Elba é velho demais para protagonizá-lo, mas é mesmo assim para qualquer outro candidato!

Na minha opinião, existem duas opções: um é aceitar o facto de que Bond deixou de ser um personagem literário. Tornou-se uma “marca”, tal como o Doctor Who que pode (por causa de ser um alienígena!) assumir qualquer rosto, nacionalidade ou sotaque. O segundo é deixar James Bond reformar-se. Ele é um guerreiro antigo de uma época passada. Hoje em dia, precisamos de novos heróis!