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O Tempo Voa

Recebi uma mensagem de um amigo; um dos cinco com quem morei quando éramos estudantes. Hoje em dia é um advogado, mas há muito tempo (20 anos?) que não falámos e ele mencionou que já é um avô. Para qualquer razão isto surpreendeu-me. Não sei porquê: o meu irmão mais jovem já tem 3 netas. Não é nada estranho ser avô com 54 anos. Mas… Sei lá, suponho que me esqueci do facto da passagem do tempo até quando não estou presente para testemunhar.

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Hiato / Espetáculos

#uncorrectedportugueseklaxon

Perdi dois dias por causa do novo emprego, mas preciso de montar o cavalo novamente*, portanto aqui vou eu com um pequeno texto antes de me deitar:

Acabamos de ver uma peça de teatro chamada “Ulster American” em Hammersmith, num sitio onde foram filmados os episódios do Dr Who nos anos 60 e 70. A peça é muito engraçada e satírica sobre as perspectivas dos americanos e ingleses sobre a Irlanda do Norte. Até a personagem anglo-irlandesa é antipática**!

Daqui a 8 dias, irei ver um comediante português, cujo nome é Luís Franco-Bastos e depois faltam 3 semanas para o concerto da Sara Correia. Que sorte de ter tantos divertimentos para me sustentar durante os meses mais escuros e deprimentes do ano!

And I really do need to get to bed so I’m not even doing the most basic checks on this. I hope it isn’t too rubbish.

*As far as I’m aware, “get back on the horse” is not a portuguese expression… By the way, “Remontar” sounds like it should mean remount but I don’t think it does. None of the definitions priberam give sound like that anyway. It has quite a few meanings having do with raising things or fixing things that have collapsed. One meaning is even “adornar as extremidades de” which is a beautifully specific definition. Anyway, I could be wrong, but I think you have to say it the long way, I’m afraid.

**I wrote “até (…) não é simpática” but the até and the não clash, apparently.

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Ovibeja

40 Anos de Associativismo
Cartaz de Ovibeja

Ovibeja é um festival que comemora os seus 40 anos em Maio de 2024, tendo estreado em 1984. Naquela altura, era simplesmente uma feira agrícola. Já passei umas horas numa feira semelhante perto de Coimbra quando eu e a macaquinha fomos lá de férias em 2022 mas ao que parece, este é o avó* das feiras todas. Ovibeja, como marca, evoluiu ao longo dos anos, sob a influência da sua comunidade e hoje em dia o leque de atracões abrange concertos das estrelas da música portuguesa, espetáculos de hipismo, e discursos sobre temas ambientais entre muitas outras coisas. O presidente da república apareceu lá no ano passado e duvido que fosse a sua primeira visita! Segundo o vídeo no seu Instagram, tem ar de ser o Glastonbury de agricultura combinado com o Davos também! Não acreditas? Vê o vídeo!

E como é que eu, que não vivo em Beja nem trabalho no setor, conheço o nome desta feira? Por pura coincidência. Há quase 2 anos escrevi um blogue intitulado “Oliver Beiji” Naquela altura todos as publicações apareciam no Tuíter automaticamente e alguém me respondeu: “At first glance, thought you wrote #OviBeja!” Durante todo este tempo, o blogue esteve em em gestação. Valeu a pena?


Oof – WordPress has a new feature where it writes the blog for you using AI. FFS! What even is the point of humans now. Here is what it came up with in response to my prompt

Dá-me um paragrafo que resume a feira Ovibeja

Este evento teve sua estreia em 1984 e tem sido um marco importante no setor agrícola desde então. Oferecendo uma ampla gama de exposições e atividades, a Ovibeja atrai participantes e visitantes de todo o país e além-fronteiras, consolidando-se como um ponto de encontro indispensável para profissionais e entusiastas do setor.

At the time, I’d only written one sentence and it seemed like it was paraphrasing that but it is obviously using text gleaned from the wider internet. If only the CAPLE exam had this feature enabled on all its pencils I might have had better marks but I don’t think I’d feel good about the certificate…

*O originally wrote avô, and there’s no reason it can’t be the grandaddy, but since feira is feminine, it was painted out, why can’t it be the grandmother?

This was originally published in uncorrected form but thanks to Cristina for sorting it out!

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Memorial do Convento de José Saramago – Opinião

Memorial do Convento
Memorial do Convento – whoever decided that ALL the Saramago books would be released with this boring cover format really needs to be put in the stocks and have cold pasteis de nata thrown at him until he learns the error of his ways

This book is pretty challenging, especially as an audiobook. I don’t know about you, but I need all my concentration for an audiobook, and it’s much more of a faff to go back and re-read anything you didn’t understand the first time, so i tend to find it takes me ages to plough through. Anyway, Wook have it on audio and they have a paper version too. It’s been translated into English as Baltasar and Blimunda and Foyles have that (I’m pretty sure they have the original too but I can’t find it on their site).

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No dia em que acabei de ler “Uma Aventura nas Férias de Natal”, também ouvi a última hora-e-tal da obra-prima de José Saramago, o “Memorial do Convento”

Este livro é uma leitura mais desafiante do que o outro, mas ainda assim, não é nada complicado. É um romance histórico com elementos de Realismo Mágico. A história tem dois protagonistas: Baltasar Mateus, um soldado que lutou contra os espanhóis mas acabou por ficar maneta*, e Blimunda Jesus, uma mulher jovem que tem capacidades de perceção sobrenaturais durante períodos de jejum.

Tem lugar durante o século XVIII. O rei Dom João V faz uma promessa de construir um convento em Mafra após o nascimento do seu primeiro filho. O poder e a riqueza da coroa portuguesa estão no zénite naquela altura por causa dos lucros oriundos do Brasil, portanto o rei é capaz de apresentar a Deus um edifício magnífico. Assim a monarquia e a aristocracia desperdiçam os bens do Império sem pensar no povo.

Entretanto, os protagonistas participam na construção de uma máquina voadora, “A Passarola”. Na realidade, esta máquina é fictícia… Ou melhor, é meio-fictícia: o inventor, Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão existia mesmo e a ideia da Passarola tem raízes históricas, ainda que não chegasse a ser construída.

Noutras palavras, este livro apresenta uma história alternativa e fantástica do Convento de Mafra (também conhecido por “O Palácio Nacional de Mafra”), com personagens verdadeiras, mas sob o ponto de vista de várias pessoas imaginárias que vivem nas margens da história oficial. Está contado com humor e imaginação.

Este vídeo (cuja criadora é brasileira – cuidado!) explica muito bem o contexto histórico da romance na minha opinião.

*I quite like that, like the eskimos and snow, the portuguese have multiple words for the loss of a bodypart. This one is one-handed, and you might already know zarolho from the poem “Camões, poeta zarolho / fez versos à dona Inês / Via mais ele com um olho / do que tu com todos os três!”

Thanks again to Cristina of Say It In Portuguese for the help.

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Sobremesas

#uncorrectedportugueseklaxon

A minha filha voltou da casa do seu namorado onde ficou durante 3 dias. Eu fiz chili com carne, pudim de leite condensado e umas broas. Mas os dois chegaram com um pacote de 6 pastéis de nata, que tinham comprado da Casa de Natas em Hammersmith. Uau, acho que tempos sobremesas suficientes… 😂

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Teoria das Colheres

Antes do natal, escrevi um prefácio (em inglês) de uma opinião sobre um livro português, na qual utilizei a expressão “If you’ve got the spoons”

Not that kind of Spoons (photo by Philafrenzy)

Este modo de falar é muito moderno mas o conceito é bastante simples e até nós, homens de meia-idade devemos conhecer o sentimento. Christine Miserandino, uma escritora e ativista americana usou a expressão “teoria das colheres” para ilustrar a sua experiência de viver com lúpus, uma doença grave que provoca cansaço excessivo.

Ela sentia-se como se tivesse um conjunto de colheres, e cada vez que tem de fazer alguma coisa ou ler alguma coisa ou pensar nalguma coisa, isto “custa” um determinado número de colheres. Ela tem de pensar “e se não tiver colheres suficientes para cumprir as tarefas todas do meu dia-a-dia?” Se não, talvez fosse melhor guardar as colheres por enquanto e “gastá-las*”em algo mais importante.

Não tenho lúpus mas esta descrição é perfeitamente nítida. Às vezes, novas tarefas e novas atividades entram nas nossas vidas, mas para ocupação já basta a nossa**. Se isto acontecer, segue o conselho reserva as tuas colheres para usar mais tarde.

*I think usar is a more sensible verb to use here and I was advised to change it. I actually decided to stick with gastar but put scare quotes around it because i was following on from “custar” in the previous sentence and the idea that she is “buying” a activities from a fund of energy but I’m probably talking rubbish since if Miserandino wanted you to “spend” the spoons she probably would have called it coin theory, not spoon theory wouldn’t she? Oh well…

**Hm… I worry this sounds like I am minimising lupus in some way. Not the intention obviously – I’ve really just tacked this paragraph on as an excuse to use that phrase from yesterday!

Thanks as ever to Cristina of Say It In Portuguese for her patient corrections.

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Missa do Parto

Além de vermos filmes parvos* em casa hoje, vimos uns vídeos portugueses, incluindo este, gravado perto do Funchal onde existe uma tradição chamada “Missa do Parto”. Este é um ritual religioso e comunitária que comemora os nove dias antes do natal. Os cidadãos vão a pé para a igreja às… Sei lá… Talvez cinco de manhã, cantando e tocando instrumentos. Celebram uma missa, e depois ficam perto da igreja, cantando, comendo e bebendo enquanto o sol nasce e depois arrancam para o trabalho.

*Honestly, so bad. We really embraced the horrible, made for Netflix holiday romance this year.

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De Volta ao Português Em Foco

Hm, I’m not sure why I’ve written this in portuguese. I’ll write up the book in english on the study guides page too, for anyone who finds that easier.

Escrevi há algum tempo sobre um livro interativo chamado “Português em Foco”. Antes de mais: cuidado, Português em Foco não deve ser confundido com “Português em Foca”, que explica como pedir peixes, bater palmas e jogar bolas com no nariz na língua de Camões.

Português em foco está disponível em vários formatos mas eu comprei a versão interativa. Esta decisão tornou-se fonte de alguma confusão porque, dependendo de como se acede ao livro digital, partes do curso não estavam acessíveis. Falei disto neste blogue.

No entanto, persisti. Acabei por constatar que o livro funciona melhor num portátil ou num computador. As páginas abrem-se e revelam ícones dos capítulos relevantes do livro digital e as atividades interativas correspondentes. Depois vem o caderno de exercícios com ainda mais atividades interativas.

O melhor método é começar com o primeiro ícone (claro!). Lê e ouve o texto mas quando chegar a hora de fazer os exercícios, em vez de voltar ao ícone na página inicial, clica no botão ao lado do exercício no livro digital.

Os exercícios interativos abrem-se logo e permitem-te fazeres os exercícios. Geralmente, depois de completares cada um, a resposta aparece para que saibas quão bem compreendeste os conteúdos.

Mas existem exceções: nalguns casos, a tarefa é escrever um texto ou gravar áudio. Claro que estes exercícios não têm respostas certas. O sistema possibilita a intervenção de um professor que pode corrigir estes exercícios, mas um estudante a trabalhar sozinho achará a experiência um pouco limitada.

Mas seja como for, acho que o livro vale mesmo a pena. 24 capítulos com uma média de 15 páginas de exercícios (escritos e orais) cada, por 39€ é, na minha opinião, uma pechincha!

Thanks again to Cristina from Say it in Portuguese for sparing me from another typo-filled, grammar-challenged mess of a blog post!

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O Namorado

A minha filha está a estudar numa faculdade na Escócia. Começou recentemente a namorar com um jovem que está a estudar no mesmo curso. Está muito feliz. Ainda bem porque isso significa que não tenho de o assassinar. Ah ah, estou a brincar. Ou estou*?

#apostrophail

Os dois vão passar uns dias connosco durante os feriados. De vez em quando, ela envia-me uma mensagem a dizer algo como “Vais gostar dele pai. Ele está ansioso por te conhecer.”

Acho que ela está ligeiramente preocupada caso eu não o aceitar. E é verdade que os pais das raparigas exibem uma certa hostilidade para com** os namorados delas. Porque são preciosas e ninguém é digno das nossas princesas. Muitas vezes, quando ela era nova, perguntei-me: “E se ela levar um javardola qualquer para casa?”

Mas ela não é parva. Escolheu um rapaz inteligente, respeituoso e com um bom sentido de humor, que gosta muito dela. Não me admira, porque confio nela e sei bem que ela não aceitaria um homem que não a apreciasse. Mas entendo o constrangimento por parte deles. Ela também vai conhecer os pais (e o cão) dele. Pais de namoradas podem ser intimidantes e cães são… são cães, basicamente. Quando era pequena um cão bateu nas costas dela com as patas*** anteriores que a derrubou, e desde então, está de pé**** atrás.

Mas tenho toda a certeza que vamos ter umas boas festas: eu, ela, o namorado e até o cãozinho.

*”Or am I?” makes me laugh, but it is of course not really a portuguese expression.

**Para com seems to be one of those things that exists in portuguese that doesn’t really have a close analogy in english, but here’s a Ciberdúvidas page that explains how it’s used.

***I wrote pés because I am a silly man

****I originally wrote that she had “uma pulga atrás da orelha” but I think that’s a different kind of distrust, but let’s look on the bright side, at least I managed to recycle the word “pé” from the previous clause.

Thanks again to Cristina of Say It In Portuguese for correcting the text – although I might have messed a couple of them up through my own lack of understanding and you can blame me if I have!

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Uma Visita Ao Hospital

Passei umas horas no hospital esta manhã. A minha esposa trabalha lá como assistente de cuidados de saúde. Saiu da casa para o seu emprego às 7 horas, mas às 9, ligou-me para dizer que se sentia fraca e com tonturas, portanto o médico tinha-a enviado para às urgências onde vários funcionários mediram a sua pressão arterial, fizeram-lhe um teste de gravidez (que seria uma surpresa, e muito inconveniente, mas a menos, desde que a macaquinha se foi embora, já temos um quarto a mais onde podemos colocar um berço …. ah ah ah) e geralmente inspecionaram a saúde geral. Cheguei uma hora depois com uma garrafa de água e toda a empatia que tenho.

Os enfermeiros e médicos foram muito simpáticos mas havia um jovem funcionário à porta do cubículo onde se encontrava a minha esposa que estava a explicar várias teorias de conspiração parvas ao seu amigo (que entretanto estava a tentar fazer o seu trabalho) e eu fiquei cheio de vontade de lhe dar um par de bofetadas* para restaurar um sentido de realidade.

Depois de algum tempo um médico chegou ao pé da cama e informou-a de que tinha de ficar no hospital durante 3 dias. Nós dois começamos a gaguejar, ultrajados, mas o homem estava a brincar – o seu problema de saúde não passou de uma ligeira desidratação. Eh pá… não nos faças isso!

Regressámos para casa e ela está a fazer uma soneca no sofá.

*Originally “bofetadas na cara” but bofetadas can only be in the face, apparently – cf Priberam

I published this one in a hurry because I needed to rant a bit, but thanks again to Cristina of Say It In Portuguese for correcting the text by email within a few minutes of my uploading it!