Na perseguição do seu objetivo* de ver todos os filmes e de ler todos os livros mencionados por Reece Shearsmith, a minha filha insistiu em nós vermos um filme sueco intitulado Haxan (“A Feiticeira”). O filme é muito antigo, tendo sido feito em 1922, mas foi restaurado. Por isso, tem uma imagem muito nítida: é a branco e preto, mas com um tom amareldado. Claro que não há diálogo, exceto as várias linhas escritas, intercaladas entre as cenas.
*it was suggested that “na demanda de ver” would be more idiomatic, I’m struggling with this because the word “demanda” mostly means “demand” and she wasn’t demanding anything. In fact, if you look at the alternative meanings, it can also mean “action of searching” (2) or “enterprise, intent, design” which actually sounds abiut right. So if you’re braver than me, you could try using demanda in this context, but it hurts my brain to write it like that. I can find actual examples online of “na perseguição deste objetivo” though, so I know it’s allowable. This page for example.
This has been in the drafts folder for a while. I’ve done another blog post with the same title a while ago but that was a book review.
O meu streak voltou a 1, porque perdi o foco durante três dias. Aproximei-me de 200, mas… Não consegui. Esta desgraça lembrou-me do mito de Sísifo.
Sísifo era um grego que, segundo a mitologia, era o mais sagaz de sempre (como podem ver, os paralelos com a minha situação não têm limites!). Por ser tão manhoso, conseguiu enganar o deus da morte duas vezes. Chegando finalmente ao Tártaro, foi condenado a uma punição extraordinária. Por toda a eternidade seria obrigado a rolar uma grande pedra de mármore até ao cume de uma montanha. Sempre que ele aproximasse do topo, a pedra escaparia do seu controlo e rolaria montanha abaixo. A obra nunca terminava, e Sísifo vivia sem esperança de descanso e sem sentir que o seu esforço tinha qualquer significado.
Segundo o filósofo Albert Camus, esta punição absurda representa a situação na qual nós nos encontramos nas nossas vidas: todos temos tarefas repetitivas para cumprir todos os dias e a maior parte das pessoas tem um emprego repetitivo ou sem criatividade, mas temos de criar o nosso próprio através de uma constante revolta contra a absurdidade. “É necessário imaginar Sísifo feliz”.
Talvez alguns de vocês se lembrem que há umas semanas contei uma história sobre o meu avô. Entre os factos na história, afirmei que, segundo uma biografia escrita por um familiar, quando o cantor Nick Drake nasceu, o meu avô (que, naquela altura trabalhava num hospital na Birmânia) foi o médico que ajudou com o parto.
Por acaso, entrei numa livraria hoje e deparei-me com uma nova biografia do cantor, que foi publicado em Maio e dei uma espreitadela no primeiro capítulo. Segundo o autor, Richard Norton Jack, o nome do médico no parto do futuro-cantor era Doutor Pereira. Por acaso, o nome de solteira da Senhora Humperstonk também era Pereira. Talvez fosse o avô dela…?
Pois, fosse quem fosse, a minha filha pode gabar-se do seu bisavô…
Terminei um livro ontem. Foi escrito por um homem que conheço mais ou menos. Somos seguidores mútuos nas redes sociais e falamo-nos de vez em quando. Queria ter gostado da história mas infelizmente não gostei assim tanto. Deixei 3 estrelas no Goodreads. Espero que não perca um seguidor
Quanto mais tempo tenho, menos tempo tenho
Está tudo calmo no meu emprego, pelo que tenho muito tempo livre para completar tarefas em casa, aprender novas línguas de programação, treinar e assim por diante. Mas ando a encher a lista com ainda mais tarefas. Como resultado, sinto-me o menos produtivo de* sempre 🤔
*I wrote “sinto-me menos produtivo do que sempre” which is a very literal translation of “I feel less productive than ever” but that’s far too literal so this has been corrected.
Eclético
Ontem, a senhora elegante que antigamente era a minha menina viu dois filmes: Teen Beach Movie (Filme Adolescente na Praia…?*), que é uma comédia musical realizada pela Disney e “Massacre no Texas”.
Acho que ela tem um gosto ecléctico.
*Well, yeah, that’s the translation, but it’s just called Teen Beach Movie in Portugal.
Saw
I am not left footed
Eu e a minha filha estamos a ver um filme de terror mas está a ser uma desilusão. Uma das personagena principais é protagonizada pelo ator que fez Wesley no filme A Princesa Prometida, mas está mais velho e perdeu o seu carisma todo. Ainda por cima, está a fazer um sotaque americano muito mau*.
*I used ruim but that tends mainly to be used for people in PT-PT. Brazilians use it this way though.
Filmes de Terror
A maior parte dos filmes de terror não fazem o mínimo sentido, e é por isso que existem tantas paródias, como por exemplo, “Scream” e “Cabin in the Woods”. Mas também existem clássicos do género, e a Olivia quer ver vários. O filme de ontem foi o “Saw” que é aterrador e também ridículo.
Haggis
Haggis é um prato escocês feito de carne de ovelha e de miudezas como pulmões, fígado, tripas, olhos e qualquer outra parte que fica por utilizar na loja do talho, depois de fazer os vários pastéis, bifes e rissóis. Tudo isto é embrulhado num estômago de ovelha. Mas também existe um haggis vegetariano também, e isso foi o que fiz para o nosso jantar de hoje. Não sou um autêntico escocês.
Amigos Americanos
Uma artista americana e o seu filho, com quem convivíamos* há uns anos quando viviam na Inglaterra voltaram à ilha para passar uma semana a visitar os amigos. Jantam connosco, hoje à noite. Sou introvertido e regra geral não gosto de me encontrar com outras pessoas, mas, neste caso, gosto deles e acho que vai ser agradável.
*I wrote “que conhecíamos” (=we used to know) but conhecer isn’t something that can be temporary like that so it doesn’t make sense to use it here, which is why the whole sentence was changed.
Quando voltei à minha bicicleta depois da minha corrida, havia um veado ao pé dela. Suspeitei que pretendia roubar a bicicleta, mas felizmente não é possível um veado andar de bicicleta porque não pode usar capacete por causa dos chifres.
Encontrei ontem um pássaro jovem que tinha caído (ou esvoaçado ) do seu ninho. Estava sentado sob uma árvore, logo ao pé dum lago. Mas isto não é um lago natural. Fica numa área residencial e está rodeado por calçadas. Assisti os movimentos desta ave durante uns minutos, a perguntar-me se deveria fazer alguma coisa. Mas o destino obrigou-me a agir porque esvoaçou mais uma vez e tombou na água. Resgatei a criatura e coloquei-o na calçada.
Segundo os peritos (periquitos? Não, peritos), quando se encontra um filhote de pássaro, não se deve fazer nada, a não ser que o bicho esteja em perigo. Caso haja qualquer ameaça no seu redor, deve L-se colocar o pássaro num lugar mais seguro mas perto do lugar inicial. Isto é porque os pais do pássaro continuarão a alimentar o bebé durante alguns dias até as penas estarem suficientemente desenvolvidas suficientemente para poder voar.
Fiz isso mesmo: meti-o sob uma planta grossa, com folhas em cima dele para esconder o bebé dos olhos das garças, dos gatos e das raposas que andam por lá. Espero que o rapazinho esteja seguro!
And the sequel…
Andei perto do sitio onde abandonei um pássaro anteontem. Não o vi em lado nenhum mas também não vi sinais do lugar estar estragado pelas patas duma raposa. Prefiro acreditar que o rapaz conseguiu voar e se foi embora.
Text based on the Instagram Kerfuffle I mentioned a few days ago and I wrote this at the same time. Thanks to Talures for the correction
Um humorista português foi expulso do Instagram por causa duma piada, na qual referiu a Trissomia 21, ou seja, síndroma de Down.
Existem poucos limites na comédia; nem sequer acho que piadas sobre deficiências mentais devam ser proibidas, mas quando uma piada aborda um assunto tão sensível entrámos num jogo de alto risco e a piada tem de ser algo incrível que vale a pena, porque senão, o que é que estás a fazer? A fronteira entre comédia catártica e desabafo amargo depende de quanto gargalha o público.
Infelizmente, este gajo tem pouca graça. Não apoio o seu exílio do Instagram, mas entendo porque havia uma queixa.
OK, first of all, ignore the title of this. I was aiming for a parody of the classic portuguese “pimba” song, “A Garagem da Vizinha”, a touching tale of a man who, when his neighbour’s husband is out of town, is able to “use her garage” (wink wink), but although the word postagem does exist, and almost means the same as correio in Brazil, it doesn’t really work in portuguese at all.
Uma sérvia, que mora no terceiro andar, pediu-me ontem, através do WhatsApp, “Importas-te de receber uma encomenda do Amazon? Vai ser entregue amanhã, mas estou na Sérvia com a minha mãe. A data original da entrega era o dia 26 de maio, mas mudaram o dia para amanhã”
Claro que não me importa, mas espero que o Amazon se apresse, porque o sol está a brilhar e quero correr no parque! Quando os meus familiares acordarem, podem esperar, mas costumo levantar-me 5 horas antes deles no fim-de-semana e provavelmente estou preso em casa até às 10 ou 11 horas da manhã.
(Custou-me muito encontrar uma palavra para usar neste título, mas, se não me engano, “postagem” tem este significado (enviar pelo correio) apenas no Brasil. Podem sugerir uma palavra alternativa que termine em “-agem” para que eu possa chatear os portugueses com os meus trocadilhos sem ofender ninguém?)
Today’s text sounds like one of those #diedsuddenly things online ghouls are so fond of. I don’t know about the circs though, so I’ve no idea what the background is. Thanks to Talures for the help. As usual, notes and comments in the footnotes.
Ontem, um funcionário da associação de habitação* veio para cortar a relva. Não pensámos muito nisso. Como já disse**, hoje em dia, o jardim é um assunto polémico e a associação quer apaziguá-nos.
Eu estava a trabalhar no meu portátil, e a minha esposa saiu de*** casa para fazer compras. Quando voltou, havia uma ambulância e dois carros de polícia em frente da casa. Não prestei muita atenção, mas esperava (claro) que não fosse nada muito a sério.
Mas era. O funcionário*** voltara a sua camioneta. Talvez se sentisse doente. Sentou-se e, para resumir uma longa história, um transeunte encontrou-o morto na camioneta.
Acho isto muito chocante. Nem sequer era velho. Pobre homem. Pobre família dele?
* Housing association. Housing associations don’t actually exist in Portugal though, so this isn’t really a thing. O Condomínio was suggested instead. This is obviously a word that can refer to what we know as a condominium, but the definition has some overlap with the concept of a service charge paid for maintenance of shared private space (definition 3 in Priberam)
**Quite a while ago now – it’s the second section in this post.
*** I always want to say “sair da casa” (=left the house) but it’s just sair de casa (=left house)
**** I actually wrote “o cortador de relva” – the grass cutter, but unfortunately it’s confusing because that phrase really only means “lawnmower”.
A minha filha torceu muito pela Finlândia. Não faço ideia porquê, mas acho que gostou das roupas bizarras e do comportamento ultrajante mais do que da* música. Acabou em segundo lugar, atrás da cantora sueca. Não vi o espetáculo (estava a escrever português, como um bom aluno) mas vi algumas artistas: a portuguesa, Mimicat de que gostei bastante (melhor concorrente desde o Salvador Sobral na minha opinião), o sérvio (que grande seca) e a francesa (uau, o vestido dela era incrível!)
Parabéns aos concorrentes todos mas sobretudo aos vencedores, a Suécia.
* I missed out the “de” part of this preposition both here and in front of “comportamento”. Remember if you use gostar de the “de” has to apply to all the things you’re liking!