Nós, moradores deste prédio, reunimo-nos ontem num hotel para estabelecer uma associação de residentes. Eu preparei a lista de tópicos para a agenda, boletins de votos e papéis com várias informações. Tudo correu bem e ficámos aliviados porque a pessoa sem papas na língua, que quer sempre falar descontroladamente, mas não faz nada de útil não veio portanto conseguimos terminar tudo sem atrasos e voltámos para casa a horas para jantar!
Tag: written work
“Mary John” de Ana Pessoa
This book was the source of a couple of the recent posts about new vocabulary like “as fresh as a lettuce” and “playing for Benfica“. It seems like a straightforward read at B1/B2 level. The grammar isn’t too complex, but it’s light and funny and has plenty of nice idiomatic expressions, including a rare in-the-wild sighting of “tirar o cavalinho da chuva”. Thanks to Cataohract for the corrections
O “Mary John” é um livro juvenil que conta a história duma adolescente chamada Maria João. No início do livro, ela tem um fraquinho por um rapaz que mora no mesmo bairro, mas o rapaz, que é ligeiramente mais velho, acaba por namorar com uma “lambisgóia” (nova palavra!) que chega na praceta onde o grupo de amigos passa o tempo. A lambisgóia fuma e tem piercing no umbigo e fala com a protagonista de maneira desrespeitosa por causa da idade dela, principalmente.
Após algum tempo a mãe da protagonista informa-a de que os dois têm de mudar de casa para uma outra cidade. Lá, no novo lugar, ela conhece um rapaz e os dois apaixonam-se.
Não há mais nada: é uma história quotidiana, sem reviravoltas, sem grandes revelações. Mas é doce: o diálogo entre as amigas na escola é engraçado e os conselhos da mãe e da avó dela sobre amor e sobre rapazes fazem todo o sentido sem serem demasiado “pedagógicos”. Ela cresce durante o percurso do livro e passa a uma nova fase da sua vida.
O aspeto mais esquisito do livro é a estrutura dele: é contado como se fosse uma carta ao rapaz original da praceta. Não entendo porquê. Explica-lhe quão diferente é a vida dela 4 meses depois de mudar de casa. Talvez ela queira escrever a versão mais nova de si próprio mas não tenho certeza. De qualquer modo, espero que ela não envie ao coitado de moço! Além de conter informações que ele não quereria saber, tem 180 páginas!
Em Todos os Sentidos de Lídia Jorge
Este livro é um conjunto de 41 crónicas que Lídia Jorge apresentou num programa de rádio. Mistura-se memórias e pensamentos sobre a vida, história e o mundo em geral.
A Seguindo O Rio
Here’s a little traveller’s tale, with thanks to Talures for corrections
O projeto mais recente da minha filha foi dar um passeio no Chess Valley Walk* (Caminho do Vale do Rio… Hum… Xadrez? Não, estou a brincar, o nome do rio é o Chess). Viu-o no Instagram e ficou obcecada. Sendo relativamente desocupado no meu trabalho, aceitei o seu convite para ir com ela.
Antes de mais, não trouxemos água suficiente. O caminho tem 16 quilómetros, mas faz-se devagar por causa do terreno acidentado: entre 4 e 6 horas. Entretanto, o tempo estava quente, mesmo muito quente pelas padrões ingleses. Assumimos que haveria um pub ou um loja por o caminho, pois este passa por várias aldeias. Haveria, de certeza, oportunidade de comprar mais água, não é?
Não houve. Portanto as nossas reservas ficaram esgotadas depois de três horas. Além disso, a coitadinha** da minha filha não está acostumada a andar tanto. Ela já fiz caminhadas com esta distância , hum, duas vezes? Ela arrastou-se e disse muitas vezes “pai, não acho que consiga!” mas não perdeu a esperança por completo. Prosseguimos com a marcha e chegámos finalmente ao nosso destino: um Pub chamado The Queen’s Head em Chesham, onde bebemos água e cerveja e comemos um caril tailendês. Sabia como a comida dos deuses. Sem dúvida, a fome é o melhor tempero.
O caminho é lindo (tirando a parte que passa perto da autoestrada M25!) e apesar da minha filha ter dores nas pernas e ter estado esfomeada e sequiosa durante duas horas, já sabe que és capaz de tal esforço heróico! Mas da próxima vez, vale a pena levar mais água na mochila!
*I wrote this as-is: “We took a walk on the Chess Valley Walk” but as the corrector rightly pointed out, although that’s what that means, it’s a bit repetitive and I probably should have written “fazer o caminho de Chess Valley”
**coitadinha “tem o seu quê de sarcastico”

O Pub Quiz
A true story, with corrections by Cataphract (thank you!)
Agora que tem 18 anos, a minha filha arrastou-me ao bar para participarmos num “pub quiz”, ou seja uma série de perguntas e respostas organizada num bar perto do nosso prédio.
Havia cinco equipas. Nós éramos apenas dois mas a maior tinha 5 jogadores. Apesar desta desvantagem, conseguimos segundo lugar e ganhámos um prémio: uma garrafa de vinho tinto. Ficámos muito orgulhosos mas ainda não abrimos a garrafa.
Um Passeio Noturno de Bicicleta
Text about the stuff You do as a dad… Thanks to Talures for correcting my errors.
Ontem à noite a minha filha estava a caminho de casa quando houve um problema com os sinais do caminho-de-ferro. Portanto o comboio não chegou ao seu destino. Era o último comboio do dia. Passara o dia com dois amigos das redes sociais* que compartilham o seu fascínio pela série televisiva “The League of Gentlemen” e os três ficaram no bar até tarde.
Como resultado, encontrou-se longe daqui e, além disso, a bateria do seu telemóvel morreu**. Ótimo. A última mensagem que a sua mãe lhe enviara dizia “se não houver táxi, fica lá que o teu pai vai ter contigo” mas não sabíamos se recebera ou não, nem se houvera um táxi ou um autocarro. Portanto, agarrei a bicicleta e pus-me a caminho da estação onde ela estava. Claro que não foi preciso (ela chegou a casa às meia noite e meia) mas ficaramos preocupados que ela estivesse sem hipótese para voltar.
*i originally wrote “amigos online” but although “online” exists you can’t really say “online friends”, they have to be friends from the Internet or friends from such-and-such app.
**I originally used faleceu instead of morreu which is not wrong but not idiomatic. In the correction notes the corrector wrote “tem o que quê de piada”. That “tem o seu quê de….” looks like an expression to me. Sure enough, googling it, we find
- “Tem o seu quê de bairrista” in the lyrics of “A Marcha da Mouraria” By Amália Rodrigues.
- “Tem o seu quê de difícil” in a Ciberduvidas article about the words que and quê (although, unhelpfully it doesn’t explain the expression!
- “Uma experiência que tem o seu quê de desconcertante” on a poetry review website
- An actual definition in this infopedia page where it just defines it as meaning “something indeterminate” – so. They give a couple of examples eg “tem o seu quê de verdade” means “there’s some truth to it”
This last one looks like the closest I’m going to get to a definitive explanation. I don’t think it’s super-common because I looked at some examples of where it had been used on Linguee and Reverso-Context and the translations it gave looked like pretty random guesses, so maybe not all translators had come across it before (?) but I think the person who wrote the Infopedia article knew what they were on about. Hm, i wonder if it only works in the third person. Like I wonder if I could do something like this…

Update: the verdict is that yes, it does work.
Question corrected by Catalhract – Adivinhei que era uma expressão, sim…hum… Tem o seu quê de expressão. Utilizei-a de maneira certa aqui? Pesquisei várias fontes Online para entender o significado da expressão mais ou menos. Pode-se usar na primeira pessoa? Por exemplo, o meme no fundo [deste blogue]: claro que não é uma tradução perfeita do diálogo (caso não conheças, acho que vem do filme “Spiderman”) mas se alguém falasse assim, faria sentido? Ou será que os ouvintes pensariam “este turista é maluco”
Águas Passadas de João Tordo
Review of this 500-page beach book which is available from Bertrand. It’s one of my favourite portuguese thrillers even if there was more shagging than really necessary.
Gostei muito deste romance policial. A protagonista é uma agente da polícia, Pilar Benamor, que está a investigar a morte duma adolescente encontrada na praia de Assentiz. Em breve, uma nova vítima aparece, cruelmente esquartejado. A sua investigação revela ligações com crimes do passado e daí constata a malvadez que resultou nestes crimes chocantes. Pilar é uma heroína simpática. É forte mas é realista. A minha única queixa é sobre o seu “defeito fatal”. Não é fora do comum, os autores de thrillers darem aos seus protagonistas um problema pessoal (uma dependência de álcool, por exemplo, ou uma incapacidade de separar o trabalho da vida doméstica). Queremos os nossos heróis a terem de lutar contra os seus próprios demónios, ao mesmo tempo que lutam contra os criminosos, mas, neste caso, a sua falha é adição ao sexo. Isto parece-me parvo. Não tem a mínima relevância para a história. Fiquei com a impressão de que era uma desculpa para inserir cenas de sexo no enredo, que interromperam a história sem revelar nada sobre a personalidade dela.
O Passaporte

Short text about Madeira. Thanks to Talures for the corrections.
Perdi o meu passaporte. Tem de estar em casa mas não o encontrei. Acho que o escondi subconscientemente, porque vamos de férias à Madeira daqui e a duas semanas, mas há uns dias ouvi um homem a descrever a aterragem, no aeroporto da ilha, do avião em que viajou… Valha-me Deus.
Actually I don’t even know why I said I heard someone say this. I read it in a book: Past Caring by Robert Goddard, which is… Perhaps not his best work but still pretty good. He knows how to spin a yarn. The action begins and ends in Madeira, which is why I fancied rereading it, but most of the meat of it is in Britain and the accents of the few portuguese characters who appear in the audio version have accents midway between Speedy González and Mario the Plumber.
(Regra geral, sempre reescrevo os meus textos quando corrigidos e agradeço os professores logo depois, mas estou tão fora da minha rotina que perdi a noção de quantos textos estão por corrigir. Muitos, acho eu. E há tantos que quase me sinto assustado pelo tamanho da tarefa…)
I’ve finished now though. I’m all caught up. Let’s hope I keep it that way.
Um Lugar Misterioso
Passei 3 dias em Cambridge. Ou melhor, passei um dia em Cambridge e dois dias a andar de bicicleta para Cambridge e depois para casa. Não tive energia o suficiente para escrever, portanto aqui estou novamente no primeiro dia do Streak!
Durante a estadia, li um livrinho chamado “Amália Rodrigues: Um Lugar Misterioso”. É um livro ilustrado que conta a história dessa cantora de forma simples. Explica-se as suas origens familiares e as raízes da sua arte. Apesar da simplicidade, os autores não evitam os aspetos polémicos da vida dela: a maneira na qual o fado fez parte da ideologia da ditadura, e o seu papel ambíguo nessa propaganda. O livro contém exemplos da poesia do seu fado, e as ilustrações são maravilhosas.
Pneudez
Ontem, a caminho de casa, deparei-me com um grupo de ciclistas nus. Estavam a participar no… hum… Dia Mundial de Ciclismo Nu, ou seja o World Naked Bike Ride. Tanto quanto sei, há um evento em Lisboa mas não acho que haja uma tradução “oficial” do título; os participantes tratam-no pelo título inglês. Adoro andar de bicicleta mas confesso que não me apetece participar neste dia. Ainda bem: os meus vizinhos não querem ver nada disso.
More Wittering About Bikes
Por acaso, também dei um passeio de bicicleta ontem mas não foi assim tão interessante: tinha de visitar a sede do governo autárquico cujo projeto ando a apoiar, do outro lado de Londres. O meu portátil estava doente mas o enfermeiro de portáteis salvou-lhe a vida. Podia ter sido um dia aborrecido mas, felizmente, a sede fica ao pé da biblioteca britânica. Registei-me, adquiri um cartão de leitor e passei duas horas, mais ou menos, a ler algumas fontes de informação que têm a ver com a minha pesquisa genealógica.
Segindo o Google, 40 quilometros, mas lentamente, com muitas paragens e intervalos a pé por causa dos engarrafamentos e outros incómodos. Foi stressante às vezes mas passei 50% do tempo à beira do rio, o que equilíbrou tudo muito bem .




