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That Went Well

Or at least I think it did. The exam has just finished. It was only an hour and 45 minutes. The assignment had two parts:

The first was to rewrite a text that had a load of errors in it. For example, it said the aim of the course was to see how Portuguese identity had changed and the role of literature on this process, which true to a certain extent, but that’s not the stated objective of the course. Then it said that there were four key figures of the course. I rather snippily added a parenthesis saying it was three individuals and a couple. I suppose arguably two couples but the Marquês of Chamilly has no rights. We do not stan. The four, it claimed, reinforced traditional stereotypes (yeah, sure, Brites de Almeida is a typical girly girl). It described Teorema by Herberto Hélder but made some straightforward mistakes – the identity of the protagonist, his first name, and the centuries in which the story takes place. The story is so good that I was able to spot the mistakes pretty well, except that the text said it took place in Santarém and I honestly have no idea where it’s meant to have happened, so although I thought it was probably wrong, I left it as it was.

The second question just asked in what way this statue represents Dom João II. I had included it in my revision first thing this morning, so I had all the vocabulary to hand.

Where might I have gone wrong?

Well, first of all, the setup of the question seems to imply that there are certain indisputible mistakes in the first text. I thought some of them were a bit debatable and probably waffled on a bit, explaining to what extent I thought the statements were false and why. But I still finished early, so… Well, i surely wasn’t supposed to do less was I?

And secondly, in expressing my fascination with the story of the Portuguese letters, I came down pretty unambiguously on the side of the non-marianistas. The question didn’t really ask for a discussion of the pros and cons of this point of view so I thought I was pretty safe there but I’ve probably expressed it too strongly. I say she was the victim of a lie (because tbe letters were probably fake) but now I think of it again, I wonder if it comes across as me saying the romance itself didn’t happen. That was probably clumsy.

On the whole, I really enjoyed this challenge. It was nice to write a piece of graded work in an exam setting where the aim was to communicate, and to make a particular case, and not to be grammatically correct. I checked the grammar, of course, but the grammar wasn’t the point, as it would have been in a CAPLE exam.

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Revision

I have an exam on Tuesday for the culture section of my course so by way of revision I am just going to throw into this post a super-concentrated summary of the units we’ve studied, trying to get them all to fresh in my head. I’m planning to read the actual letters of Mariana Alcoforado and listen to some podcast episodes about Dom João II too. Especially the latter because I think he’s the one that there is more to say about than the others, and I have an OK sense of him as a historical figure but maybe less so as a cultural figure

Pedro e Inês

Facts / Dates

1320 – Nascimento de D Pedro I (Pai D Afonso IV)

1336 – Casamento com Dona Constança Manuel

1347 – Nascimento de Beatriz de Portugal, Condessa de Alburquerque, a primeira filha de Pedro e Inês

1349 – Morte da Constança

1355 – Assassinato da Inês

1357 – Ascensão ao Trono

1360 – Anúncio póstumo do casamento de Pedro e Inês antes da morte dela, construção dos dois túmulos no Mosteiro de Alcobaça, legendados “Até Ao Fim do Mundo”.

Bibliography

Garcia de Resende (1470-1536) – Trovas à Morte de Inês de Castro O primeiro texto que menciona a lenda (tirando um poema apócrifo atribuído ao infante Dom Pedro), contado pelo ponto de vista de Inés na hora do seu assassinato. É uma vítima inocente.

Fernão Lopes (1418-1459) – Crónica de Don Pedro I , depois incluído como intertextualidade no poema “Crónica” de João Miguel Fernando Jorge (1943-Hoje)

Teresinha de Jesus Baldez e Silva – A Tragédia de Inês de Castro: Uma leitura semiótica de ‘Teorema’ de Herberto Helder. – Afirma que Pèro Coelho participa numa ritual mística, simultaneamente desmistificando e resmistificando a lenda realista.

Ruy Belo (1933-1978) A Margem de Alegria – Segundo João Miguel Bray Gomes Silva, a obra representa Inês como eterno feminino.

Ana Cristina Correia Gil – A Identidade Nacional Na Literatura Portuguesa – afirma que a literatura inesiana, a partir do século XVI, faz parte no grupo de símbolos (com as ilhas afortunadas, quinto império entre outros) que facilitou a construção de uma identidade nacional

Sirlene Cristófano – O Paradoxo Da Ficção Histórica Do Povo Lusitano – Demonstra os contrastes entre a mitologia alucinante de Helder e o romance mais realista de João Aguiar, Inês de Portugal, no qual ela é uma pessoa verdadeira, histórica.

Roberto Nunes Bittencourt – Mitos, Traumas e Utopias – mostra como, em diversas obras literárias, determinadas figuras históricas assumem roupagens diferentes num processo de definição da identidade nacional.

Legado Cultural

Camões dá projeção universal ao mito delineado por Mota e Resende com os seus Lusíadas.

S XVIII e XIX – Beleza, Morte como símbolo de sofrimento eterno.  Sousa Viterbo, em A Fonte dos Amores diz que a história é “o episódio mais sentido da paixão humana”. Ao longo das décadas o romantismo realce a tragédoa do amor impossível da “bela do colo de garça”, vítima da política mas nos finais do século a ênfase passou para Pedro como protagonista, porque a personagem de Inês é tão limitada, até 1968 quando Fernando Luso Soares escreveu “A Outra Morte de Inês” no qual a princesa é visto como exemplar da liberdade pessoal.

Columbano Bordalo Pinheiro pintou “Drama de Inês de Castro” por volta da viragem do século XX

Nuno Júdice escreveu um poem sobre a vida de Dom Pedro após a execução da sua amante: “Pedro Lembrando Inês”

“Teorema” de Herberto Helder trata-se de um monólogo de um dos assassínios da Inês, Pêro Coelho, cujo coração acaba comido por “Pedro o Cruel”, com um pano de fundo de objetos e acontecimentos anacrônicos.

A lenda fica na consciência pública, como série no RTP em 2001, uma peça musical e vários podcasts, livros e documentários.

A Padeira de Aljubarrota

Facts / Dates

1385 – Batalha de Aljubarrota

Brites de Almeida

Bibliography

A lenda cresceu na tradição de “literatura de Cordel”, da qual o maior exemplo é “Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota”. O retrato da forneira não é muito patriótica. Era nativa do Faro, e ao longo do enredo ela mata montes de pessoas além dos espanhóis, incluindo um homem que quer se casar com ela.

Virgínia de Castro e Almeida – História da Grande Batalha de Aljubarrota: Versão nacionalista do mito, na qual ela fala como o El-Rei Dom João I e defende o país em si (ao contrário à sua própria casa, por exemplo)

Legado Cultural

Cristina Pimenta em “A Padeira de ALjubarrota: Entre Ontem e Hoje alista os seguintes fases

  • Restauração (1640) A evocação da padeira em contextos religiosos e historiográficos deu legitimidade à nova dinastia de Avis.
  • Século XVIII Em tempos de calma, a história foi tratado mais levemente e foram acrescentados mais pormenores à lenda (foi durante este século que foi escrito o antes mencionado “Auto Novo…”).
  • Século XIX Numa era de romantismo e liberalismo a história foi apropriado como símbolo da regeneração nacional após a derrota do Miguelismo*** Também surge como personagem no livro “A Abóbada” de Alexandre Herculano or causa do seu valor simbólico.
  • Século XX Como é óbvio, uma figura tão trabalhadora, valente e simples representa um oportunidade ao Estado Novo que colocou a padeira em selos dedicados á independência da república. Também apareceram versões Salazaristas da lenda, editado pelo Secretariado da Propaganda Nacional. Além dos já existente virtudes, o regime acrescentaram moralidade e defesa da pátria.

As Cartas Portuguesas

Facts / Dates

Soror Mariana Alcoforado para Noël Bouton de Chamilly, um soldado francês que lutava na guerra de restauração (1640-1668)

O convento era em Beja

Lançadas em 1669 na França

A posição “Marianista” (ou seja, a opinião que as cartas são genuínas) é comum mas desde os anos trinta do século XX existem criticas que negam a veracidade delas e esta tese tornou-se maioritária.

Bibliography

“Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa” Mariana Alfoforado

“Três Variações para Cravo e Mariana” Nuno Júdice (em “A Árvore das Milagres”) Consiste em 3 contos:

  • “Cartas Francesas do Senhor de Chamilly a Mariana” (uma série de letras daquele cavalheiro para a freira, nas quais a paixão dos originais e reencenada. Mariana é um sujeito lírico e o autor sublinha o teatral e sugere que a paixão é uma fora de escrita)
  • “A Confissão de Chamilly (Um dialogo entre Chamilly e “o confessor”. Após algum tempo, entram Mariana e Dona Brites que se juntam à conversa. O autor desmonta e analisa a figura da freira e faz a pergunta da mediação literária e quem está a falar no livro que é atribuído á Mariana)
  • “Diário de um Amor” (Um monólogo de um narrador que encontra o livro durante um crise na sua vida pessoal. Neste último conto, a freira é deslocada para um cenário moderno. Vemo-la como uma mulher que escreve para não ser apagada da história)

“Soror Mariana — Beja” de Sophia de Mello Breyner Anderson (em “O Nome das Coisas, 1977) Consiste em dois versos: “Cortaram os trigos. Agora / A minha solidão vê-se melhor”

“Soror Marianna, a freira portuguesa” Luciano Cordeiro 1888 Gerlamente visto com a última palavra no caso marianista

“Who was the Author of the “Lettres Portugaises”?” F.C.Green, 1926. Este artigo não Mariana do académico americano abalou a visão do mundo dos marianistas. Critica as conclusões do Cordeiro o que ele acha demasiado crédulo, e levantas questões á autoria das cartas, referindo a vários documentos contemporâneos. Na sua opinião foram originalmente escritas como uma obra de ficção por um escritor francês chamado Guilleraque.

Legado Cultural

As letras influenciaram a literatura francesa durante décadas e ainda hoje vemos aquele efeito nos filmes de Almodovar (espanhol) e os livros de Madeleine L’Engle (americana)

Uma opinião forte e EM LETRAS MAIUSCULAS faz parte do Manifesto Anti-Dantas de José de Almada Negreiros

Deram nome às Novas Cartas Portuguesas, uma obra feminista e um dos livros censurados pela ditadura de Salazar

À partir dos anos 70-80, surgiram estudos mais interessados no impacto das letras na cultura portuguesa, na identidade nacional e na percepção do feminino.

Adília Lopes escreveu dois livros de poesia baseada na história: O Marques de Chamilly (1987) e O Regresso de Chamilly (2000) Adorei este poema, que é um exemplo do tom irónico no qual a história está virado às avessas

The Portuguese Nun – Filme

Dom João II

Facts / Dates

Nasceu em 1455, filho de Dom Afonso V e Dona Isabel.

Participou na campanha em Africa do norte com 6 anos!

Política externa muito ativa em termos de dominar as rotas comerciais, consolidar o seu poder em Africa com ajuda da igreja. Muitos dos descobrimentos com qual associamos Portugal tiveram lugar no reinado de Dom João e foi ele que assinou ou tratado de Tordesilhas.

Em casa, também queria consolidar o seu poder e isto deu motivo de conflito com os nobres.

1495 – Morte (com 40 anos – uma vida breve mas cheia de história!)

Bibliography

Garcia de Resende – Crónica de El-Rei Dom João II (1545) – basicamente apaixonado pelo rei

Rui de Pina – Crónica de D. João II – Igualmente

João de Barros – “Décadas na Asia” (1552) e Damião de Góis – Crónica do Principe D. João, (1567) Estes dois criticaram Pina por omissões e tendam a apoiar os nobres, os Duques de Bragança e de Viseu

Manuela Mendonça – Dom João II (Biografia)

Mafalda Soares da Cunha – D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspectivas historiográficas

No Século XIX, nasce a nossa imagem do rei: Rebelo da Silva e Pinheiro Chagas e Oliveira Martins elogiam o seu racionalismo e modernização do estado.

Alexandre Herculano “Opúsculos” Cartas 4 e 5 criticam Dom João por levar a cabo a destruição da liberdade pessoal e por pôr o país no caminho para absolutismo de decadência.

Oliveira Martins e outros historiadores do século XX veem o rei como capaz de modernizar o estado sem restringir a liberdade pessoal. O Estado Novo, surpreendentemente não valoriza o rei tanto quanto reis militantes como Dom Afonso Henriques.

Bebiano, Adriana (2002) A invenção da raiz. Representações da nação na ficção portuguesa e irlandesa contemporâneas em Ramalho

Legado Cultural

A divisa “Pola ley e pola grey” (“Pela lei e pelo grei” – grei quer dizer rebanho) – princípio de governo justo para o povo

O Mostrengo e Uma Asa do Grifo – Fernando Pessoa

Miguel Torga – O Príncipe Perfeito

O símbolo do pelicano eucarístico, embora seja principalmente um símbolo católico é muito associado com Dom João II. A Estátua na sua homenagem provavelmente base-se nesta imagem

Dezenas de livros.

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I Continue to Get Surprisingly Good Marks

I got a solid 3.4/4.0 in the essay about Dom Joâo II. That’s 85% – God, I’d have killed for marks like that in the degree courses I took in IT and computing. I made a lot of silly grammatical errors that I should have picked up in editing, but in spite of everything, he noted that I have shown that I had an original and distinctive take on the subject, and I feel quite pleased with that!

As Sombras de D. João II

Anyway, I need to start revising, so I am going to go through it in detail, fix the mistakes and think about what could be improved. Again, this is just for my own benefit, but if you’re following along, the challenge was to analyse the title and subtitle of this thriller and decide what it means, referring to what we know about the real (historic) and fictional (in legend, propaganda and media representations) person that is Dom João II. I’ll fix all the boring typos and comment on the mistakes that are interesting enough to say something about. I’m indebted to the teacher who took the time to correct the grammar but didn’t penalise me for it as I suspect he probably could have!

Introdução

Neste texto, vou tentar decifrar o significado do título e o subtítulo deste livro, mas antes de começar, é necessário perguntar “o significado para quem?” Raras vezes todos os leitores de um livro concordam sobre a interpretação de um livro. Então o nosso pensamento deve começar com o autor e a imagem que ele quer criar na mente do leitor. Mas a visão do autor não é isolada, separada da cultura e da sociedade onde vive. O seu retrato do rei tem de ser reconhecível para os leitores, ou seja, tem de ter alguma semelhança com a pessoa de João II promulgada* nas escolas e na média. Ao mesmo tempo, um autor de romances históricos sabe bem que os seus leitores querem mais do que factos, nus e crus. Se quisessem isso, teriam comprado alguma coisa da estante não-ficção. Assim podemos imaginar o autor a pensar nas várias narrativas ao longo dos anos. Não sendo historiador nem propagandista, o autor de ficção histórica é livre para escolher os aspetos da lenda que satisfazem os seus critérios.

Como o Título Chama a Atenção dos Leitores

Em primeiro lugar, a palavra “Sombras” pode ser interpretada de várias maneiras. Pode-se imaginar uma montanha ou um castelo a assombrar o território à sua volta por causa da sua imensidade. Uma sombra, então, é símbolo da imponente estatura da figura do rei nos olhos do povo. Por outro lado, a palavra sugere o lado obscuro de um governo e a sua rede de espiões. E em terceiro lugar, é fácil imaginar o rei como um protagonista assombrado pelas suas próprias dúvidas.

Destes três, a primeira explicação é a menos satisfatória. Um castelo tem uma sombra e mais nada, mas a palavra no título é plural. Quanto aos outros significados, o site da editora (Clube do Autor, 2026) fornece amplas provas de ambas. Talvez a única frase mais reveladora do seu assombramento e o do seu povo é “No meio de tudo isto, há um homem de lágrima fácil e íntimo cruel, um verdadeiro manancial de sentimentos por decifrar.”

Noutras palavras, ao** leitor está a ser prometido emoções turbulentas por parte de um rei que anteriormente teria parecido opaco e ainda por cima um enredo cheio de surpresas e que – quem sabe – é capaz de pôr em causa a nossa imagem do Príncipe Perfeito. 

Como o Subtítulo Os*** Seduz Ainda Mais

À primeira vista, o subtítulo, “Sonho, glória, poder e intriga. Os bastidores de um reinado de ouro.” garante uma visão do rei que é mais tradicional e mais normativa: o rei levou a cabo uma onda de descobrimentos cruciais para o futuro do país e do continente europeu, trazendo glória, poder e riqueza para os participantes e para o trono. Na verdade, a legacia**** dele é altamente discutível, como vemos na obra da Mafalda Soares de Cunha que mostra exemplos de historiadores serem acusados, desde o século XVII de (entre outras coisas) “[…] omitir uma série de informações importantes, como é o caso do seu papel no progresso da gesta expansionista… (Cunha 1988 pp 651) mas isso não altera a reputação do rei na imaginação pública. O seu nome é quase sinónimo dos descobrimentos, é óbvio no “Mensagem” de Fernando Pessoa, a sua mitologia poética do passado de Portugal, onde o rei aparece não só no poema que tem o seu nome onde ele parece “uma alta serra”***** (Pessoa 1934 pp 44) (e, indubitavelmente, assombra o promontório onde está!) mas também em “O Mostrengo” o navegador leva o nome dele como um talismã contra os perigos do mar****** (Pessoa 1934 pp 57)

Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!

Adriana Bebiano afirma que a precariedade do mundo atual (ela estava a escrever logo depois dos atentados de 2001) produzia um desejo de regressar ” a representações identitárias onde se observa um excesso de passado” (Bebiano, 2002 pp 534) e que, no caso de Portugal, esta tendência era caracterizada por “a quase omnipresença da gesta marítima” (ibid) como o navio na capa deste romance.

Para Jorge Sousa Correia, escrevendo nos anos vinte deste século, a confiança na autoridade está catastroficamente reduzida e andamos rodeados por teorias de conspiração. Daí, não é nada surpreendente que vejamos neste título e seu subtítulo, uma combinação da glória radiante do passado, salpicada de tons mais escuros, representando a sombra de dúvida no que diz respeito ao líder daquela época dourada*******.

*I should really have said divulgada or propalada. I was really going for something that indicated the image was being put out as a sort of “official version” of events but it turns out I don’t really know what promulgated means even in my own language!

**Over-literal translation here. In english we’d say “the reader is being promised something” but that doesn’t work in portuguese; you have to say something is being promised TO the reader

***This is meant to follow on from the previous heading: having caught the eye of his readers he is seducing them further, but with such a long gap in between it was confusing, so the marker was left scratching his head and wondering who the hell I’m on about

****Woah! This falso amigo really surprised me. I should have said “legado” which means legacy. Legacia refers to the office of a legate!

*****Part of the instructions were that you had to quote something from the mandatory readings and believe it or not there three words are me paying lip service to that rule, because this poem is one of the texts. The marker didn’t notice – perhaps understandably, given how titchy it was, and I think I lost points as a result. Well, it’s a fair cop!

******I’m really not happy with this whole section, highlighted in yellow. It seems like a real tangle of thoughts. The prof didn’t penalise me for it, but I wish I had taken half an hour to straighten it out a bit and order it better.

*******I think the conclusion here went down well. I was quite pleased with it. I was criticised for not going into the “sombras” as much as I could have by referring to the death of his son or or the aristocrats he had bumped off. To be fair, neither of those is really referenced in the blurb and I had the impression the writer wasn’t really focusing on them, but OK, fair enough, maybe I should have gone darker!

Bibliografia

Bebiano, Adriana (2002) A invenção da raiz. Representações da nação na ficção portuguesa e irlandesa contemporâneas em Ramalho, Maria Irene e Ribeiro, António Sousa Entre Ser e Estar (2002) (pp 503-537)

Clube do Autor (2026). As Sombras de Dom João II, encontrado a https://www.clubedoautor.pt/livro/as-sombras-de-d-joao-ii

Correia, Jorge Sousa (2021) As Sombras de Dom João II

Cunha, Mafalda Soares da (1988) D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspetivas historiográficas em Arqueologia do Estado pp 649-667

Pessoa, Fernando (1934) Uma Asa do Grifo em Mensagem pp 44

Pessoa, Fernando (1934) Mostrengo em Mensagem pp 56-57

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Grab-bag of Notes About João II

In no particular order and with no particular theme – I am just so addicted to blogging that I can no longer just write thing in a notebook like a normal person!

Descobrimentos Durante o Seu Reinado

From Wikipedia

O Mostrengo

Este poema trata-se de um resumo da missão imperialista durante o reinado do El-Rei Dom João II. O marinheiro ao leme é confrontado por um mostrengo que representa os perigos do mar, mas supera o seu próprio medo em nome do povo português e em nome d’El-Rei.

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar; [breu=pitch, a component of tar – so “pitch dark”]
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?» [teto = AO spelling of tecto]
E o homem do leme disse, tremendo: [leme = helm]
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?» [quilha = keel]
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso, [imundo = filthy]
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Fernando Pessoa (1888-1935) In: Mensagem

D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspectivas historiográficas

D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspectivas historiográficas – Mafalda Soares da Cunha (Universidade de Évora)

A professora explica como a nossa imagem do “Principe Perfeito” vai mudando ao longo do tempo. Em geral a sua carreira é associada com conflitos com outros políticos, principalmente da alta nobreza com objetivo da centralização de poder mas a sua figura é apropriada por diferentes correntes ideológicas.

Séculos XV-XVI

Chronica de el-rei D. João II (ca 1545) Garcia de Resende e Crónica de D. João II de Rui de Pina elogiam o rei e criaram uma imagem do defensor do povo e disciplinador dos nobres. Resende teve mais impacto devido às suas historias vívidas,

João de Barros (EM “Décadas na Asia”, 1552) e Damião de Góis (Crónica do Principe D. João, 1567) criticam Pina por omissões e tentam reescrever a narrativa, sobretudo sobre o seu papel na expansão e a justiça da condenação dos Bragança e Viseu. Regra geral, apoiantes dos nobres tendam a opor-se à mitologia

Séculos XVII–XVIII

Durante a dominação filipina (ou seja o reinado da monarquia castelhana) e a Restauração a figura de D. João II é usada para discutir o poder régio, a justiça e o absolutismo. D. Francisco Manuel de Melo e D. Agostinho Manuel de Vasconcelos) criticam a crueldade e precipitação dos seus atos em poder. Pedro Barbos Homem anda ainda mais longe, transformando o rei em modelo de anti-Maquiavel.

Com a chegada da dinastia Brigantina (ou seja os Braganças) o papel da monarqia

Século XIX

É no século XIX que nasce a imagem que domina os manuais escolares.

Alexandre Herculano culpa Dom João II por ter dado início á idade de absolutismo que levaria o país à decadência, abolindo a “idade medieval livre”. Ainda por cima, a lei das jurisdições foi, na opinião de Herculano, o ato que levou a cabo a destruição da liberdade pessoal Veja Cartas 4 e 5 em “Opúsculos”

Rebelo da Silva e Pinheiro Chagas reforçam a ideia da centralização ser uma mudança histórico de consolidação e racionalização de poder

Oliveira Martins retrata-o como modelo de cesarismo necessário para revivificar a força do país

Século XX

Os integralistas, seguindo o pensamento de Oliveira Martins, veem o rei como uma figura capaz de exercer poder sem restringir os direitos indivíduos, minimizam os efeitos da centralização. A divisa “Pola ley e pola grey” torna-se bandeira ideológica.

O Estado Novo, por seu turno, prefere figuras militares e fundadores como Dom Afonso Henriques. Reis que mandaram degolados nobres não serviram os seus objetivos ideológicos.

Historiografia moderna tenda a valorizar a narrativa da centralização mas o crescente poder régio não eliminar o regional, aconteceu apenas uma redefiniçao das limites do poder da monarquia face ao poder senhorial mas ao que parece a polémica não está a desaparecer.

O PRÍNCIPE PERFEITO – Miguel Torga

Um Príncipe Perfeito em Portugal,
Terra da imperfeição!
Que excessivo perdão
Pode ter quem é rei!
Na bainha do tempo, até o punhal
É uma arma letal!
Assim nela coubesse a alma que sujei…
Perfeito, eu! Perfeito
Um rei que desposava no seu leito
O luto incestuoso da rainha!
Perfeito, eu, que tinha
Um herdeiro da esfera adivinhada,
E o vi morrer, humano,
Com asas de exaurido pelicano,
Às portas da aventura começada!
Perfeito, eu! Perfeito
Quem viu agonizar dentro do peito
A grandeza da vida e quanto fez por ela!
Incapaz, a cobarde caravela
Que mandei ao seu último destino,
Desatado o nó cego, masculino,
Que no sonho enlaçava
A soberba cintura de Castela,
-Que perfeição no mundo me ficava?
Pensei, lutei, matei – fiz quanto pude,
Mas em vão.
A quem Deus não ajude,
Tudo são índias de desilusão.

Miguel Torga, “Poemas Ibéricos” in “Antologia Poética”, Coimbra, 1981, pp.
146-147.

Posted in English

The Fourth Essay

As Sombras de D. João II
As Sombras de Dom João II

I submitted the second essay of the second course the day before yesterday.

The challenge was to take the cover of this juicy historical thriller and try and analyse what currents of cultural understanding the writer was drawing on in his presentation of the novel.

It wasn’t a subject I felt very drawn to, I would rather have done the Randy Nun, but I managed OK. Well, I had some good ideas anyway. To be honest if I hasn’t been so tired I might have spent half an hour switching up the order of the lines in some of the paragraphs to make the argument flow better, but I think it’ll do OK.

Posted in English

Wow!

I wrote an essay just before christmas and I said at the time that I thought maybe I had made a bad choice of book as the subject matter and maybe she would mark me down. But no! I scored 3.5 out of 4.0 and she said it was an “ótima análise”.

I had a couple of typos, despite 3 separate automatic checks and one actual bona fide portuguesa proofreading it for me. She had objected to my use of the word “desempacotar” to mean “unpack” in the way that annoying podcasters use that term, but I left it in, and the teacher redlined it too. Whoops!

There were a couple of other points where she disagreed with some of my assertions, some of them fair, some of them frustrating: I don’t really see how I am meant to justify every peripheral observation when the word count is so tiny! I’ll not go into detail here, but in general, I am quite pleased with how well I pulled this off!

Posted in Portuguese

There Goes Another One

Oh! What the hell? I wrote this days ago. Why is it still in my drafts folders. Go, little blog post! Fly! Fly to the inboxes of my subscribers!

Acabo de submeter o segundo “e-Folio” da unidade “Temas de Literatura Portuguesa” e o terceiro do curso. Desta vez, pedi ajuda da minha esposa como corretora de gramática antes de enviar o arquivo porque apesar de usar o FLiP, o Gtranslate e o Gmail* para desenroscar o texto, o e-Folio A ficou com 2 ou 3 errozinhos. Ela concordou apesar de ser exausta após um dia de trabalho porque é um anjo. Encontrou hum… quatro, acho eu.

O assunto desta vez foi desafiante. Tivemos de escolher um livro que contém intermedialidade, ou seja exemplos de influência ou de estrutura de uma outra arte, como por exemplo pintura, cinema ou música. Eu selecionei “A Visão das Plantas” de Djaimilia Pereira de Almeida. O livro tem como ponto de partida um texto histórico de 1923. Ligações com textos funcionam até certo ponto: rigorosamente são exemplos de “intertextualidade” porque a obra de arte em questão também é a literatura, mas há quem afirme que a intertextualidade é um subconjunto da intermedialidade. O segundo exemplo é um capítulo no qual as plantas no jardim olham o protagonista. Eu afirmei que esta cena fosse um exemplo do uso de um segundo ângulo de câmara com, logo a seguir, um “flashback”, ambos truques de realizadores de cinema.

Durante as últimas horas, perdi a minha confiança porque ambos os exemplos pareciam marginais… mas continuei ainda assim e fiz o melhor possível.

O docente do curso avisou-nos que houve uns estudantes que submeteram o e-folio A com evidência de ser escrito por IA. Duvido que eu estou entre os suspeitos, a não ser que existe um IA que especializa em escrever como um estrangeiro confuso. Ah ah!

*If you’re wondering why these three – Flip is a grammar checker for native speakers but a bit weirdly fussy, Gmail – at least the way I set it up – has a very good grammar and spelling checker of its own that is in some ways better than Flip but occasionally gets a bit confused about Brazilian vs Portuguese spelling and Gtranslate is mainly useful because by trying to translate your portuguese back into english you sometimes find mistakes you’ve made.

Posted in Portuguese

A Padeira de Aljubarrota Está de Volta

Sorry, I’ve no idea what anyone reading these updates is making of them: they’re all just formless, unedited brain-dumps of the texts I’ve been reading on the Literature and Culture course unit. I´ve got so used to using this blog as a way of processing and recording things that I´ve lost the ability to just write stuff down in a book.

As I write this, I have just finished sending my first ever essay to the Universidade Aberta. I

Já conheces a Padeira de Aljubarrota, não conheces? Já falei sobre a sua lenda aqui mas faz dezenas de referencias a história por exemplo isto.

Inês de Castro, a senhora mais bela (segundo as lendas escritos por homens) da história de Portugal agora cede lugar a Brites de Almeida que foi (segundo os mesmos homens) a mais feia e a mais sobrededada*. A segunda parte do curso tem a padeira como assunto, portanto dirijo-me para o campo de batalha onde os espanhóis derrotados afastam-se do exercito e correm em direção a um inimigo ainda mais assustador…

Me showing off in other people’s comment section on Instagram. The timeline is off obviously – Brites de Almeida had been in the ground for centuries when the peninsular war happened, but I like the idea that all portuguese bakers follow her example.

Os Livros Populares Portuguezes (Folhas Volantes ou Litteratura de Cordel) – Teófilio Braga

Este texto descreve a origem da tradição de “literatura de cordel” em Portugal e situa um panfleto – “Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” neste tradição.

Literatura de cordel surgiu de tradições mais antigas, satíricas ou religiosas, que foram dramatizados nas cidades, mas o formato dos livrinhos era que deu o nome ao género. Foram impressos em folhas soltas, penduradas em cordéis e vendidas por cegas. Existiam até no século XVI mas algumas leituras foram vítimas dos índices expurgatórios**

Houve um renascimento da literatura popular no século XVIII, fomentando uma ligação entre as várias tradições orais e a imprensa. O “Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” (ou “Forneira” – depende da edição) saiu em 1743 mas encontra-se nos catálogos populares no Porto em meados do século XIX. Segundo o historiador, o autor, Diogo da Costa foi pseudónimo de um professor de gramática, André da Luz

“Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” Diogo da Costa

Segundo a leitura anterior, “é uma relação alambicada e conceituosa” e concordo que a história é tortuosa mas não o achei assim tão sentencioso. Um pouco, sim, mas a narrativa continua em frente come cena após cena de ação. É picaresco e às vezes sangrento. Além dos espanhóis, ela degola um turco (e os filhos dele), fere de morte um homem que quer casar com ela, e mata um bando de ladrões. Estou a esquecer alguém? Sei lá.

O que mais me marcou é que o conto não tem nada de patriotismo no retrato da padeira. No primeiro parágrafo, o autor descreve a terra dela como “a famosa, e sempre leal Cidade de Faro” e salienta as origens humildes de Brites de Almeida. Estes dois elementos podem ser atributos de uma heroína popular, mas as ações dela surgem da amizade aos portugueses, ódio aos criminosos e donos de escravos, proteção da sua propriedade (o forno) mas amor da pátria, nem por isso!

“A Padeira de Aljubarrota: Entre Ontem e Hoje” (Capítulo 4) Cristina Pimenta

Espero que não errei em escrever o título. De acordo com o arquivo, é simplesmente “A Padeira de Aljubarrota” mas fiz uma pesquisa e acho que este é o único livro que ela escreveu.

O livro mostra a evolução ao longo dos anos, desta figura mítica, ela foi adaptado pelos autores de cada época para fortalecer o espírito nacional:

  • Restauração (1640) A evocação da padeira em contextos religiosos e historiográficos deu legitimidade á nova dinastia de Avis.
  • Século XVIII Em tempos de calma, a história foi tratado mais levemente e foram acrescentados mais pormenores à lenda (foi durante este século que foi escrito o antes mencionado “Auto Novo…”).
  • Século XIX Numa era de romantismo e liberalismo a história foi apropriado como símbolo da regeneração nacional após a derrota do Miguelismo*** Também surge como personagem no livro “A Abóbada” de Alexandre Herculano or causa do seu valor simbólico.
  • Século XX Como é óbvio, uma figura tão trabalhadora, valente e simples representa um oportunidade ao Estado Novo que colocou a padeira em selos dedicados á independência da república. Também apareceram versões Salazaristas da lenda, editado pelo Secretariado da Propaganda Nacional. Além dos já existente virtudes, o regime acrescentaram moralidade e defesa da pátria.
Once you know who she is you realise she’s pretty much everywhere in Portuguese humour.

* Not a real word, obvs. I am trying to say she is “over-fingered” because she supposedly had six on each hand

**I should probably do a blog on Censura in Portugal at some point – it’s listed here though if you’re interested.

***I should probably know what this is but I don’t

Posted in English

Academic Yob

I’ve already been gently and politely reminded that I need too adopt a more formal tone in forum postings on the university message boards. Not deliberate of course: I’m absolutely seeing conformity to local norms as part of the process of learning about portuguese culture, but informality and brevity are so ingrained in me it’s going to be hard to remember to write Estimado such-and-such before just launching into whatever thought brought me to the forum in the first place!

Posted in Portuguese

O Curso Está em Curso

Após três semanas de ambientação, temos o plano de aprendizagem. A Unidade Curricular Temas de Literatura Portuguesa já está em andamento, As três obras que iremos estudar são as seguintes:

Já temos o primeiro em casa. O segundo, não temos mas é um conto e existe no Audible E também não possuímos aquele de LJ, mas já conheço a obra dela porque já li “A Costa dos Murmúrios” e “Praça de Londres”.

Uau, 270 páginas, 20 páginas, 350 páginas. Uma verdadeira montanha russa* de leitura! Também existem outros itens na bibliografia incluindo 3 franceses! Eh pá, não estou aqui para ler francês!

Enquanto estava no site da livraria wook, um exemplar desta banda desenhada magnífica caiu no meu cesto por engano. Ups!

*Roller coaster – up, down, up.