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Idiotas Úteis e Inúteis

Idiotas Úteis e Inúteis de Ricardo Araújo Pereira
Idiotas Úteis e Inúteis

Este é o quarto alivro do Ricardo Araújo Pereira que já li. O autor é, sem dúvida, um dos meus autores portugueses preferidos. Ri em voz alta muitas vezes. O livro é composto por vários artigos publicados num jornal brasileiro chamado “Folha de S Paulo”. Fala da nossa história recente: a vida sob a sombra do Trump e do Bolsonaro e o surgimento da pandemia que continua a estragar tudo já mais de um ano depois do lançamento do livro.
Os melhores artigos alimentam o pensamento também, porque o escritor tem um ponto de vista interessante mas, quer tenha algo importante a dizer, quer não, os artigos divertem-me sempre. Li o livro na cama mas não me trouxe um sono tranquilo porque estava a gargalhar tanto.

Idiotas Úteis e Inúteis is available from Bertrand. I don’t see any British shops selling it I’m afraid.

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Politicamente Correcto

Questions posed after a lesson based on this video. Answers in blue.

1-o que achas do politicamente correcto

Acho que o politicamente correcto representa um experimento* que não correu bem. Claro está que existem um monte de palavras feias que as pessoas usam no dia-a-dia, que representam e reforçam modos de pensamento que prejudicam os direitos e o auto-estima de outras pessoas. Ainda pior, pode resultar em violência, contra as mulheres, contra estrangeiros e imigrantes, por exemplo. Vale mesmo a pena para pessoas de boa intenção evitar estas palavras porque não é necessário usá-las quando existem outras palavras melhores. Até certo ponto, politicamente correcto é igual a “ser bem educado”.

Mas claro está que hoje em dia, não é simplesmente uma questão de bom gosto ou respeito. Há quem queira mostrar a sua superioridade ao censurar mais do que qualquer outra pessoa. Vasculham os redes sociais para revelar os pecados dos seus inimigos, ainda que os inimigos são desconhecidos e os pecados imaginários. 

O Ricardo tinha razão quando disse que “a direita rejeita o politicamente correcto porque querem celebrar a estupidez e a esquerda apoiam-na porque querem proibi-lo.” (ou algo do género) mas acho que o problema ultrapassou estas categorias.

*I was told this should be “expressão” or “experiência” but I think either of those would change the meaning of what I was trying to say. That said, it’s possible that what I actually have said doesn’t make sense in portuguese culture.

2-achas que os músicos “sacam” mais gajas que os comediantes

Realmente não faço ideia. Espero que não. Os comediantes merecem mais.

3-qual é a situação das drogas no RU?

Ao contrário de Portugal, não temos uma política de tratar drogas como problema de saúde publica. Ainda é um assunto para a polícia, mas dado que os nossos serviços de polícia não tem orçamento suficiente, uso de drogas está a crescer. 

Além disso, assim como os EUA, queremos afastar o tabagismo da nossa sociedade e substituir o seu lugar de dependência de cannabis. Cá para mim, isso parece um erro. 

4- há temas tabus?

Depende do sítio. Por exemplo, Brexit é um tabu na sala de jantar (sobretudo na casa dos pais porque eles votaram sim) mas nas redes sociais, falo de brexit todos os dias!

5- como era normal antigamente ou no tempo? Faziam queixinhas?

Relacionado com este sujeito de politicamente correcto… não existia, mas a sociedade era  muito, mas mesmo muuuuiiiito mais racista do que hoje. Era uma cena diferente com racismo mais informal ou passivo, mas era por todo o lado (e o eu nos anos 80 não era inocente!). Não era uma cena boa. 

Não quero regressar lá. E pensei nisso quando o Ricardo disse que o politicamente correcto faz os idiotas parecem heróis da liberdade de expressão, mesmo que a “liberdade” que eles apoiam é liberdade de estar voltar ao comportamento ruim de antanho.

6- o que estás a achar?

Gosto bastante

(I actually wrote something else here because I didn’t understand what was being asked but it was just “what do you think of the video as a whole, not relating to the previous question?)

7- o que achas das pessoas que só elas é que podem dizer o que pensam

São hipócritas, sem dúvida. Ainda pior, sempre pensam que as suas opiniões são “factos” e os opiniões dos outros são baseadas em emoção e preconceito.

8- agora há informação sobre mais doenças. O que achas das pessoas que aderem aos produtos por moda, mas não por necessidade

A raiz é sempre vaidade ou sede de atenção.

9- o que achas das pessoas que criticam e julgam certos assuntos e situações só por não gostarem de algo

O que acho? Eu sou uma pessoa dessas! 

10- o que pensas das expressões usadas

Gostei da expressão “Benfica é merda” logo no final!

Obviously not what was being asked, but…

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Gente Que Não Sabe Estar

Another of those lessons I mentioned a couple of posts ago: we went through an episode of “Gente Que não Sabe Estar”, which is a sort of portuguese version of those american late night satire shows fronted by Stephen Colbert or Jimmy Kimmel or Seth whatsisface. In this case, it’s Ricardo Araújo Pereira, who has the requisite mixture of humour and ability to look credible in a suit. This is a challenging lesson for me because aside from the usual problems of trying to follow rapid-fiire portuguese, I have very little clue about who is who and what the hell it’s all about so I have had to do quite a lot of research. Here are some pointers, some from my teacher and some cribbed from Wikipedia and elsewhere

Joe Berardo (the creepy-looking dude in black, flanked by two very overworked lawyers) is a businessman who is somehow mixed up in a scandal regarding the recapitalisation of the Caixa Geral de Depósitos when it got in trouble a few years after the 2008 crash. It emerged that he had 980 million euros in debt to the bank and refused to pay interest because er… it would cause some sort of unspecified harm. He was fished out and dragged in front of the Comissão Parlamentar de Inquérito, and that’s what the footage is in the show. It’s a strange mixture of careful distancing of himself from the scene of the action and ridiculous failure to read the room. “This is costing the people a lot of money” / “Not me though!” being just one example.

Right at the start there’s a missed pun opportunity owing to this being in Portguese and not english, so “Bearardo” does not happen.

“Se queres ajudar um homem não lhe dês o peixe” at around 1:25 is the first half of the portuguese equivalent of the old saying “give a man a fish and he’ll eat for a day, teach him to fish and he’ll eat for life”

“pipa de massa” = “a load of dough”, where dough is money, just like in an old american gangster movie

“Os juros” = interest

“as dívidas” = debts

“As ações” = stocks and shares

“Os títulos” = share certificates

“a garantia” = collateral

Floribella is a sort of soap opera about a young singer. Lots of bright colours and shonky acting, but it has heart. I skimmed through the pilot (below) and was sort of fascinated by the spectacle of someone speaking portuguese with a strong german accent. I thought she was spanish at first but her name’s Helga Schneider apparently. The theme is “não tenho nada mas tenho tenho tudo” ( don’t have anything but I have everything), which as he says, is an astute allegory about high finance.

I thought the “coleção” was a charitable institution that collects money for good causes but it turns out, no, it’s an actual collection of artworks and he’s a bit confused about whether he owns it or the foundation he runs owns it. Hence the hand-waving from the lawyer. He also seems to have given share certificates as securities for the loan, but they are valueless because the paintings can’t be sold without his permission… oh god, my brain is starting to hurt.

There’s an analogy with “monopólio” (Monopoly, the game) around 11.00-11.30 just before the magic trick with the cups.

Spooky bit at 20:30. Where did the lady in the light jacket go after disappearing behind Margarida Mano?

“Comer” in the context of the bit about Rui Rio at around  21:35 means “shag”. He’s not talking about cannibalism.

 

Postscript. Apparently my wife met Berardo when she was young in Funchal and is far from impressed with him as a human being.

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Reaccionário Com Dois Cês

36468299Este livro é o segundo deste autor que já li. Gostei bastante! Consiste num serie de artigos, publicados inicialmente na revista Visão. São muito engraçados. Soltei gargalhadas durante quase todos. Além disso, os artigos frequentemente têm temas sérios, relacionados com as notícias da época em que foram escritos. Há poucos comediantes que conseguem escrever opiniões assim, e dar um resumo duma situação, com humor e, quando é necessário, força.