O terceiro capítulo do meu livro é o meu favorito até agora. É um discurso sobre línguas e as suas ligações aos conceitos de identidade nacional e fraternidade entre países. Faz referência ao “imperialismo linguístico” de Vladimir Putin e as tácticas de ditadores de todas as épocas, em que a língua nativa do povo subjugado se esconde, ou ainda melhor se elimina da escola e da praça pública para que possam arrasar o espírito das pessoas. Também se trata da topografia das línguas que surgiram da raiz latina na Europa, evoluíram por percursos diferentes, e escolheram as suas próprias ortografias. O alvo do autor, digamos assim, é o Acordo Ortográfico, que tem o objectivo de apagar as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu (ou seja entre as formas escritas), de maneira a apagarem pequenas diferenças que uma grande parte do povo do país mais pequeno considera muito importante para a sua auto-estima. Portanto, tem-se encontrado uma resistência teimosa por pessoas que se sentem ameaçadas por uma cultura mais poderosa.
O capítulo é muito interessante e alimenta mesmo a reflexão. Além disso*, é escrito num estilo muito nítido. Apesar da complexidade do assunto, até um estudante de Português, tal como eu, poderá entender.
Thanks to Sofia and Carla for the corrections
*=I wrote “ainda por cima” which means the same kind of thing but it’s more negative. This bad thing happened and ainda por cima this even worse thing happened as opposed to “além disso”: I baked a cake and além diddo I made biscuits too


#uncorrectedportugueseklaxon
Este livro é o terceiro que já li do mesmo autor. Adorei os dois primeiros mas este é um livro infantil e um livro infantil é uma cena completamente diferente do que um livro para adultos. Confesso que o livro não funciona para mim. Faz-me lembrar um comediante inglês chato .
Ouvi falar deste livro através dum canal de Booktube. Conta a história de dois homens – o Daniel e o Ricardo e um terceiro, o narrador. Ou seja, trata-se da vida do narrador e a sua relação com estes dois indivíduos. Os dois têm fundos e vidas muito diferentes, e acho que o narrador está à procura das causas da diferença. Pergunta-se, se fizesse algumas coisas diferentes, se as vidas dos amigos teriam sido melhores. A acção desenrola-se no Portugal de hoje, e os três sentem os efeitos do clima económica e social.
Não costumo ler livros brasileiros por causa das diferenças da gramática e vocabulário, mas tenho ouvido apenas boas coisas sobre essa escritora, e estamos no mês do dia internacional da mulher (os meus amigos do booktube chamam-no “Marco Feminino”) e por isso, pensei, “porque não ler alguma coisa diferente?”
O que mais me impressionou deste livro foi a maneira como o escritor comunica ideias bastante interessantes e complexas nitidamente, sem precisar de frases inchadas com palavras compridas. Eu, como estrangeiro, quase nunca tive de abrir o dicionário, mas apesar disso nunca houve nenhum capítulo aborrecido ou simples de mais.