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Homens imprudentemente Poéticos – Valter Hugo Mãe

Mais um livro difícil. O meu pobre cérebro! Mas gostei muito deste livro apesar do esforço. Conta a história de dois japoneses, um oleiro e um artesão que faz leques. São vizinhos e tornam-se inimigos por causa duma previsão. Há elementos mágicos no enredo: fantasmas, ilusões, adivinhação. A cena mais impressionante (para mim) desenrola-se no fundo dum poço, onde um dos protagonistas passa uma semana acompanhado por uma fera desconhecida.

Enfim, adorei mas acho que preciso de alguma coisa mais fácil depois disto!

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Cinco Mil Quilómetros por Segundo

Esta banda desenhada conta a história de três adolescentes italianos: dois rapazes e uma rapariga. Tem um bom aspecto: a arte é bonita, mas infelizmente as personagens são desenhadas numa maneira inconsistente, portanto às vezes é difícil distinguir as pessoas. E é isso mesmo que é o maior problema do livro: a história não compriu a promessa feita pelas imagens. É belo, mas a história nem me agarrou assim tanto. É confuso e, não havia uma narrativa interessante. As personagens também, para mim, são aborrecidas. Enfim, soltei um grande “meh”.

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Brevíssima História de Portugal – A. H. de Oliveira Marques

Li este livro durante um projecto que estou a fazer sobre a história portuguesa. Lê-se muito bem, e traz pormenores suficientes para um iniciante, tal como eu, e vamos ser honestos: escrever a história dum país inteiro de modo interessante e informativo ao mesmo tempo não é nada fácil! Dá para entender os factos básicos, e colorir a imagem preta e branca que eu obtive do livro escolar que li recentemente.

Como já disse (ontem, na opinião de “É de Noite que Faço as Perguntas”) o projecto está a ajudar-me entender a cronologia do país. Ajudou-me arrumar os factos que já sabia num ordem, ou seja, atou-os num fio: as batalhas, os reis, o terremoto, os motivos pela revolução dos cravos. Compreendi melhor o enredo da banda desenhada sobre a primeira republica, e a placa que já vi no Porto em Março, que comemora a perseguição do MUD.

Claro, existem ainda muitas, mas mesmo muitas coisas que não sei mas acho que vou parar, ou pelo menos fazer uma pausa porque não estou pronto para mergulhar-me dentro dos pormenores do declínio do império, o desenvolvimento de socialismo ou o pequeno almoço preferido do Infante Dom Henrique. Se calhar, no ano seguinte…

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É de Noite que Faço as Perguntas

12680196Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
O livro foi publicado para comemorar o centenário da república. Os autores defendem as realizações da primeira experiência de democracia, por mais imperfeito que fosse, para apagar a mancha de analfabetismo e modernizar o país.
A historia é contada pela voz dum homem que vive durante o estado novo. Está a escrever uma carta ao seu filho, que descreve a sua vida como criança logo no inicio da primeira república portuguesa, nos anos antes e durante a grande guerra e, logo depois, anos turbulentos nos quais o poder mexeu-se de uma extremidade para a outra numa serie de golpes e revoluções e a sombra de autoritarismo aproximava-se a pouco e pouco.

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Rosa, Minha Irmã Rosa(Alice Vieira) – Opinião

notebook_image_989044Já li dois livros da mesma autora e este terceiro também é muito divertido. A protagonista é uma menina que tem 9 anos. Mora com a família e tem uma nova irmã. Apesar do título, uma grande parte da história trata das suas duas avós (das quais apenas uma ainda está viva), e as vidas duras delas quando eram novas. Um homem que mora lá na rua ficou preso antes da revolução (o livro foi escrito em. 1980). A história da família espelha a história recente do país. E a bebé? A narradora não se dá com ela no início mas ao longo dos meses, ela aprende, pouco a pouco, aceitar e amar a sua irmã.
É um livro juvenil, claro, mas Alice Vieira escreve tão bem que um adulto pode gostar também.

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É Tudo Uma Questão de Tempo – José Jorge Letria

47586435_756354014698324_6635581299585187840_nMais uma tentativa de apreciar a poesia portuguesa… Gosto muito de José Jorge Letria desde ouvi um poema dele num podcast. Foi a primeira vez (e continua a ser quase a única vez!) que gostei de um poema português. Lamento que ainda falte paciência para ler poesia em qualquer língua, e o problema fica ainda pior quando tenho de alcançar o dicionário a cada 4 linhas! Mas de vez em quando uma luz penetra a escuridão da minha ignorância e consigo ver a beleza da escrita. Às vezes reli os poemas mais de uma vez para aumentar a experiência.

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A Resistência (Julián Fuks) Opinião


Costumo evitar livros brasileiros, porque estou a aprender português europeu mas recentemente ouvi falar deste livro, escrito por um grande critico do fascista Bolsonaro. O chefe de ficção duma livraria famosa aqui em Londres recomendou a edição inglês que saiu neste ano. Fiquei interessado. Lamento que não gostei tanto quanto esperava. O autor dá um retrato da sua vida familiar e tenta desemaranhar o enigma do seu irmão adoptado. Este retrato estende-se ao longo de 47 capítulos, cada um de duas ou três páginas. É fácil ler estes episódios sem grande esforço apesar da dificuldade do vocabulário. mas não realmente senti que as partes fusionaram-se a uma historia completa. O enredo passa-se na Argentina e no Brasil, e há um plano de fundo de violência e ditadura mas isso não tem muito efeito na narrativa, com exceção duma vez em que o autor compara o seu irmão incognoscível ao neto de uma mulher argentina que foi desaparecido.
Devo admitir que, como sempre, vejo “apenas um reflexo obscuro como num espelho” porque o nível de português é muito alto, e talvez eu cometa uma grande injustiça. O livro é bem premiado mas para mim, apesar de querer gostá-lo, senti pouco.

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Reaccionário Com Dois Cês

36468299Este livro é o segundo deste autor que já li. Gostei bastante! Consiste num serie de artigos, publicados inicialmente na revista Visão. São muito engraçados. Soltei gargalhadas durante quase todos. Além disso, os artigos frequentemente têm temas sérios, relacionados com as notícias da época em que foram escritos. Há poucos comediantes que conseguem escrever opiniões assim, e dar um resumo duma situação, com humor e, quando é necessário, força.

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Salazar – Agora, na Hora da Sua Morte

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Este livro é uma biografia de Salazar. O ditador outrora de Portugal está perto da morte, a assistir a sua própria vida que desenrola-se como um filme ou um sonho.

Adoro a atmosfera alucinatória das imagens, que combinam desenhos, propaganda da ditadura e fotografias, mas fico frustrado por não saber o suficiente sobre a sua carreira para ser capaz de distinguir ficção de facto, sonho de realidade, biografia de opinião política. Porém, acabei com a ideia que os autores acreditam que o ditador tinha altos ideais para fazer crescer a economia do país e melhorar a alma do povo, mas sob a superfície era tudo apodrecimento, violência e receio. O capítulo mais poderoso, na minha opinião, trata d'”A Lição de Salazar”, a série de 7 cartazes ilustrando as valores do novo estado tal como a vida bucólica, comunidade, poder militar, respeito pelas autoridades. Depois de cada cartaz, os personagens da imagem mudam, tornam-se mais sombrios. O pai da família ideal torna-se ameaçador e bate a mãe, enquanto as crianças encolhem-se nas cadeiras. Entretanto, na casa do povo, homens discutem opressão até às polícias chegarem. A contraste entre a retórica e a realidade está muito bem feito.

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O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado

32734503.jpg“O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” é um livro infantil, escrito por Jorge Amado, um brasileiro, com ilustrações de um outro brasileiro – Carybé. Conta uma “história dentro duma história”. A Manhã conta ao Tempo uma história sobre os dois animais para ganhar uma rosa azul e “fazer menos pesada a eternidade”. A história trata-se num parque onde um gato malhado aterroriza todos os animais com exceção duma andorinha. Apaixona-se por este pássaro mas é “o amor que não ousa miar o seu nome”, digamos assim, porque um gato não pode casar-se com uma andorinha, nem sequer num livro infantil. Os capítulos são estações do ano, com divagações do autor nos vazios entre capítulos.

As ilustrações são encantadoras e fazem-me lembrar “O Principezinho”. Na ultima página até há um desenho duma cobra a devorar um mamífero dalgum tipo, que é obviamente reminiscente da imagem mais conhecida daquele livro.

Apesar de ser um livro infantil, há muito vocabulário desconhecido. Não sei se isso é porque é velho, mas “O Banqueiro Anarquista” é ainda mais velho, mas achei-o mais fácil. Talvez seja por causa do país de origem… Enfim, o livro é giro apesar do facto que precisei dum dicionário ao pé de mim.


Thanks are due to H Lewis (not, I assume, the editor of the New Statesman) who corrected this. It was corrected very Brazilianly so I have had to decide which changes to retain and which not. I hope the result is more-or-less correct.