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Curaçau & Papiamento

Confesso que não sabia nada da ilha de Curaçau, mas achava que, tendo uma cedilha no seu nome, seria um vizinho do Brasil e uma ex-colónia do império português. Mas apareceu no app Worldle há dois dias e… Uau, que surpresa linguística!

O brasão da Curaçau.

“Mi país, mi orguyo” cheira a espanhol, ainda que não seja: os espanhóis escrevem “orgulho” como “orgullo”, porque odeiam o “H”. E… Kòrsou??? O ò nem sequer existe no teclado português!!!

Pedi ajuda ao professor Wikipedia. A ilha fica perto da Venezuela e os aruaques nativos viram* a passagem assistiram às idas e vindas** de todos os impérios europeus ao longo dos anos. Os portugueses baptizaram-na*** como Curaçao (de “curar”**** porque os marinheiros doentes foram deixados na ilha para recuperar) mas os espanhóis também a visitaram a caminho de quem sabe onde. Mais tarde, a ilha mudou de mão entre os neerlandeses, os britânicos e os franceses. Hoje em dia, a influência mais forte é a dos Países Baixos, e a língua falada lá e nas ilhas vizinhas (Aruba e Bonaire, daí a designação “Ilhas ABC”) é um crioulo chamado Papiamento, de base luso-espanhol com muitas palavras neerlandesas.

*messed this one the first time. I would sincerely like to travel back in time, find the man (it must have been a man, and I bet he had a beard) who invented the conjugations of ver and vir, and nail him to a tree.

**even with the corrected error, the crossed-out passage still isn’t great so this bold text was suggested as an improvement.

***one of those words I know when reading but seldom remember when writing or speaking: batizar in place of “dar nome a” or “nomear”, is more common in Portuguese than baptise is in English, maybe because of  differing religious histories or maybe just because it sounds better.

****Don’t read too much into this though. Is there actually a word “Curaçau” or perhaps in more modern orthography “Curação” meaning an act or effect of healing? No. No, these is not: that would be “Cura”. “Curaçãu” does exist as a word in Priberam, but it only refers to the orange liqueur of that name, which comes from the island.

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You Know… For Kids.

Uma amiga minha respondeu à minha história sobre as notificações da Mia, e perguntou-me “Será que ela ensina português às crianças?”

Ela vive aqui no RU. É casada com mais um tuga e os dois têm um filho de… Sei lá… 6 anos? 7? Não tenho a certeza. Ele fala português em casa mas na escola e com os seus amigos está tudo inglês, portanto os pais querem contratar um(a) professor(a) para aperfeiçoar o seu domínio da língua.

Já conheço dezenas de professores de português língua estrangeira, e no início sugeri que ela entre em espaços online* e pergunte quais professores sabem lidar com meninos, ou pergunte a outros portugueses o que é que eles fazem.

Mas cheguei à conclusão que isso não daria. Acho que o estilo de aprendizagem é muito diferente entre uma criança lusófona e um “ex-pat” que mora no Algarve. Não sou especialista mas deve ser um processo muito diferente não deve?

Blimey, Open AI made an image that wasn’t terrifying. Oh wait, that girl’s got an extra finger on her right hand though, hasn’t she? Oh right, well, never mind then.

Após algum pensamento, recomendei que ela experimente o preply. Preply é uma aplicação especializado em fornecer professores de todas as disciplinas escolares, incluindo português. Experimentei o site e havia opções para quem quer escolher um professor português, brasileiro ou moçambicano, o nível de domínio atual do aluno e o dia preferido da semana. Também experimentei o MyTutor mas gostei menos. Há menos opções, e é óbvio que está orientado para estudantes dos exames GCSE e A-Level, o que significa que os preços são bastante elevados (3 vezes mais do que a taxa de aprendizagem de português língua estrangeira)

Também sei que o Instituto Camões IC tem um programa que “(está) em condições de oferecer aulas de Ensino a Distância (online) a alunos que vivem a cerca de 70/80 km de um curso presencial“. Não faço a mínima ideia por que carga de água a distância do centro importa quando as aulas decorrem Online, mas é assim. Existem centros por todo o lado; dezenas em Londres e os seus arredores, e outros em Cambridge, Manchester, Southampton e vários outros lugares.

*slightly horrid and literal translation of an English phrase Online Spaces but does seem to exist in the wild – here for example. How else could I have said this? Redes sociais? It’s not really quite that though, is it, it’s specific parts of specific redes sociais… I’m sure there’s a more natural way but… (makes despairing hand gestures)

Thanks for the corrections to out to Cristina of Say It In Portuguese who (as, far as I know), doesn’t teach children, but is very good at teaching former children, of which I am one.

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Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa

This is a corrected version of the text from some Instagram posts from Friday

“Matei aulas*” para assistir aos primeiros dois discursos da Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa que teve lugar na sede do Facebook em Londres. Foi um evento muito descontraído, e gostei muito de ouvir as suas experiências como escritores lusófonos, muitos dos quais vivem aqui no Reino Unido. Falei com muitos convidados: escritores de… hum… quatro países, e um inglês casado com uma brasileira que também fala português.

Apenas uma pessoa falou comigo em inglês mas houve várias que se ofereceram, antes de eu ter explicado que sou dinamarquês e não falo uma única palavra daquele idioma.

Sendo pai de uma escritora novata, estava disposto a comprar livros de outros escritores independentes e auto-publicados. E sendo estudante de português, também me senti disposto a comprar qualquer coisa de alguém que elogiasse o meu domínio da língua 😉 Consequentemente, gastei muito dinheiro em livros novos. A minha pobre TBR.

Saí do prédio antes de publicar esta série de fotos porque receei ser preso pela polícia Zuckerberguista por ter divulgado a palavra-passe da sua rede Wi-Fi

Balanço do dia

Estou muito curioso sobre “E O Céu Mudou de Cor” de Israel Campos (🇦🇴) porque o resumo na contracapa soa interessante, e depois de comprar, assisti a um painel em que o autor participava com mais 3 escritores e escritoras e pareceu-me muito simpático.

Penina L Baltrusch (🇧🇷) é uma autora de políciais. Comprei o “Herança de Sangue” (o seu primeiro, se não me engano). Tem o Big Ben na capa porque tem Londres como cenário. ‘tá bem, estou aqui com as pipocas.

Lorena Portela (🇧🇷) estava a vender o seu romance de estreia, “Primeiro eu Tive que Morrer”, que é «um inventário da autodescoberta de uma mulher». Acho que não faço parte do mercado-alvo deste livro, mas não me importa, apetecia-me e não preciso de mais razões!

“Phobos” de Cláudia Matosa (🇵🇹) é o único livro em inglês e… Eh pá, acabo de dar uma espreitadela à primeira página: é contado na segunda pessoa! Um modo muito incomum (a não ser que o autor seja o Mohsin Hamid) Não estava à procura de livros ingleses mas gostei da capa 🤷🏼

E o último livro é o “Livre de ser Preso” de Alcino G. Francisco (🇵🇹). Segundo a sua biografia na contracapa, este autor está muito ativo no intercâmbio cultural entre os nossos países, e este livro foi lançado no 50° aniversário do 25 de Abril e conta a história do tráfico de livros proibidos durante a época de Salazar.

Além destes cinco livros, também falei com a autora Isabel Mateus (🇵🇹), cujo leque de publicações inclui um relato de uma viagem seguindo os passos de Miguel Torga, entre vários outros. Não tinha livros para vender mas após a feira encomendei um livro sobre um Lince Ibérico e uma antologia de contos rurais. Achei que ambos seriam interessantes e também fariam parte dos meus estudos porque a conservação de animais selvagens, e as tradições do país fornecem conteúdos dos exames da língua portuguesa.

*Leaving this in even though it’s brazilian. I just like it. Weirdly, the person who taught it to me was very hostile not only to brazilian portuguese but to all brazilians, so you could have knocked me down with a feather when I heard she’d taught me a brazilian expression. Oh well, people are weird sometimes.