A Noite é o… Hum… Sétimo Livro de Saramago que já li, mas é diferente dos outros porque é uma peça de teatro. A ação passa-se no escritório da redação do Jornal de Lisboa nos anos setenta. Durante o primeiro ato, conhecemos as personagens, os seus cargos na empresa e as suas atitudes face ao governo de Marcelo Caetano. Um rádio está a tocar em* pano de fundo. Após algum tempo ouvimos “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, e começamos a perceber (se ainda não soubéssemos) em que noite especifica a peça é passa-se. Mais tarde ainda, a abertura do “Grândola Vila Morena” toca, o que causa o editor do turno de noite gritar “Desliga-me isso” e as luzes apagam-se, deixando o palco na escuridão.
No segundo ato, os jornalistas ouvem os boatos da revolução que está em curso, e tentam averiguar os factos. Uma clivagem abre-se entre os apoiantes do regime (principalmente os gestores, o editor e o diretor) e os socialistas (os trabalhadores na sala de impressão**, alguns jornalistas) que vêem com entusiasmo a ditadura a chegar ao fim.
O caos daquela noite é muito bem ilustrado, e o autor também retrata as divisões no país daquela época pelo exemplo de uma empresa cuja estrutura espelha a estrutura da sociedade. Para mim, o pior do livro é o desfecho: achei o coro de vozes demasiado óbvio, como se fosse uma propaganda, mas suponho que, da perspetiva de 1979 (quando a peça se estreou) era importante defender a liberdade, contra quem ainda tinha saudades da PIDE, e talvez seja por isso que às últimas 2 páginas da peça faltam uma certa sutileza visto por gente moderna!
O autor e poeta Nuno Júdice faleceu há pouco. Já li um livro dele, mas foi um livro de poesia e basicamente a minha perspetiva no mundo da poesia é barbárica, até no meu próprio idioma, portanto decidi comprar um romance dele. E que romance desafiante! Fui em busca de opiniões de outros leitores e encontrei um ensaio escrito por um académico da Universidade Católica de Portugal, que fala da “intertextualidade com alguns textos de Guerra Junqueiro ou O Marinheiro de Fernando Pessoa” e logo percebi que este texto podia estar fora do meu alcance!
Mas segui em frente e li o livro e gostei, apesar de tudo. Lembrou-me d’À Espera de Godot de Samuel Beckett, tendo como protagonistas duas pessoas num sítio irreal, com poucas outras pessoas. Falam de coisas que nem sempre fazem sentido: um caixão que talvez contenha armas, escondidas sob um cadáver que talvez seja também a pátria… Os dois têm um diálogo que anda em rodapés, tendo como assunto o seu passado na clandestinidade e a traição por sabe-se lá quem. Criticam o declínio do país e a desilusão das esperanças dos revolucionários do passado, e julgam que o Portugal de hoje, com os seus laços com a UE e as suas modernices é pouco melhor do que o Estado Novo, mas a atmosfera é tão absurda que é difícil (ou pelo menos eu acho difícil) entender o que o autor queria transmitir.
Nota-se que o ensaio fala da “geração de 70”, o que eu assumi significa “a geração que participou na revolução”. Mas enganei-me: A geração de 70 foi um movimento da década de 70 do século XIX. Pois… mais um assunto de mais uma pesquisa de mais um dia… Mas isto tudo alimentou o sentimento de estar perante uma obra cuja profundidade* não sou capaz de explorar!
*Depth, not depths. I translated too literally from english.
Este livro tem uma capa bonita mas não julgamos um livro pela capa. Felizmente a história também vale mesmo a pena.
Não é uma história com um único protagonista. Há várias personagens que têm as suas próprias vidas e os seus próprios segredos, mas acho que o enredo centra-se* no pai da Catalina, cuja fuga da cadeia suscita a questão de se é** culpado ou inocente.
Mas o maior segredo de todos é este: de vez em quando, a narração passa para a primeira pessoa mas os protagonistas não interagem com quem está a falar, fazendo-nos*** perguntar, quem está a narrar isto tudo? O mistério desvenda-se ao longo do tempo, caso não tenhamos já adivinhado.
Lê-se bem, e até me fez rir. A minha única queixa é que queria ter lido o primeiro livro da série. Ouvi dizer que não era necessário lê-los em sequência mas há muitas referências aos acontecimentos do Onde Cantam os Grilos e acho que perdi algo por não conhecer as personagens antes de ler este segundo volume.
*gira à volta (revolves around) would have worked too, and is quite common, but some pedantic types might object to it being a tautology.
**Writing a stern note to myself because I wrote “for” here, instead of é. The “se” and the whole way it is joined onto the rest of the sentence seems to be setting it up for a subjunctive (future or maybe imperfect), which is what I thought, but I was wrong, because it isn’t setting up a hypothetical situation. If it was like “se for culpado, irá para a cadeia”, it would be subjunctive, but not here. Super-tricky, that one, at least for my way of thinking…
***I think strictly speaking there should be an extra “nos” here – Making us ask ourselves – but it sounds clunky and sometimes it’s better to be ungrammatical and soung good than be super’accurate and sound like a dork.
Estou cada vez mais impressionado com esta série de livrinhos. Uma Aventura nas Férias de Páscoa conta a história dos nossos heróis a resgatar a Custódia de Belém, que foi roubada durante um nevão que aconteceu, inesperadamente, perto da Páscoa.
As autoras têm um feitio didático, portanto usam o romance para educar os leitores sobre as histórias da Custódia de Belém e o seu criador, os moinhos de maré no concelho de Seixal (na margem sul do rio Tejo) e não sei mais o quê.
Logo que terminei, abri a página do Kobo para comprar Uma Aventura na Ilha de Madeira.
Ando a ler 872 livros em simultâneo mas comecei ontem “O Que Dizer Das Flores” de Maria Isaac que tem uma capa bonita. Existe um vídeo no YouTube no qual a autora lê o seu primeiro capítulo. Confesso que não entendi tudo apesar de ouvir três vezes, mas não fiquei desencorajado. Li o capítulo com os meus olhos, segundo a vontade de Deus. Gostei imenso, e li-o mais uma vez, sublinhando as palavras desconhecidas e as palavras que conheço mas que não fazem parte do meu vocabulário falado.
Tenho muita vontade de ler este livro. Além de ser interessante (até agora!) é desafiante. Acho que me vai desafiar, mas não é tão difícil que me vá chatear a cabeça.
Eis um resumo do capítulo que usa o maior número possível de palavras que me chamaram a atenção.
O capítulo apresenta um padre chamado Elias Froes, que vive em Monte-o-Ver, um vilarejo pequeno e parado, povoado por “ilustres atrapalhadas” e enjeitados incluindo os membros do seu rebanho. Apesar de estarem ocupados com cochichos e pequenos dramas, mantém-se otimistas. Por exemplo, um tal cantoneiro tenta fazer o melhor com o que lhe sobra nesta esquina esquecida do país. Esmera-se no seu trabalho e acaricia as árvores. Como pano de fundo, a autora descreve uma paisagem montanhosa, com campos de arroz alagados e canaviais.
O padre, um homem bondoso, desloca-se para a igreja. Enquanto anda pelo caminho uma aura de pó embranquece a bainha da batina.
Cruza-se com uma criança empoleirada num murro. Debaixo da aba do seu chapéu de palha, cumprimenta-a como Catalina. Ela está resguardada pela folhagem do castanheiro e olha para o padre de soslaio. Tem o pato de estimação ao pé dela.
O padre pisa nos paralelos* da praça do município na hora de fechar**. Os lojistas saúdam-no enquanto rodam a sinalética nos vidros. Devolve-lhes os cumprimentos. A única exceção é o dono do Café Central, Jorge Mondego, um homem pouco simpático, nascido entre as barracas dos baldios longe do canavial, que levanta a mão num gesto ambíguo, ao qual o padre responde à cautela para não o incomodar.
Mas o padre tem um segredo. Irá morrer. Claro que todos nós esticamos o pernil no final de contas mas o padre tem os pés para a cova: leva no bolso um parecer médico que oficializa o destino.
“O rodar de sinalética” confused me but I’m pretty sure it means this. The rotation of signage. Everyone is busy shutting up shop and turning their signs round.
*The word paralelepípedo means cuboid, like the shape of a brick, and an individual brick is called a paralelos, so this just means he’s set foot on the pavement which is made of these rectangular bricks.
**I originally put “hora de fechamento” and that seems fine in Brazil but not in Portugal.
“O Que Dizer Das Flores” is a standalone, but I’m told a earlier book, “Onde Cantam os Grilos” has some of the same characters, and so does a later work, Quantos Ventos na Terra, so if you are the sort of person who likes everything to be part of a trilogy, be aware that this is the middle book, and you don’t want to start here!
Mais uma vez, virei a última página de um livro e pensei “Quem me dera ter desenhado uma árvore genealógica daquelas personagens” porque confesso que perdi o fio à meada muitas vezes e por isso não gostei da leitura tanto quanto os portugueses que lhe deram 4 ou cinco estrelas no Goodreads.
Alice Vieira escreve muito bem, e geralmente os livros dela são muito acessíveis. Talvez fosse por causa disso que não comecei com a devida cautela! Geralmente com tantos protagonistas eu pego num lápis e faço um diagrama das ligações entre eles*.
“Se Perguntarem Por Mim Digam Que Voei” conta a história de várias mulheres que moram numa aldeia provinciana, que têm os seus próprios sonhos mas que vivem num ambiente opressivo. Existem alguns homens, mas assumem um papel menor. Também há um cheiro a bruxaria mas fiquei tão confuso que nem sequer tenho certeza de se magia existe no mundo do livro ou se era apenas uma expressão da imaginação delas. Eu sei, sou idiota.
Enfim, não faz mal. Talvez volte a lê-lo um dia.
*I originally made this feminine: tantas … elas, because the true protagonists of this are all wammens, but I suppose since it’s talking about books in general, and most books will have da mens in it, I ought to make it masculine again
Finalmente acabei de ler este calhamaço de 666 páginas! É um thriller que tem lugar em Portugal e nos Estados Unidos, entre 1986 e 2017. Como a maior parte dos thrillers, este é de leitura fácil, com poucas palavras difíceis, e um leitor não-nativo não se perderá num labarinto de cláusulas. O enredo também é simples. Mas… Ora bem, é simples mas não tem pés nem cabeça. Claro que muitos thrillers e policiais têm enredos rebuscados mas suspendemos a nossa incredulidade com a ajuda do autor. Se a bolha de confiança rebenta, está tudo perdido. Para mim, esta bolha rebentou com dez milhares de agulhas.
Por exemplo (aviso: a partir daqui, haverá spoilers):
Não acredito por um instante que a Levi* ficasse presa, apesar da sua confissão. Ela era uma adolescente que tinha sido drogada por alguém e que não tinha memória das suas ações. As pistas (o sangue, a sua altura não ser suficiente) indicam que não podia ter cometido o crime, e havia um segundo assassínio na mesma noite, aparentemente cometido pela vítima dela. Não serão estes indicadores de que há algo mais complicado em causa? E a família é rica; recuso-me a acreditar que não conseguiram contratar um advogado capaz de lidar com este cenário ridiculo.
O enredo depende de muitas pessoas não serem capaz de identificar os seus próprios familiares. As duas vítimas não são quem toda a gente acham que sejam, ainda que a filha de uma tivesse confirmado e (presumo) o médico legista tivesse examinado a outra. Que raios?
Há duas pessoas que sabem bem que a Levi é inocente, porque ambos sabem o que o pai planeara, mas nem uma das duas interveio, apesar de ambas terem motivos para a ajudar. Uma dessas pessoas (Chefe Ditmas) explica a sua motivação, mas não é psicologicamente satisfatória. Tens uma obrigação para o teu amigo morto, pá, mas não te importas se a filha dele for para a cadeia durante 8 anos? És burro? E a segunda pessoa é o namorado dela, que preferia deixar a sua namorada inocente na cadeia como um bode expiatório em vez de confessar as suas próprias ações na noite em questão. Que cobardia. E após passar tanto tempo na cadeia por culpa dele ela fica com o mesmo gajo? É a personagem mais parva de sempre!
Afinal, a prova da falta de confiança, por parte do autor, no seu enredo é que nem a Levi, nem o seu namorado, que matou o pai dela, têm mais do que uma mão cheia de diálogo. Claro que o Tordo sabe bem que, se explicassem as suas motivações ao narrador no último capítulo, o leitor veria nitidamente quão absurdo era o que acabaram de ler.
(Mas tem 4.2 estrelas no Goodreads. Talvez seja eu a única pessoa que tem esta opinião negativa 🤷🏼)
*Not a mistake. Levi is female even though it’s more typically a boys name.
Thanks as ever to Cristina for splatting my errors.
And also thanks to the publisher, Companhia das Letras, for leaving a couple of typos in the text for us to find. I always love finding these because it makes me feel like an expert. Here’s one.
In the unlikely evebt that you still want to read the thing after reading my hatchet job, you can score a copy from Wook.
Já li três romances desta autora mas este livro é um diário no qual ela fala do seu confinamento em casa e dos seus pensamentos e leituras durante a época mais escura da nossa história recente. Gostei menos deste do que da sua ficção (principalmente “A Visão das Plantas” que foi um dos meus livros favoritos do ano 2023) e, com o conjunto de fotos aborrecidas tiradas pelo conjuge dela, a preto e branco, senti-me ligeiramente deprimido quando virei a última página.
Para ser justo, não estou no melhor estado do espírito, atualmente, para digerir ensaios sobre assuntos pesados, e talvez o tenha julgado mais severamente do que era preciso, mas sinto o que sinto, e não gostei deste livro como dos outros…
Li uma conversa no Reddit sobre os melhores álbuns de Rock portugueses. O “OP” (a pessoa que fez a pergunta, na lengalenga daquele site) colocou esta colagem no topo do texto para ilustrar alguns candidatos. Muitos escolheram opções da lista, mas outros sugeriram outros discos. Gosto de encontrar novas bandas, portanto decidi ouvi-las todas para avaliar quais são os diamantes entre os calhaus*. Além de quanta loiça é que partem, vou dar uma avaliação sobre quão fácil é cada um para um estrangeiro ouvir as letras. Somos estudantes, não é, portanto isso importa muito!
Censurados – Censurados
Este disco lembrou-me da obra dos Stiff Little Fingers. O ritmo da música é rápido e agressivo, como nos primeiros anos do movimento Punk. Foi lançado em 1990, quando aquele género de música estava prestes a fazer um ressurgimento com bandas como os Green Day, os Offspring e os Blink-182 a nascer nas vésperas da década de 1980 e os primeiros anos da década de 1990. As canções são interessantes para quem gosta do Punk e, apesar do cantor gritar sempre, não é assim tão difícil entender as letras. Depende da canção mas, na verdade, é mais fácil do que dezenas de bandas anglófonas!
Qualidade ⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐
Silence Becomes It – Silence 4
Tenho de desqualificar este disco porque quase todas as faixas se cantam num idioma estrangeiro chamado “inglês” que ninguém sabe falar. É uma pena, a sério, porque a música é boa. O género é rock/pop, muito bem realizado. Tocam uma versão de uma canção de Erasure, o que nos dá uma pista sobre os artistas que influenciaram a sua música, e uma das duas canções portuguesas é uma colaboração com Sérgio Godinho.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐
Compreensível? 💩💩💩💩💩
Cai o Carmo e a Trindade – Amor Electro
Esta é uma escolha esquisita porque acho que é composto principalmente por covers. Reconheci o “Barco Negro” (de Amália), “Capitão Romance” (dos Ornatos) e “Estrela da Tarde” (de Carlos do Carmo) e acho que Sete Mares também é um empréstimo dos Sétima Legião. Sem fazer uma pesquisa, apostaria que não são os únicos exemplos. A cantora canta bem, e a música é muito suave. Fez-me pensar em várias bandas esquecíveis dos anos noventa. É perfeitamente agradável mas não me agarrou a atenção.
Qualidade ⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐⭐
10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte – José Cid
Sem dúvida, este tem o melhor título de todos! E uau, esta escolha é fora da caixa. O disco foi lançado em 1978, na época do álbum conceptual. Lembrou-me álbuns como “Close to the Edge” dos Yes, a banda sonora do “Jesus Christ Superstar” e…. Hum… Ouso mencionar o “Rocket Man”? Acho que José Cid é comparado muitas vezes a Elton John mas ele acha-o uma “ataque” por qualquer motivo… Vejo porquê tantas pessoas gostam: é um projeto ambicioso e bem produzido, mas não é um género de que gosto assim tanto e soa muito antiquado em 2024! Ainda por cima, não é nada fácil entender o que está a cantar por causa dos efeitos auditivos.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐
O Monstro Precisa de Amigos – Ornatos Violeta
Já traduzi uma canção deste álbum: Ouvi Dizer, que é um clássico, e adoro que a banda tenha convidado Gordon Gano, um dos meus músicos preferidos de sempre, para colaborar com eles no Capitão Romance. E o seu sotaque é incrível apesar de ser americano; o cantor é um exemplo que nós estudantes todos devemos seguir! O álbum foi gravado em 1999 e a atmosfera é ligeiramente semelhante aos álbuns daquela altura, tal como o “Yankee Hotel Foxtrot” do Wilco ou o “Peloton” dos Delgados, é até os álbuns dos Violent Femmes da mesma época, mas não é uma cópia: a banda tem um som distinto.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐
Mingos e os Samurai – Rui Veloso
Ouvi** a música de Rui Veloso anteriormente e achei-o muito influenciado pelo blues, mas este disco tem mais diversidade de estilos e emoções. Estou curioso sobre as letras e penso fazer uma tradução de uma canção no futuro.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐
Mutantes S.21 – Mão Morta
Cada faixa tem o nome de*** uma cidade: Paris, Barcelona, Amsterdão, Lisboa. É muito Punk. A música é ótima mas infelizmente não gosto dos gritos do cantor, como um bêbado à porta de uma tasca após a hora de fecho.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐
Ar do Rock – Rui Veloso
Ouvi este álbum depois do outro do mesmo artista e achei-o melhor realizado em termos musicais, mas depois voltei ao primeiro e mudei de opinião. Ambos têm o seu próprio estilo. Ar do Rock é mais pesado, e está a enfatizar os elementos de rock. É semelhante a Eric Clapton em vez das influências brasileiras…? Ou pelo menos achei assim, mas talvez precisasse de ouvir mais.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐⭐
Cão – Ornatos Violeta
Ornatos Violeta, assim como Rui Veloso, tem dois álbuns na lista, mas este tem um sabor muito diferente de “O Monstro Precisa de Amigos” o título da primeira faixa é “Punk Modo Funk” o que assinala a direção deste lançamento: tem mais em comum com a obra dos Red Hot Chilli Peppers ou os Fishbone. O tom é mais animado e mais acessível.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐⭐
Eis uma seleção das sugestões da seção comentários: qualquer coisa que soou interessante e cujo título não era em inglês. Vou ouvir apenas as primeiras canções de cada um para dar um resumo, e se gostar, pode ficar na minha playlist
Casa Ocupada – Linda Martini
Fixe!
Qualidade ⭐⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐
Pharmácia Ananaz – Comme Restus
Rock muito pesado. Escondi-me atrás do sofá. Não entendi nada das letras e não só por causa das almofadas a tapar os meus ouvidos.
Qualidade ⭐⭐
Compreensível? ⭐
Capitão Fausto Têm os Dias Contados – Capitão Fausto
Chato
Qualidade ⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐
Virou – Diabo na Cruz
A primeira faixa soa como uma música folclórica, mas se odiares aquele género, não desesperes já – fia-te na virgem e não corras****, porque o resto do álbum é incrível. É rock, pois, mas há outras influências mais tradicionais também, que dão um tom inédito ao seu estilo. Acho que vou voltar a este álbum e aos outros discos da mesma banda no futuro. Infelizmente, o cantor canta rápido, portanto às vezes, torna-se ligeiramente difícil entender o que está a dizer.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐
Ao Vivo (1988) – Xutos e Pontapés
Sinto-me disposto a gostar dos Xutos, ainda que não conheça bem a sua obra. São trabalhadores (lançaram um álbum chamado “40 Anos a Dar no Duro” e aquele disco já tem cinco anos!), o seu cantor chama-se Tim, e deram à luz o hino não oficial do país, (eu sei que é um cover mas não me importa: já pertence a eles). Este disco é mais velho e contém muitos clássicos dos avôs do Rock português. Claro que gosto, mas acho que seria mais fácil ouvir as letras num álbum gravado num estúdio.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐
Rock Radioativo – Mata-Ratos
Não é mau mas não me agarrou a atenção
Qualidade ⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐
In Vivo – GNR
Hum…. Não consigo justificar esta opinião mas acho que a música dos GNR é um gosto adquirido. A voz do cantor é fraca e desafinada, mas tem um certo fascínio, e é claro que o público que está na sala de concertos os adoram, apesar dos integrantes serem velhos após de tantos anos a virar frangos. Não gostei assim tanto mas posso imaginar que, ao longo do tempo, podia aprender a apreciar a sua obra
Qualidade ⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐
Cairo – Taxi
A música dos Taxi é o que nós chamamos “ska”, e lembrou-me de várias bandas inglesas da mesma época (1982). A canção mais famosa (tanto quanto sei) é Chiclete, que nem sequer está neste disco, mas as faixas todas têm a mesma “vibe”… eh pá, que batota… está bem, têm a mesma atmosfera.
Qualidade ⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐
Lambe-Botas – Tara Perdida
Terminamos com um dos meus favoritos deste conjunto: este Lambe-botas nunca para de entregar música acelerada. O baterista é a estrela do disco. Tocar tão rápido deve ser um bico de obra.
Qualidade ⭐⭐⭐⭐⭐
Compreensível? ⭐⭐⭐⭐
O meu Top 3:
Virou – Diabo na Cruz
Lambe-Botas – Tara Perdida
Casa Ocupada – Linda Martini
Mas o primeiro está muitíssimo distante do segundo!
*Not a portuguese expression – “separar o trigo do joio” would be better but I like my made up version so I am sticking with it.
**I used “experimentei” here, aiming to say I sampled his music, without putting any effort into it, but it didn’t seem to be understood so I guess that’s not a thing in portuguese.
***Changed from “é nomeado para” which doesn’t mean ‘is named after”, but more like “is appointed to”
****Is it obvious I just found this randomly while looking up a different expression for another review and liked it so much that I decided I had to crowbar it in somewhere?
I am shocked at how many obvious mistakes I miss on proofreading my own stuff. My brain obviously skips over some real howlers because it already knows what I was trying to say so can’t see what I actually did say.
Que livrinho esquisito. A autora escreveu uma série de poemas como ferramenta para educar crianças sobre a diversidade, e sem dúvida fez um bom trabalho. Os poemas rimam bem e são divertidos e as ilustrações são bonitas. Mas escolheu usar uma linguagem inventada. Baseou-se no sistema elu (descrito neste blogue) mas a autora acrescentou mais mudanças para ser ainda mais “inclusiva”. Existem professores que aceitariam um livro com palavras inventadas, não de forma lúdica mas com propósito didático, para impor uma reforma ortográfica como se as ditas palavras fizessem parte da língua partilhada pelo povo?
Acho muito estranho que pessoas que aceitam que uma cadeira seja feminina (quer dizer que a palavra o seja) e o conceito de medo seja masculino, sentirão a necessidade de criar uma sistema gramatical neutro mas só para falar sobre pessoas. E isto torna-se ainda mais parvo quando percebemos que a palavra “pessoa” é feminina. Será que ela acha um grande insulto referir ao seu ilustrador, Tiago M como “uma pessoa”?
Existem algumas mudanças do sistema de género que (na minha humilde opinião) fariam todo o sentido, e já falei delas no mesmo blogue mas desta forma, eu (como estrangeiro…), achei o sistema sem pés nem cabeça.
Mas tendo feito estas queixas sobre a gramática, achei a atitude da autora muito simpática. Ela ilustra os pontos de vista de um rapaz muito constrangido, uma rapariga que anda de cadeira de rodas, uma cigana, uma imigrante e vários outros. Até as duas crianças para quais o género é a tema principal da sua história, o Rodrigo (um rapaz que não encaixa dentro do estereótipo de comportamento masculino) e a Maria Miguel (uma rapariga que gosta de atividades, penteados e roupas estereotipicamente masculinos e por isso acha que muda do sexo de dia para dia) são tratados de forma sensível. Os pais e os professores deixam-nos experimentar e exprimir-se como querem, sem pressão e sem interferência de adultos bem intencionados mas estúpidos. Acho que, num livro americano, seriam capazes de ter um desfecho muito mais escuro.
Em suma, este livro apresenta um conjunto de poemas divertidos e educativos, mas estragados pela presença de algumas palavras feias distribuídas aleatoriamente através do texto.
Some examples: “es” here seems to be a plural article replacing os/as (so the singular must be “e”, I guess – isn’t that going to be confusing?) and leitorus is in place of leitores and leitoras. Why the unchanging “ouvintes” gets the same treatment, but criança (feminine) doesn’t become criançu is a mystery. Professorus is the only acceptable one because it sounds like a dinosaur with a lesson plan and I like the idea.
Se quiseres saber mais sobre o sistema elu em vez de ler apenas os meus resmungos de velho, aqui está a página a qual a autora refere no apêndice.
You don’t have to have dirty fingernails when you read it, but it helps.