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As Aventuras do Barão Wrangel

Ri tanto enquanto li este livro. Tal como todos os livros de José Carlos Fernandes, a banda desenhada tem muitas frases no diálogo que são surrealistas e hilariantes. O Barão é um herói tradicional da época dourada, tipo Indiana Jones ou Tintim que percorre o mundo inteiro numa aventura picaresca. O rumo dele cruza com o de vários espiões, vilões, personagens sinistras do submundo e adeptos de sociedades secretas.

[spoiler]O final deixou-me ligeiramente insatisfeito. Admito que cabe bem o espírito pós-moderno do livro mas eu cresci numa dieta de BDs de Hergé, e queria ver o triunfo do Barão e a derrota dos seus inimigos![/spoiler]

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Lugar Maldito – André Oliveira

Comprei este livro numa livraria online, e confesso que, se tivesse visto a arte antes de comprá-lo, nunca teria agarrado. É difícil entender o fluxo da história por causa da baixa qualidade dos desenhos. Felizmente, a história em si não é assim tão má. Lembrou-me do “The Stand” (um livro de terror escrito por Stephen King) até certo ponto, embora as personagens sejam mais parecidas com os protagonistas do “Badlands”. 35630502._SX318_Um casal jovem está em fuga porque o homem cometeu um crime, e a polícia judiciária está à procura dele. Por isso, escondeu-se, com o bebé deles numa casa na terra do pai. Todos crê que esta casa é amaldiçoada. Muitas pessoas foram assassinadas lá, e os rumores dizem que a casa enlouquece qualquer pessoa que lá more. É isso mesmo que acontece, mas não me admirou: o namorado da mulher é um facínora. Chegou à casa com pouca comida mas com uísque suficiente, uma espingarda e cinco milhares de t-shirts (estou a exagerar mas não tanto assim…) com os logótipos de várias bandas fixes dos anos noventa. Portanto, quando o homem se enlouquece, ameaça a namorada e começa a atirar nos polícias não é nada surpreendente, nem chocante tal como a transformação do pai no “the Shining”.

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A Noiva Do Tradutor

43782967._SX318_Achei este livro muito desafiante, por causa da quantidade de palavras desconhecidas, mas isso não me importa porque, por acaso, gosto dum desafio!

Amiúde, quando leio livros difíceis, encontro-me a perder o fio à meada, porque tenho de abrir o dicionário tantas vezes, mas deste vez, consegui lembrar-me e reler os parágrafos mais densos, e de ver a história com uma visão alargada. Trata-se duma história, contada pelo Tradutor mencionado no título. A Noiva não aparece no “palco” do enredo excepto nas saudades do protagonista. Porquê? Porque tem o abandonado logo antes do início da história. O Tradutor é um herói interessante: introvertido, misantrópico até a ponto de ser cómico e cheio duma raiva impotente contra os que estão em sua volta. Conta a sua história num discurso da primeira pessoa, que, às vezes torna-se um fluxo de consciência. Lembrou-me dos protagonistas de vários outros romances, mas não é um estereótipo. É trágico, é grotesco, diz coisas fantásticas tal como “vivo mesmo numa estrumeira em chamas” e espera que (contra todas as aparências), se conseguisse comprar uma casinha amarela, a noiva voltaria. Mas acho que ela fez uma fuga bem sucedida por ter se afastado deste gajo!

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Cinco Mil Quilómetros por Segundo

Esta banda desenhada conta a história de três adolescentes italianos: dois rapazes e uma rapariga. Tem um bom aspecto: a arte é bonita, mas infelizmente as personagens são desenhadas numa maneira inconsistente, portanto às vezes é difícil distinguir as pessoas. E é isso mesmo que é o maior problema do livro: a história não compriu a promessa feita pelas imagens. É belo, mas a história nem me agarrou assim tanto. É confuso e, não havia uma narrativa interessante. As personagens também, para mim, são aborrecidas. Enfim, soltei um grande “meh”.

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Maria E Salazar – Opinião

“Maria e Salazar” de Robin Walter, é uma banda desenhada. Trata-se de uma biografia duma portuguesa, mas também conta a história duma época na história de Portugal.

A estrutura do livro lembrou-me de um outro livro chamado “Maus” de Art Spiegelman, porque ambos são contados por um escritor que é um protagonista no livro. Fala com o narrador (o pai do Spiegelman e um empregado da família de Robin Walter) que descreve a sua experiência de vida numa ditadura. No caso de Maus, o pai de Spiegelman era um judeu que viveu na Alemanha nos anos 30. Por outro lado, fosse o que fosse, o Estado Novo nunca atingiu o nível de terror abrangido pelo nazismo, portanto, esta história é mais quotidiana. A Maria nao é uma refugiada, não era exilada ou presa. Saiu do país à procura duma vida melhor, que é um direito de todos nós seres humanos. Acabou por viver num “bidonville” (“bairro de lata”) em França. Muitos outros portugueses partilharam as suas próprias experiências: as saudades dos portugueses, fora do país por motivos económicos ou para afastar-se da guerra em África, e a dupla identidade dos filhos, que se sentem portuguses e franceses ao mesmo tempo.

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Escreva sobre um livro que tenha lido e que o tenha marcado (PT-PT Exame B2)

“Sinta o receio e faça-o assim mesmo”

Este livro é motivo de alguma vergonha porque não custumo de ler livros de auto-ajuda e nós homens (em geral) não sentimos vontade de discutir assuntos deste tipo, mas li este livro há alguns anos e fez uma mudança subtil no meu ponto de vista. Tenho tendências pessimistas. Muitas vezes, escolho a pior interpretação de qualquer situação em que me encontro, mas a verdade é que isso nunca aduda ninguém. Convém lembrar que, venha o que vier, o nosso próprio modo de pensar num assunto pode nos ajudar a tratar dele. Se pensarmos “não tenho tempo para estudar”, sentimo-nos impotentes, mas se dissermos “tenho tempo, mas prefiro assistir ao festival da canção”, embora nada mude no mundo exterior, vemos que há outras hipóteses, e podemos desligar a televisão e fazer algo diferente.

O escritor é optimista até um nível quase ridículo (tenta ver o lado positivo do cancro, por exemplo) e não consigo seguir os exemplos todos, mas esta pequena diferença fez uma diferença pequena mas significativa.

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Brevíssima História de Portugal – A. H. de Oliveira Marques

Li este livro durante um projecto que estou a fazer sobre a história portuguesa. Lê-se muito bem, e traz pormenores suficientes para um iniciante, tal como eu, e vamos ser honestos: escrever a história dum país inteiro de modo interessante e informativo ao mesmo tempo não é nada fácil! Dá para entender os factos básicos, e colorir a imagem preta e branca que eu obtive do livro escolar que li recentemente.

Como já disse (ontem, na opinião de “É de Noite que Faço as Perguntas”) o projecto está a ajudar-me entender a cronologia do país. Ajudou-me arrumar os factos que já sabia num ordem, ou seja, atou-os num fio: as batalhas, os reis, o terremoto, os motivos pela revolução dos cravos. Compreendi melhor o enredo da banda desenhada sobre a primeira republica, e a placa que já vi no Porto em Março, que comemora a perseguição do MUD.

Claro, existem ainda muitas, mas mesmo muitas coisas que não sei mas acho que vou parar, ou pelo menos fazer uma pausa porque não estou pronto para mergulhar-me dentro dos pormenores do declínio do império, o desenvolvimento de socialismo ou o pequeno almoço preferido do Infante Dom Henrique. Se calhar, no ano seguinte…

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É de Noite que Faço as Perguntas

12680196Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
O livro foi publicado para comemorar o centenário da república. Os autores defendem as realizações da primeira experiência de democracia, por mais imperfeito que fosse, para apagar a mancha de analfabetismo e modernizar o país.
A historia é contada pela voz dum homem que vive durante o estado novo. Está a escrever uma carta ao seu filho, que descreve a sua vida como criança logo no inicio da primeira república portuguesa, nos anos antes e durante a grande guerra e, logo depois, anos turbulentos nos quais o poder mexeu-se de uma extremidade para a outra numa serie de golpes e revoluções e a sombra de autoritarismo aproximava-se a pouco e pouco.