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Margarida Espantada – Rodrigo Guedes de Carvalho

Margarida Espantada

Ouvi falar deste livro através de alguns canais de booktube. Confesso que, logo no início, mal consegui lembrar quem era quem, mas por acaso, vi um vídeo do canal “A Mulher que Ama Livros” que explicou tudo, e depois não tinha mais problemas! O livro lê-se bem, com capítulos curtos, e sem frases compridas nem gramática tortas (por esse razão, recomendei o livro para um estudante da língua portuguesa no CaraLivro). Trata de uma família com os seus segredos, as suas trevas. Deste mistura de personagens pouco simpáticas, surge um tipo de thriller psicológico com muitos desvios para vários tópicos interessantes. Li o livro e ouvi o Audiolivro em paralelo e gostei muito.

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1890: Portugal, Uma Retrospectiva – Opinião

Recebi este livro como oferta de uma amiga. Fiquei muito entusiasmado como a ideia de o ler porque tenho um projecto intermitente de aprender a história do país.

Ler este livro nos dias de hoje, durante os protestos contra (entre outras coisas) estátuas de pessoas envolvidas em imperialismo e escravatura foi uma experiência surrealista. O livro trata do ultimato Britânico, com o qual o país onde nasci ameaçou o seu antigo e mais fiel aliado com as mais graves consequências se não cedesse o território entre Angola e Moçambique sem demora. Os protestos sublinharam o que deve ser óbvio para qualquer leitor deste século: a história desta época é uma história de dois países a brigar um com o outro por causa dum sítio no estrangeiro, como duas crianças a lutar por causa dum brinquedo.

O livro está muito bem escrito e dá para entender o contexto da disputa e as suas consequências , principalmente a queda da monarquia.

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Contos de Lima Barreto

Ouvi este Audiolivro sem saber nada sobre o autor. ‘tá bem, suponho que seja brasileiro… O sotaque do narrador é brasileiro também mas isso não me assustou assim tanto porque fala de modo tão claro que percebi todas as palavras mesmo que algumas fosem desconhecidas, e deu para entender o enredo sem problemas!

Parece que os contos são satíricos. Confesso que não sei nada sobre sociedade brasileira daquela época, portanto é provável que tenha perdido muito do humor mas o seu estilo é divertido e tanto quanto entendi, gostei.

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O Verão Selvagem Dos Teus Olhos (Ana Maria Pereira)

Este livro é uma tentativa de a autora recontar a história “Rebecca” de Daphne Du Maurier e, sem dúvida, a sua escrita recriou a atmosfera do livro muito bem. Os personagens, os locais, os temas tudo parecem muito fiéis ao original mesmo que tenha lido os dois em línguas diferentes.

Pois, está bem escrito mas será que foi necessário escrever uma outra versão de Rebecca? Aquele livro é uma obsessão para muitos, um dos livros mais amados de sempre, é quase perfeito na sua construção. Só uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo. A Ana Teresa Pereira mostra melhor a personagem da mulher morta e conta a sua história antes do casamento e durante a sua vida em Manderley. Noutros capítulos, o seu fantasma descreve os acontecimentos do livro original do ponto de vista dela. Para mim isto não funciona tão bem. No livro original Rebecca é uma presença nas sombras da casa e nas memórias dos outros personagens, mas nunca se manifesta literalmente como um espírito. Teria sido demais, e acho que não precisamos disto: Rebecca é mais forte quando está menos visível.

Mas não me quero queixar. Apesar desta critica, gostei do livro. Serve para quem quer revisitar o mundo da Rebecca sem reler o mesmo livro. Lê-se bem e agarrou-me do início até ao final.

Corrected version – thanks Fernanda, Filipe and Rafaela

My favourite correction is where I’ve tried to write

It’s a brave author who would dare to rewrite it.

which I have rendered as

É uma autora corajosa que ousaria reescrevê-lo.

But it’s better as

uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo.

I’ve seen this way of giving emphasis before but never really thought about how to apply it

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A Língua Portuguesa – Fernando Pessoa

Thoughts on “A Língua Portuguesa”, writings by Fernando Pessoa edited by Luísa Medeiros (Bertrand / Amazon)

Fiquei interessado por ter encontrado este livro na livraria Foyles e tive muito curiosidade pelos pensamentos deste grande poeta (ou seja convocação de poetas) sobre o seu próprio idioma. E não fiquei desiludido. Se não me engano, o livro consiste em fragmentos que nunca fizeram parte de um livro coerente na mente do autor, mas um tema é evidente. Está claro que o seu modo de pensamento estava num universo diferente do que o meu. Antes de mais, escreveu na língua falada como forma mais natural da língua, enquanto a língua escrita era meramente cultural cujo propósito, quanto importante que seja, era servir “o fenómeno natural” de comunicação oral.

Daí fora, seguem-se vários discursos sobre a ortografia e a etimologia da língua. Pessoa valoriza a língua e compara-a com outras línguas europeias. Via a língua como algo vivo, portanto línguas artificiais tal como esperanto nunca poderão suplantar línguas que têm a sua base num povo. Além disso, e por igual raciocínio, mesmo que criticasse a ortografia portuguesa, rejeitou a reforma ortográfica de 1911 assim: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” Isto é um sentimento que muitas pessoas de hoje partilham. Eu, como falador de uma outra língua de ortografia aleatória, simpatizo.

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Passageiros em Trânsito – José Eduardo Agualusa (Opinião)

Este livro é um daqueles que consegui ler durante o Fim-de-Semana de pascoa. Os contos tem a ver com viagens, e pessoas fora dos seus países e (menos literalmente) fora das suas zonas de conforto.

Existem contos que são histórias completas mas curtas, com um começo e um desenlace e um enredo cheio de acção, como um romance encolhido ao tamanho de um artigo de revista. Convém dizer que os contos neste livro são exactamente o oposto! São mais descritivos e contêm menos desenvolvimento do enredo. A maioria consiste em retratos de pessoas ou de situações de três ou quatro páginas de extensão. O autor esboça estes cenários todos numa maneira bem nítida, portanto o livro lê-se bem. Li-o rapidamente, virando as páginas, conto após conto até ao fim.

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Winepunk

Acabo de ler um livro chamado Winepunk. Trata-se de uma compilação de contos de ficção cientifica baseados numa história alternativa de portugal. Nesta realidade imaginativa, a monarquia do norte (um movimento verídico que teve o seu inicio em 1919, depois da implantação da República Portuguesa) sobreviveu durante anos, ao contrario da monarquia histórica que foi esmagada dentro de umas semanas.

O título “Winepunk” tem origem na frase “Steampunk”, um género inglês de ficção cientifica com raízes no mundo da revolução industrial com máquinas alimentadas por carvão e vapor. Os autores brincam com várias espécies de geringonças tal como plantas vivas, robôs cuja* fonte de poder é plasma de uva e animais de estimação com ligações psíquicas aos seus donos. Não é cem por cento coerente porque cada autor tem a sua própria imaginação e o seu próprio estilo e às vezes, estes não têm semelhança o suficiente para concretizar um mundo literário no qual o leitor pode acreditar. Mas há contos divertidos. Acima de tudo, amei a contribuição do José Barreiros. Os dois do Rhys Hughes** também têm muito jeito. mas exemplificam bem a minha queixa com o projecto em si: os contos nem sequer mencionaram a monarquia de todo!

*Rookie mistake here. “Cuja” because it agrees with “fonte” not “robôs”

**Rhys Hughes é um escritor galês que mora em Lisboa. Ama portugal e já escreveu dois livros em português: “A História Universal de Infâmia” e “A Sereia de Curitiba”. Não tenho a certeza mas, pelo que sei, escreveu-os em português, e nem usou tradutor. Uma vez que tenho tentado escrever um conto em português, vejo este escritor como um herói e quero ser igual a ele.

Thanks to Natalia for the correction. There is some good stuff in english about this compliation on the Portuguese Sci-Fi Portal here and here, and you can see a decent review by a much better portuguese reviewer on youtube… um… I don’t think I’ll link directly but if you search for “aoutramafalda winepunk” or “books beers baby quarantena winepunk” you’ll find what you’re looking for.

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O Velho Que Lia Romances de Amor – Opinião

Este livro surpreendeu-me. Já li dois livros do mesmo autor e ambos eram livros infantis mas este tem um tom mais adulto: há violência, sangue, personagens que bebem e fumam e tomam drogas alucinogénicas. Os animais não falam… Mas ainda bem que também não fumam porque o tabaco prejudica a saúde das onças.

O livro lê-se bem. O escritor tem um estilo muito nítido nos seus livros adultos igual às suas histórias escritas para meninos.

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Dinossauro Excelentíssimo – José Cardoso Pires

250x

Esta edição deste livro é incrível. Tem capa dura, páginas de papel suave e muitas ilustrações bem coloridas. Dinossauro Excelentíssimo foi publicado em 1971, logo antes da revolução. A protagonista, o imperador é “astuto, diabo e ladrão” e claro que trata da ditadura portuguesa e da vida de Salazar (que tinha falecido no ano passado) mas naquela altura da vida da ditadura, a editora conseguiu publicar sem interferência.

O que mais gostei foram as últimas páginas em que o reino tem “duas caras”, o país verdadeiro onde o povo vive e trabalha e um mais limitado que consiste num presidente, a sua estátua, e a sua vaidade.

*Spoiler* Ao que parece, a morte não pode levar a história ao fim, e enfim o autor mesmo intervém.

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História De Um Caracol Que Descobriu a Importância da Lentidão

Este livro juvenil é muito engraçado mas tem a sua própria escuridão. O Caracol do título vive no “País do Dente-de-Leão” (o nome dado ao prado dele). Num dia, perguntou-se: por que é que os caracóis são tão lentos? No processo de descoberta, adquiriu um nome (“Rebelde”) mas constatou algo mais preocupante: existiam seres humanos na área que pretendiam devastar o prado todo para construirem uma nova estrada. Portanto, o caracol herói avisou os outros bichos do prado. Depois, guiou a tribo de caracóis até a um novo País do Dente-de-Leão. No caminho para lá, os moluscos sofreram grandes transtornos, perigos e sofrimentos.
O enredo fez-me lembrar do Watership Down de Richard Adams, que também conta uma história de animais à procura dum novo lar por causa duma ameaça humana. Também superam dificuldades com ajuda dum pássaro (os coelhos do Watership Down têm ajuda duma gaivota, os caracóis de um mocho).
É muito divertido mas não esconde os factos da vida dos olhos do leitor!