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Natércia

Tenho uma cunhada que se chama Natércia, e eu, que não tenho noção, achei que era equivalente a Natasha, ou Natalie, mas há uns dias a minha esposa partilhou este vídeo do linguista Marco Neves. Ela disse-me que a mãe delas explicou a origem quando eram jovens mas eu não fazia ideia!

E eis o poema (ou pelo menos um poema, talvez haja mais!)

Camões
Camões arguing with the Scrabble umpire Por António Ramalho

Pouco te Ama

Na metade do Céu subido ardia
O claro, almo Pastor, quando deixavam
O verde pasto as cabras, e buscavam
A frescura suave da água fria.

Com a folha das árvores, sombria,
Do raio ardente as aves se amparavam;
O módulo cantar, de que cessavam,
Só nas roucas cigarras se sentia.

Quando Liso Pastor, num campo verde,
Natércia, crua Ninfa, só buscava
Com mil suspiros tristes que derrama.

Porque te vás de quem por ti se perde,
Para quem pouco te ama? (suspirava)
E o eco lhe responde: Pouco te ama.

O que mais me chamou a atenção neste vídeo é que o meu irmão, sempre que envia cartas natalícias à minha esposa escreve o nome dela “Caterina” e eu digo “ó rapaz” (é mais novo do que eu: um menino com 51 anos) “ó rapaz, escreve-se…”

“Colin, why are you ranting in portuguese” retorque ele

“Oh sorry” digo “I mean it’s spelled C-A-T-A-R-I-N-A, you silly sausage”

Mas já sabemos que o nome era escrito com “E” antigamente, portanto ainda que ele erre, erra com o grande Camões, em vez de ser certinho com o seu irmão mais velho.