Este livro é uma versão BD de um filme que não veio a ser realizado. A qualidade dos desenhos é básica e o diálogo é parecido com o estilo das sitcoms britânicos dos anos setenta: cru e sem sofisticação. Não sendo incrível, deu-me duas boas horas de sorriso sem rir em voz alta.
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“Ideias Concretas Sobre Vagas” de Ricardo Araújo Pereira
Ricardo Araújo Pereira é um dos humoristas mais confiáveis que já li: sempre que abro um livro dele, fico divertido e, às vezes, até aprendo algumas coisinhas. Nunca encontrei um livro dele aborrecido (mas nunca experimentei o que fala de futebol!)
Neste livro, o ganda Ricardo vira a sua atenção para a pandemia e os transtornos, as parvoíces e todas as mudanças daquela época na história do nosso mundo. Ler o livro é uma espécie de viagem no tempo: é quase possível adivinhar a semana na qual um capítulo foi escrito, analisando o que ele menciona: o confinamento, as medidas contra infeção, como lavagem de entregas, máscaras, o horrível vídeo de estrelas a cantar “Imagine” e por aí fora. E não desilude.
Tanto quanto sei, o título é um trocadilho baseado no duplo significado de “vagas”: como substantivo é um sinónimo de “ondas” e como adjetivo é a forma feminina e plural de “vago” que significa “impreciso”. Portanto pode significar “sobre as vagas do vírus” ou “sobre ideias vagas”.
“Choupos” de Adília Lopes
Ouvi falar desta autora e, logo no dia seguinte, um livro dela caiu no meu cesto no FNAC. Confesso que o achei um pouco aleatório. Poesia, aforismos, esboços verbais… para mim, há nisto uma certa falta de coerência, mesmo que tenha gostado de várias páginas.
Não sabia o que queria dizer o título. É uma espécie de árvore – a que nós chamamos de “Poplar”.
“E Agora” de Raquel Sem Interesse
Encontrei este livro enquanto estava à procura de uma outra BD. Li-o logo porque me apetecia mais do que a minha leitura principal (é boa mas… densa!)
O livro é divertido, mas não consigo dizer porque é que o apreciei tanto. Pouco acontece. Ela nasce, cresce, trabalha e no final atinge algum sucesso. Não há grande drama, e talvez tenha sido disto mesmo que gostei: muitos autores querem aumentar o drama das suas vidas, exagerando os seus sofrimentos e ganhando a simpatia do leitor. A Raquel fala, sim, de vários colegas mal dispostos e até (uma vez) de “abuso” mas estes transtornos aparecem como obstáculos a superar e ela nunca assume o papel de vítima. Enfim, isto é inspirador: é uma história quotidiana, mas a protagonista é trabalhadora e aberta às possibilidades da vida. Quando cai num buraco, começa de novo e melhora a situação, por mais difícil que seja.
Há elementos de sorte nisto tudo: ela é inteligente, com bons amigos, um namorado simpático e uma família apoiante, mas a vida dela não é um mar de rosas. Como toda a gente, ela joga as cartas que tem, e pessoalmente, gostei da sua maneira de lidar com os problemas.
“Mary John” de Ana Pessoa
This book was the source of a couple of the recent posts about new vocabulary like “as fresh as a lettuce” and “playing for Benfica“. It seems like a straightforward read at B1/B2 level. The grammar isn’t too complex, but it’s light and funny and has plenty of nice idiomatic expressions, including a rare in-the-wild sighting of “tirar o cavalinho da chuva”. Thanks to Cataohract for the corrections
O “Mary John” é um livro juvenil que conta a história duma adolescente chamada Maria João. No início do livro, ela tem um fraquinho por um rapaz que mora no mesmo bairro, mas o rapaz, que é ligeiramente mais velho, acaba por namorar com uma “lambisgóia” (nova palavra!) que chega na praceta onde o grupo de amigos passa o tempo. A lambisgóia fuma e tem piercing no umbigo e fala com a protagonista de maneira desrespeitosa por causa da idade dela, principalmente.
Após algum tempo a mãe da protagonista informa-a de que os dois têm de mudar de casa para uma outra cidade. Lá, no novo lugar, ela conhece um rapaz e os dois apaixonam-se.
Não há mais nada: é uma história quotidiana, sem reviravoltas, sem grandes revelações. Mas é doce: o diálogo entre as amigas na escola é engraçado e os conselhos da mãe e da avó dela sobre amor e sobre rapazes fazem todo o sentido sem serem demasiado “pedagógicos”. Ela cresce durante o percurso do livro e passa a uma nova fase da sua vida.
O aspeto mais esquisito do livro é a estrutura dele: é contado como se fosse uma carta ao rapaz original da praceta. Não entendo porquê. Explica-lhe quão diferente é a vida dela 4 meses depois de mudar de casa. Talvez ela queira escrever a versão mais nova de si próprio mas não tenho certeza. De qualquer modo, espero que ela não envie ao coitado de moço! Além de conter informações que ele não quereria saber, tem 180 páginas!
Em Todos os Sentidos de Lídia Jorge
Este livro é um conjunto de 41 crónicas que Lídia Jorge apresentou num programa de rádio. Mistura-se memórias e pensamentos sobre a vida, história e o mundo em geral.
Águas Passadas de João Tordo
Review of this 500-page beach book which is available from Bertrand. It’s one of my favourite portuguese thrillers even if there was more shagging than really necessary.
Gostei muito deste romance policial. A protagonista é uma agente da polícia, Pilar Benamor, que está a investigar a morte duma adolescente encontrada na praia de Assentiz. Em breve, uma nova vítima aparece, cruelmente esquartejado. A sua investigação revela ligações com crimes do passado e daí constata a malvadez que resultou nestes crimes chocantes. Pilar é uma heroína simpática. É forte mas é realista. A minha única queixa é sobre o seu “defeito fatal”. Não é fora do comum, os autores de thrillers darem aos seus protagonistas um problema pessoal (uma dependência de álcool, por exemplo, ou uma incapacidade de separar o trabalho da vida doméstica). Queremos os nossos heróis a terem de lutar contra os seus próprios demónios, ao mesmo tempo que lutam contra os criminosos, mas, neste caso, a sua falha é adição ao sexo. Isto parece-me parvo. Não tem a mínima relevância para a história. Fiquei com a impressão de que era uma desculpa para inserir cenas de sexo no enredo, que interromperam a história sem revelar nada sobre a personalidade dela.
Um Lugar Misterioso
Passei 3 dias em Cambridge. Ou melhor, passei um dia em Cambridge e dois dias a andar de bicicleta para Cambridge e depois para casa. Não tive energia o suficiente para escrever, portanto aqui estou novamente no primeiro dia do Streak!
Durante a estadia, li um livrinho chamado “Amália Rodrigues: Um Lugar Misterioso”. É um livro ilustrado que conta a história dessa cantora de forma simples. Explica-se as suas origens familiares e as raízes da sua arte. Apesar da simplicidade, os autores não evitam os aspetos polémicos da vida dela: a maneira na qual o fado fez parte da ideologia da ditadura, e o seu papel ambíguo nessa propaganda. O livro contém exemplos da poesia do seu fado, e as ilustrações são maravilhosas.
Governo de Portugal
Li com os meus ouvidos* um livro chamado “Governo de Portugal“. É muito educativo e o narrador fez bom trabalho porque não o achei aborrecido.
Que pena que tenho a memória de um peixe-dourado e me vou esquecer de tudo dentro de cinco dias.
*The corrector sensibly changed this to “Ouvi um audiolivro” but I prefer my version!
Comics Corner 🤓
As a tremendous intellectual, I really like comics. Sorry, I mean graphic novels. I’ve said it a lot so it’s probably not a huge surprise. It was a good way to ease my way into reading portuguese and I still like to go back to the format when I fancy something easy. Bertrand has an offer on Banda Desenhada at the moment if you fancy stocking up. I quite fancy this one, myself, but I’ll probably have to find a few more. It’s not really worth ordering just one book from abroad because the P&P is quite high – you need a few to make it worthwhile.









