Ouvi falar deste livro através dum canal de Booktube. Conta a história de dois homens – o Daniel e o Ricardo e um terceiro, o narrador. Ou seja, trata-se da vida do narrador e a sua relação com estes dois indivíduos. Os dois têm fundos e vidas muito diferentes, e acho que o narrador está à procura das causas da diferença. Pergunta-se, se fizesse algumas coisas diferentes, se as vidas dos amigos teriam sido melhores. A acção desenrola-se no Portugal de hoje, e os três sentem os efeitos do clima económica e social.
Percorrendo a história há uma série de conversas entre as personagens nas quais, falam de diversos assuntos – suicídio, o mercado editorial, Marilyn Monroe. Achei-os fascinantes, como se Haruki Murakami decidisse escrever um diálogo socrático. (Não me peçam para justificar a comparação com Murakami porque não sou capaz). Às vezes, além de ser o meu preferido parte do livro tornou-se uma fraqueza também porque durante os últimos capítulos o narrador imaginou uma conversa com um amigo desaparecido, e explicou os seus sentimentos e arrependimentos sobre a situação. Depois, proferiu um discurso que descreve várias cenas de literatura e cinema e utilizou-as para acrescentar mais pormenores.
Sinto que recebi demasiada informação: explicou demais e não mostrou o suficiente. Cá para mim, como leitor, prefiro tirar uma mensagem ou um significado do enredo, mas fiquei com a impressão que as ideias cresceram até ao ponto em que se tornaram mais importantes do que a história.
Mas sobretudo, aproveitei o tempo na companhia destes personagens e das suas conversas, e estou contente por ter lido um livro que não é aborrecido e não é difícil demais para um estrangeiro!
Thanks Fernanda for corrections in the main body of the review
Não costumo ler livros brasileiros por causa das diferenças da gramática e vocabulário, mas tenho ouvido apenas boas coisas sobre essa escritora, e estamos no mês do dia internacional da mulher (os meus amigos do booktube chamam-no “Marco Feminino”) e por isso, pensei, “porque não ler alguma coisa diferente?”
O que mais me impressionou deste livro foi a maneira como o escritor comunica ideias bastante interessantes e complexas nitidamente, sem precisar de frases inchadas com palavras compridas. Eu, como estrangeiro, quase nunca tive de abrir o dicionário, mas apesar disso nunca houve nenhum capítulo aborrecido ou simples de mais.

Eu li este livrinho em 24 horas, entre a hora de jantar de segunda-feira e a hora de jantar de terça. É realmente fininho, com apenas 50 páginas, mas o conteúdo é muito intenso. Trata da perda do pai do narrador, a tristeza dele, as memórias, e o vazio que permanece depois da morte.
Este rapazinho mora no Canadá com a sua avó e o seu irmão. O irmão, que se chama Andrei, é adolescente e passa os seus dias a fumar canábis, ou algo do género (não é nomeado no texto). Antigamente a avó vivia na Ucrânia, na União Soviética, perto de Chernobyl onde o seu marido morrera. Ela tem dores de pulmões por causa de radiação – tem cancro e talvez mais problemas por cima. Também acho que tem uma espécie de demência. O rapaz deixa-lhe recados para ela fazer as coisas do dia-a-dia.

