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I Continue to Get Surprisingly Good Marks

I got a solid 3.4/4.0 in the essay about Dom Joâo II. That’s 85% – God, I’d have killed for marks like that in the degree courses I took in IT and computing. I made a lot of silly grammatical errors that I should have picked up in editing, but in spite of everything, he noted that I have shown that I had an original and distinctive take on the subject, and I feel quite pleased with that!

As Sombras de D. João II

Anyway, I need to start revising, so I am going to go through it in detail, fix the mistakes and think about what could be improved. Again, this is just for my own benefit, but if you’re following along, the challenge was to analyse the title and subtitle of this thriller and decide what it means, referring to what we know about the real (historic) and fictional (in legend, propaganda and media representations) person that is Dom João II. I’ll fix all the boring typos and comment on the mistakes that are interesting enough to say something about. I’m indebted to the teacher who took the time to correct the grammar but didn’t penalise me for it as I suspect he probably could have!

Introdução

Neste texto, vou tentar decifrar o significado do título e o subtítulo deste livro, mas antes de começar, é necessário perguntar “o significado para quem?” Raras vezes todos os leitores de um livro concordam sobre a interpretação de um livro. Então o nosso pensamento deve começar com o autor e a imagem que ele quer criar na mente do leitor. Mas a visão do autor não é isolada, separada da cultura e da sociedade onde vive. O seu retrato do rei tem de ser reconhecível para os leitores, ou seja, tem de ter alguma semelhança com a pessoa de João II promulgada* nas escolas e na média. Ao mesmo tempo, um autor de romances históricos sabe bem que os seus leitores querem mais do que factos, nus e crus. Se quisessem isso, teriam comprado alguma coisa da estante não-ficção. Assim podemos imaginar o autor a pensar nas várias narrativas ao longo dos anos. Não sendo historiador nem propagandista, o autor de ficção histórica é livre para escolher os aspetos da lenda que satisfazem os seus critérios.

Como o Título Chama a Atenção dos Leitores

Em primeiro lugar, a palavra “Sombras” pode ser interpretada de várias maneiras. Pode-se imaginar uma montanha ou um castelo a assombrar o território à sua volta por causa da sua imensidade. Uma sombra, então, é símbolo da imponente estatura da figura do rei nos olhos do povo. Por outro lado, a palavra sugere o lado obscuro de um governo e a sua rede de espiões. E em terceiro lugar, é fácil imaginar o rei como um protagonista assombrado pelas suas próprias dúvidas.

Destes três, a primeira explicação é a menos satisfatória. Um castelo tem uma sombra e mais nada, mas a palavra no título é plural. Quanto aos outros significados, o site da editora (Clube do Autor, 2026) fornece amplas provas de ambas. Talvez a única frase mais reveladora do seu assombramento e o do seu povo é “No meio de tudo isto, há um homem de lágrima fácil e íntimo cruel, um verdadeiro manancial de sentimentos por decifrar.”

Noutras palavras, ao** leitor está a ser prometido emoções turbulentas por parte de um rei que anteriormente teria parecido opaco e ainda por cima um enredo cheio de surpresas e que – quem sabe – é capaz de pôr em causa a nossa imagem do Príncipe Perfeito. 

Como o Subtítulo Os*** Seduz Ainda Mais

À primeira vista, o subtítulo, “Sonho, glória, poder e intriga. Os bastidores de um reinado de ouro.” garante uma visão do rei que é mais tradicional e mais normativa: o rei levou a cabo uma onda de descobrimentos cruciais para o futuro do país e do continente europeu, trazendo glória, poder e riqueza para os participantes e para o trono. Na verdade, a legacia**** dele é altamente discutível, como vemos na obra da Mafalda Soares de Cunha que mostra exemplos de historiadores serem acusados, desde o século XVII de (entre outras coisas) “[…] omitir uma série de informações importantes, como é o caso do seu papel no progresso da gesta expansionista… (Cunha 1988 pp 651) mas isso não altera a reputação do rei na imaginação pública. O seu nome é quase sinónimo dos descobrimentos, é óbvio no “Mensagem” de Fernando Pessoa, a sua mitologia poética do passado de Portugal, onde o rei aparece não só no poema que tem o seu nome onde ele parece “uma alta serra”***** (Pessoa 1934 pp 44) (e, indubitavelmente, assombra o promontório onde está!) mas também em “O Mostrengo” o navegador leva o nome dele como um talismã contra os perigos do mar****** (Pessoa 1934 pp 57)

Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!

Adriana Bebiano afirma que a precariedade do mundo atual (ela estava a escrever logo depois dos atentados de 2001) produzia um desejo de regressar ” a representações identitárias onde se observa um excesso de passado” (Bebiano, 2002 pp 534) e que, no caso de Portugal, esta tendência era caracterizada por “a quase omnipresença da gesta marítima” (ibid) como o navio na capa deste romance.

Para Jorge Sousa Correia, escrevendo nos anos vinte deste século, a confiança na autoridade está catastroficamente reduzida e andamos rodeados por teorias de conspiração. Daí, não é nada surpreendente que vejamos neste título e seu subtítulo, uma combinação da glória radiante do passado, salpicada de tons mais escuros, representando a sombra de dúvida no que diz respeito ao líder daquela época dourada*******.

*I should really have said divulgada or propalada. I was really going for something that indicated the image was being put out as a sort of “official version” of events but it turns out I don’t really know what promulgated means even in my own language!

**Over-literal translation here. In english we’d say “the reader is being promised something” but that doesn’t work in portuguese; you have to say something is being promised TO the reader

***This is meant to follow on from the previous heading: having caught the eye of his readers he is seducing them further, but with such a long gap in between it was confusing, so the marker was left scratching his head and wondering who the hell I’m on about

****Woah! This falso amigo really surprised me. I should have said “legado” which means legacy. Legacia refers to the office of a legate!

*****Part of the instructions were that you had to quote something from the mandatory readings and believe it or not there three words are me paying lip service to that rule, because this poem is one of the texts. The marker didn’t notice – perhaps understandably, given how titchy it was, and I think I lost points as a result. Well, it’s a fair cop!

******I’m really not happy with this whole section, highlighted in yellow. It seems like a real tangle of thoughts. The prof didn’t penalise me for it, but I wish I had taken half an hour to straighten it out a bit and order it better.

*******I think the conclusion here went down well. I was quite pleased with it. I was criticised for not going into the “sombras” as much as I could have by referring to the death of his son or or the aristocrats he had bumped off. To be fair, neither of those is really referenced in the blurb and I had the impression the writer wasn’t really focusing on them, but OK, fair enough, maybe I should have gone darker!

Bibliografia

Bebiano, Adriana (2002) A invenção da raiz. Representações da nação na ficção portuguesa e irlandesa contemporâneas em Ramalho, Maria Irene e Ribeiro, António Sousa Entre Ser e Estar (2002) (pp 503-537)

Clube do Autor (2026). As Sombras de Dom João II, encontrado a https://www.clubedoautor.pt/livro/as-sombras-de-d-joao-ii

Correia, Jorge Sousa (2021) As Sombras de Dom João II

Cunha, Mafalda Soares da (1988) D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspetivas historiográficas em Arqueologia do Estado pp 649-667

Pessoa, Fernando (1934) Uma Asa do Grifo em Mensagem pp 44

Pessoa, Fernando (1934) Mostrengo em Mensagem pp 56-57

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As Cartas de Amor – Madeleine L’Engle

(Contém spoilers) Madeleine L’Engle é famosa principalmente por ter escrito o clássico de ficção científica A Wrinkle in Time (Um Atalho no Tempo), e confesso que não fazia ideia de quais, nem quantos, outros romances ela escreveu, mas ao procurar as obras inspiradas pela história das cartas portuguesas, deparei-me com este livro.

Trata-se de um romance histórico que sucede em três linhas temporais: a da Charlotte, uma norte-americana dos anos sessenta do século passado (quando o livro foi lançado), a da mesma Charlotte quando era nova, numa escola católica, e finalmente no século XVII, no convento onde viveu a “freira portuguesa”, Soror Mariana Alcoforado. A história da jovem Charlotte é um enredo menor, subordinado às outras duas.

É evidente que a autora fez uma pesquisa minuciosa antes de se pôr a escrever. Embora as cenas com Mariana sejam ficcionais, são baseadas na realidade: citações das cartas, os membros da família da freira, o estado social do seu amante, a guerra, e a polémica em torno da autoria das cartas, por exemplo. O elemento fictício ilumina os factos com uma narrativa credível do estado de espírito da Mariana e das outras freiras desde antes da chegada do jovem militar francês até à publicação das cartas e a sua subsequente desgraça. Existe um epílogo no qual a autora explica quais aspectos do texto são ficcionais.

Apreciei como a autora fez a transição de um fio narrativo para outro: muitas vezes acaba com uma protagonista a dizer ou a fazer alguma coisa, e retoma a história de uma outra, num momento no qual ela está a fazer ou a dizer algo muito semelhante, o que realça como as duas vidas correm em paralelo. A Charlotte também sente-se culpada e abandonada. No seu caso, o seu filho faleceu e a seguir o luto e o sofrimento dela e do seu marido* dá-se num rompimento no casamento deles. Ainda por cima, ela está grávida. A origem da angústia dela não é idêntica à da Mariana, mas o tamanho daquela angústia é igual.

Entretanto, na terceira linha temporal, o maior acontecimento na história da jovem Charlotte tem lugar na escola internato, quando uma amiga dela trai a sua amizade e, quando a Charlotte a escreve uma carta para lhe pedir a voltar a ser amiga dela, a já ex-amiga trai la ainda mais por ler a carta em voz alta às outra alunas no dormitório.

Ao longo do tempo, lendo as cartas e falando com os padres e os amigos que conheceu em Portugal, a Charlotte vem a ter cada vez mais simpatia pela condição da Mariana, e entende a sua situação de uma nova perspectiva de aceitação do seu próprio pecado e da sua própria angústia. Mas a aceitação leva-a a uma decisão surpreendente: ela volta ao marido. O marido da Charlotte é um bruto insuportável, na minha opinião, mas a autora retrata-o como um ser humano falho, em vez de uma caricatura, apesar do seu comportamento imperdoável com a Charlotte. A escolha, por parte da Mariana, para regressar a casa é um osso difícil a roer. Geralmente, não aconselharia alguém a se reunir com um homem daquele tipo, mas na situação na qual se encontram, sabendo que a perda de um filho é capaz de despedaçar uma pessoa, fosse quão decente que fosse, quase vejo como ela chega à sua decisão.

(I posted this on the university message board and the docente asked me how she had managed to work in the controversy around the authorship of the letters so I add the following by way of follow-up)

Não quis sugerir que a autora deixou a questão completamente aberta. Na linha temporal da Mariana, é evidente que ela escreveu as cartas e entrega-as para o soldado com ajuda de um amigo. O livro chega, sem aviso, da França, nas livrarias da cidade e em breve toda a gente sabe, e as freiras tornam-se alvo de piadas grosseiras, e como podes imaginar isso tudo cria muito transtorno e raiva no convento.

Mas ela usa diálogos entre as personagens na narrativa que tem lugar no século XX para elaborar certas coisas sobre o que nós sabemos, ou não sabemos, sobre as cartas, nos dias que correm. Por exemplo, perto do final do livro (os parágrafos da versão Kobo nem sempre correspondem aos de um livro de papel mas acho que há de ser 20-30 páginas antes do fim) encontramos a seguinte exposição escondida numa conversa entre a Charlotte e Dr Ferreira:

She picked up the letters.
He looked at them, raising his shaggy brows. “You must understand, Charlotte that it is perfectly possible that these letters are a fraud.”
“But what do you think?” Charlotte asked. “Do you think it all happened? There was a nun in the convent called Soror Mariana, wasn’t there?”
“Yes. But there are many people who think that the name was stolen, that she has been maligned, that the religious vocation has been smirched.”
“And you?”
“There have always been people who cannot understand the meaning of vocation and therefore would like to see it belittled. As for Soror Mariana, yes, I happen to think it probably happened, but that is hunch and personal opinion, not authentication.”
“Do you think the letters are shocking?”
“If they are real, no. If they are a literary fraud, yes.”
“Why?”
“They aren’t good enough art. If they aren’t a true outcry, they were written purely for sensationalism. It is not that as a subject I find it shocking. I don’t feel that in art there is any subject that is taboo. It is how it is handled that matters. A study of nudes is a simple enough example. Some are art; others are nothing more than pornography. “

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Uma Aventura na Madeira de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada – Opinião

 Comecei este livro no outono de 2024 e fiz uma pausa durante mais de um ano antes de terminar. É incrível! Como sempre, grande parte da ação tem lugar em sítios verdadeiros e as autoras explicam algumas coisas sobre os factos da zona onde os jovens estão. Mas este livro é mais divertido do que os outros que já li na série. Ri em voz alta. não me admira que os livros tenham tantos fãs. 

If you click the link above, it’ll take you to Wook, but if you don’t want to pay postage, you can get it cheaper on Kobo and read it on your phone or tablet device for a lot less. I read this on a phone and it’s pretty easy to do. Takes a few hours and it’s a solid school-age read. -> Here’s Uma Aventura Na Madeira and the whole series.

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“Os Passos Em Volta” de Herberto Helder

Os Passod em Volta de Herberto Helder

Já escrevi um texto sobre um conto desta coleção há algum tempo, porque eu tive de ler o “teorema” como prate do curso sobre a cultura e a literatura portuguesa. O docente explicou o contexto da história (O protagonista é um dos assassinos de Inês de Castro). Adorei tanto que decidi ler os restantes histórias. Infelizmente, sem um professor para explicar, a experiência foi menos satisfatória… 

O autor é madeirense, e a minha esposa já teve o livro na estante mas quando o mencionei no Insta alguém me chamou de erudito porque tem a reputação de ser uma leitura difícil. Podes crer, mas ainda assim, estou muito contente por ter lido e entendido um dos contos!

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A Padeira de Aljubarrota Está de Volta

Sorry, I’ve no idea what anyone reading these updates is making of them: they’re all just formless, unedited brain-dumps of the texts I’ve been reading on the Literature and Culture course unit. I´ve got so used to using this blog as a way of processing and recording things that I´ve lost the ability to just write stuff down in a book.

As I write this, I have just finished sending my first ever essay to the Universidade Aberta. I

Já conheces a Padeira de Aljubarrota, não conheces? Já falei sobre a sua lenda aqui mas faz dezenas de referencias a história por exemplo isto.

Inês de Castro, a senhora mais bela (segundo as lendas escritos por homens) da história de Portugal agora cede lugar a Brites de Almeida que foi (segundo os mesmos homens) a mais feia e a mais sobrededada*. A segunda parte do curso tem a padeira como assunto, portanto dirijo-me para o campo de batalha onde os espanhóis derrotados afastam-se do exercito e correm em direção a um inimigo ainda mais assustador…

Me showing off in other people’s comment section on Instagram. The timeline is off obviously – Brites de Almeida had been in the ground for centuries when the peninsular war happened, but I like the idea that all portuguese bakers follow her example.

Os Livros Populares Portuguezes (Folhas Volantes ou Litteratura de Cordel) – Teófilio Braga

Este texto descreve a origem da tradição de “literatura de cordel” em Portugal e situa um panfleto – “Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” neste tradição.

Literatura de cordel surgiu de tradições mais antigas, satíricas ou religiosas, que foram dramatizados nas cidades, mas o formato dos livrinhos era que deu o nome ao género. Foram impressos em folhas soltas, penduradas em cordéis e vendidas por cegas. Existiam até no século XVI mas algumas leituras foram vítimas dos índices expurgatórios**

Houve um renascimento da literatura popular no século XVIII, fomentando uma ligação entre as várias tradições orais e a imprensa. O “Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” (ou “Forneira” – depende da edição) saiu em 1743 mas encontra-se nos catálogos populares no Porto em meados do século XIX. Segundo o historiador, o autor, Diogo da Costa foi pseudónimo de um professor de gramática, André da Luz

“Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” Diogo da Costa

Segundo a leitura anterior, “é uma relação alambicada e conceituosa” e concordo que a história é tortuosa mas não o achei assim tão sentencioso. Um pouco, sim, mas a narrativa continua em frente come cena após cena de ação. É picaresco e às vezes sangrento. Além dos espanhóis, ela degola um turco (e os filhos dele), fere de morte um homem que quer casar com ela, e mata um bando de ladrões. Estou a esquecer alguém? Sei lá.

O que mais me marcou é que o conto não tem nada de patriotismo no retrato da padeira. No primeiro parágrafo, o autor descreve a terra dela como “a famosa, e sempre leal Cidade de Faro” e salienta as origens humildes de Brites de Almeida. Estes dois elementos podem ser atributos de uma heroína popular, mas as ações dela surgem da amizade aos portugueses, ódio aos criminosos e donos de escravos, proteção da sua propriedade (o forno) mas amor da pátria, nem por isso!

“A Padeira de Aljubarrota: Entre Ontem e Hoje” (Capítulo 4) Cristina Pimenta

Espero que não errei em escrever o título. De acordo com o arquivo, é simplesmente “A Padeira de Aljubarrota” mas fiz uma pesquisa e acho que este é o único livro que ela escreveu.

O livro mostra a evolução ao longo dos anos, desta figura mítica, ela foi adaptado pelos autores de cada época para fortalecer o espírito nacional:

  • Restauração (1640) A evocação da padeira em contextos religiosos e historiográficos deu legitimidade á nova dinastia de Avis.
  • Século XVIII Em tempos de calma, a história foi tratado mais levemente e foram acrescentados mais pormenores à lenda (foi durante este século que foi escrito o antes mencionado “Auto Novo…”).
  • Século XIX Numa era de romantismo e liberalismo a história foi apropriado como símbolo da regeneração nacional após a derrota do Miguelismo*** Também surge como personagem no livro “A Abóbada” de Alexandre Herculano or causa do seu valor simbólico.
  • Século XX Como é óbvio, uma figura tão trabalhadora, valente e simples representa um oportunidade ao Estado Novo que colocou a padeira em selos dedicados á independência da república. Também apareceram versões Salazaristas da lenda, editado pelo Secretariado da Propaganda Nacional. Além dos já existente virtudes, o regime acrescentaram moralidade e defesa da pátria.
Once you know who she is you realise she’s pretty much everywhere in Portuguese humour.

* Not a real word, obvs. I am trying to say she is “over-fingered” because she supposedly had six on each hand

**I should probably do a blog on Censura in Portugal at some point – it’s listed here though if you’re interested.

***I should probably know what this is but I don’t

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Pedro e Inês

Notes jotted down from part of the Portuguese Culture Unit I am studying.

Um Resumo Simplório da História de Pedro e Inês

Pedro I de Portugal (1320-1367), antes da sua ascendência ao trono, casou com Constança Manuel, mas foi abertamente infiel com a aia dela, a galega Inês de Castro. O pai de Pedro, o então rei Afonso IV, reprovou a relação, até após a morte de Constança quando Pedro e Inês viviam com se fossem casados. Em 1355 o rei mandou o assassinato de Inês, temendo a influência da família Castro. Este ato provocou uma rebelião contra o rei por Pedro, os Irmãos de Inês e vários aliados, mas não foi bem sucedido e os dois lados na guerra concluíram um paz desassossegado. Dois anos depois, com o morte do soberano, Pedro foi aclamado rei do país e pós em andamento a sua vingança contra os homens que executaram as ordens de Dom Afonso. Logo depois, afirmou que tinha casado com Inês antes da morte dela e declarou-a como rainha. Até se diz que o cadáver de Inês foi desterrado e coroado e que os nobres foram forçado, sob pena de morte a beijar a mão dela. Seja como for, os túmulos dos amantes ficam no Mosteiro de Alcobaça, lado a lado para que, no dia da ressurreição, acordado dos seus sonos, Pedro e Inês se vejam sem demora.

O Túmulo de Inês de Castro

As Trovas à Morte de Inês de Castro

Segundo o site Mitologia.pt , existe um poema secreta, atribuída ao então infante Pedro, mas a sua autoria é discutível. Porém, segundo o mesmo site, o comprovadamente mais antigo poema (tirando esse duvidoso) é “Trovas à Morte de Inês de Castro” de Garcia de Resende (1470-1536).

O poema é contado do ponto de vista de Inês, na hora da sua morte. Ela não culpa o rei mas sim os cavaleiros que acabaram executados por Pedro. Este decisão é interessante. Às vezes, vemos obras de arte que evitam responsabilizar uma figura histórica porque a figura anda favorecida pelo povo ou pelas autoridades atuais. Será que o rei da sua época desfavoreceria qualquer pessoa que criticou o seu antecessor? Parece-me pouco provável uma vez que um século tinha passado entre o morte do Pedro e o nascimento do poeta, mas quem sabe?

Crónica

Mais um poeta que escreveu poesia sobre a lenda é João Miguel Fernando Jorge (1943-hoje). O professor do curso forneceu-me com fotos de 7 páginas do livro “Crónica“. O que mais me marcou foi a diferença entre as primeiras linhas de cada página (por exemplo “COMO ELREI DOM PEDRO DE PURTUGAL DISSE POR DONA ENES QUE FORA SUA MOLHER REÇEBIDA E DA MANEIRA QUE ELLO TEVE” e o resto do texto que é escrito em português moderno. A razão custou-me descortinar: A obra do Jorge é uma espécie de atualização ou de recontagem de uma obra mais antiga, especificamente a “Crónica de Don Pedro I°” de Fernão Lopes (1418-1459) o escrivão e cronista do reino de Portugal, daí a sua ortografia antiga.

Teorema

Passos em Volta de Herberto Helder

Teorema é um conto de Herberto Helder. Helder (1930-2015) foi um poeta madeirense, mas, ao que parece, também soube escrever prosa. E sendo ele madeirense, por acaso, não tive de ler o conto online porque a madeirense que tenho em casa tem um exemplar do seu livro “Os Passos em Volta” no estante. É brutal! Adorei! É contado na primeira pessoa por Pêro Coelho, um dos dois executados por Pedro por ter participado no assassínio de Inês de Castro. Fiquei muito orgulhoso logo na primeira página porque o narrador descreve uma janela “no estilo manuelino” e eu soube instantaneamente que era um anacronismo: o estilo manuelino foi desenvolvido na época de D, Manuel I, cem anos depois da morte de D. Pedro. Mas mais tarde o narrador ouve a buzina de um automóvel e eu entendi que o conto é surrealista. A estátua do Marques de Sá da Bandeira? Mais um anacronismo, não é? E o protagonista continua com a narração enquanto o soberano come o coração dele, cru e cheio de sangue, o que não é normal. Eh pá cinco páginas esmagadoras!

Pedro Lembrando Inês

Já li dois livros de Nuno Júdice (1949-2024), mas não sabia que ele também escreveu um poema do ponto de vista de Pedro, nos anos após a morte da sua amante

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7 Senhoras

7 Senhoras” de Margarida Madeira é mais uma banda desenhada mas tem um ritmo mais lento do que o do Astérix. Retrata as vidas de sete mulheres que a autora conhecia na juventude. Temos, por exemplo, uma bisavó, uma professora e uma senhora que faz parte da vizinhança, mas cujo nome a autora nem sequer sabe. Não há enredo nenhum, apenas uma vista microscópica destas vidas únicas, algumas ternas, outras absurdas, mas cada uma desperta a atenção da menina que um dia tornaria artista e autora. É uma homenagem às vidas escondidas que nos influenciam ao longo do caminho, cada uma à sua própria maneira.

Look at this mess! I hadn’t even started it and already I’d done this. This is why we can’t have nice things.
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Asterix Na Lusitânia – Opinião

Adoro esta série de bandas desenhadas e estou muito feliz que os nossos heróis, Astérix e Obélix chegam finalmente na província romana de Lusitânia. A sua missão é libertar Malmevês, um empresário de garum (uma espécie de molho de mariscos) e o pai da Saudade, (uma mulher pela qual o Obélix está caidinho, embora não admita!). O Malmevês está preso numa cadeia romana porque é suspeito de um atentado contra o imperador, mas os gauleses espertos sabem descortinar o verdadeiro assassino, disfarçando-se como Tugas para entrar sem ser capturado.

Ainda bem que não havia partidos políticos da extrema-direita porque às vezes os visitantes ajudam muito.

Como sempre, os habitantes da terra onde a história tem lugar têm as características dos atuais habitantes do país moderno: comem bacalhau, construem calçadas mosaicas e cantam poemas tão melancólicas que quem os ouve desata logo em lágrimas.

Apesar da morte dos criadores, Goscinny e Uderzo, a série retém o espírito dos livros originais: humor, otimismo, alegria e inteligência.

Astérix na Lusitânia: Wook

Pois é, mas como se pronúncia o nome do tipo?
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As Personagens do Livro Viagens Na Minha Terra

A Terra

Há uma mapa que estende da contracapa para a capa do livro. Na verdade, a viagem é curta. É possível caminhar aquela distância dentro de um dia

Além do território em si, a história enxertado pelo autor em VNMT, como já disse ontem, tem cinco personagens, entre elas três que merecem inclusão no Dicionário de Personagens da Ficção Português*. Nestes resumos daqueles resumos (por assim dizer), irei omitir os pormenores da história e concentrar no caráter de cada um.

Carlos (aqui)

Carlos é o herói da conta. O autor concretiza nele as ideais da revolução: singeleza, honestidade, generosidade. Na sua cara, them uma “boca desdenhosa, não por soberba mas por consciência de ‘uma superioridade inquestionável'” o que reflete, acho eu, a intenção por parte do autor que nós nos identificam com esta protagonista admirável. O conflito no seu peito entre a sua lealdade à Georgiana e o seu amor para Joaninha é motivo de ânsia, precisamente por causa das boas qualidades dele. O autor justifica-nos “rousseaunianamente” esta paixão.

A reação dele á aparência do frade mostra o sangue quente do homem, mas não «e fora do controlo, como dizemos quando deixa de atacar e em vez de cometer parricídio, junta-se ao exército liberal. Mais tarde, Carlos, após algum tempo em exílio onde “flirtara” com três irmãs britânicas a fio, “adquiriu facetas dândis”, mas ainda era capaz de tomar ação decisiva para romper os laços de amor. Também fala do amor da sua pátria, e a veemência do seu liberalismo, que dá origem ao desejo se tornar deputado. Como resultado, perde algo do seu espirito aventureiro e engorda nas vésperas da sua vida.

O artigo conclui com o seguinte parágrafo imelhorável

É bem um “herói” romântico, Carlos. De íntimo ferido no confronto da sua pureza primitiva com a poluição do grande mal e da sociedade dispersora, ganha configuração ficcional pela representação de um mundo subjetivo intenso, fragmentado, complexo, posto em relevo pela contraposição a várias personagens e pela articulação com um tempo histórico em devir, também exemplificativo do descambar fatal dos ideais.

Joaninha (aqui)

O escritor do retrato dedica um parágrafo inteiro á aparência física da Joaninha. Não é bela mas tem “Um vulto airoso” e blabla, voz doce, olhos como esmeraldas, voz puro, árvores e espiritualidade e tal. Mas além disso tudo, ela “afasta-se, pois, dos estereótipos românticos da mulher-anjo ou da mulher-sílfide” e vive no vale que nunca abandonou, rodeado de rouxinóis e outras criaturas. É corajosa e ama sem reserva o seu primo.

Enlouquece quando ouve de como Carlos “caíra em fragmentação interior e “morte” moral no ceticismo, tornando-se incapaz de amar a inocente que poderia revocá-lo do abismo”

Explicando o lugar da mulher dos rouxinóis nesta história, Ofélia Paiva Monteiro diz o seguinte:

Joaninha, sem deixar de ter alguma consistência física e psicológica, “vale” sobretudo como poética representação da inteireza natural, irrecuperável para os que perderam, como Carlos, a unidade e a transparência nativas.

Frei Dínis (aqui)

O frade é uma figura “seca, alta e um tanto curvada” da aparência, e “austero” com “crenças rígidas” e “lógica inflexível”. A sua natureza não é completamente sem simpatia mas afinal o frade representa o clericalismo do regime antigo mas também é o pai do herói romântico que tem de se submeter á raiva do filho, naquela cena miserável quando a verdade é descortinada. A consciência por parte de Frei Dinis do seu pecado imperdoável assombra a sua aparência física e as vezes até o faz tremer.

*Annoyingly, the first time I clicked on this it failed to load because there’s a problem with its security certificate, so I had to go into the security settings and tell it to ignore problems on this specific site. Doesn’t seem to happen in Edge, only Chrome.

**I had to squint at this for a bit. It’s an adverb meaning “in the manner of Jean-Jacques Rousseau”. There you go, try dropping that into your next conversation!

Termos usados nos textos que podem ser úteis no contexto académico

Oitecentista: que viveu no século XIX – os millennials daquela época

Metadiegética: Palavra não encontrada no Priberam, mas segundo este fio redditético, existem mais palavras na mesma família: um narrador extradiegético é o narrador do livro que o leitor tem nas mãos. Um narrador intradiegético é um narrador de uma historia dentro do livro que conta as aventuras de um terceiro (o redditor dá o exemplo da Sherazade nos “Mil e Um Noites”) e um narrador metadiegético é um narrador da hístoria contado pelo próprio narrador intradiegético, como por exemplo Simbad, o navegador e o protagonista d’O Marujo. Todos escrevem na terceira pessoa mas existem em níveis diferentes na contagem das histórias dentro da história principal! Uau! Nunca antes ouvi falar deste concepto!

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Livros da Piça

In which, in honour of the new pope, I make a rare mention of Fátima, and try not to get murdered by JD Vance.

CW: Orgãos sexuais masculinos

Entre os diversos podcasts na aplicação do meu telemóvel, existe um chamado “Livros da Piça”. Como é óbvio, é um podcast sobre livros, e os anfitriões são Sergio Duarte e Bruno Henriques, dois humoristas ou satiristas ou sei lá o quê, que também produzem o podcast “Jovem Conservador de Direita”. Só ouvi poucos episódios porque alguns deles durem mais do que duas ou até três horas, mas o último é um bom exemplo da espécie de livro sobre qual gostam de discursar: “As Aparições de Fátima e o Fenómeno OVNI” de Fina d’Armada e Joaquim Fernandes. Para quem não entenda este título, Fátima é uma cidade em Portugal onde a Nossa Senhora apareceu em 1917 e falou com três putos de lá por motivos que são opacos para nós seres humanos. É um dos lugares mais sagrados no mundo católico, tipo Lourdes em França, Mejugorje na Bosnia ou Craggy Island na Irlanda. E um OVNI? Então perdeste este texto? Por favor, presta mais atenção ao meu blogue.

Segundo o autor do livro, os milagres testemunhados pelos Pastorinhos de Fátima não foram exemplos do poder de Deus, claro que não, que noção rebuscada. Não, foram evidência de alienígenas. Como disse um dos humoristas, isto é um raro exemplo de uma teoria de conspiração com extraterrestres que chega a ser mais credível do que a alternativa. Mas ainda assim, é bastante estúpida.

De vez em vez, publicam um episódio sob a rúbrica “Livros do Caralho”, no qual os dois conversam sobre um livro de que gostam, como interlúdios no seu fluxo interminável de leituras execráveis. A diferença entre Livros do Caralho ou da Piça interessou-me muito. Obviamente, Caralho e Piça significam a mesma coisa: O orgão sexual masculino. Então, porque é que um Livro da Piça é péssimo mas um Livro do Caralho é ótimo? Pela mesma razão que “It’s shit” significa o oposto de “it’s the shit”, ou “absolute bollocks” não é igual a “the dog’s bollocks”. O calão de qualquer idioma é infindavelmente flexível e quase impossível de explicar.