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Maria E Salazar – Opinião

“Maria e Salazar” de Robin Walter, é uma banda desenhada. Trata-se de uma biografia duma portuguesa, mas também conta a história duma época na história de Portugal.

A estrutura do livro lembrou-me de um outro livro chamado “Maus” de Art Spiegelman, porque ambos são contados por um escritor que é um protagonista no livro. Fala com o narrador (o pai do Spiegelman e um empregado da família de Robin Walter) que descreve a sua experiência de vida numa ditadura. No caso de Maus, o pai de Spiegelman era um judeu que viveu na Alemanha nos anos 30. Por outro lado, fosse o que fosse, o Estado Novo nunca atingiu o nível de terror abrangido pelo nazismo, portanto, esta história é mais quotidiana. A Maria nao é uma refugiada, não era exilada ou presa. Saiu do país à procura duma vida melhor, que é um direito de todos nós seres humanos. Acabou por viver num “bidonville” (“bairro de lata”) em França. Muitos outros portugueses partilharam as suas próprias experiências: as saudades dos portugueses, fora do país por motivos económicos ou para afastar-se da guerra em África, e a dupla identidade dos filhos, que se sentem portuguses e franceses ao mesmo tempo.

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Escreva sobre um livro que tenha lido e que o tenha marcado (PT-PT Exame B2)

“Sinta o receio e faça-o assim mesmo”

Este livro é motivo de alguma vergonha porque não custumo de ler livros de auto-ajuda e nós homens (em geral) não sentimos vontade de discutir assuntos deste tipo, mas li este livro há alguns anos e fez uma mudança subtil no meu ponto de vista. Tenho tendências pessimistas. Muitas vezes, escolho a pior interpretação de qualquer situação em que me encontro, mas a verdade é que isso nunca aduda ninguém. Convém lembrar que, venha o que vier, o nosso próprio modo de pensar num assunto pode nos ajudar a tratar dele. Se pensarmos “não tenho tempo para estudar”, sentimo-nos impotentes, mas se dissermos “tenho tempo, mas prefiro assistir ao festival da canção”, embora nada mude no mundo exterior, vemos que há outras hipóteses, e podemos desligar a televisão e fazer algo diferente.

O escritor é optimista até um nível quase ridículo (tenta ver o lado positivo do cancro, por exemplo) e não consigo seguir os exemplos todos, mas esta pequena diferença fez uma diferença pequena mas significativa.

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Brevíssima História de Portugal – A. H. de Oliveira Marques

Li este livro durante um projecto que estou a fazer sobre a história portuguesa. Lê-se muito bem, e traz pormenores suficientes para um iniciante, tal como eu, e vamos ser honestos: escrever a história dum país inteiro de modo interessante e informativo ao mesmo tempo não é nada fácil! Dá para entender os factos básicos, e colorir a imagem preta e branca que eu obtive do livro escolar que li recentemente.

Como já disse (ontem, na opinião de “É de Noite que Faço as Perguntas”) o projecto está a ajudar-me entender a cronologia do país. Ajudou-me arrumar os factos que já sabia num ordem, ou seja, atou-os num fio: as batalhas, os reis, o terremoto, os motivos pela revolução dos cravos. Compreendi melhor o enredo da banda desenhada sobre a primeira republica, e a placa que já vi no Porto em Março, que comemora a perseguição do MUD.

Claro, existem ainda muitas, mas mesmo muitas coisas que não sei mas acho que vou parar, ou pelo menos fazer uma pausa porque não estou pronto para mergulhar-me dentro dos pormenores do declínio do império, o desenvolvimento de socialismo ou o pequeno almoço preferido do Infante Dom Henrique. Se calhar, no ano seguinte…

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É de Noite que Faço as Perguntas

12680196Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
O livro foi publicado para comemorar o centenário da república. Os autores defendem as realizações da primeira experiência de democracia, por mais imperfeito que fosse, para apagar a mancha de analfabetismo e modernizar o país.
A historia é contada pela voz dum homem que vive durante o estado novo. Está a escrever uma carta ao seu filho, que descreve a sua vida como criança logo no inicio da primeira república portuguesa, nos anos antes e durante a grande guerra e, logo depois, anos turbulentos nos quais o poder mexeu-se de uma extremidade para a outra numa serie de golpes e revoluções e a sombra de autoritarismo aproximava-se a pouco e pouco.

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Feliz Dia Internacional do Livro

This was yesterday, actually, but still…

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Rosa, Minha Irmã Rosa(Alice Vieira) – Opinião

notebook_image_989044Já li dois livros da mesma autora e este terceiro também é muito divertido. A protagonista é uma menina que tem 9 anos. Mora com a família e tem uma nova irmã. Apesar do título, uma grande parte da história trata das suas duas avós (das quais apenas uma ainda está viva), e as vidas duras delas quando eram novas. Um homem que mora lá na rua ficou preso antes da revolução (o livro foi escrito em. 1980). A história da família espelha a história recente do país. E a bebé? A narradora não se dá com ela no início mas ao longo dos meses, ela aprende, pouco a pouco, aceitar e amar a sua irmã.
É um livro juvenil, claro, mas Alice Vieira escreve tão bem que um adulto pode gostar também.

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Opinião: Caim (José Saramago)

7011225Acabo de ler o “Caim” de José Saramago. Custou-me muito ler, não apenas porque há tantas palavras desconhecidas mas também porque este escritor é famoso por ter escrito num estilo experimental. Portanto, neste livro há parágrafos que se esticam através de 5 páginas com pouca pontuação, nomes de pessoas sem letras maiúsculas, e tudo isso torna a leitura numa montanha-russa de confusão para um estudante como eu. Felizmente, já li a Bíblia, que me ajudou muito.
Toda a gente conhece a historia de Caim, filho de Adão e Eva, que matou o seu próprio irmão. Nas mãos de Saramago, este assassino original torna-se um rebelde contra o Senhor. Depois da sua expulsão do jardim, Caim percorre o mundo e viaja involuntariamente no tempo, entre épocas e locais, onde se encontram as personagens dos contos mais infames do testamento antigo. Assiste a queda das muralhas de Jericó, agarra a mão de Abraão quando está ao ponto de sacrificar o seu filho, e foge com Job do fogo e enxofre que engolem Sodoma.
A sua conclusão é que Deus é rematadamente maluco, e por isso, este próprio Caim tenta fazer alguma coisa muito ambiciosa: nada mais nada menos do que frustrar a vontade do Senhor, mas não quero explicar precisamente como, ou com que nível de sucesso, porque não quero dar spoilers!
Saramago ganhou o Prémio Nobel nos anos noventa, e mereceu: este livro é impressionante. O protagonista é um ser humano, mais realista, e melhor realizado que o da Bíblia. Trata-se principalmente de uma crítica de religião, mas já temos tantas daquelas! Também é uma história divertida. Por exemplo, na cena com Abraão, Caim amaldiçoa o patriarca pela sua falta de humanidade e sentimentos dignos de um pai. Isso serve como acusação poderosa contra Deus, mas na página seguinte, quando chega o anjo, há um momento de comédia que me fez rir em voz alta. Além disso, o livro foi escrito num modo brincalhão e ligeiro, apesar dos seus parágrafos gigantescos. Cá para mim, o livro foi um desafio mas não foi trabalho.

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Marialva

Acabo de ver uma apresentação dum novo livro escrito por uma autora portuguesa, chamado “A Inglesa e o Marialva”. É baseado em factos verídicos, sobre uma inglesa que chegou em Portugal nos anos sessenta. Tem um bom aspecto.

Alguém fez uma pergunta que muitos devem ter-se se perguntado: o que é que é um “marialva”. Foi explicado que esta palavra tem dois significados: pode ser um bom cavaleiro ou um homem que se traja como o Marques de Marialva, e tem o comportamento daquele fidalgo; forte, bem vestido, tipo Dom João. Mais recentemente, o nome tornou-se mais negativo, portanto muitas vezes significa um bêbado, ou um homem que corre atrás de mulheres.

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Agora e Na Hora da Nossa Morte – Susana Moreira Marques

 

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Diz-se que não se pode avaliar um livro pela capa, mas confesso que comprei este livro por esse motivo só. Os livros da editora Tinta da China são sempre bonitos. Este tem capa mole cor de lavanda com cantos arredondados. O assunto é igualmente bonito, apesar de ser menos alegre. O assunto é a morte. A escritora viajou com profissionais da saúde e de cuidados paliativos para visitar pessoas com pouco tempo de vida e familiares dos recém-falecidos, numa paisagem fora das grandes cidades, onde parece que um modo de vida está a morrer também. Ali, ela ouviu as histórias das pessoas, e escreveu os pensamentos delas sobre a morte, a vida e o que é importante no fim de contas.

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Tanta Gente Mariana – Maria Judite de Carvalho

6976800Este livro é uma coleção de contos. O primeiro tem um tipo de beleza melancólica que nunca chegou a ser deprimente apesar de tanta tragédia. Os outros também seguem o mesmo padrão; também cheio de tristeza mas mesmo assim, não tive vontade de parar de ler porque são tão bem escritos.