“Maria e Salazar” de Robin Walter, é uma banda desenhada. Trata-se de uma biografia duma portuguesa, mas também conta a história duma época na história de Portugal.
A estrutura do livro lembrou-me de um outro livro chamado “Maus” de Art Spiegelman, porque ambos são contados por um escritor que é um protagonista no livro. Fala com o narrador (o pai do Spiegelman e um empregado da família de Robin Walter) que descreve a sua experiência de vida numa ditadura. No caso de Maus, o pai de Spiegelman era um judeu que viveu na Alemanha nos anos 30. Por outro lado, fosse o que fosse, o Estado Novo nunca atingiu o nível de terror abrangido pelo nazismo, portanto, esta história é mais quotidiana. A Maria nao é uma refugiada, não era exilada ou presa. Saiu do país à procura duma vida melhor, que é um direito de todos nós seres humanos. Acabou por viver num “bidonville” (“bairro de lata”) em França. Muitos outros portugueses partilharam as suas próprias experiências: as saudades dos portugueses, fora do país por motivos económicos ou para afastar-se da guerra em África, e a dupla identidade dos filhos, que se sentem portuguses e franceses ao mesmo tempo.

Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
Já li dois livros da mesma autora e este terceiro também é muito divertido. A protagonista é uma menina que tem 9 anos. Mora com a família e tem uma nova irmã. Apesar do título, uma grande parte da história trata das suas duas avós (das quais apenas uma ainda está viva), e as vidas duras delas quando eram novas. Um homem que mora lá na rua ficou preso antes da revolução (o livro foi escrito em. 1980). A história da família espelha a história recente do país. E a bebé? A narradora não se dá com ela no início mas ao longo dos meses, ela aprende, pouco a pouco, aceitar e amar a sua irmã.
Acabo de ler o “Caim” de José Saramago. Custou-me muito ler, não apenas porque há tantas palavras desconhecidas mas também porque este escritor é famoso por ter escrito num estilo experimental. Portanto, neste livro há parágrafos que se esticam através de 5 páginas com pouca pontuação, nomes de pessoas sem letras maiúsculas, e tudo isso torna a leitura numa montanha-russa de confusão para um estudante como eu. Felizmente, já li a Bíblia, que me ajudou muito.

Este livro é uma coleção de contos. O primeiro tem um tipo de beleza melancólica que nunca chegou a ser deprimente apesar de tanta tragédia. Os outros também seguem o mesmo padrão; também cheio de tristeza mas mesmo assim, não tive vontade de parar de ler porque são tão bem escritos.