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Onde – José Luís Peixoto

Onde de José Luís Peixoto

Segundo a sinopse na contracapa, este livro é “difícil de resumir”. Pois, e para um estrangeiro, é difícil de entender! Não tenho a mínima familiaridade com Abrantes, Constância e Sardoal, as três vilas perto de Lisboa sobre as quais José Luís Peixoto escreveu estes textos. Cada um trata de um sítio (um jardim, um outeiro, uma biblioteca, seja o que for) nessa região do país, mas o tema é mais ambicioso do que um simples guia turística. Ao invés disso, o autor tenta abranger temas mais universais. Acho que a experiência de ler o livro teria sido mais enriquecedora se eu tivesse mais conhecimento dos sítios onde os textos têm as suas raízes, mas mesmo sem saber nada, curti dos textos como poesia.

You can find the locations listed in Onde by José Luís Peixoto by rummaging around on Google Maps (this link just shows the three villages, not the sixty odd specific locations discussed on the book)

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Estes Dias – Bernardo Majer

Estes Dias de Bernardo Majer

Parece-me que não tenho paciência para livros portugueses nesta altura. Ando a ler BD. “Estes Dias” de Bernardo Majer é uma série de retratos de pessoas em transição sem enredos fortes. Em cada um, seguimos a vida do protagonista durante algum tempo e logo a história chega ao fim e começa a próxima. O “ritmo” do diálogo e a lentidão do enredo (na medida que existe) fizeram-me lembrar as BD do Jiro Taniguchi mas falta o foco (e a qualidade dos desenhos) de Taniguchi cujo génio fica nas delongas e no silêncio, que sublinham os pormenores da vida. Ah ah, porque é que estou a fazer esta comparação? Taniguchi é um gigante e quase ninguém chega aos calcanhares dele.  Mas ainda assim, este livro parece estar em busca daquel mesma atmosfera na introspeção das personagens, nas lacunas e nos momentos de reflexão na natureza à sua volta.

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Quarentugas

Quarentugas
Quarentugas de André Oliveira e Pedro Carvalho

Acabo de ler o “Quarentugas” que é uma coleção de histórias aos quadradinhos* que tiveram a sua origem no Instagram durante os primeiros meses da pandemia e que conta histórias de indivíduos e famílias em pleno isolamento durante os dias mais negros do nosso passado recente. Apesar do estilo da banda desenhada ser simplíssimo, tive a impressão de os escritores gostarem de palavras mais elegantes porque o nível de vocabulário é ligeiramente mais elevado do que normal.

As histórias são divertidas, ainda que às vezes o humor seja cru, e as ilustrações são bem executadas. Gosto muito e lamento que não tenha ouvido falar da conta antes. Teria sido uma boa diversão durante o ano 2020.

* Using Histórias aos Quadradinhos and Bandas Desenhadas in the same text is a bit odd. You’d usually stick to one or t’other. In Brazil, a BD is often referred to as an HQ apparently (Lord knows why – those two letters sound pretty clunky in Portuguese), but there it stands for Histórias em Quadrinhos (note the shand of spelling from “quadradinhos” (PT) to “quadrinhos” (BR) as well as the pronoun shift…. Banda Desenhada is definitely the better expression so it’s probably safest to ignore the other completely rather than remember the variants.

As usual, thanks to Dani for correcting this text.

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Amor de Perdição

Really reading a lot of graphic novels and comics at the moment. I tried to listen to the audio of this a while ago but it’s much easier in this format! Thanks to Dani for the corrections.

Amor de Perdição

Decidi ler um clássico da literatura portuguesa, nomeadamente o Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, porque sou um intelectual, mas escolhi a versão banda desenhada porque ser intelectual é difícil. A história é uma tragédia de amor, parecida com o Romeu e Julieta. Dois jovens, membros de famílias rivais, apaixonam-se. O homem tem sangue quente – é igualmente raivoso e orgulhoso e mete-se em apuros a cada cinco minutos. Até mata um empregado do pai da rapariga, o que complica tudo ainda mais. Não quero dar spoilers mas não há um final feliz o desenlace é igual ao da peça de Shakespeare, mais ou menos. A banda desenhada conta a mesma história de um modo mais acessível e a arte é bastante boa.

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Rugas – Paco Roca

Rugas de Paco Roca
Rugas

Li mais uma banda desenhada logo depois d’O Segredo de Coimbra. Rugas foi escrito em espanhol, se não me engano, mas já vi vários leitores portugueses a ler e a curtir a versão traduzida. A história tem muito em comum com o enredo do filme “Voando Sobre Um Ninho de Cucos*” mas é mais pacata. O protagonista é um banqueiro reformado que chega a um lar de** idosos. Receia a possibilidade de ficar perdido por causa da sua doença mental. Um outro internado, (que corresponde ao papel desempenhado por Jack Nicholson no filme) tenta ajudar os menos sortudos a manter a sua independência, mas ao mesmo tempo não hesita em tirar partido da sua inocência. É uma personagem interessante: caótico mas com coração de ouro. Os quadrinhos são bem desenhados e a história bem contada. Li com muito prazer.

*One Flew Over the Cuckoo’s Nest has a Brazilian and a Portuguese translation. In Brazil it’s “Um Estranho No Ninho”

**A home of old people, not a home for old people!

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O Último Ano em Luanda – Tiago Rebelo

Today’s review is about a historical novel called O Último Ano em Luanda (the Last Year in Luanda). I’ll link to the papery book here but as I say in the review, I used the audiobook and I was really impressed by the narrator’s clear, uncomplicated reading voice so I’d defintely recommend it for a confident, intermediate level learner.

Thanks to Dani for the corrections

O Último Ano em Luanda
O Último Ano em Luanda

O Último Ano em Luanda é um romance de Tiago Rebelo que eu “li” com os ouvidos. O enredo tem lugar durante os últimos anos do império português – antes e depois da Revolução dos Cravos. Os protagonistas mudam-se para Angola apesar do movimento de libertação estar a ganhar força. O marido é um piloto que ganha dinheiro a fazer contrabando, mas a situação militar, o caos do retorno dos portugueses e os laços dele com os rebeldes levam a família até à beira do desastre. O livro tem a atmosfera dos filmes clássicos americanos sobre a guerra do Vietname. O suor, o terror, a falta de lei e ordem. Todos se combinam numa história incrível, e a narradora lê numa voz nítida, o que ajuda muito!

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O Segredo De Coimbra

First of a series of reviews of books I’ve read recently. Thanks to Dani for the corrections.

O Segredo De Coimbra
O Segredo De Coimbra

Esta banda desenhada serve principalmente como veículo duma exposição dos vários tesouros científicos armazenados na universidade: aparelhos experimentais fabricados durante a infância do nosso conhecimento do mundo físico. Um pesquisador  obcecado com espelhos e a “anamorfose” agenda uma reunião com um professor do Gabinete de Física. Os dois falam-se e o historiador conta a história de um príncipe, preso numa ilha. O príncipe está a ser enganado pelo seu conselheiro, que usa as mesmas ilusões óticas usadas nos aparelhos científicos que aparecem nos quadrinhos. Acima de tudo, é óbvio que o autor do livro estava fascinado pelo espírito de inquérito daquela época.

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Frol With It

In English, as you know, FROL stands for Farting Raucously Out Loud, but I came across the same word in the title of a book I’m trying to read (God the vocabulary though – I don’t know how much more of this I can take!)

The book is Ronda Das Mil Belas em Frol by Mario de Carvalho. Here it is ony my Insta, but obviously the caption is just a silly joke.

Apparently Frol can refer to the foam on a wave: sea-spume, something like that. But it’s also an archaic spelling of “flor”, apparently. So they’re beautiful women in bloom. Makes sense. I find it really odd that the old spelling is so much like a joke, as if someone has deliberately swapped two consonants for a laugh and it caught on.

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Cadernos da Água – João Reis

Este livro é meu terceiro do João Reis. Geralmente, acho o seu estilo um pouco difícil: a frequência com que estico o braço para agarrar o dicionário é cem vezes maior do que quando estou a ler um thriller como Segredo Mortal, por exemplo. Mas esta vez, consegui ler o livro inteiro sem sentir que estava a perder alguma coisa por falta de domínio da língua. Pois bem, qualquer evidência de progresso é muito bem-vinda!

Cadernos da Água - João Reis
Cadernos da Água

O género do livro é completamente diferente do último. Trata-se duma história distópica que se passa num futuro próximo mas não é ficção científica ou futurista como Admirável Mundo Novo, por exemplo. É um romance quase profético que conta a história de um possível futuro que pode acontecer daqui a poucos anos. As alterações climáticas dão em escassez de água e de comida (porque o crescimento das plantas também depende da disponibilidade de água). Segue-se uma sucessão de eventos catastróficos incluindo uma nova pandemia e uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Se não me engano, o livro foi escrito antes da guerra atual mas ainda assim… O enredo às vezes é indistinguível das notícias!

No meio deste transtorno, uma guerra surge entre os países do sul da Europa e do norte de África. A Península Ibérica torna-se um campo de guerra; a República portuguesa dissolve-se e portugueses e espanhóis (entre outros) fogem para a Escandinávia e Alemanha. O meu país não é mencionado. Quem sabe? Talvez as ilhas tenham afundado sob as ondas do Atlântico durante “o primeiro evento” ou talvez o primeiro-ministro seja a Priti Patel. Mas seja como for, durante este exílio, os sul-europeus vivem em “centros de acolhimento” e é aí que a protagonista do livro começa a escrever no seu caderno.

O futuro, segundo este romance, é sombrio, até desolador, mas será esse o futuro se não fizermos mudanças na nossa vida. Não há motivo para ser otimista.

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Pardalita

Pardalita de Joana Estrela

Pardalita é um romance juvenil, contado por prosa (a tipografia parece ser escrita pela mão da narradora) com desenhos. Às vezes, as palavras e os desenhos combinam-se como banda desenhada.

A protagonista é uma adolescente portuguesa de dezasseis anos que tem um namorado e alguns bons amigos mas tem uma paixão escondida por uma rapariga da escola dela. A história é sobre a vida dela, com os amigos, a mãe (que é uma lutadora feroz pelos direitos dos refugiados) e o namorado, enquanto os seus sentimentos perante a moça desenvolvem-se.

É uma história simples e doce – uma leitura fácil, pouco exigente e com personagens simpáticas. É bem desenhada e bem escrita e curti as duas horas que passei a ler.