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Opinião – A Avó e a Neve Russa (João Reis)

These are some notes I wrote yesterday for a video review which I’ll probably make in the next day or two. Part of it has been corrected on italki by Fernanda and Karla – Obrigado as duas – but there was too much to fit in the box so I cut some out and hence there might be some errors remaining #UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON! There’s also a shortened version on Goodreads.
Ouvi dizer deste livro através dos canais duns booktubers portugueses. Muitos deles mencionaram que o compraram e vários já o leram e gostaram. O autor é muito activo nas redes sociais e da a impressão de ser simpático (mas eu diria isso de alguém que curtiu os meus instagrams). Achei que o livro tinha bom aspecto. Portanto, comprei-o no site da Fnac. A história é contada por um menino de dez anos. Às vezes, as opiniões dele parecem reacções normais duma criança, mas, noutras situações, parecem mais maduras, mais adultas do que os pensamentos dum rapaz daquela idade – e também, na maneira com qual fala com a avó e o irmão, como se fosse ele que tinha que cuidar deles. Descreve-se como “homenzinho” por causa do seu papel na família. De forma geral, a voz do narrador fez-me lembrar outros livros contados por crianças num mundo adulto, tal como o “Espiões” de Michael Frayn ou “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” de Jonathan Safran Foer. Também, de vez em quando, alguma coisa no registo da leitura fez-me pensar em “O Estranho Caso do Cão Morto” de Mark Haddon. Pensava que isso foi por causa da minha falta de conhecimento da língua mas depois vi um video de uma das minhas leitoras preferidas e disse que ela também perguntou-se se o narrador tivesse qualquer espécie de autismo ou Síndrome de Asperger. Mas não tem.
A Avó e a Neve RussaEste rapazinho mora no Canadá com a sua avó e o seu irmão. O irmão, que se chama Andrei, é adolescente e passa os seus dias a fumar canábis, ou algo do género (não é nomeado no texto). Antigamente a avó vivia na Ucrânia, na União Soviética, perto de Chernobyl onde o seu marido morrera. Ela tem dores de pulmões por causa de radiação – tem cancro e talvez mais problemas por cima. Também acho que tem uma espécie de demência. O rapaz deixa-lhe recados para ela fazer as coisas do dia-a-dia.
Existem outros estrangeiros perto da família – da Itália, da China, da Nigeria e até dum país chamado Portugal. Um aluno na escola goza com o rapaz e chama-lhe “Russkiy”. A grande aventura da segunda metade do livro é uma viagem que o narrador e o seu amigo, Matt, realizam para irem procurar uma cura para a doença da avó. Matt é judeu, e o holocausto torna-se uma tema menor do livro.
Há passagens no livro que eu achei um pouco lentas, mas como devem saber, leio português muito devagar e por isso, a minha percepção destas subtilezas não é o melhor guia para quem quiser saber se é um livro bom – não fiquem desanimados por minha causa! Apesar disso, o livro é encantador. O desenlace é muito triste, muito querido e muito adequado à história dessa velha e do seu neto.
Aliás, tenho uma pergunta. Li dois comentários no Goodreads, e também ouvi num video que o menino não tem nome mas acho que tem, sim. Há uma carta na página 211 em que… cá para mim, chama o menino como “Alexei” mas não é óbvio no contexto porque aparece em parênteses e por isso é possível que mal entendi. Talvez fosse o nome do jornal, ou um o pretérito perfeito, primeira pessoa dum verbo desconhecido a mim “alexar”. (Ei, meu amigo, sabes o que fiz? alexei!) mas é um nome russo, e eu simplesmente assumi que fosse o seu nome.
Links: Bertrand / Amazon
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A Vida Nos Livros

“A Vida No Livros” de José Jorge Letria – Tradução

Nem dez vidas me bastaram, eu sei

Ten lifetimes wouldn’t be enough, I know

para ler os livros que fui arrecadando

to read the books I’ve been collecting

e que me desafiam para que

and that challenge me because

me perca neles como um peregrino

I lose myself in them, like a pilgrim

nas rotas de um mitigado desespero.

on the trails of a muted despair

Sou eu que pertenço aos livros

It’s me that belongs to the books

e não o contrario, já o disse tantas vezes

and not the other way around, I’ve said it many times

pois o que eles vão entesourando

because the treasure they are hiding

é a pequenez do tempo que me resta

is the shortness of the time that remains to me

para os ler e neles me encontrar.

to read them and find myself in them

Os livros falam de vidas e de guerras

The books speak of lives and wars

e eu só falo do que os livros contam,

and I only talk about what the books tell me

esquecido que ando do que vivi

oblivious that I’m wandering from what I lived

e bem podia e devia contar-vos.

and can and should tell you

São os livros que me acenam

It’s the books that move me

apontando-me para os mostradores

pointing me to the faces

dos seus relógios imóveis e opacos,

of their motionless, opaque clocks

assim como quem diz: por mais que vivas,

as if they were saying: no matter how you live,

por mais que faças, tu partirás

no matter what you do, you will depart

e nós, bem ou mal, havemos de ficar,

and we, good or bad, have to stay

porque não nos cansámos de viver

because we never got tired of living

a ficção de que são feitas estas vidas.

the fiction from which these lives are made