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Grab-bag of Notes About João II

In no particular order and with no particular theme – I am just so addicted to blogging that I can no longer just write thing in a notebook like a normal person!

Descobrimentos Durante o Seu Reinado

From Wikipedia

O Mostrengo

Este poema trata-se de um resumo da missão imperialista durante o reinado do El-Rei Dom João II. O marinheiro ao leme é confrontado por um mostrengo que representa os perigos do mar, mas supera o seu próprio medo em nome do povo português e em nome d’El-Rei.

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar; [breu=pitch, a component of tar – so “pitch dark”]
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?» [teto = AO spelling of tecto]
E o homem do leme disse, tremendo: [leme = helm]
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?» [quilha = keel]
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso, [imundo = filthy]
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Fernando Pessoa (1888-1935) In: Mensagem

D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspectivas historiográficas

D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspectivas historiográficas – Mafalda Soares da Cunha (Universidade de Évora)

A professora explica como a nossa imagem do “Principe Perfeito” vai mudando ao longo do tempo. Em geral a sua carreira é associada com conflitos com outros políticos, principalmente da alta nobreza com objetivo da centralização de poder mas a sua figura é apropriada por diferentes correntes ideológicas.

Séculos XV-XVI

Chronica de el-rei D. João II (ca 1545) Garcia de Resende e Crónica de D. João II de Rui de Pina elogiam o rei e criaram uma imagem do defensor do povo e disciplinador dos nobres. Resende teve mais impacto devido às suas historias vívidas,

João de Barros (EM “Décadas na Asia”, 1552) e Damião de Góis (Crónica do Principe D. João, 1567) criticam Pina por omissões e tentam reescrever a narrativa, sobretudo sobre o seu papel na expansão e a justiça da condenação dos Bragança e Viseu. Regra geral, apoiantes dos nobres tendam a opor-se à mitologia

Séculos XVII–XVIII

Durante a dominação filipina (ou seja o reinado da monarquia castelhana) e a Restauração a figura de D. João II é usada para discutir o poder régio, a justiça e o absolutismo. D. Francisco Manuel de Melo e D. Agostinho Manuel de Vasconcelos) criticam a crueldade e precipitação dos seus atos em poder. Pedro Barbos Homem anda ainda mais longe, transformando o rei em modelo de anti-Maquiavel.

Com a chegada da dinastia Brigantina (ou seja os Braganças) o papel da monarqia

Século XIX

É no século XIX que nasce a imagem que domina os manuais escolares.

Alexandre Herculano culpa Dom João II por ter dado início á idade de absolutismo que levaria o país à decadência, abolindo a “idade medieval livre”. Ainda por cima, a lei das jurisdições foi, na opinião de Herculano, o ato que levou a cabo a destruição da liberdade pessoal Veja Cartas 4 e 5 em “Opúsculos”

Rebelo da Silva e Pinheiro Chagas reforçam a ideia da centralização ser uma mudança histórico de consolidação e racionalização de poder

Oliveira Martins retrata-o como modelo de cesarismo necessário para revivificar a força do país

Século XX

Os integralistas, seguindo o pensamento de Oliveira Martins, veem o rei como uma figura capaz de exercer poder sem restringir os direitos indivíduos, minimizam os efeitos da centralização. A divisa “Pola ley e pola grey” torna-se bandeira ideológica.

O Estado Novo, por seu turno, prefere figuras militares e fundadores como Dom Afonso Henriques. Reis que mandaram degolados nobres não serviram os seus objetivos ideológicos.

Historiografia moderna tenda a valorizar a narrativa da centralização mas o crescente poder régio não eliminar o regional, aconteceu apenas uma redefiniçao das limites do poder da monarquia face ao poder senhorial mas ao que parece a polémica não está a desaparecer.

O PRÍNCIPE PERFEITO – Miguel Torga

Um Príncipe Perfeito em Portugal,
Terra da imperfeição!
Que excessivo perdão
Pode ter quem é rei!
Na bainha do tempo, até o punhal
É uma arma letal!
Assim nela coubesse a alma que sujei…
Perfeito, eu! Perfeito
Um rei que desposava no seu leito
O luto incestuoso da rainha!
Perfeito, eu, que tinha
Um herdeiro da esfera adivinhada,
E o vi morrer, humano,
Com asas de exaurido pelicano,
Às portas da aventura começada!
Perfeito, eu! Perfeito
Quem viu agonizar dentro do peito
A grandeza da vida e quanto fez por ela!
Incapaz, a cobarde caravela
Que mandei ao seu último destino,
Desatado o nó cego, masculino,
Que no sonho enlaçava
A soberba cintura de Castela,
-Que perfeição no mundo me ficava?
Pensei, lutei, matei – fiz quanto pude,
Mas em vão.
A quem Deus não ajude,
Tudo são índias de desilusão.

Miguel Torga, “Poemas Ibéricos” in “Antologia Poética”, Coimbra, 1981, pp.
146-147.

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Dom João II

Notes taken while listening to this video.

O movimento de descobrimento moldou a sua infância.

3 Março* 1455 Dom Afonso V e Dona Isabel

O narrador descreve um quadro no qual vemos várias notáveis, um clérigo e um multidão de pessoas de diversas classes sociais envolvidos na campanha de descobrimento. Sublinha-se as batalhas em Norte Africa que caracterizou esta época. Dom João participou numa expedição com 6 anos de idade!

Dom Afonso morreu 4 anos depois de regressar de uma viagem, tendo abdicado (temporariamente, ao que parece!) o trono antes de sair.

Os dois objetivos na sua policia externa era apoiar a igreja para consolidar o seu poder em África, e forjar uma nação unida entre Portugal e Castela. Este último foi assunto de várias conspirações, terminando com a morte de Afonso de Portugal…. ai, realmente tenho de saber mais sobre esta loucura. Encontrou resistência das grandes casas senhoriais ao seu projeto de centralização de poder.

A mapa mostra os limites do mundo deste rei.

Uma constante foi a tenção de dominar as rotas comerciais em certas produtos entre a Europa e a Asia. Construiu fortalezas e ergueu padrões nos territórios descobertos. Introduziu a obrigatoriedade de prestar serviço no exercito. Como resultado, o país alargar o seu alcance no palco mundial e quando o rei faleceu no Algarve estava a preparar para viajar para Índia, tendo já conquistado os cabos ao fundo da África e da America do sul

Por Domingos Sequeira – Cabral Moncada Leilões, Domínio público

*WIkipedia gives a different date, but that’s definitely what he says!

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Conheça Os Tugas

Tendo criticado o “Tuga Britânico” ontem, eis uma personagem mais simpática, que escreveu um livro de história chamada “Conheça os Tugas”. Pelos vistos, é uma história informal de Portugal. Estou curioso por ouvir uma opinião de um tuga sobre o seu retrato do país. Será que é basicamente correcto? Quer seja quer não parece-me um esforço sincero.

Only a Tuga Can Call Another Tuga Tuga
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Curaçau & Papiamento

Confesso que não sabia nada da ilha de Curaçau, mas achava que, tendo uma cedilha no seu nome, seria um vizinho do Brasil e uma ex-colónia do império português. Mas apareceu no app Worldle há dois dias e… Uau, que surpresa linguística!

O brasão da Curaçau.

“Mi país, mi orguyo” cheira a espanhol, ainda que não seja: os espanhóis escrevem “orgulho” como “orgullo”, porque odeiam o “H”. E… Kòrsou??? O ò nem sequer existe no teclado português!!!

Pedi ajuda ao professor Wikipedia. A ilha fica perto da Venezuela e os aruaques nativos viram* a passagem assistiram às idas e vindas** de todos os impérios europeus ao longo dos anos. Os portugueses baptizaram-na*** como Curaçao (de “curar”**** porque os marinheiros doentes foram deixados na ilha para recuperar) mas os espanhóis também a visitaram a caminho de quem sabe onde. Mais tarde, a ilha mudou de mão entre os neerlandeses, os britânicos e os franceses. Hoje em dia, a influência mais forte é a dos Países Baixos, e a língua falada lá e nas ilhas vizinhas (Aruba e Bonaire, daí a designação “Ilhas ABC”) é um crioulo chamado Papiamento, de base luso-espanhol com muitas palavras neerlandesas.

*messed this one the first time. I would sincerely like to travel back in time, find the man (it must have been a man, and I bet he had a beard) who invented the conjugations of ver and vir, and nail him to a tree.

**even with the corrected error, the crossed-out passage still isn’t great so this bold text was suggested as an improvement.

***one of those words I know when reading but seldom remember when writing or speaking: batizar in place of “dar nome a” or “nomear”, is more common in Portuguese than baptise is in English, maybe because of  differing religious histories or maybe just because it sounds better.

****Don’t read too much into this though. Is there actually a word “Curaçau” or perhaps in more modern orthography “Curação” meaning an act or effect of healing? No. No, these is not: that would be “Cura”. “Curaçãu” does exist as a word in Priberam, but it only refers to the orange liqueur of that name, which comes from the island.

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O Quinto Império

Ouvi falar do Quinto Império há muito tempo numa conversa com uma estudante de português que conheci no Insta, mas não pensei mais nele até recentemente quando traduzi o “A Vida na Estrada” dos Diabo na Cruz que se refere à ideia. Ainda mais recentemente, o nome de Padre António Vieira, (autor do Sermão de Santo António aos Peixes) surgiu numa aula, e aquele clérigo foi o divulgador principal do Império, portanto decidi resgatar este texto da pasta de rascunhos onde jaz desde 2022!

Visão de D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique (c.1665), Por Frei Manuel dos Reis – MatrizPix, Domínio público

Mas afinal, o que é o tal Quinto Império? Eis um Resumo da página de Wikipédia:

O Quinto Império é uma crença milenarista que fazia parte da mitologia do país durante a expansão do seu império ultramarino, e emprestou legitimidade e apoio religioso a esta fase de conquista. Foi construído a partir de textos anteriores, principalmente o mito das três idades promulgado pelo monge Joaquim de Flora e teve como origem o livro do Daniel, onde aquele profeta viu uma estátua com pés de barro e, apesar de ser composta de várias metais, os pés eram vulneráveis a uma pedra atirada por um inimigo. Segundo o Padre, cada parte da estátua representa um império do mundo antigo e o Império Português seria a pedra que derrubaria tudo, sendo o quinto e último império que duraria durante mil anos, estabelecendo a paz por todo o mundo e realizando a vontade de Deus.

É quase indispensável para um novo reino expansionista ter uma ideologia forte para motivar os seus funcionários e soldados

Os três pilares do movimento são os seguintes

  • O estabelecimento da nação portuguesa após a Batalha de Ourique*, supostamente com a ajuda de Jesus Cristo e o Anjo Custódio de Portugal (o assim chamado Milagre de Ourique). Isto seria a pedra descrita no texto supra.
  • O messianismo de Gonçalo Annes Bandarra, ligado à obra do historiador D. João de Castro, inventor da ideia da “Quinta Monarquia”
  • A restauração portuguesa sob a liderança de D. João IV após o desastroso período de domínio espanhol que se seguiu à morte de D. Sebastião na Batalha de Alcácer Quibir e cujo resultado foi a crença que o novo rei restauraria a glória de Portugal e seria a cabeça deste novo império.

Este mito persistiu e serviu como pano de fundo d’A Mensagem, uma coletânea de poemas da autoria de Fernando Pessoa. Já li estes poemas sem preparação mas acho que é um livro que precisa de mais conhecimento do contexto histórico e cultural.

*Sou burro, eu sei, mas este nome “ourique” lembra-me da palavra ouriço, portanto imagino esta batalha como um exército de porcos-espinhos a lutar contra os mouros para a glória de Portugal e um grande cozido de minhocas e besouros.

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Free Buarquing

Já publiquei uma tradução de outra canção de Chico Buarque, mas ouvi falar desta em relação às comemorações do aniversário da Revolução dos Cravos. Hum… não me sinto grande fã deste artista, mas cada vez que escuto com mais atenção uma música dele, adoro-a e aprendo muito. Acho que chegou a hora de ouvir os seus discos todos.

(Ah ah ah, discos, sim, escute os seus discos, avô, nós estamos a ouvir no Spotify)

“Tanto Mar” é uma música que ilustra certas coisas sobre a época e sobre a relação entre os dois países, Portugal e o Brasil. Existem duas versões na Internet, e eu pensei, “está bem, a segunda é uma gravação nova da mesma canção”. Mas não é! O cantor escreveu a primeira versão em 1975, um ano depois da revolução e dedicou-a ao povo português – ou melhor, à revolução em si. Naquela altura, o Brasil também estava em plena ditadura militar (um governo que permaneceu em vigor desde 1964 até 1985), portanto a revolução no país menor deu motivo para esperança no maior. As letras refletem aquela esperança mas por isso mesmo, foram censuradas pela ditadura brasileira.

A segunda versão foi lançada 3 anos depois, em 1978, mas desta vez com letra atualizada. Existe um sentimento agridoce perante a crise de 25 de Novembro, o enfraquecimento dos objetivos da revolução e a realidade que a passagem dos anos trouxe. Mas apesar de tudo, a esperança é ainda evidente.

Em baixo, traduzi as duas versões. Gosto da simplicidade da poesia. Um escritor menos talentoso teria tentado escrever algo maior, e teria enchido cada verso de sentimentalismo e cliché, mas esta letra é curta e limpa e não tem uma única palavra a mais.

Just a reminder, obviously, this is in PT-BR, so in case anyone is avoiding brazilian accents on their learning journey, allow me to sound the 📢#BRAZILIANPORTUGUESEKLAXON📢 as a warning.

PortuguêsInglês
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
I know you’re having a party, man
I’m glad
And while I’m away
Save a carnation for me
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim
I wanted to be at the party, man
With your people
And pick a flower in person
in your garden
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
I know there are miles* between us
So much sea, so much sea
And I know how much we’d have to
Navigate, navigate**
Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
It’s spring there, man
Here, I’m sick
Send, urgently, some
Fleeting scent of rosemary
PortuguêsInglês
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
It was a great party, man
It made me happy
I still hold stubbornly
An old carnation for myself
Já murcharam em tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Em algum canto de jardim
The (flowers) withered at your party man
But certainly
They left a seed
In some corner of the garden
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
I know there are miles* between us
So much sea, so much sea
And I know how much we’d have to
Navigate, navigate**
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Sing the spring, man
Here I am in need
Send me again
Some fleeting scent of rosemary

* =Léguas is more like leagues but it would sound confusing in english so I fudged it

**Maybe I should have fudged this one too: naveger is much more specifically about travelling in a ship, as opposed to english where it’s more like “finding your way”

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How Fernando Pessoa Saved Portugal

Yesterday’s post was about the strange case of Fernando Pessoa’s advertising slogan for Coca Cola in 1927. As I mentioned, there seem to be a few different perspectives on the motives of the people involved, but I don’t think the facts of the matter are in doubt.

Anyway, it turns out that there’s a short movie about the incident. It’s made by a French company but it’s in portuguese with English subtitles. Someone’s put it on Facebook. Hurry though, it might not be there forever. It’s a good length and very easy to follow, so I can recommend it even if your listening skills are underdeveloped.

The film has a slightly playful, surreal tone. The name of the drink os given as “Coca Louca” and it translates the slogan as “First you’re surprised, then you’re possessed”, then plays with that idea of possession by showing the minister for health convinced that the drink contains evil demons which need to be cast out by an exorcist with a bottle opener in the shape of a crucifix!

It also depicts the poet not as Pessoa himself but as Álvaro de Campos, one of the heteronyms, who appears in the film as a separate person, looking just like the man himself.

A still from the movie "Como Fernando Pessoa Salvou Portugal"
Fernando Pessoa Working Up a Thirst
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Humberto Delgado

Humberto Delgado

Humberto Delgado foi um marechal da Força Aérea, conhecido como “o general sem medo” por causa da sua coragem na oposição ao regime Salazarista. Mas a sua carreira seguiu um caminho rumo de altos e baixos* da cena política do século XX. O marechal participou no movimento militar de 1926 que suplantou a República parlamentar com uma ditadura militar que daria lugar ao Estado Novo poucos anos depois. Delgado participou neste movimento com entusiasmo, criticando tanto os republicanos quanto os monárquicos, apoiando as políticas do novo estado e escrevendo um livro sobre (A) Pulhice do Homo Sapiens e a necessidade da liderança de Salazar. Elogiou Hitler, não só no início do seu regime, mas durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial.

Mas, no decorrer daquela guerra, a simpatia do marechal passou para os Aliados. Eh pá, mais vale tarde do que nunca. Apesar do Estado Novo ser neutro durante a guerra, cooperou, até certo ponto, com os aliados. Humberto Delgado representou Portugal em vários projetos, incluindo a instalação das bases áreas nos Açores que ainda existem nos dias de hoje.

Após a guerra, continuou a sua obra em vários cargos no governo, no serviço diplomático e na OTAN.

Em 1958, candidatou-se nas eleições contra o candidato do regime, Américo Tomás, tornando-se o foco da oposição ao Estado Novo. Recebeu um nível esmagador de apoio público, mas surpreendentemente perdeu, tendo recebido apenas 23% dos votos, o que levantou suspeitas de fraude eleitoral. No ano seguinte, Delgado pediu asilo político no Brasil por causa das ameaças dos seus inimigos políticos.

Convencido de que o regime não poderia ser derrubado por meios democráticos, o marechal deu apoio à ação revolucionária, incluindo a Revolta de Beja em 1962. Tentou regressar ao país em 1965 mas foi assassinado pela PIDE perto da fronteira com Espanha**. Foi enterrado em Espanha onde permaneceram os seus restos mortais até 1975, quando foram transferidos para o Cemitério dos Prazeres em Lisboa.

*The highs and lows – this is a fixed expression.

**It was pointed out that, since Portugal only has one country on its border I could drop the “com Espanha” here. I’ve left it though, because I’ve said he was in Brazil. I guess it removed ambiguity about whether he was killed early in his journey, after setting off from a border town in Brazil or something, but this is good advice in most scenarios, I think.

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O Príncipe Fresco de Bel Air

I’ve got a backlog of texts I’ve written for this blog but there aren’t many correctors around so the last couple of days’ posts are still sitting in drafts. They’ll all arrive in a rush, five at a time, I expect.

OK, let’s try and decipher why this tweet is funny. I have no idea but I expect finding out will be an educational experience…

Bazar is a sort of slang way of saying “leave” and Fazer a folha a alguém means making a leaf but as an expression it means plotting against someone. So…

The Mestre de Avis getting out of Paço after scheming against Count Andeiro (1383)

Basically, the gist of the story is here, and it goes back to the interminable story of Spain (Castille) wanting to dominate Portugal. After the death of Dom Fernando I in 1383, there was a wrangle over succession. Fernando’s only daughter had already been promised in marriage to King Juan I of Castille (despite being er… Only ten years old at the time… OK, let’s try not to think about that too much) but there was a treaty in place (O Tratado de Salvaterra de Magos) that explicitly ruled out Castille claiming dominion over Portugal as a result of that alliance.

João Fernando de Andeiro, known as Conde Andeiro had been a close advisor of Dom Fernando and remained a power in the land and a powerful influence over Fernando’s wife, Dona Leonor. But he was galician, born in Spain and there were rumours that he was too friendly toward Castille and that he was sleeping with Leonor and using his leverage as a way to undermine Portuguese independence. Things came to a head when Juan turned up in Santarém “persuaded” Leonor to renounce her regency and to allow the monarchy to pass to him and his primary-school-age wife.

O Mestre de Avis a matar o Conde Andeiro
“Take My Wife’s Name Out Of Thy Mouth”

The Mestre de Avis, later known as João I, meanwhile had been proposed as an alternative successor to the throne by the court of Coimbra, and he rocked up one day in Paço with a bunch of friends and beat Andeiro to death. Thus started a crisis in the Portuguese succession which lasted a couple of years, culminating in the Battle of Aljubarrota, in which the Spaniards had their arses handed to them. Hilariously, the wiki page of the battle enumerates the forces on both sides and includes “1 padeira” on the Portuguese side. That’s a reference to A Padeira de Aljubarrota, a national hero. Her real name was Brites de Almeida and when she returned to her bakery after the battle she found seven Spaniards taking refuge in her bread oven (what? How big was the thing?) so she beat them with a shovel, slammed the door and lit the fire to bake them to death along with her bread. I have difficulty visualising this story to be honest, but I guess I’m not an expert in mediaeval bread-making technology.

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A Portuguesa: TL;DR

For the benefit of anyone who is too lazy to read that last post, here it is in the form of a meme. I actually posted it on a world history Facebook group and it was modded out of existence almost immediately. Not surprising I suppose but I thought there might be one or two people willing to do the work to decipher it.

Henrique Lopes de Mendonça dealing with some critics of his new national anthem, A Portuguesa.
Look, I Made a Meme