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História da Grande Batalha de Aljubarrota – Virgínia de Castro e Almeida

Este livro ficou para ler após a unidade curricular sobre a padeira de Aljubarrota, e já acabo de ler. É interessante por várias razões. A ortografia é muito diferente do que a de hoje (veja por exemplo o texto de ontem!) mas também vemos como a história é contada, realçando os aspectos que o contador quer reforçar na mente do leitor. Especificamente, nesta versão El-Rei Dom João I e o seu Condestável, Nuno Álvares Pereira vão visitar a padeira antes da batalha e ela fala muito da sua raiva contra os espanhóis que ousam pisar o chão bendito da sua terra, e declara a sua lealdade ao trono português. Evidentemente a ditadura queria educar os seus cidadãos nesta espécie dE patriotismo (apesar de Portugal já ser República!) Também omite o pormenor mais assustador da história: quando a padeira cozinha os espanhóis no forno com o pão de chouriço. Não me admira que não quisessem criar uma geração de filhos com imagens mentais tão horripilantes!

Ora bem, eu conheço os prejuízos do governo que lançou este livro, mas convém lembrar que todos os autores têm os seus próprios prejuízos, embora não sejam tão óbvios. É fácil imaginar uma versão deste história que enfatizar o papel da padeira como mulher independente e feminista, ou como representante do poder da classe operária, ou como empreendedora que queria defender o seu negócio contra uns criminosos, o seja ou que for. Sem perceber, absorvemos essas mensagens ao longo dos anos. Não é bom, não é mau, mas convém lembrar de vez em quando…

(if you’re interested in reading this book… Well, you can buy it, but it’s super-small and I have a copy that I downloaded and printed off the Internet. I can’t find the link, but it’s out there somewhere, so have a Google, you might save yourself a few quid)

I’m on The Storygraph now so of course when I review it there I had to add trigger warnings…
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A Revolução dos Cravos

Hoje, lembramo-nos dos membros das forças armadas que derrubaram o governo salazarista, devolvendo a Portugal a sua liberdade. Logo depois, as guerras em África terminaram*. Foi um processo penoso mas durante os anos que se seguiram, aquele ato de coragem por parte dos militares melhorou as vidas de milhões de pessoas e foi realizado quase sem derramamento de sangue – apesar de elementos da DGS terem aberto fogo sobre a população a porta da sede da PIDE. Quem me dera que mais revoluções fossem assim tão pacíficas e eficazes.

A propósito, durante os meses iniciais de aprender português, ouvi esta frase num podcast mas percebi “A Revolução de Escravos” que faz sentido até certo ponto. Já sei que “de escravos” não seria gramaticalmente correto mas para mim, um jovem de quarenta-e-tal anos, sem experiência neste mundo confuso de gramática portuguesa, nem sabia melhor.

*i wrote “foram levadas ao fim”, trying for “brought to an end” but I think it has more a sense of “carried to their end”, which is pretty much the opposite of what I was aiming for!

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Humberto Delgado

Humberto Delgado

Humberto Delgado foi um marechal da Força Aérea, conhecido como “o general sem medo” por causa da sua coragem na oposição ao regime Salazarista. Mas a sua carreira seguiu um caminho rumo de altos e baixos* da cena política do século XX. O marechal participou no movimento militar de 1926 que suplantou a República parlamentar com uma ditadura militar que daria lugar ao Estado Novo poucos anos depois. Delgado participou neste movimento com entusiasmo, criticando tanto os republicanos quanto os monárquicos, apoiando as políticas do novo estado e escrevendo um livro sobre (A) Pulhice do Homo Sapiens e a necessidade da liderança de Salazar. Elogiou Hitler, não só no início do seu regime, mas durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial.

Mas, no decorrer daquela guerra, a simpatia do marechal passou para os Aliados. Eh pá, mais vale tarde do que nunca. Apesar do Estado Novo ser neutro durante a guerra, cooperou, até certo ponto, com os aliados. Humberto Delgado representou Portugal em vários projetos, incluindo a instalação das bases áreas nos Açores que ainda existem nos dias de hoje.

Após a guerra, continuou a sua obra em vários cargos no governo, no serviço diplomático e na OTAN.

Em 1958, candidatou-se nas eleições contra o candidato do regime, Américo Tomás, tornando-se o foco da oposição ao Estado Novo. Recebeu um nível esmagador de apoio público, mas surpreendentemente perdeu, tendo recebido apenas 23% dos votos, o que levantou suspeitas de fraude eleitoral. No ano seguinte, Delgado pediu asilo político no Brasil por causa das ameaças dos seus inimigos políticos.

Convencido de que o regime não poderia ser derrubado por meios democráticos, o marechal deu apoio à ação revolucionária, incluindo a Revolta de Beja em 1962. Tentou regressar ao país em 1965 mas foi assassinado pela PIDE perto da fronteira com Espanha**. Foi enterrado em Espanha onde permaneceram os seus restos mortais até 1975, quando foram transferidos para o Cemitério dos Prazeres em Lisboa.

*The highs and lows – this is a fixed expression.

**It was pointed out that, since Portugal only has one country on its border I could drop the “com Espanha” here. I’ve left it though, because I’ve said he was in Brazil. I guess it removed ambiguity about whether he was killed early in his journey, after setting off from a border town in Brazil or something, but this is good advice in most scenarios, I think.