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Contos de Lima Barreto

Ouvi este Audiolivro sem saber nada sobre o autor. ‘tá bem, suponho que seja brasileiro… O sotaque do narrador é brasileiro também mas isso não me assustou assim tanto porque fala de modo tão claro que percebi todas as palavras mesmo que algumas fosem desconhecidas, e deu para entender o enredo sem problemas!

Parece que os contos são satíricos. Confesso que não sei nada sobre sociedade brasileira daquela época, portanto é provável que tenha perdido muito do humor mas o seu estilo é divertido e tanto quanto entendi, gostei.

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Leftards

Quite interested to see this word “esquerdoide” or “esquerdoido” pop up a few times on Portuguese language twitter on both sides of the Atlantic. It seems to be the equivalent of the word “leftard” used by obnoxious maga types. It’s used in more-or-less the same way: identify some stupid thing said or done by one person or a small group of people on the other side. If it’s apocryphal or even if you just made it up, it doesn’t matter much. Then generalise that to characterise everyone in the other party as sharing the same opinion and being a bunch of leftards /esquerdoidos who aren’t smart like what we is. Sad.

The guy in the original tweet here is some Bolsonaro fartcatcher, so in American terms, this is like – I dunno – Stephen Miller, or Zac Goldsmith in the UK, mouthing off and one of their supporters jumping in and going “Yes, yes, they are all crazy aren’t they! Shit in my mouth please” or whatever people say when they wholeheartedly support the government in the face of all the evidence and are willing to let them get away with absolutely anything.

Side-note. “Coringa vírus” is presumably a reference to the movie Joker which is called Coringa in Brazil.

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Dom Casmurro – Machado de Assis

Li este livro com os meus olhos e os meus ouvidos. Tentei lê-lo há alguns meses mas não consegui. Desta vez, experimentei uma versão traduzida em inglês e, de vez em quando, fez uma pausa e escutei um audiolivro lido por um brasileiro. De forma geral, evito sotaques brasileiros porque estou a estudar português europeu mas claro está que esta história é um clássico da literatura brasileira e é melhor ouvir no seu sotaque nativo, acho eu.
A pergunta incontornável é esta: será que a mulher do narrador, Capitu, traiu Bentinho ou não? Cá para mim, acredito que não. Há uma altura, muito cedo no enredo, em que eu reparei numa inconsistência no discurso dela que pode ser uma mentira, mas além disso, não parece provável. A ideia da infidelidade dela era uma preocupação dele logo no início, e acho que precisou pouco para se tornar obsessão.
Depois da “descoberta” da traição, a personalidade do Bentinho mudou, e tornou-se ainda mais “casmurro”. Recusou escrever o nome da sua mãe no túmulo dele, e justificou esta decisão duma maneira inchada. Não queria ter nada a ver com Capitu. Quando ela faleceu, Bentinho mal a mencionou, e até a morte do seu filho deu em alívio em vez de tristeza. Isso, sobretudo, chateou-me porque, mesmo que eu não tenha razão sobre a traição, o rapaz é uma criança que não merece nada de mal. No final, o narrador pareceu-me menos simpático do que anteriormente. Porém, adorei a “maquinaria” da história, o estilo e a maluquice deste homem insólito que estragou a sua própria vida por causa da teimosia.

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Para Inglês Ver

The_history_of_slavery_and_the_slave_trade,_ancient_and_modern_-_the_forms_of_slavery_that_prevailed_in_ancient_nations,_particularly_in_Greece_and_Rome;_the_African_slave_trade_and_the_political_(14598547047)

This is a phrase that came up in one of my lessons the other day that I thought had an interesting origin.

As you know, the british and portuguese empires share in common a long, proud history of discovery, exploration, heroism and er… (checks notes) buying and selling other human beings as if they were cattle. In the early nineteenth century, Britain was beginning to develop a conscience. Spurred on by reformers, many of them quakers, it had effectively ended slavery on the mainland at the back end of the eighteenth and was using its power and influence to shut down the slave trade, starting with its own empire (1807) and then in the various colonies or at least the ones that hadn’t already become independent by then (I’m looking at you America) in 1833. Having made some social progress of its own, Britain, as Top Nation, was keen to ensure other countries followed its good example, so it started pressurising its major trading partners such as Portugal and Brazil (independent from 1822) to stop their own slave trades, using economic sanctions and gunboat diplomacy. This was… inconvenient, let’s say. In addition to conscience, economic factors play a part in whether or not people are willing to give up being complete bastards, and the fact is that Brazil, especially, was very reliant on huge pools of free agricultural labour in a way that britain wasn’t.

To keep the gringos off their back, and keep them buying coffee, the brazilian government, in 1831, passed the Lei Feijó, which abolished the slave trade and gave complete freedom to all african slaves disembarking in brazilian ports. Which was great… or at least would have been, except they also passed out a memo to the courts that the law was “para inglês ver” (“For the english to see”) and that they weren’t meant to actually enforce it or anything.

So the phrase “para inglês ver”, applied to a law or rule, still signifies that it’s a high-minded statement of intent, only meant for show, but largely ignored. It doesn’t seem like the kind of thing that would get much use in day-to-day life, but the first chance I get, I’m definitely going to crowbar it into the conversation!

Slavery wasn’t abolished in Brazil until the passing of the Lei Áurea in 1888. Portugal, whose prime minister the Marques de Pombal, had abolished the slave trade in Portugal in 1761, even before britain, joined britain in renewing its commitment to abolitionism in 1807, freed remaining slaves in 1854. However, the catholic church held on to its slaves in portuguese territories for a further two years (well, it’s what Jesus would have wanted) and an illegal slave trade carried on after that until it was finally ended in 1869.

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Feminismo Negro em Portugal

Um gajo que sigo no Twitter mencionou uma historia do Jornal Público (“Feminismo negro em Portugal: falta contar-nos”) sobre o desenvolvimento de feminismo negro em Portugal. Como muitos países europeus, Portugal tem uma história de colonialismo e escravatura, e isso trouxe muitos novos habitantes que, mais tarde, tornaram-se cidadãos e o artigo descreve as mudanças da população e destaca o papel de mulheres negras.

A história começa no século XVI, muito antes da palavra “feminismo” ser usada, mas era possível encontrar negras a participar politicamente na sociedade portuguesa. No inicio do século XVIII foi apresentado por mulheres uma petição de reclamação contra as perseguições quotidianas da comunidade negra.

Mais tarde, no fim do século XIX, tendo a escravatura sido já abolida, vê-se uma nova oportunidade de participação. Claro que isso não continuou durante o novo estado, enquanto todas as forcas liberais foram subjugadas pelo governo Salazarista.

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A mulher mais interessante do meu ponto de vista, foi a Virgínia Quaresma, que nasceu em 1882, e viveu uma vida cheia de acção politica até a sua morte com 90 anos. Ela foi uma das primeiras mulheres a licenciar no Curso Superior de Letras na Escola Normal de Lisboa. Tornou-se jornalista (a primeira no país) e redactora duma revista feminista. Foi um membro activo de várias ligas feministas, pacifistas e republicanas durante os anos antes da primeira guerra mundial, e viveu abertamente como lésbica apesar do clima moral daquela época. Foi seleccionada pelo serviço diplomático, e viajou para o Brasil muitas vezes com a namorada dela onde arranjou eventos culturais para cultivar ligações entre os dois países.


Quero agradecer Alisson pela ajuda.

By the way, can we talk about that outfit VQ is wearing? Dapper AF!

 

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Estória and História

I was corrected by a brasileiro who changed my “história” to “estória” according to this page, I don’t think it’s quite right – história seems to be preferred and estória deprecated in European portuguese at least. In Brasil it’s used more for narrative fiction (“Story”) as opposed to actual history, but even then it’s obviously not that common becuase I use “história quite often and it’s only been altered once.

Update

Well, I’ve already had one more correction (below) on this subject so I asked around on iTalki, where a Portuguese guy agreed with my tentative conclusion and a second person unearthed a couple of online posting boards (here and here) to support the Estória=story version. Most of the posts bear out my guess that it was more of a Brazilian thing, and a lot of Portuguese people seem to be harrumphing a great deal. But not all: some find the estória/história split natural. Maybe a generational or regional split?

There’s a lot of confusion around. For example one of the Portuguese peeps hotly denies that estória is a valid word because it’s too modern (Século XX), whereas Ciberdúvidas says it’s old – possibly Século XIII, before Columbus was even born! Maybe it’s one of these words that was part of the language at the time the Americas were colonised, got preserved in the speech patterns of the colonies and then crept back into the European form of the language, where it had been long forgotten, via media output by the more vibrant New World countries in the twentieth century. There are lots of similar words in American english (“gotten” as the past participle of the english verb “get” is the only one I can think of off hand but trust me, it’s not the only one). There are other strands to pick at – such as a reference to the Galega word “hestoria”, which puts us back in Marco Neves territory.

One of the posters on the two new threads mentions this little gem

Eu me lembro de ter lido em Guimarães Rosa (não posso dizer se foi em Primeiras Estórias ou em Tutaméia, não tenho meus livros à mão aqui agora) uma frase que dizia:
“A estória não quer ser história”.

which doesn’t shed much light because Guimarães Rosa is brazilian too, but it’s a great quote and a great illustration of the two words in action!

Update to the Update:

First reply from a Portuguese student confirms it is not used in Portugal and is regarded as an error. Video here explains everything:

 


Thank you Paulo and Bru for your answers to my question and thanks Manuel for your comment on this post (further acknowledgement deleted at request of person in question)

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Ana Paula Henkel

Recentemente vi uma entrevista com Ana Paula Henkel numa programa brasileira. A Senhora Henkel é uma ex-jogadora de vôlei brasileiro. Hoje em dia, é licenciada em Ciências politicas na universidade de Califórnia, e é activa na vida politica do país. Ora bem, não concordo muito com as suas opiniões: durante a entrevista, ela não mencionou o presidente actual do país, o Jair Bolsonaro, mas falou com o apresentador (um comediante chamado Danilo Gentili) sobre Trump, sobre os jornais tendenciosos, e sobre o assunto mais chato e sobrecarregado no mundo: o excesso do politicamente correcto. Não tenho paciência para tudo isso: políticos que justificam quaisquer políticas ruins, ou quaisquer crimes contra o estado por método de dizer que as queixas vêem exclusivamente das pessoas hipersensíveis da esquerda.

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Ao final da entrevista mostrou a sua top, com uma imagem de Margaret Thatcher, a ex-primeira ministra do Reino Unido. e a legenda “lute como essa garota”!

A Ana Paula é uma das personalidades desportistas que tem falado contra o fenómeno de pessoas trans, com corpos masculinos que jogam contra atletas femininas, que é algo muito polémico nesta altura, mas isso não fazia grande parte da entrevista e por isso não sei se recebesse muitos insultos, tal como a Martina Navratilova, que disse algo semelhante. Por acaso, este assunto é a única dela com qual eu concordo.

Falou do seu dedo deslocado, a a sua coragem em continuar a jogar com aquela lesão. Enfim achei-a uma personagem interessante, apesar das suas opiniões conservadores.


Sorry – so much Brazil lately! I need to get back on point here!

*=I wrote “muito abuso” but I don’t think you can use “abuse” in that context. Abuse of power but not “I got a lot of abuse”

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A Resistência (Julián Fuks) Opinião


Costumo evitar livros brasileiros, porque estou a aprender português europeu mas recentemente ouvi falar deste livro, escrito por um grande critico do fascista Bolsonaro. O chefe de ficção duma livraria famosa aqui em Londres recomendou a edição inglês que saiu neste ano. Fiquei interessado. Lamento que não gostei tanto quanto esperava. O autor dá um retrato da sua vida familiar e tenta desemaranhar o enigma do seu irmão adoptado. Este retrato estende-se ao longo de 47 capítulos, cada um de duas ou três páginas. É fácil ler estes episódios sem grande esforço apesar da dificuldade do vocabulário. mas não realmente senti que as partes fusionaram-se a uma historia completa. O enredo passa-se na Argentina e no Brasil, e há um plano de fundo de violência e ditadura mas isso não tem muito efeito na narrativa, com exceção duma vez em que o autor compara o seu irmão incognoscível ao neto de uma mulher argentina que foi desaparecido.
Devo admitir que, como sempre, vejo “apenas um reflexo obscuro como num espelho” porque o nível de português é muito alto, e talvez eu cometa uma grande injustiça. O livro é bem premiado mas para mim, apesar de querer gostá-lo, senti pouco.

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Two Countries Separated By A Common Language

I was sent this video by my Brazilian language partner and its a pretty good illustration of the language barrier between the two sides of the atlantic. Note that the Portuguese guy (Caesar Mourão, one of the comedians on the line-up of the comedy festival I mentioned yesterday) understands the tourists because the Portuguese are so used to listening to Brazilian “Novelas” but they have no idea what he’s on about.

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À Noite, No Museu

Bolsonaro as a monkey in
I was going to put Bolsonaro’s face on Ben Stiller’s body but that seemed like it gave him too much credit, so….

É provável que vocês tenham ouvido a notícia da semana passada sobre o Museu Nacional no Rio de Janeiro, onde houve um incéndio catastrófico que destruiu a maior parte do seu espólio de vinte milhões de peças, que constituiu a maior colecção etnográfica e histórica na América do Sul.
Claro esta é uma a tragédia para o povo do Brasil e, ainda por cima, para o mundo em geral. Tantos tesouros sem preço e insubstituíveis deixam um buraco negro na memória da humanidade. Com certeza, existem lições que os gerentes dos museus do mundo devem retirar, sobre como cuidar dos seus conteúdos. Esperemos que as aprendam. Sobretudo, esperemos que os políticos que controlam os orçamentos dos museus proporcionam dinheiro suficiente para fazer as mudanças necessárias. Claro, para o Museu Nacional, é tarde de mais, e a lição seria “casa roubada, trancas na porta”.
Eu já li vários artigos sobre a situação no Brasil, e é interessante de ver como esta tragédia encaixa-se no debate político. Por um lado, há a questão de se o governo actual é culpável, até certo ponto, pela falta de segurança, e por outro lado, este museu continha um registro verdadeiro da diversidade e riqueza de historia brasileira que contradizia a narrativa da extrema-direita, e o seu líder, Jair Bolsonaro. Já que o registro está perdido, tornar-se-á mais fácil para autoritários afirmarem que Brasil é um país homogéneo, e os índios, negros, refugiados venezuelanos, e o resto da “escória do mundo” não se encaixam lá?

Para quem quiser mais informações, eis os artigos que eu li antes de escrever este blog:
Museu Nacional Do Brasil. Um País À Procura De Si Perde O Arquivo Onde Podia Encontrar As Respostas.
Contra-Revolução Autoritária: Brasil Alerta Máximo
Lições a tirar da tragédia do Museu Nacional, no Rio de Janeiro

[Uncorrected] É mais de possível que fiz muitos erros factuais aqui. Confesso que o Brasil não é um país cuja politica anda sempre na frente dos meus pensamentos, e isso é apenas o que retirei de uns artigos que, talvez, eu mal entenda. Parece um assunto interessante mas estou a escrever exclusivamente para praticar e não para dar uma opinião considerada e baseada em evidencia. Se fizesse tal erros, ficaria interessado nas suas opiniões mas espero que não vou ofender ninguém!