
Li este livro com os meus olhos e os meus ouvidos. Tentei lê-lo há alguns meses mas não consegui. Desta vez, experimentei uma versão traduzida em inglês e, de vez em quando, fez uma pausa e escutei um audiolivro lido por um brasileiro. De forma geral, evito sotaques brasileiros porque estou a estudar português europeu mas claro está que esta história é um clássico da literatura brasileira e é melhor ouvir no seu sotaque nativo, acho eu.
A pergunta incontornável é esta: será que a mulher do narrador, Capitu, traiu Bentinho ou não? Cá para mim, acredito que não. Há uma altura, muito cedo no enredo, em que eu reparei numa inconsistência no discurso dela que pode ser uma mentira, mas além disso, não parece provável. A ideia da infidelidade dela era uma preocupação dele logo no início, e acho que precisou pouco para se tornar obsessão.
Depois da “descoberta” da traição, a personalidade do Bentinho mudou, e tornou-se ainda mais “casmurro”. Recusou escrever o nome da sua mãe no túmulo dele, e justificou esta decisão duma maneira inchada. Não queria ter nada a ver com Capitu. Quando ela faleceu, Bentinho mal a mencionou, e até a morte do seu filho deu em alívio em vez de tristeza. Isso, sobretudo, chateou-me porque, mesmo que eu não tenha razão sobre a traição, o rapaz é uma criança que não merece nada de mal. No final, o narrador pareceu-me menos simpático do que anteriormente. Porém, adorei a “maquinaria” da história, o estilo e a maluquice deste homem insólito que estragou a sua própria vida por causa da teimosia.


Um casal jovem está em fuga porque o homem cometeu um crime, e a polícia judiciária está à procura dele. Por isso, escondeu-se, com o bebé deles numa casa na terra do pai. Todos crê que esta casa é amaldiçoada. Muitas pessoas foram assassinadas lá, e os rumores dizem que a casa enlouquece qualquer pessoa que lá more. É isso mesmo que acontece, mas não me admirou: o namorado da mulher é um facínora. Chegou à casa com pouca comida mas com uísque suficiente, uma espingarda e cinco milhares de t-shirts (estou a exagerar mas não tanto assim…) com os logótipos de várias bandas fixes dos anos noventa. Portanto, quando o homem se enlouquece, ameaça a namorada e começa a atirar nos polícias não é nada surpreendente, nem chocante tal como a transformação do pai no “the Shining”.
Achei este livro muito desafiante, por causa da quantidade de palavras desconhecidas, mas isso não me importa porque, por acaso, gosto dum desafio!


Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!