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A Morte do Papa – Nuno Nepomuceno

A Morte do Papa (Nuno Nepomuceno)
A Morte do Papa

O dramaturgo russo Anton Chekov disse uma vez “Se no primeiro ato colocares uma pistola na parede, no seguinte ela deve ser disparada” , mas os escritores de thrillers portugueses modificaram este princípio: “Se no primeiro ato colocares uma pistola na parede” dizem eles, “no seguinte ela deve ser disparada contra o Papa”.

Ou talvez seja só impressão minha depois de ler este livro e o Vaticanum de José Rodrigues Dos Santos.

Disponibilidade: Bertrand / Kobo ebook / Kobo audiobook

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Um Escritor Islandês

Today’s text is about Halldór Laxness, who was discussed on the Backlisted podcast. I got two corrections and I’ve put some notes at the bottom, some of which have some pretty interesting nuances of the language in them.

Halldór Laxness, public domain image from Wikipedia
Halldór Laxness

A minha esposa uma vez leu um livro de Halldór Laxness, um escritor islandês. É quase desconhecido em Inglaterra mas ganhou o Prémio Nobel de Literatura há décadas.
Ora bem, estava eu* a escutar o meu Podcast que já mencionei num outro texto quando um dos apresentadores falou de uma visita que tinha realizado** à Islândia. Numa excursão*** , um guia turístico indicou uma casa e afirmou “Aquela é a casa do nosso vencedor do Prémio Nobel, Halldór Laxness. Será que há alguém que conheça esse nome?”
O apresentador respondeu “Conheço. Já li um livro dele”
“A sério?” admirou o guia. “O senhor é o primeiro turista que ouviu falar dele, muito menos que leu um livro dele!”
“Oh”, exclamou ele. “Fico com tão orgulhoso!”
“Não”, replicou a guia. “Eu é que fico orgulhoso”.

Gosto muito**** desta história porque mostra bem o orgulho que os leitores de qualquer país sentem pelos melhores autores nacionais. Portugal tem Saramago (mais um laureado!) , Pessoa e Camões, nós temos Shakespeare, Dickens e Pam Ayres*****, e os islandeses têm o seu próprio Laxness.

*I originally wrote “eu estava” but that comes across as too colloquial and reversing the order comes across as better. It’s hard to relate this to anything in English so it might just be one of those things you need to get used to.

**Realizar has a meaning that just about exists in English but isn’t really used very often: it’s to make something real. You’ll occasionally hear about someone “realising improvements in…” productivity of fitness or whatever it might be, but that’s unusual. We tend to use realise to mean something like “perceive” or “understand”, and I think the Portuguese meaning probably makes more sense.

***Originally “Enquanto lá estava” (while he was there a tour guide pointed…) but the corrector pointed out this comes across as a clash, because “enquanto lá estava” indicates an extended period of time but the pointing only happened once. I think you could get away with it in English so part of me feels this might be a tiny bit “picuinhas” but maybe it sounds worse to Portuguese ears so it’s probably worth avoiding this kind of construction.

**** I originally wrote “tanto” on place of muito, but “I like this story so much because…” doesn’t really fly I’m Portuguese. I should have known. Its a relatively modern way of speaking in English. I don’t think we’d have said that in the eighties, say, it seems like something that we’ve picked up from watching American TV more recently.

*****Writers of equal stature. I will die on this hill.

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Um Novo Podcast

Today’s daily text is about a book podcast in English. Thanks to danimorgenstern for the corrections

Backlisted podcast

Há algum tempo ouvia dois podcasts sobre livros: Bookshambles e Mostly Lit mas o segundo acabou quando um dos três apresentadores saiu para escrever os seus próprios livros. Depois, o primeiro deixou de falar sobre livros e fiquei aborrecido.
Mas ontem ouvi falar dum podcast interessante chamado Backlisted. Não é novo, apenas não tinha reparado nele antes. O seu arquivo tem montes de gravações sobre livros antigos que eu adoro tal como “A Month In the Country” de JL Carr e “The Dark is Rising” de Susan Cooper. Os apresentadores adoram livros e sabem tanto mas mesmo tanto sobre os autores dos quais falam. Estou a gostar muito!
Não conheço nenhuns podcasts portugueses semelhantes mas não me importa assim tanto porque existem Booktubers amadores que deixam opiniões sobre os seus livros preferidos e é aí que mato a minha sede livrólica!*

*=i originally tried to write this last sentence by splicing together two lines from two of the poems I’ve been learning by heart: “nele é que espelho o céu” (from Mar Português by Fernando Pessoa) and “Com luar matar a sede ao gado” (from Rústica by Florbela Espanca). It ended up as “nele é que mato a minha sede livrólica!” but I’d obviously bitten off more than I could chew!

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Portuguese Graphic Novels

I had been putting together a list of Portuguese Graphic Novels for a while and it’s not quite finished yet but someone just asked a question about it so I’ve gone ahead and published it in draft form along with the other resources. If you’re looking at this on a computer it’ll probably be over on the right, and if you’re on a phone screen, you’ll probably need to scroll down a bit. Or just click here.

The plot thickens though because after I published it I saw a reply from another Redditor (is that what you call them?) with this link to a list of the supposed fifteen best. Some are on my list too, and some I don’t know. I’ve no idea why they have Caos e Ordem on there. I liked the look of that too but it’s a huge disappointment.

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A Resistência (Val McDermid)

This is an attempt to translate the blurb of a book as literally as possible to avoid the lazy trap of sticking to words and grammar I know how to say when writing texts. Thanks again to ThisCatIsConfused for the help

Estamos* no fim de semana do solstício de Verão e cento e cinquenta mil pessoas reúnem-se numa quinta a nordeste de Inglaterra para assistir** a um festival de música ao ar livre. No início, uns salpicos de chuva parecem ser a única coisa capaz de estragar a diversão – até que surge uma doença misteriosa. Rapidamente, a doença espalha-se com uma velocidade electrizante*** e parece resistente aos antibióticos todos.
Será que a jornalista Zoe Meadows (hum… O resumo diz “Meadows” mas dentro do livro ela se chama Zoe Beck…) consegue rastrear o surto à sua fonte, e será descoberta uma cura antes da doença se tornar numa pandemia?


Um thriller empolgante, Resistência imagina um cenário de pesadelo**** que aparenta ser demasiado credível no rescaldo***** do covid-19

*=estamos no (“we are in the weeekend of…”) works better than está no… (“it’s the weekend of..”)

**=it’s been three years since I wrote a blog post specifically about the word “assistir” and I still haven’t got over the discovery of the weird interlinking meanings.

***=electrizante means electrifying and I’m a little surprised it works here but it seems to pass muster!

****=”nightmare scenario”

*****=the original English version has a couple of colloquial phrases in it that seem to have caused confusion. One was “bug” as in “stomach bug” which was corrected to “inseto” but that was a misunderstanding because the person who kindly translated it for me thought I meant the illness was transmitted by some kind of insect. This word “wake” might be the cause of a second mis-correction. The original says “in the wake of” which I put as “na sequência de” but I think the person who corrected it might have thought “wake” had its more usual meaning, as in “wake up” because they changed it to “no surgimento”. I discussed it with my resident expert who advised “no rescaldo” was better

I can’t say I really agree with the blurb. If you want to know more about the book and what I actually thought of it, have a look at my Goodreads profile.

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Se Eu Fosse Um Livro – José Jorge Letria

Se Eu Fosse Um Livro de José Jorge Letria
Se Eu Fosse Um Livro

Quick review of this one. As it says in the text, you can enjoy the repetitive use of the imperfect subjunctive and call it homework for the B2 exam. It’s pretty basic apart from that though because it’s a children’s book.

Este livro fala da leitura. Repete-se em cada página a frase “se eu fosse um livro…” e logo a seguir um desejo que um livro poderia sentir. Muitas vezes este desejo é uma dica para os leitores de como apreciar livros ao máximo, tal como “…não gostava que me lessem só por obrigação, ou por estar na moda”

É divertido e ainda por cima, pode ser útil para quem quiser praticar os tempos verbais conjuntivos 🙂

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O Vício Dos Livros – Afonso Cruz

O Vício dos livros de Afonso Cruz

Antes de mais, vamos falar deste livro como objecto em si: é muito agradável. As cores da sobrecapa, o formato, o tamanho, o peso do livro nas mãos. Todos estes aspectos, combinados, dão para satisfazer o leitor.

Quanto os conteúdos, o livro trata-se dum coligação de vários pensamentos, curiosidades e factos sobre a leitura. Para nós que gostamos de ler livros sobre livros, é muito interessante. Mimamo-nos com mais um capítulo curto e mais uma anecdota. É divertido, sem dúvida, mas fiquei aliviado quando cheguei ao fim. Mais que cem-e-tal páginas seria uma indulgência. Já chega. De volta aos romances.

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O Superman – Augusto Cid

António Ramalho Eanes (Eones, Superman) and Ernesto Melo Antunes (Melro). The image is, of course, aligned left

Ouvi falar deste livro no instagram. A Ana Luiz li-o há umas semanas. Naquela altura, eu estava a ler A Construção da Democracia em Portugal. “Epá!” pensei (mas confesso que pensei em inglês) “este livro tem bom aspeto e pode ser uma boa sobremesa depois de todo este espinafre não ficção” Comprei um exemplar duma loja de segunda mão porque é antigo e não é disponível nas livrarias online. Vale mesmo a pena. De súbito, todas as personagens da história que tinha lido anteriormente animaram se cá diante dos meus olhos. Eanes (EONES) no papel de Superman, nasceu no planeta CROPCON (baseado em Copcon que realmente na época pós-revolução) e viaja para Portugal onde tenta cumprir a sua missão histórica apesar dos esforços dos seus inimigos e concorrentes tal como Solares (Soares) e Fiasco (Vasco) Lourenço. Augusto Cid é, claro, um artista talentoso. O livro foi lançado em 1978, na época de instabilidade depois da revolução (Abril 1974) e a contrarrevolução (Novembro 1975), mas a sua carreira continuo até o seu falecimento recente. Dá para entender muito sobre o espírito do época, mas é óbvio que o autor tem desgosto do Eanes. A história não tem nada de simpatia pelo seu cargo. Portanto não é justo (mas quem disse que livros satíricos devem ser justos?) Recomendo a opinião de Ana Luiz neste site porque ela sabe mais do que eu e menciona algo da história do livro em si, e a resposta polémica do governo.

I usually put a link to the books I review on here but I don’t think you can get this easily. Augusto Cid has some more recent books though and you can buy those here.

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The Greatest Stories Ever Heard

As regular readers (hey, stop laughing – I have regular readers! I do!) will know, I am obsessed with audiobooks, so I have been trying for a while now to compile a definitive list of all the european portuguese audiobooks available, so I have been through every single audiobook in Audible and listened to the accent and I’ve wrestled with Kobo’s completely useless search function to bring a few golden nuggets from among the grit. You can find them all here. I’ll add to the list as new ones become available. If you know of any I’ve missed, please let me know. I feel like I’ve been pretty thorough but I’m just one person and it’s a big internet.

There are affiliate links on the page, by the way: I’m hoping my obsession will pay for itself one day.

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Z – Manuel Alves

Um conto de ficção científica que demonstra uma axioma do livro “Superintelligence” de Nick Bostrom: logo que alguém crie uma entidade de  inteligência superior à de seres humanos, é o fim de jogo para a humanidade.
Neste história, um rapaz de alta inteligência está preso num laboratório controlado por cientistas. O método de medir está inteligência não me persuadiu: “Quantos sonhos cabem na palma da mão?” pá, essa pergunta não faz sentido nenhum. A resposta mais inteligente seria “O quê? Deixa de dizer disparates!”
Mas apesar disso, gostei do conto e comprei mais dois pelo mesmo autor.