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What We Did On Our Holidays

Here’s a series of short texts written over the last few days when we were in holiday in Wales. Thanks to Patis12, Dani_morgenstern and Cataphract for the corrections

Quarta-Feira

Eu e a minha família vamos amanhã para o País de Gales para participar no festival literário. Por isso, os próximos textos irão ser curtinhos, acho eu, mas não quero abandonar o streak!

Quinta-feira

Hoje, pretendo ir buscar um carro (aluguei o durante 3 dias) e conduzir para o país de Gales com* a Minha mulher, a nossa filha e a amiga, dela. Não gosto de conduzir. De todo. É frustrante, portanto ando de carro com a menor* frequência possível.
Além de ser o primeiro dia das miniférias, é o aniversário da minha filha. Faz 17 anos. Atingiu a idade na qual pode aprender a conduzir. Quem sabe, talvez ela vá lidar com tudo isso de volantes e travões e gasolina na próxima vez.

*This word originally had a typo and was written as “come” which is a bit unfortunate given that “comer” means eat (which would be bad) and also has a slang meaning which, if anything, is even worse in this context.

**as rarely as possible. I originally wrote “de menos frequência…” but that’s wrong.

Sexta-feira

Aqui estamos no oeste do Reino Unido. Assim que chegámos*, a minha mulher caiu ao descer uma escada. Torceu o tornozelo e bateu numa parede com a cabeça. Felizmente não tem concussão (sei isso porque ela ainda odeia o Boris Johnson), mas tem dores no tornozelo apesar de usar um curativo e um saco de ervilhas congeladas.
Jantámos num restaurante. Hoje é dia de fazer compras nas livrarias e ouvir vários autores

*I wrote “logo que chegámos” which is fine but assim que is better

Sábado

Estou à espera para ouvir um discurso de uma autora chamada Bernardine* Evaristo. Li um livro dela há uns dias e gostei imenso. Sobretudo, adorei a maneira através da** qual ela estabeleceu ligações entre as várias gerações de personagens.

Ela conta a história de um jovem que encontra uma professora pouco simpática. O capítulo seguinte fala desta mesma professora e explica os motivos dela, mas ela também fica chateada com uma colega da geração anterior que se torna protagonista do capítulo seguinte. Acho que isso é uma boa lembrança de que cada um de nós tem a sua própria história que guia as suas ações

*Since this is quite an unusual name in English and quite a common one in Portuguese, the autocorrect feature changed it to Bernardino, which was quite embarrassing. Did the same in Instagram too. . I dashed the day’s text off in the last 5 minutes before she came on stage though so typos are to be expected!

**I wrote “a maneira na qual” – literally “the way in which” but it seems that the Portuguese say it as “a maneira através de qual” – “the way across which” or “a maneira como” – “the way how”

Domingo

As You Like It
Como Queiram

Ontem à noite, fomos ver uma peça de teatro – o As You Like It* de William Shakespeare – ao ar livre. Foi incrível. Logo depois da peça acabar, começou a chuva. Agradecemos aos deuses do tempo por terem adiado** a tempestade até à noite.

Choveu a cântaros. Ao chegarmos a casa, ouvimos a chuva a bater no telhado como se fosse uma bateria. As ovelhas lá fora, no campo estavam a balir***. Coitadinhos.

*There are various Portuguese translations. Older versions might be called “como vos aprouver” and more recent “como queiram”

**I originally wrote “terem-se travado” aiming for something like “having restrained themselves”. I’m not sure if this was actually wrong or if the marker just thought I was talking nonsense. I have a weird way of expressing myself in English and maybe it just sounds like mistakes in Portuguese….?

***balir os a good word. It means “to bleat”.

Epílogo: Segunda-Feira

As férias devem deixar-nos descansados mas voltamos para casa sempre exaustos* e cheios de sono. Queremos encher os dias todos com atividades, o que torna as férias mais ocupadas do que os dias de trabalho. Preciso de dois dias de descanso em casa depois de três dias de descanso num outro lugar.

*To my shame, I put sempre in the wrong place again.

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O Pescador de Memórias

O Pescador de Memórias de Miguel Peres e Majory Yokomizo
O Pescador de Memorias

Este livro de Miguel Pires e Majory Yokomizo é uma banda desenhada que conta a história de um velho que vive numa ilha. Todos os dias, pesca no mar com romãs como isco e apanha pedaços de vidro que, ao ser montados (tipo puzzle), revelam as suas memórias. O leitor vem a entender que este homem tem demência e a sua ilha é uma alegoria – um exílio mental onde fica prisioneiro enquanto não se lembra da sua própria vida.

Acho que o escritor lida com este assunto desafiante de modo muito sensível. Os desenhos e o argumento funcionam bem juntos e o resultado é tocante.

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More About Djaimilia Pereira de Almeida

While I was reading As Telefones Someone asked me if I was enjoying the book because the author “is pretty militant” which surprised me because I don’t really get that from the books at all. There’s one racist incident I remember from Marremoto, but I don’t really get strong militant vibes. Obviously, by writing about people in the margins of society like Boa Morte da Silva, I guess there’s an implied criticism of the system as a whole there, but I don’t think it’s any more than an author should feel for the subjects of her books. And what’s literature for if not to show us a different perspective on life?

I tried watching an interview with her to see if I could understand what he meant. Here she is on RTP2, drinking coffee with José Navarro de Andrade and talking about Maremoto. My first impression as that she just comes across as just a writer wanting to talk about her book. OK, she admits the dreadful crime of not having read O Ano Da Morte de Ricardo Reis by José Saramago, but she doesn’t say anything I’d describe as “militant”. Interestingly, (if I’m understanding correctly) the interviewer tries, at around the eleven minute mark, to get her to admit that the inconsistencies in the biography of the main character are because she is trying to make him a pastiche, representative of all African immigrants in Lisbon, to which she says, no, the protagonist is just writing his own story in the form of a letter to his daughter and he isn’t always a reliable or coherent narrator. QA lot of his personality comes from a real person she knows and yes, it’s messy, but that’s how life is sometimes.

I’m not sure where the idea that she is militant comes from. She seems very empathetic – to the point of avoiding any attempt to educate the reader because she feels like it gets in the way of the protagonist’s own voice.

She quotes Peter Geach, husband of Elizabeth Anscombe, in the closing minutes. I can’t find the quote online but it’s something like “It’s possible for a man to lose his one chance while he is still young, and live to be old, feeling happy and at ease in the world but in the eyes of God, be dead”. That’s heavy stuff, man, but it’s Christian ethics, not Marxism, feminism, CRT or whatever. So I’m at a loss to know where this “militant” thing has come from, unless she was more of a firebrand in her youth.

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As Telefones – Djaimilia Pereira de Almeida

Today’s post is a review of “As Telefones*” by Djaimilia Pereira de Almeida.

Este livro deu-me água pela barba**. É fino mas o vocabulário é difícil. Mas, apesar de ser uma leitura desafiante, não fiquei aborrecido porque a autora, Djaimilia Pereira de Almeida, sabe escrever. As frases fluem bem e há momentos de humor, tal como a conversa entre a mãe e a filha na qual a mãe explica que espíritos malignos começam a voar às três de manhã. Afirma que estes espíritos entram pelas janelas abertas e “aproveitam-se das mulheres que dormem sem cuecas”. Acrescenta que essas mulheres dão à luz (ou seja dão à escuridão) bebés que elas amamentam no mundo dos espíritos como amantes do diabo. Quando se acordam nem sequer percebem que já não são elas mesmas, mas estão a viver uma vida paralela no mundo das trevas. Sim senhora.

As telefones de Djaimilia Pereira de Almeida
As Telefones

Mas além destas opiniões malucas da velha, há uma sensação comovente perante a relação entre mãe e filha que se conduz na série de conversas por telemóvel e pessoal.

* Wait, what? Telefone is a masculine word so why isn’t it Os Telefones. I asked about this on reddit r/Portuguese and nobody was very sure, not having read the book, but the popular theory (best explained by u/Uyth) was that it was “Uma Alcunha” – a kind of nickname, usually based on some physical characteristic of a person (think “Blackbeard” in English). Why would that be? Well, sometimes you’ll see a placename like “O Arco do Bandeira” where the article doesn’t match the noun. In this example, Bandeira means flag and it is a feminine word. The reason for the mismatch is because Bandeira isn’t a word as such, it’s someone’s name – a businessman named Pires Bandeira had the arch built in the Baixa Pombalina district and it is still named after him today. If the person has an alcunha, it works the same way. Say if someone has been given a nickname which is a feminine word (say “carica”), but they are male. He would be called “o carica” – the feminine word gets a masculine article because of who the name is attached to. So in the title of the book, maybe the Djaimilia Pereira de Almeida is referring to these women as The Telephones because the book is about their long-distance conversations – and that’s why she used “As” in place of “Os”. Best guess. It isn’t spelled out in the book, but that’s what it seems like.

**Não costumo usar barba mas demorei tanto por causa de olhar no dicionário tantas vezes que a minha barba cresceu e já pareço Moisés.

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Vidadupla – Sérgio Godinho

Vidadupla de Sérgio Godinho
Vidadupla de Sérgio Godinho

Here’s a review of the audiobook of Vidadupla (“Double Life”) by singer, poet, author and rennaissance man Sérgio Godinho. I listened to it on the Bertrand “Biblio” app, but as I mentioned before, it’s a bit unreliable in that it seems to pause itself when the screen dims or… Something… Something isn’t quite right, at least in the Android version, so I had to keep pinging it to wake it up. That’s probably OK at home but it’s a bit annoying if you’re gardening at the same time, as I was. If you haven’t already seen it, there’s a whole page about different sources of Portuguese audiobooks here. Thanks to Patis12 and Dani_Morgenstern for the corrections

Acabei de “ler” este Audiolivro do Sérgio Godinho hoje. É uma coleção de contos e o vocabulário é bastante fácil para um aluno do meu nível. Mas tinha uns problemas.

É que… A narradora tem uma voz hipnótica portanto (estou envergonhado por admitir) dei por mim a ficar repetidamente distraído* pelo ritmo da leitura e logo depois perdi o fio à meada. Rebobinei a gravação várias vezes mas afinal não apreciei o livro tanto quanto merece. Ou talvez sou eu que não mereço livros bons.

Bem, de qualquer maneira, gostei do que ouvi. Nem sequer sabia que o Senhor Godinho tinha escrito livros. Já ouvi várias músicas dele. É óbvio que é um homem que sabe criar coisas bonitas.

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When The Wind Blows

Ontem, reli uma banda desenhada dos anos oitenta chamada “Quando o Vento Soprar”. Conta a história dum casal de idosos. Lembram-se da segunda guerra mundial porém quando a terceira se desencadeia, não estão preparados apesar de seguir os conselhos do governo.

O livro foi editado durante a (primeira) guerra fria e é muito deprimente que parece tão relevante nos dias de hoje.

I usually write reviews of Portuguese books but in this case it’s the Raymond Briggs classic, When The Wind Blows

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Up To A Point Lord Copper

Today’s text only had one correction. I can’t really believe that and suspect the corrector was being lenient so there might be a few more cock-ups in here. I knew it was too good to be true. I’ve amended it now. Thanks to Dani for the corrections.

Há um livro de Evelyn Waugh chamado “Scoop”. Em português o título é “Enviado Especial” porque Scoop não se traduz bem. Literalmente significa “pegar numa porção de algo com uma ferramenta ou utensílio tal como uma colher de servir ou uma concha” mas também tem um significado figurativo – ser o primeiro jornal/jornalista a anunciar uma notícia super-interessante.

O livro conta a história de um jornal, o “The Daily Beast” (sim, como o website – roubaram o título do Waugh!), cujo proprietário se chama Lord Copper (Senhor Cobre, Dom Cobre*? Eu sei que um nome não se traduz mas diverte-me traduzir na mesma). É uma personagem assustadora. Os seus funcionários não ousam negar nenhuma afirmação que venha dos seus lábios, por muito errado que esteja.

Portanto, se tiver razão, os funcionários dizem “Sem Dúvida Senhor Cobre” (definitely Lord Coooere), mas se estiver errado, só dizem “Até certo ponto, Senhor Cobre” (Up to a point, Lord Copper)

* correct answer for a translation of the English word Lord is Lorde.

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Um Livro Que Mudou O Modo Como Encaro A Vida

Today’s post is a writing challenge with the title “Books that changed how you look at the world”. For some reason, what came to mind was a book that I found very influential when I was a student but which I wouldn’t subscribe to now. And, as I’ve said in the text, even when I was a fan, I seem to have taken a very different life lesson from it than most of the writer’s other fans! Anyway, as usual I made mistakes and I’ll put the more interesting corrections at the bottom. Thanks to Dani Morgenstern for the help.

Esqueço-me sempre* de ler o tópico do dia. OK… Livros que mudaram a o meu ponto de vista. Há vários. Já li montes de livros ao longo da vida e confesso que 90 por cento passam pelo meu cérebro sem deixarem uma marca. Outros “esculpem”a minha perspetiva de uma maneira progressiva. Ou seja, não estou consciente de grandes efeitos mas, ano após ano, as minhas opiniões sobre vários tópicos ficam mais pormenorizadas e mais matizadas em resultado de ler livros (de ficção e de não-ficção) que alimentaram o meu pensamento.

Back to Freedom and Dignity by Francis Schaeffer

Mas livros que mudaram completamente a minha perspectiva? Há poucos. Provavelmente o que mais me marcou foi um livro que delineia um modo de agir e de pensar com o qual, hoje em dia, não concordo, mas que naquela altura, batia certo. O livro é o “Back to Freedom and Dignity” de Francis Schaeffer. O autor escreveu-o como resposta cristã às obras de psicologia, principalmente o behaviorismo** de BF Skinner. Que grande seca, né? Mas naquela altura, eu era*** um cristão que não entendia como sustentar a minha fé e simultaneamente participar na vida intelectual e política (esta frase soa pretenciosa, eu sei mas era um jovem). O livro abriu uma porta para uma determinada maneira de encarar a vida. Este processo durou 5 ou 6 anos e acabou por dar cabo da minha fé, mas cresci muito durante a tentativa de resolver o conflito. Ainda por cima, ouvi recentemente que o legado de Schaeffer foi o contrário do que seria suposto: milhares de cristãos evangélicos americanos leram os seus livros e ficaram inspirados a juntarem-se ao lado conservador da política no seu país (principalmente contra o aborto). Se fosse vivo hoje, acho que Scheaffer não apoiaria o que o partido republicano se tornou mas não há dúvida de que é um dos arquitectos principais a sua ideologia.

Entretanto, aqui estou eu, um centrista ateu!

*i originally wrote “Sempre me esqueço” because Sempre is one of those words that changes the position of the reflexive pronoun but of course the mistake I had made was to put sempre as the first word in the sentence like in English (“I always forget”) but in Portuguese it goes after the verb, so the reflexive verb can remain in its proper place.

**o found this word online and it does exist, but apparently there’s a more portuguesified version too: “comportamentalismo”

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Atenção Roubada

Alguém me recomendou um livro chamado “Stolen Focus” (“foco roubado”) que explica um grande problema dos dias de hoje: o de não sermos capazes de nos concentrar numa única…

Stolen Focus by Johann Hari
Stolen Focus

Desculpa, fui distraído por uma notificação.

… Numa única coisa por causa da nossa cultura moderna, principalmente das redes sociais. Achei irónico que a primeira coisa que este gajo tenha feito depois de ler tenha sido abrir o Twitter e elogiar o autor.

O autor, Johann Hari, ganhou um prémio há uns anos pelo seu jornalismo. As suas entrevistas destacam muito bem as ideias dos entrevistados, mas houve um escândalo em 2011 que deu cabo de tudo quando um bloguista o acusou de ter plagiado parágrafos dos livros e entrevistas de outros. O Hari defendeu-se mas era óbvio que ele se tinha comportado mal. Fico contente por ver que conseguiu crescer como pessoa e voltar para escrever de um modo mais educativo. Os seus talentos encaixam melhor naquele modelo em vez de puro jornalismo.

(I don’t normally talk about books in english on here unless they’re textbooks, but in case you’re interested, you can get it from Foyles (they’re like Amazon but they pay their employees and their taxes) or Audible (who are owned by Amazon, thus subverting all the self-righteousness of the previous bracket)

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O Senhor Walser e a Floresta

O Senhor Walser e a Floresta

Deparei-me com este livrinho na livraria Foyles e comprei-o simplesmente porque me apeteceu. É uma maravilha. É apenas um conto de 25 páginas, mas é um conto perfeito que não precisa de mais. Se fizesse parte dum romance mais longo, perderia o seu impacto. Lembrou-me das obras de Kafka, de Borges e de Calvino. Então, será que vou comprar as restantes partes da coleção? Provavelmente não. Custam quase uma libra por página, raios parta! (o Livro é também disponível na livraria Bertrand)