Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
O livro foi publicado para comemorar o centenário da república. Os autores defendem as realizações da primeira experiência de democracia, por mais imperfeito que fosse, para apagar a mancha de analfabetismo e modernizar o país.
A historia é contada pela voz dum homem que vive durante o estado novo. Está a escrever uma carta ao seu filho, que descreve a sua vida como criança logo no inicio da primeira república portuguesa, nos anos antes e durante a grande guerra e, logo depois, anos turbulentos nos quais o poder mexeu-se de uma extremidade para a outra numa serie de golpes e revoluções e a sombra de autoritarismo aproximava-se a pouco e pouco.
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Feliz Dia Internacional do Livro
This was yesterday, actually, but still…
Becoming Fluent – Book Review
I just sort of filleted this book for ideas, rather than read every word. It’s looking at how adults learn languages, and how their acquired social skills and knowledge can compensate for the quickness and brain plasticity they might lack compared to children. It has some interesting “meta tips” in it. In other words, it doesn’t suggest any specific tools or actions or methods, but does talk about the kinds of ways adult minds learn languages and what general, broad strategies you can deploy to help things stick in your mind. Where it finds evidence lacking (eg that learning a language can stave off dementia) it is clear on exactly what does and doesn’t happen, and can be quite reassuring if you’re the kind of person who thinks they are past it, unable to learn or just uniquely shit and untalented at language acquisition.
In a sense it gives a lot of backing to the strategy often called “language-hacking”, which aims at getting people to grapple with the language more in a range of settings and study it less, but there are important differences. For example, it seems to be against the idea of massive input, and in favour of “little and often”. That’s not something you’ll hear in language hacking circles.
Quite interesting if you like to know the theory behind what you’re doing but if you really want to get stuck into a language you’re probably better off with something more hands-on like Fluent in 3 Months by Benny Lewis
Opinião: Caim (José Saramago)
Acabo de ler o “Caim” de José Saramago. Custou-me muito ler, não apenas porque há tantas palavras desconhecidas mas também porque este escritor é famoso por ter escrito num estilo experimental. Portanto, neste livro há parágrafos que se esticam através de 5 páginas com pouca pontuação, nomes de pessoas sem letras maiúsculas, e tudo isso torna a leitura numa montanha-russa de confusão para um estudante como eu. Felizmente, já li a Bíblia, que me ajudou muito.
Toda a gente conhece a historia de Caim, filho de Adão e Eva, que matou o seu próprio irmão. Nas mãos de Saramago, este assassino original torna-se um rebelde contra o Senhor. Depois da sua expulsão do jardim, Caim percorre o mundo e viaja involuntariamente no tempo, entre épocas e locais, onde se encontram as personagens dos contos mais infames do testamento antigo. Assiste a queda das muralhas de Jericó, agarra a mão de Abraão quando está ao ponto de sacrificar o seu filho, e foge com Job do fogo e enxofre que engolem Sodoma.
A sua conclusão é que Deus é rematadamente maluco, e por isso, este próprio Caim tenta fazer alguma coisa muito ambiciosa: nada mais nada menos do que frustrar a vontade do Senhor, mas não quero explicar precisamente como, ou com que nível de sucesso, porque não quero dar spoilers!
Saramago ganhou o Prémio Nobel nos anos noventa, e mereceu: este livro é impressionante. O protagonista é um ser humano, mais realista, e melhor realizado que o da Bíblia. Trata-se principalmente de uma crítica de religião, mas já temos tantas daquelas! Também é uma história divertida. Por exemplo, na cena com Abraão, Caim amaldiçoa o patriarca pela sua falta de humanidade e sentimentos dignos de um pai. Isso serve como acusação poderosa contra Deus, mas na página seguinte, quando chega o anjo, há um momento de comédia que me fez rir em voz alta. Além disso, o livro foi escrito num modo brincalhão e ligeiro, apesar dos seus parágrafos gigantescos. Cá para mim, o livro foi um desafio mas não foi trabalho.
Marialva
Acabo de ver uma apresentação dum novo livro escrito por uma autora portuguesa, chamado “A Inglesa e o Marialva”. É baseado em factos verídicos, sobre uma inglesa que chegou em Portugal nos anos sessenta. Tem um bom aspecto.
Alguém fez uma pergunta que muitos devem ter-se se perguntado: o que é que é um “marialva”. Foi explicado que esta palavra tem dois significados: pode ser um bom cavaleiro ou um homem que se traja como o Marques de Marialva, e tem o comportamento daquele fidalgo; forte, bem vestido, tipo Dom João. Mais recentemente, o nome tornou-se mais negativo, portanto muitas vezes significa um bêbado, ou um homem que corre atrás de mulheres.
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Agora e Na Hora da Nossa Morte – Susana Moreira Marques

Diz-se que não se pode avaliar um livro pela capa, mas confesso que comprei este livro por esse motivo só. Os livros da editora Tinta da China são sempre bonitos. Este tem capa mole cor de lavanda com cantos arredondados. O assunto é igualmente bonito, apesar de ser menos alegre. O assunto é a morte. A escritora viajou com profissionais da saúde e de cuidados paliativos para visitar pessoas com pouco tempo de vida e familiares dos recém-falecidos, numa paisagem fora das grandes cidades, onde parece que um modo de vida está a morrer também. Ali, ela ouviu as histórias das pessoas, e escreveu os pensamentos delas sobre a morte, a vida e o que é importante no fim de contas.
Tanta Gente Mariana – Maria Judite de Carvalho
Este livro é uma coleção de contos. O primeiro tem um tipo de beleza melancólica que nunca chegou a ser deprimente apesar de tanta tragédia. Os outros também seguem o mesmo padrão; também cheio de tristeza mas mesmo assim, não tive vontade de parar de ler porque são tão bem escritos.
“Watchers” Luís Louro
Uma grande amiga minha ofereceu-me este livro e eu nem sequer conhecia o autor antes de o receber. É uma banda desenhada. A arte é muito gira com muitas piadas visuais, escondidas nos pormenores. A história parece o enredo de um episódio perdido da série “Black Mirror”.
Gostei bastante, se bem que o final deixou-me insatisfeito. Não posso dizer o porquê sem dar spoilers, mas… hum, não sei. Acho que é descabido. Existe uma “versão B” do mesmo livro que tem um desenlace diferente e se calhar isso seria melhor…?
É Tudo Uma Questão de Tempo – José Jorge Letria
Mais uma tentativa de apreciar a poesia portuguesa… Gosto muito de José Jorge Letria desde ouvi um poema dele num podcast. Foi a primeira vez (e continua a ser quase a única vez!) que gostei de um poema português. Lamento que ainda falte paciência para ler poesia em qualquer língua, e o problema fica ainda pior quando tenho de alcançar o dicionário a cada 4 linhas! Mas de vez em quando uma luz penetra a escuridão da minha ignorância e consigo ver a beleza da escrita. Às vezes reli os poemas mais de uma vez para aumentar a experiência.
Reaccionário Com Dois Cês
Este livro é o segundo deste autor que já li. Gostei bastante! Consiste num serie de artigos, publicados inicialmente na revista Visão. São muito engraçados. Soltei gargalhadas durante quase todos. Além disso, os artigos frequentemente têm temas sérios, relacionados com as notícias da época em que foram escritos. Há poucos comediantes que conseguem escrever opiniões assim, e dar um resumo duma situação, com humor e, quando é necessário, força.