Thoughts on “A Língua Portuguesa”, writings by Fernando Pessoa edited by Luísa Medeiros (Bertrand / Amazon)
Fiquei interessado por ter encontrado este livro na livraria Foyles e tive muito curiosidade pelos pensamentos deste grande poeta (ou seja convocação de poetas) sobre o seu próprio idioma. E não fiquei desiludido. Se não me engano, o livro consiste em fragmentos que nunca fizeram parte de um livro coerente na mente do autor, mas um tema é evidente. Está claro que o seu modo de pensamento estava num universo diferente do que o meu. Antes de mais, escreveu na língua falada como forma mais natural da língua, enquanto a língua escrita era meramente cultural cujo propósito, quanto importante que seja, era servir “o fenómeno natural” de comunicação oral.

Daí fora, seguem-se vários discursos sobre a ortografia e a etimologia da língua. Pessoa valoriza a língua e compara-a com outras línguas europeias. Via a língua como algo vivo, portanto línguas artificiais tal como esperanto nunca poderão suplantar línguas que têm a sua base num povo. Além disso, e por igual raciocínio, mesmo que criticasse a ortografia portuguesa, rejeitou a reforma ortográfica de 1911 assim: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” Isto é um sentimento que muitas pessoas de hoje partilham. Eu, como falador de uma outra língua de ortografia aleatória, simpatizo.





É difícil saber como descrever esta banda desenhada bilingue. Tem os ossos de uma história interessante, com elementos históricos e míticos, mas não sei porque o autor decidiu fazer do protagonista o “Super Pig”. É como se tivesse transplantado uma história do Bryan Talbot ou o Neil Gaiman para um livro do Garfield.

