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A Língua Portuguesa – Fernando Pessoa

Thoughts on “A Língua Portuguesa”, writings by Fernando Pessoa edited by Luísa Medeiros (Bertrand / Amazon)

Fiquei interessado por ter encontrado este livro na livraria Foyles e tive muito curiosidade pelos pensamentos deste grande poeta (ou seja convocação de poetas) sobre o seu próprio idioma. E não fiquei desiludido. Se não me engano, o livro consiste em fragmentos que nunca fizeram parte de um livro coerente na mente do autor, mas um tema é evidente. Está claro que o seu modo de pensamento estava num universo diferente do que o meu. Antes de mais, escreveu na língua falada como forma mais natural da língua, enquanto a língua escrita era meramente cultural cujo propósito, quanto importante que seja, era servir “o fenómeno natural” de comunicação oral.

Daí fora, seguem-se vários discursos sobre a ortografia e a etimologia da língua. Pessoa valoriza a língua e compara-a com outras línguas europeias. Via a língua como algo vivo, portanto línguas artificiais tal como esperanto nunca poderão suplantar línguas que têm a sua base num povo. Além disso, e por igual raciocínio, mesmo que criticasse a ortografia portuguesa, rejeitou a reforma ortográfica de 1911 assim: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” Isto é um sentimento que muitas pessoas de hoje partilham. Eu, como falador de uma outra língua de ortografia aleatória, simpatizo.

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Os Lusíadas em Quadrinhos

(NB – this is the right title of the book but it’s Brazilian, I think. European Portuguese would write is as “Quadradinhos” or just “Banda Desenhada”)

Os Lusiádas Em Quadrinho (Luís Vaz de Camões, Fido Nesti)

Estou a preparar-me para cumprir um desafio que planeei no início do ano. Estabeleci como objectivo ler os Lusíadas de Camões em 2020. Antes de começar, ando a preparar-me para o sofrimento que tenho pela frente (ah ah, estou a brincar, mas ouvi falar que o poema nacional dos portugueses é… Como se diz… Uma grande seca…?) Ainda por cima, existem montes de obstáculos: a ortografia desconhecida, a língua poética, e a falta de conhecimento das personagens.

Este livro é um dos métodos de preparação. Trata-se de uma banda desenhada baseada nas palavras do poeta. Não se conta a narrativa inteira, só 4 cenas: a história de Inês de Castro, o episódio do Velho do Restelo, a lenda do gigante Adamastor e a chegada na ilha dos amores.

Para o meu propósito, dá algum jeito, mas é muito limitado: quem (tirando eu) precisa de 40 páginas de versos originais, sem alterações nem piadas. Ou conta a historia inteira ou vai para o outro extremo e faça uma BD humorística

Ah, e porque é que Vasco da Gama parece o Capitão Haddock? Hein?

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Passageiros em Trânsito – José Eduardo Agualusa (Opinião)

Este livro é um daqueles que consegui ler durante o Fim-de-Semana de pascoa. Os contos tem a ver com viagens, e pessoas fora dos seus países e (menos literalmente) fora das suas zonas de conforto.

Existem contos que são histórias completas mas curtas, com um começo e um desenlace e um enredo cheio de acção, como um romance encolhido ao tamanho de um artigo de revista. Convém dizer que os contos neste livro são exactamente o oposto! São mais descritivos e contêm menos desenvolvimento do enredo. A maioria consiste em retratos de pessoas ou de situações de três ou quatro páginas de extensão. O autor esboça estes cenários todos numa maneira bem nítida, portanto o livro lê-se bem. Li-o rapidamente, virando as páginas, conto após conto até ao fim.

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Winepunk

Acabo de ler um livro chamado Winepunk. Trata-se de uma compilação de contos de ficção cientifica baseados numa história alternativa de portugal. Nesta realidade imaginativa, a monarquia do norte (um movimento verídico que teve o seu inicio em 1919, depois da implantação da República Portuguesa) sobreviveu durante anos, ao contrario da monarquia histórica que foi esmagada dentro de umas semanas.

O título “Winepunk” tem origem na frase “Steampunk”, um género inglês de ficção cientifica com raízes no mundo da revolução industrial com máquinas alimentadas por carvão e vapor. Os autores brincam com várias espécies de geringonças tal como plantas vivas, robôs cuja* fonte de poder é plasma de uva e animais de estimação com ligações psíquicas aos seus donos. Não é cem por cento coerente porque cada autor tem a sua própria imaginação e o seu próprio estilo e às vezes, estes não têm semelhança o suficiente para concretizar um mundo literário no qual o leitor pode acreditar. Mas há contos divertidos. Acima de tudo, amei a contribuição do José Barreiros. Os dois do Rhys Hughes** também têm muito jeito. mas exemplificam bem a minha queixa com o projecto em si: os contos nem sequer mencionaram a monarquia de todo!

*Rookie mistake here. “Cuja” because it agrees with “fonte” not “robôs”

**Rhys Hughes é um escritor galês que mora em Lisboa. Ama portugal e já escreveu dois livros em português: “A História Universal de Infâmia” e “A Sereia de Curitiba”. Não tenho a certeza mas, pelo que sei, escreveu-os em português, e nem usou tradutor. Uma vez que tenho tentado escrever um conto em português, vejo este escritor como um herói e quero ser igual a ele.

Thanks to Natalia for the correction. There is some good stuff in english about this compliation on the Portuguese Sci-Fi Portal here and here, and you can see a decent review by a much better portuguese reviewer on youtube… um… I don’t think I’ll link directly but if you search for “aoutramafalda winepunk” or “books beers baby quarantena winepunk” you’ll find what you’re looking for.

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O Velho Que Lia Romances de Amor – Opinião

Este livro surpreendeu-me. Já li dois livros do mesmo autor e ambos eram livros infantis mas este tem um tom mais adulto: há violência, sangue, personagens que bebem e fumam e tomam drogas alucinogénicas. Os animais não falam… Mas ainda bem que também não fumam porque o tabaco prejudica a saúde das onças.

O livro lê-se bem. O escritor tem um estilo muito nítido nos seus livros adultos igual às suas histórias escritas para meninos.

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Camões Conseguiu Escrever Muito Para Quem Só Tinha Um Olho

Comprei este livro porque achei que fosse uma piada. Em inglês existem alguns livros cómicos que mostram erros feitos por alunos nos exames de várias disciplinas. Não há dúvida que há alguns erros reais nestas colecções, mas tenho certeza absoluta que a maioria são piadas inventadas pelos autores, e o efeito dá para rir muito.

Cada erro tem a sua própria explicação.Seja como for, este livro não é propriamente a mesma coisa. É verdade que existem respostas engraçadas, tal como o título do livro mesmo, mas o propósito do livro é mais elevado: a autora é uma professora e quer ensinar os leitores a escrever bem português e para mim, claro, isto é ainda melhor porque quero aprender mais e isso é um bom método de aprender. Assim como o “101 Erros de Português Que Acabam Com a Sua Credibilidade”, muitos erros são erros de preguiça ou de péssimo hábito que, paradoxalmente, eu, como estrangeiro, provavelmente teria menos risco de fazer do que um nativo, mas há muitas dicas úteis. Já escrevi algumas publicações no meu blogue e fiz duas notas de publicações futuros.

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O Impaciente Inglês – Opinião

10714000_10152588508807701_3893736958200846262_o É difícil saber como descrever esta banda desenhada bilingue. Tem os ossos de uma história interessante, com elementos históricos e míticos, mas não sei porque o autor decidiu fazer do protagonista o “Super Pig”. É como se tivesse transplantado uma história do Bryan Talbot ou o Neil Gaiman para um livro do Garfield.

Mas apesar disto tudo, gostei do livro. É divertido, imprevisível, o enredo é bem diferente, complexo e não há nada de estereotipo.

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Dinossauro Excelentíssimo – José Cardoso Pires

250x

Esta edição deste livro é incrível. Tem capa dura, páginas de papel suave e muitas ilustrações bem coloridas. Dinossauro Excelentíssimo foi publicado em 1971, logo antes da revolução. A protagonista, o imperador é “astuto, diabo e ladrão” e claro que trata da ditadura portuguesa e da vida de Salazar (que tinha falecido no ano passado) mas naquela altura da vida da ditadura, a editora conseguiu publicar sem interferência.

O que mais gostei foram as últimas páginas em que o reino tem “duas caras”, o país verdadeiro onde o povo vive e trabalha e um mais limitado que consiste num presidente, a sua estátua, e a sua vaidade.

*Spoiler* Ao que parece, a morte não pode levar a história ao fim, e enfim o autor mesmo intervém.

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Maria Moisés – Camilo Castelo Branco

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Este livrinho é um clássico, recomendado no plano nacional de leitura para alunos do nono ano escolar. Foi escrito em 1876, e por isso passa-se num mundo muito mais rígido e conservador do que o nosso.

A primeira parte conta a história de um amor malfadado entre dois jovens que dá em tragédia quando a rapariga engravida inesperadamente: o jovem é forçado a ir-se embora e viver em exílio, e a sua namorada dá a sua bebé à luz em segredo e logo depois ela morre e a bebé é perdido.

Na segunda parte, a bebé, que foi descobrido à beira dum rio por um pescador, já está crescida, e é ela que dá ao livro o seu título.

A história é melodramática e ligeiramente rebuscado, tal como uma telenovela, mas é divertida também, e claro está que o nível de vocabulário faz este um livro apropriado para estudantes na escola além de estudantes tal como eu!

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Serpentina – Mário Zambujal

Gostei muito deste livro, apesar de perder o fio à meada ocasionalmente. O enredo não é muito forte: desenrola-se em pequenas contas desarticuladas da sua vida. Não me lembrei quem era quem. Mas isso não importa muito. No final, parecia que o protagonista também tinha se esquecido!