Anjos é um romance de ficção científica, editado pela Editora Divergência. A história tem lugar numa Lisboa futurista, após um segundo terramoto ter derrubado a cidade atual, deixando os planeadores construir uma nova cidade nas ruínas, ainda maior e ainda mais magnífica.
Os protagonistas são os Anjos, guardiões da cidade e donos de um computador incrível chamado YHVH. A história é fixe apesar de ter um enredo desses sobre o qual não se deve questionar demais. Há um sabor de cyberpunk, sobretudo no desenlace mas acho que o autor está o seu melhor nas cenas mais humanas: interações entre personagens, batalhas, caças e tal.
Este livro tem bom aspecto e estava muito ansiso por ler mas afinal achei-o um pouco aborrecido. Custou-me muito concentrar-me. Encontrei-me muitas vezes a meio de um parágrafo, a pensar “Como é que cheguei por cá? O que é que aconteceu? Não tenho memória nenhuma das últimas 5 páginas.
Provavelmente é culpa minha. Falta-me educação. Sou bárbaro.
Este livrinho é um texto dramático – um guião duma peça de teatro que podia ser apresentado numa escola enquanto parte de… Suponho… um programa educativo sobre a cidadania e o crescimento da democracia em Portugal.
Mas há uma peça dentro da peça. Ou seja as personagens são alunos e a sua professora pede-lhes apresentar uma peça de teatro. Então, eles assumem papéis de pessoas históricas tal como o Rei D. Carlos e o poeta Guerra Junqueiro, e representam a história daquela época, explicando o Mapa Cor-De-Rosa, o ultimato da Grã-Bretanha, e a perda de confiança no papel da monarquia.
O livro foi escrito há 12 anos. O que mais me chamou a atenção foi o seu modo como fala de África. Não só os protagonistas da peça-dentro-da-peça mas até os alunos e a sua professora (que vivia no tempo presente) falam do território disputado como se pertencesse ou a Portugal ou à Grã Bretanha e ninguém perguntou “Hum…e os africanos?”. Não há dúvida que nós ingleses sofremos da mesma cegueira de vez em quando… Acho que hoje em dia um professor de qualquer destes países seria mais cauteloso e lembraria que há mais de um lado – e até mais de dois – em cada história!
Quanto mais livros de José Carlos Fernandes leio, mais gosto do seu modo de criar mundos surrealistas. Nesta banda desenhada, introduzem-se seis cidades imaginárias, cada uma com a sua própria história. Embora seja BD, não é um exemplo típico do género. Os desenhos são arrepiantes e escuros, e existem poucos balões de diálogo, so de narração. É quase uma colecção de contos absurdos, cada um ilustrado com um estilo adequado ao seu assunto.
Para mim, o capítulo mais bem sucedido é o último que reconta a história da torre de babel. Adoro ficção que usa, como base, temas religiosos e este, como o Caim de José Saramago e o último capítulo do Bichos de Miquel Torga é um exemplo excelente, cheio de humor contundente.
Este é o quarto alivro do Ricardo Araújo Pereira que já li. O autor é, sem dúvida, um dos meus autores portugueses preferidos. Ri em voz alta muitas vezes. O livro é composto por vários artigos publicados num jornal brasileiro chamado “Folha de S Paulo”. Fala da nossa história recente: a vida sob a sombra do Trump e do Bolsonaro e o surgimento da pandemia que continua a estragar tudo já mais de um ano depois do lançamento do livro. Os melhores artigos alimentam o pensamento também, porque o escritor tem um ponto de vista interessante mas, quer tenha algo importante a dizer, quer não, os artigos divertem-me sempre. Li o livro na cama mas não me trouxe um sono tranquilo porque estava a gargalhar tanto.
Idiotas Úteis e Inúteis is available from Bertrand. I don’t see any British shops selling it I’m afraid.
Este livro conta a história de Boa Morte da Silva, nativo de Bissau, residente em Lisboa e as suas amizades, principalmente com uma mulher sem abrigo que se chama Fatinha. Há capítulos narrados na terceira pessoa mas a maioria na primeira, como se o protagonista estivesse a falar à sua filha que ainda mora em Bissau e que mal conhece (nem sequer sabe se ou não ela está viva)
É muito bem escrito, até eu sou capaz de apreciar a confiança com a qual ela esboça as personagens e as cenas nas quais eles se encontram. Como muitos livros portugueses, custou-me julgar o “tom” da história. Na maior parte, havia um sentido de ternura em relação às personagens, sobretudo na amizade entre Boa Morte e a Fatinha mas também há momentos de humor.
Nem sequer sabia que a Dulce Maria Cardoso tinha escrito um livro infantil mas aqui está! É uma maravilha. Adorei as ilustrações de Vera Tavares e a história em si é divertida, sendo baseada na história do Jardim do Éden, mas com uma grande diferença: há uma deusa (“menina Deus”) em lugar do Deus da Bíblia. A editora, Tinta da China publica sempre livros de alta qualidade e este não é exceção. Tem páginas espessas e uma capa dura. Até cheira bem*.
Lôá Perdida No Paraíso
*=I always get this wrong: it smells well, not smell good. There’s a song by Amália that includes the line “Cheira bem, cheira a Lisboa” so I should probably learn the words to that I guess.
A review of the book I’ve been reading. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections.
Acabo de fechar a capa deste livro juvenil. É um livro daqueles que não tem um enredo muito bem definido mas está cheia de emoção. O narrador é um adolescente cujo avô faleceu recentemente. O rapaz, que se chama Edgar (também conhecido pela alcunha* “Rígel”) está a correr e a pensar. O livro é um registo dos seus pensamentos. Afirma que o dia em questão era simultaneamente o pior e o melhor dia da sua vida. O pior porque o seu avô desapareceu pela chaminé do crematório acima** e o melhor porque a Joana (irmã do seu amigo Júlio) beijou-o. Os sentimentos saltam na sua cabeça, tornando cada vez maior e o próprio Edgar sente-se maior. É o Rígel, uma estrela, uma supergigante azul, 18 vezes maior e milhares de vezes mais brilhante do que o sol. A corrida ajudá-lo a fazer sentido dos seus pensamentos até ao final quando está capaz de falar sinceramente com a Joana.
Supergigante de Ana Pessoa
* I originally used “apelido” here, since that’s the translation gtranslate gives for nickname. At the time I thought this was weird since apelido also means surname. Sure enough, the person marking the work was confused and said Alcunha was the better choice. Apelido is only used that way in Brazil, it seems.
Toutinegra é uma banda desenhada portuguesa escrita por André Oliveira com ilustrações de Bernardo Majer. Conta a história de duas crianças de nove anos que moram numa aldeia esquecida. A mãe adoptiva do menino é uma louca que provocou um acidente de carro que causou a morte da mãe biológica dele e a quem, por alguma razão que não compreendo é permitido ficar com o bebé que ela encontrou no carro.
Os dois encontram uma criatura negra num moinho abandonado na floresta que “traz más notícias” a quem vai morrer ou a quem vai perder alguém. A influência da criatura inicia uma série de eventos trágicos. Gostei do estilo e dos desenhos (bastantes simples e ingénuos) mas acabei por não me sentir satisfeito com a história. Quase deu em êxito mas… Sei lá… Ficou muitas coisas* por explicar e o enredo parece um pouco rebuscada e incompleta.
*This is a weird one. A lot of people will just say “muita coisa” in spoken portuguese, just like “muita gente”, or like you might say “a lot of stuff” in English. But it is meant to be plural according to Ciberduvidas.
Por que raios comprei este livro? Já sabia antes de comprar o primeiro tomo (lançado em 2007) que aina não existe a segunda parte, portanto eu provavelmente nunca saberia como se desenrola a história, mas ouvi falar do livro numa lista do “Top 15” de BD* portuguesas (https://vinheta2020.blogspot.com/2020/10/top-15-as-melhores-bds-portuguesas-de.html?m=1) o BRK vinha em segundo lugar, antes das aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy e depois d’A Balada para Sophie. Então, vale a pena? Não vale. Os desenhos têm graça mas não são consistentes**. A história não faz sentido. Há buracos no enredo do tamanho do Poço Iniciático. Precisa de mais esforço para concretizar a história como deve ser e depois, desenhar o resto da saga!
* Acronyms don’t get pluralised. One BD, Two BD
** This correction surprised me, I suppose because i think of two things being consistent together as a single system, if you see what i mean, so I didn’t see the adjective as needing to be pluralised. Anglophone thinking.