Gostei muito deste livro infantil. O rei tenta manter a ordem no seu pequeno reino, com leis antigas que guiam a sociedade, mas a chegada dum dragão de cinco cabeças que se zanga por causa dum decreto que exige a sua morte provoca uma reacção em cadeia que dá em vários episódios com o seu conselheiro, a bruxa de estimação do país, uma fada, e no fim das contas, centenas de filhos.
Às vezes, o livro fez-me soltar umas gargalhadas. É tão engraçado. Amei!
Tag: book review
Opinião: Comer Beber (Filipe Melo e Juan Cavia)

*spoilers*
Comer Beber é uma banda desenhada que contém duas histórias. As duas foram escritas por a revista Granta, embora apenas a segunda tenha aparecido porque a primeira não foi editada até que o prazo tenha acabado.
Na primeira história, um dono de um restaurante polaco esconde uma garrafa de champanhe de um capitão alemão logo no inicio da guerra, e fica com ele quando o restaurante é destruído por uma bomba. Na segunda, um policia viaja desde o Texas até o Arizona para comprar uma fatia de tarte de maçã para atender o pedido de um prisioneiro que está condenado a morte.
As historias são curtas e mais reflexivas do que os outros livros escritos pelos mesmos autores que já li (“Os Vampiros” e a série de “Dog Mendonça e Pizzaboy“). Realmente alimentam a reflexão do leitor, de modo literal, se perdoarem o meu trocadilho!
Thanks Simone for the corrections. Simone is Brazilian (all the europeans must have given up on me!) so some of these corrections might not be 100%. She also wanted to change “Banda Desenhada” to “Quadrinho” but I was sure enough about that to stick to my guns!
Opinião: O Baile (Nuno Duarte e Joana Afonso)
#uncorrectedportugueseklaxon
O Baile é uma banda desenhada portuguesa. Ouvi falar dele há algum tempo quando pedi uma amiga para sugestões de quais escritoras portuguesas vale a pena ler. Um dos dois autores do Baile é feminino. O enredo é uma história dum agente do PIDE nos anos sessenta. Chega numa aldeia à beira do mar para investigar uma desaparecia. O que encontra durante o percurso da investigação mostra que nada é como parece. O povo da aldeia está sob ataca cada lua cheia por um exercito de mortos-vivos que vêm das ondas e raptam quem possam. Toda a gente culpa uma mulher (há sempre uma mulher que traz todas as problemas, não há?) mas a verdade é muito diferente. É interessante e arrepiante mas podia ser mais comprido para deixar o enredo se desenvolver melhor.
Contos de “Laços de Família” (Clarice Lispector)
Lusófonos, desculpem-me. Cometi um crime muito grave. Li um livro de Clarice Lispector…. traduzido em inglês! Ai que vergonha! Eu sei, eu sei, não mereço misericórdia.
É um livrinho de quarenta e nove paginas que contém três contos. Comprei-o porque tinha um cartão de oferta de dez libras, mas o livro que queria custava nove libras. Restava uma, e por acaso, havia uma estante com livrinhos que custavam exactamente uma libra. Pumba! Comprei.
Os contos parecem muito bom. Contam histórias de mulheres que se encontram a fazer uma descoberta de algo importante – ou seja uma epifania – sobre elas próprias. Lembram-me de livros de existencialismo, tal como “O Estrangeiro” de Camus. Infelizmente, a tradução é completamente horrível. Havia muitas palavras esquisitas que não se encaixam nas frases em que se encontram. Às vezes, tornou-se ridículo. Por exemplo a frase “Junto dela havia uma senhora de azul, com um rosto” é traduzido literalmente. Fiz uma pergunta sobre isso porque fez me soltar uma gargalhada, e um brasileiro simpático explicou que provavelmente é uma expressão idiomática que significa “resoluta” ou “com bravura” (equivalente de “com peito feito” em português europeu, acho eu). Mas existem muitos exemplos de frases menos ridículas que dão a impressão, sobretudo, de ter sido escrito por alguém que não fala inglês como nativo. Claro, isso não é um crime – todos nós tem os nossos próprios desafios com as nossas línguas escolhidas, mas não é normal para uma tradutora literária.
Pesquisei a tradutora: É americana e ensina literatura comparativa Ganhou prémios. Hum… Ora bem, talvez o mundo discorda comigo mas… Não vou comprar mais livros traduzido pela mesma pessoa!
Acho Que Posso Ajudar (David Machado)
Gostei imenso* deste livrinho que faz parte da coleção “DN Contos Digitais”. É o segundo conto da coleção que já li (o primeiro foi “A Terrível Criatura Sanguinária” de Nuno Markl). É um conto infantil e muito divertido. Contém todos os elementos que constituem uma boa história infantil: há monstros, há bruxas, há mágico que torna tudo possível dentro do mundo pequeno da história, e há um slogan repetitivo: “acho que posso ajudar” que se diz ao início de cada novo episódio no crescimento e espalhamento de caos delicioso! Afinal, o herói da história consegue restabelecer a ordem no mundo, que é uma parte essencial num bom conto infantil porque sem este ingrediente, os filhos nunca ficam calmos o suficiente para adormecer!
* É muito interessante que toda a gente brasileira trocou “imenso” para “imensamente” porque tenho certeza que os portugueses dizem “gosto imenso” mas concordo que, neste caso a versão brasileira faz mais sentido porque “imensamente” é um adverbio e “imenso” é um adjectivo.
Thanks very much to Caroline, Lio and Ney who all offered corrections on this one.
Pontas Soltas – Lisboa (Ricardo Cabral)
Gostei mesmo da capa desta banda desenhada mas como toda a gente diz, nunca se deve julgar um livro pela capa! As três histórias são todas lindas, com grandes panoramas de Lisboa, e personagens muito bem construídas, mas não fazem sentido nenhum, e no fim, deixaram-me insatisfeito!
Opinião – Ruínas (Hugo Lourenço)
Ouvi falar deste livro através dum canal de Booktube. Conta a história de dois homens – o Daniel e o Ricardo e um terceiro, o narrador. Ou seja, trata-se da vida do narrador e a sua relação com estes dois indivíduos. Os dois têm fundos e vidas muito diferentes, e acho que o narrador está à procura das causas da diferença. Pergunta-se, se fizesse algumas coisas diferentes, se as vidas dos amigos teriam sido melhores. A acção desenrola-se no Portugal de hoje, e os três sentem os efeitos do clima económica e social.
Percorrendo a história há uma série de conversas entre as personagens nas quais, falam de diversos assuntos – suicídio, o mercado editorial, Marilyn Monroe. Achei-os fascinantes, como se Haruki Murakami decidisse escrever um diálogo socrático. (Não me peçam para justificar a comparação com Murakami porque não sou capaz). Às vezes, além de ser o meu preferido parte do livro tornou-se uma fraqueza também porque durante os últimos capítulos o narrador imaginou uma conversa com um amigo desaparecido, e explicou os seus sentimentos e arrependimentos sobre a situação. Depois, proferiu um discurso que descreve várias cenas de literatura e cinema e utilizou-as para acrescentar mais pormenores.
Sinto que recebi demasiada informação: explicou demais e não mostrou o suficiente. Cá para mim, como leitor, prefiro tirar uma mensagem ou um significado do enredo, mas fiquei com a impressão que as ideias cresceram até ao ponto em que se tornaram mais importantes do que a história.
Mas sobretudo, aproveitei o tempo na companhia destes personagens e das suas conversas, e estou contente por ter lido um livro que não é aborrecido e não é difícil demais para um estrangeiro!
Thanks Fernanda for corrections in the main body of the review
Opinião – “A Hora Da Estrela” de Clarice Lispector
Não costumo ler livros brasileiros por causa das diferenças da gramática e vocabulário, mas tenho ouvido apenas boas coisas sobre essa escritora, e estamos no mês do dia internacional da mulher (os meus amigos do booktube chamam-no “Marco Feminino”) e por isso, pensei, “porque não ler alguma coisa diferente?”
O livro é fininho mas muito denso. A historia é contada por um narrador, ou um falso autor, que se chama “Rodrigo S M” e que se apresenta como um personagem no conto. O vocabulário não é difícil, mas há muita subtileza e filosofia, até ao ponto em que, as vezes, a historia parece menos importante do que os pensamentos do narrador sobre a problema de escrever livros. Enfim, o livro é um bom exemplo dum livro no qual “entendo as frases mas não compreendo os capítulos”, mesmo que não tenha nenhum capítulo!
Opinião – Como é Linda a Puta da Vida
O que mais me impressionou deste livro foi a maneira como o escritor comunica ideias bastante interessantes e complexas nitidamente, sem precisar de frases inchadas com palavras compridas. Eu, como estrangeiro, quase nunca tive de abrir o dicionário, mas apesar disso nunca houve nenhum capítulo aborrecido ou simples de mais.
(Tentei muitas vezes publicar este texto no iTalki com o título do livro na caixa do título na página mas sempre falhei. Pergunto-me se a quinta palavra é proibido! Nunca tive problemas com filtros mas nunca se sabe. Não é uma palavra que costume de utilizar!)
Rir and Loathing in as Pages

Here are a few thoughts about the jokes in this popular joke book, and a few things I have learned from reading it. I won’t trot out every new word, of course, but I noticed a few patterns and formats that came up again and again, and I thought it was worth noting them down. Being able to tell a good joke in another language is real jedi-level language skill, so I think it’s useful to know what the “rules” are.
Piadas Secas and “Dry Humour”
First of all, “Piadas Secas” doesn’t seem to be the same as what we would call “Dry Humour” (jokes told with a straight face, often with a slightly dark theme), it seems more to be “stale jokes” or perhaps just “old jokes”. Not quite Christmas-cracker level but close. If you’ve ever read a rag mag you’ll know the sort of thing. However, whereas university students tend to be very careful to avoid offence (even in the late eighties when I was at UEA) these are really in Bernard Manning territory, full of fat girl jokes, leper jokes, dumb blonde jokes, knob gags, and a little light racism. I’m not the sort of person who hurls a book across the room for that sort of thing but like… dude, it’s 2018.
Anyway, let’s look at a few examples of the jokes (don’t worry, I’ll stick to the less icky ones because the icky ones are less interesting from a language perspective):
Playground Classics
There were a lot of jokes that were so similar to old chestnuts from my youth that I’d be pretty sure they were translated from english rather than having sprung up independently
-Sabes qual é a diferença entre um rolo de papel higiénico e um cortinado de banheira?-Não, diz-Ah, então foste tu, javardo!
-Quantos Psicólogos são precisos para mudar uma lâmpada-Uma, mas a lâmpada tem de querer mudar
Estou? Quem fala?NoéNoé quê?Noé da sua conta
And here’s one that’s basically a recycled “Yo mamma so fat” joke,
Era uma vez uma mulher tão gorda, mas tão gorda que um dia que um dia vestiu-se numa camisola com um “H” e um helicóptero aterrou-lhe em cima
Note the “Era uma vez” at the start, which is equivalent to “There was…”. You can also use “Havia…” to start the joke and introduce your characters. And the “tão gorda, mas tão gorda” (or “tão preguiçoso” or “tão pequeno” or whatever it might be) seems to be a pretty common stand-by in this kind of joke too. Here’s another. Same format but with “Havia” at the front and a different adjective
Havia um homem tão pequeno, tão pequeno que não andava de metro. Andava de centímetro
OK, I’m getting away from playground standards a little bit here, so let’s try some spicy foreign stuff.
Portuguese Wordplay
For me, the most interesting ones were the ones that relied on a specific portuguese puns that required me to work out how the joke worked. I assume these are old chestnuts too, in their own country.
– Boa tarde, tenho uma consulta Duarte Matos– Ai, você deve ser mesmo altruísta vir aqui doar tomates
Uma freira tinha de por supositórios em três bebés. Meteu no primeiro, depois foi atender o telefone e esqueceu-se em qual tinha posto. Qual o nome da freira-Madre Teresa de Cal-cu-tá
I think “Cal-cu-tá” = “Qual cu ‘tá” (“which bum is it?”). This seems to be a reasonably common joke format: describe a person or a film, or something and then ask the person to guess what it is. Here’s another
Um homem entra num bar, pede uma imperial e leva-a para casa. Qual é o filme?
– Roub-ó-copo
Then there’s:
Vira-se o computador grande para o pequeno:– Olha para ti, tao pequeno e já computas
The next one relies on you being able to turn the phonetic sounds of numbers into words.
Quem 60 ao teu lado e 70 por ti, vai certamente rezar 1/3 para arranjar 1/2 de te levar para 1/4 e te dizer-20 comer
Era uma vez uma mulher que partiu a perna ao filho
Não tinha canela para pôr no bolo.
is another I needed iTalki’s help for. I knew “canela” means “cinnamon” but I didn’t know it was also the equivalent of the english word “shin” – a colloquial name for the tibia.
And this one:
-Artur, estás tão diferente!-Eu não sou Artur
Qual é o cúmulo de preguicaCasar-se com uma mulher grávida de outro
The Cream of the Crop
O que é invisível e cheira a cenoura?O peido do coelho
Entra uma mosca num restaurant:
-Qual é o prato do dia?
-Arroz com cocó
-Xiiiii, que nojo, todos os dias arroz!