Este livro é lindo e (se não me engano) ilustrado pelo autor mas confesso que não me encantou. Faltou de alguma coisa “mágica”.

Este livro é lindo e (se não me engano) ilustrado pelo autor mas confesso que não me encantou. Faltou de alguma coisa “mágica”.


Comprei este livro sem perceber que não era uma história original de Alice Vieira. Já li 3 livros dela e esperava de algo mais ou menos semelhante. Mas logo que comecei a ler, fiquei com um a impressão de ter lido esta história anteriormente: um rei que quer abdicar ao trono, e que decide ceder o reino às suas três filhas. Antes de fazer a decisão, ele pede declarações de amor de cada uma. Duas filhas oferecem elogios muito floridos mas a terceira…
Espera lá! Conheço esta história! Li a descrição na contracapa e, como já adivinhei, a história é baseada numa peça de teatro de Shakespeare. A autora fez algumas mudanças. O Rei Leandro é uma história mais leve, até engraçada, e apropriada para leitores juvenis mas tem um enredo que muitos leitores adultos provavelmente conhecem.

Este livro é uma tentativa de a autora recontar a história “Rebecca” de Daphne Du Maurier e, sem dúvida, a sua escrita recriou a atmosfera do livro muito bem. Os personagens, os locais, os temas tudo parecem muito fiéis ao original mesmo que tenha lido os dois em línguas diferentes.
Pois, está bem escrito mas será que foi necessário escrever uma outra versão de Rebecca? Aquele livro é uma obsessão para muitos, um dos livros mais amados de sempre, é quase perfeito na sua construção. Só uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo. A Ana Teresa Pereira mostra melhor a personagem da mulher morta e conta a sua história antes do casamento e durante a sua vida em Manderley. Noutros capítulos, o seu fantasma descreve os acontecimentos do livro original do ponto de vista dela. Para mim isto não funciona tão bem. No livro original Rebecca é uma presença nas sombras da casa e nas memórias dos outros personagens, mas nunca se manifesta literalmente como um espírito. Teria sido demais, e acho que não precisamos disto: Rebecca é mais forte quando está menos visível.
Mas não me quero queixar. Apesar desta critica, gostei do livro. Serve para quem quer revisitar o mundo da Rebecca sem reler o mesmo livro. Lê-se bem e agarrou-me do início até ao final.
Corrected version – thanks Fernanda, Filipe and Rafaela
My favourite correction is where I’ve tried to write
It’s a brave author who would dare to rewrite it.
which I have rendered as
É uma autora corajosa que ousaria reescrevê-lo.
But it’s better as
Só uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo.
I’ve seen this way of giving emphasis before but never really thought about how to apply it
Thoughts on “A Língua Portuguesa”, writings by Fernando Pessoa edited by Luísa Medeiros (Bertrand / Amazon)
Fiquei interessado por ter encontrado este livro na livraria Foyles e tive muito curiosidade pelos pensamentos deste grande poeta (ou seja convocação de poetas) sobre o seu próprio idioma. E não fiquei desiludido. Se não me engano, o livro consiste em fragmentos que nunca fizeram parte de um livro coerente na mente do autor, mas um tema é evidente. Está claro que o seu modo de pensamento estava num universo diferente do que o meu. Antes de mais, escreveu na língua falada como forma mais natural da língua, enquanto a língua escrita era meramente cultural cujo propósito, quanto importante que seja, era servir “o fenómeno natural” de comunicação oral.

Daí fora, seguem-se vários discursos sobre a ortografia e a etimologia da língua. Pessoa valoriza a língua e compara-a com outras línguas europeias. Via a língua como algo vivo, portanto línguas artificiais tal como esperanto nunca poderão suplantar línguas que têm a sua base num povo. Além disso, e por igual raciocínio, mesmo que criticasse a ortografia portuguesa, rejeitou a reforma ortográfica de 1911 assim: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” Isto é um sentimento que muitas pessoas de hoje partilham. Eu, como falador de uma outra língua de ortografia aleatória, simpatizo.
(NB – this is the right title of the book but it’s Brazilian, I think. European Portuguese would write is as “Quadradinhos” or just “Banda Desenhada”)
Os Lusiádas Em Quadrinho (Luís Vaz de Camões, Fido Nesti)
Estou a preparar-me para cumprir um desafio que planeei no início do ano. Estabeleci como objectivo ler os Lusíadas de Camões em 2020. Antes de começar, ando a preparar-me para o sofrimento que tenho pela frente (ah ah, estou a brincar, mas ouvi falar que o poema nacional dos portugueses é… Como se diz… Uma grande seca…?) Ainda por cima, existem montes de obstáculos: a ortografia desconhecida, a língua poética, e a falta de conhecimento das personagens.
Este livro é um dos métodos de preparação. Trata-se de uma banda desenhada baseada nas palavras do poeta. Não se conta a narrativa inteira, só 4 cenas: a história de Inês de Castro, o episódio do Velho do Restelo, a lenda do gigante Adamastor e a chegada na ilha dos amores.
Para o meu propósito, dá algum jeito, mas é muito limitado: quem (tirando eu) precisa de 40 páginas de versos originais, sem alterações nem piadas. Ou conta a historia inteira ou vai para o outro extremo e faça uma BD humorística
Ah, e porque é que Vasco da Gama parece o Capitão Haddock? Hein?


Este livro é um daqueles que consegui ler durante o Fim-de-Semana de pascoa. Os contos tem a ver com viagens, e pessoas fora dos seus países e (menos literalmente) fora das suas zonas de conforto.
Existem contos que são histórias completas mas curtas, com um começo e um desenlace e um enredo cheio de acção, como um romance encolhido ao tamanho de um artigo de revista. Convém dizer que os contos neste livro são exactamente o oposto! São mais descritivos e contêm menos desenvolvimento do enredo. A maioria consiste em retratos de pessoas ou de situações de três ou quatro páginas de extensão. O autor esboça estes cenários todos numa maneira bem nítida, portanto o livro lê-se bem. Li-o rapidamente, virando as páginas, conto após conto até ao fim.

Acabo de ler um livro chamado Winepunk. Trata-se de uma compilação de contos de ficção cientifica baseados numa história alternativa de portugal. Nesta realidade imaginativa, a monarquia do norte (um movimento verídico que teve o seu inicio em 1919, depois da implantação da República Portuguesa) sobreviveu durante anos, ao contrario da monarquia histórica que foi esmagada dentro de umas semanas.
O título “Winepunk” tem origem na frase “Steampunk”, um género inglês de ficção cientifica com raízes no mundo da revolução industrial com máquinas alimentadas por carvão e vapor. Os autores brincam com várias espécies de geringonças tal como plantas vivas, robôs cuja* fonte de poder é plasma de uva e animais de estimação com ligações psíquicas aos seus donos. Não é cem por cento coerente porque cada autor tem a sua própria imaginação e o seu próprio estilo e às vezes, estes não têm semelhança o suficiente para concretizar um mundo literário no qual o leitor pode acreditar. Mas há contos divertidos. Acima de tudo, amei a contribuição do José Barreiros. Os dois do Rhys Hughes** também têm muito jeito. mas exemplificam bem a minha queixa com o projecto em si: os contos nem sequer mencionaram a monarquia de todo!
*Rookie mistake here. “Cuja” because it agrees with “fonte” not “robôs”
**Rhys Hughes é um escritor galês que mora em Lisboa. Ama portugal e já escreveu dois livros em português: “A História Universal de Infâmia” e “A Sereia de Curitiba”. Não tenho a certeza mas, pelo que sei, escreveu-os em português, e nem usou tradutor. Uma vez que tenho tentado escrever um conto em português, vejo este escritor como um herói e quero ser igual a ele.
Thanks to Natalia for the correction. There is some good stuff in english about this compliation on the Portuguese Sci-Fi Portal here and here, and you can see a decent review by a much better portuguese reviewer on youtube… um… I don’t think I’ll link directly but if you search for “aoutramafalda winepunk” or “books beers baby quarantena winepunk” you’ll find what you’re looking for.
Notes for an extended video book review and wiffling about the Marques de Pombal.
Hoje vou falar sobre este livro “A Vida e a Obra do Marquês de Pombal” de José Barata. É uma biografia fina e básica. Acho que o autor tentou fazer uma hista equilibrada. Não é um elogio do homem mas também não entrou a matar. Parece que quer ser justo mas não sou especialista e não sei se ou não sucedeu.
Fiquei com vontade de ler depois de ouvir e ler várias coisas sobre esta figura histórica durante o meu projecto de aprender história portuguesa.
Antes de ler, não sabia muito sobre o M de P. Já sabia que estabeleceu a cidade de Lisboa quando foi destruído pelo terramoto de 1755, que fez uma decreta contra escravidão que acabou finalmente com transportes de escravos para o Reino, e lançou algumas reformas na esfera de educação, e ouvi a minha esposa a dizer que era uma desgraçado maluco (ela disse “crazy bastard” porque esqueceu-se falar português) mas é isso mesmo. Do lado escuro do Marquês é que não sabia nada. Há uma teoria de história que diz que, quando um país precisa de fazer uma grande mudança, é necessário que haja um “homem forte” que pode forçar o país transformar-se. “homem forte” é a palavra eufemística para este tipo de pessoa quando apoiamos as polícias deles, mas a outra palavra é “ditador” e escolhemos a palavra que depende dos nossos preconceitos. Claro está que este homem era um ditador, quer apoie quer não, e claro está que fez erros, abusos do seu poder e provavelmente crimes. Não quero o julgar pelos valores de hoje em dia, confesso que gosto de alguns objectivos seus, mas lá está.
Tenho algumas dúvidas que ofereço com humildade porque este livro é mesmo básico e ainda por cima é possível que perdi alguns pormenores, mas cá para mim, havia algumas pontos puouco claros.
Por exemplo, vamos falar do execução, do modo mais sangrenta e injusto da família Távora, que era o pior acto na biografia. Antes de mais, não tinha certeza se ou não uns membros da família realmente tentaram assassinar o rei, ou se devemos acreditar que o Marques tentou incriminá-los para apagar os seus rivais
De qualquer maneira nunca pode ser justificado matar a família toda, mas vou pôr esta questão para o lado porque, a maior dúvida que tenho é o seguinte: quando vemos o balanço deste crime, quanto devemos culpar o M de P, e quanto culpa merece o próprio rei Dom José 1. Porque parece muito improvável que o rei perdoaria alguém que tentou matá-lo. Os reis de qualquer país costumam de lidar com assassinos com mãos de ferro e de forma geral, as opiniões dos outras não lhes importam muito. Quiçá o M de P não merece a culpa toda. Mas não tenho certeza. Ouvi que Dom José era indeciso e deixou o Marques controlar tudo. Quem sabe? Se calhar disse “alguém tentou matá-me hoje mas não quero fazer nada. Irei assistir esta caixa e ficar à espera de alguém inventar o Netflix. Seja à vontade fazer o que queiser ó Marques”. É possível mas não sei. Parece igualmente provável que o rei deixou o povo culpar o Marques para não ser enlameado pelo acto de vingança.
Tinha algumas dúvidas menores. É difícil imaginar quão bem as ordens de Reis e políticas transmitem-se aos funcionários que as executam e por isso o “grande homem” de história leva sempre mérito e censura que, as vezes não merecem. Mas… Ao final de contas, fiquei com a impressão que o M de P é um exemplo dum fenómeno bem conhecido aos leitores de história inglesa. Existe um livro chamado “1066 and All That” de W. C. Sellar and R. J. Yeatman, que é uma história humorística de Inglaterra. No percurso, diz-se várias vezes “He was a bad king but a good thing” ou seja “Era um mau rei e uma boa coisa”. Este livro deixou-me como mesmo sentimento para o M de P. Como homem, não era muito simpático, mas durante a sua carreira, aumentou a vida do país: abrandou a influência da Igreja sobre educação, desenhou uma nova cidade nas ruínas da velha, ajudou leva cabo à escravidão. Deixou um país melhor… A menos que o teu nome é Távora.
Mas sei menos que nada.
Cada história tem dois lados e por isso quero agradecer José Santos por ter me enviado este livro. Chegou anteontem. É um romance histórico, nem uma verdadeira história mas acho que é baseada em factos verídicas e por isso lê-lo-ei na próxima vez que me apetece aprender mais história portuguesa. Muito obrigado.

Este livro surpreendeu-me. Já li dois livros do mesmo autor e ambos eram livros infantis mas este tem um tom mais adulto: há violência, sangue, personagens que bebem e fumam e tomam drogas alucinogénicas. Os animais não falam… Mas ainda bem que também não fumam porque o tabaco prejudica a saúde das onças.
O livro lê-se bem. O escritor tem um estilo muito nítido nos seus livros adultos igual às suas histórias escritas para meninos.
Comprei este livro porque achei que fosse uma piada. Em inglês existem alguns livros cómicos que mostram erros feitos por alunos nos exames de várias disciplinas. Não há dúvida que há alguns erros reais nestas colecções, mas tenho certeza absoluta que a maioria são piadas inventadas pelos autores, e o efeito dá para rir muito.
Cada erro tem a sua própria explicação.Seja como for, este livro não é propriamente a mesma coisa. É verdade que existem respostas engraçadas, tal como o título do livro mesmo, mas o propósito do livro é mais elevado: a autora é uma professora e quer ensinar os leitores a escrever bem português e para mim, claro, isto é ainda melhor porque quero aprender mais e isso é um bom método de aprender. Assim como o “101 Erros de Português Que Acabam Com a Sua Credibilidade”, muitos erros são erros de preguiça ou de péssimo hábito que, paradoxalmente, eu, como estrangeiro, provavelmente teria menos risco de fazer do que um nativo, mas há muitas dicas úteis. Já escrevi algumas publicações no meu blogue e fiz duas notas de publicações futuros.