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Supergigante – Ana Pessoa

A review of the book I’ve been reading. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections.

Acabo de fechar a capa deste livro juvenil. É um livro daqueles que não tem um enredo muito bem definido mas está cheia de emoção. O narrador é um adolescente cujo avô faleceu recentemente. O rapaz, que se chama Edgar (também conhecido pela alcunha* “Rígel”) está a correr e a pensar. O livro é um registo dos seus pensamentos. Afirma que o dia em questão era simultaneamente o pior e o melhor dia da sua vida. O pior porque o seu avô desapareceu pela chaminé do crematório acima** e o melhor porque a Joana (irmã do seu amigo Júlio) beijou-o. Os sentimentos saltam na sua cabeça, tornando cada vez maior e o próprio Edgar sente-se maior. É o Rígel, uma estrela, uma supergigante azul, 18 vezes maior e milhares de vezes mais brilhante do que o sol. A corrida ajudá-lo a fazer sentido dos seus pensamentos até ao final quando está capaz de falar sinceramente com a Joana.

A. Capa de Supergigante de Ana Pessoa
Supergigante de Ana Pessoa

* I originally used “apelido” here, since that’s the translation gtranslate gives for nickname. At the time I thought this was weird since apelido also means surname. Sure enough, the person marking the work was confused and said Alcunha was the better choice. Apelido is only used that way in Brazil, it seems.

** pela chaminé acima =up the chimney

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Toutinegra

Toutinegra, uma banda desenhada portuguesa

Toutinegra é uma banda desenhada portuguesa escrita por André Oliveira com ilustrações de Bernardo Majer. Conta a história de duas crianças de nove anos que moram numa aldeia esquecida. A mãe adoptiva do menino é uma louca que provocou um acidente de carro que causou a morte da mãe biológica dele e a quem, por alguma razão que não compreendo é permitido ficar com o bebé que ela encontrou no carro.

Os dois encontram uma criatura negra num moinho abandonado na floresta que “traz más notícias” a quem vai morrer ou a quem vai perder alguém. A influência da criatura inicia uma série de eventos trágicos. Gostei do estilo e dos desenhos (bastantes simples e ingénuos) mas acabei por não me sentir satisfeito com a história. Quase deu em êxito mas… Sei lá… Ficou muitas coisas* por explicar e o enredo parece um pouco rebuscada e incompleta.

*This is a weird one. A lot of people will just say “muita coisa” in spoken portuguese, just like “muita gente”, or like you might say “a lot of stuff” in English. But it is meant to be plural according to Ciberduvidas.

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BRK – Filipe Pina e Filipe Andrade

BRK
BRK… SMH

Por que raios comprei este livro? Já sabia antes de comprar o primeiro tomo (lançado em 2007) que aina não existe a segunda parte, portanto eu provavelmente nunca saberia como se desenrola a história, mas ouvi falar do livro numa lista do “Top 15” de BD* portuguesas (https://vinheta2020.blogspot.com/2020/10/top-15-as-melhores-bds-portuguesas-de.html?m=1) o BRK vinha em segundo lugar, antes das aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy e depois d’A Balada para Sophie. Então, vale a pena? Não vale. Os desenhos têm graça mas não são consistentes**. A história não faz sentido. Há buracos no enredo do tamanho do Poço Iniciático. Precisa de mais esforço para concretizar a história como deve ser e depois, desenhar o resto da saga!

* Acronyms don’t get pluralised. One BD, Two BD

** This correction surprised me, I suppose because i think of two things being consistent together as a single system, if you see what i mean, so I didn’t see the adjective as needing to be pluralised. Anglophone thinking.

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Sísifo – Gregório Duvivier e Vinicius Calderoni

Sísifo – Ensaios obre A Repetição em Sessenta Saltos By Gregório Duvivier and Vinicius Calderoni

#BRAZILIANPORTUGUESEKLAXON

Oi galera, estou escrevendo um comentário sobre um livro brasileiro embora eu aprenda português europeu. Blz!

Eu já conheci a obra de um dos autores, Gregório Duvivier por causa de uma conversa pública com Ricardo Araújo Pereira e ouvi falar dos seus programas televisivos. A cara é legal!

Neste livrinho, os dois rescrevem o mito de Sísifo, mesclado com outros fios culturais: Hamlet, a crise ambiental, memes, o teatro do absurdo. Nas palavras do Duvivier “‘A história se repete’ dizia Marx, ‘a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa’. Acrescentamos ‘a terceira vez como um gif'”. Para mim, esta explicação vale o preço do livro em si. Fez-me rir “kkk” disse eu. uh-oh, vem aí o cancelamento. “kkkkkk”, acrescentei, porque três cás* só não dá para ganhar amigos no mundo anglófono.

Apparently in Brazil K is written “cá”, not “capa” which makes sense because cácácá sounds like laughter whereas capacapacapa just sounds like a bunch of rooks fighting over a bag of chips.

Sísifo
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A Morte do Papa – Nuno Nepomuceno

A Morte do Papa (Nuno Nepomuceno)
A Morte do Papa

O dramaturgo russo Anton Chekov disse uma vez “Se no primeiro ato colocares uma pistola na parede, no seguinte ela deve ser disparada” , mas os escritores de thrillers portugueses modificaram este princípio: “Se no primeiro ato colocares uma pistola na parede” dizem eles, “no seguinte ela deve ser disparada contra o Papa”.

Ou talvez seja só impressão minha depois de ler este livro e o Vaticanum de José Rodrigues Dos Santos.

Disponibilidade: Bertrand / Kobo ebook / Kobo audiobook

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A Resistência (Val McDermid)

This is an attempt to translate the blurb of a book as literally as possible to avoid the lazy trap of sticking to words and grammar I know how to say when writing texts. Thanks again to ThisCatIsConfused for the help

Estamos* no fim de semana do solstício de Verão e cento e cinquenta mil pessoas reúnem-se numa quinta a nordeste de Inglaterra para assistir** a um festival de música ao ar livre. No início, uns salpicos de chuva parecem ser a única coisa capaz de estragar a diversão – até que surge uma doença misteriosa. Rapidamente, a doença espalha-se com uma velocidade electrizante*** e parece resistente aos antibióticos todos.
Será que a jornalista Zoe Meadows (hum… O resumo diz “Meadows” mas dentro do livro ela se chama Zoe Beck…) consegue rastrear o surto à sua fonte, e será descoberta uma cura antes da doença se tornar numa pandemia?


Um thriller empolgante, Resistência imagina um cenário de pesadelo**** que aparenta ser demasiado credível no rescaldo***** do covid-19

*=estamos no (“we are in the weeekend of…”) works better than está no… (“it’s the weekend of..”)

**=it’s been three years since I wrote a blog post specifically about the word “assistir” and I still haven’t got over the discovery of the weird interlinking meanings.

***=electrizante means electrifying and I’m a little surprised it works here but it seems to pass muster!

****=”nightmare scenario”

*****=the original English version has a couple of colloquial phrases in it that seem to have caused confusion. One was “bug” as in “stomach bug” which was corrected to “inseto” but that was a misunderstanding because the person who kindly translated it for me thought I meant the illness was transmitted by some kind of insect. This word “wake” might be the cause of a second mis-correction. The original says “in the wake of” which I put as “na sequência de” but I think the person who corrected it might have thought “wake” had its more usual meaning, as in “wake up” because they changed it to “no surgimento”. I discussed it with my resident expert who advised “no rescaldo” was better

I can’t say I really agree with the blurb. If you want to know more about the book and what I actually thought of it, have a look at my Goodreads profile.

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Se Eu Fosse Um Livro – José Jorge Letria

Se Eu Fosse Um Livro de José Jorge Letria
Se Eu Fosse Um Livro

Quick review of this one. As it says in the text, you can enjoy the repetitive use of the imperfect subjunctive and call it homework for the B2 exam. It’s pretty basic apart from that though because it’s a children’s book.

Este livro fala da leitura. Repete-se em cada página a frase “se eu fosse um livro…” e logo a seguir um desejo que um livro poderia sentir. Muitas vezes este desejo é uma dica para os leitores de como apreciar livros ao máximo, tal como “…não gostava que me lessem só por obrigação, ou por estar na moda”

É divertido e ainda por cima, pode ser útil para quem quiser praticar os tempos verbais conjuntivos 🙂

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O Vício Dos Livros – Afonso Cruz

O Vício dos livros de Afonso Cruz

Antes de mais, vamos falar deste livro como objecto em si: é muito agradável. As cores da sobrecapa, o formato, o tamanho, o peso do livro nas mãos. Todos estes aspectos, combinados, dão para satisfazer o leitor.

Quanto os conteúdos, o livro trata-se dum coligação de vários pensamentos, curiosidades e factos sobre a leitura. Para nós que gostamos de ler livros sobre livros, é muito interessante. Mimamo-nos com mais um capítulo curto e mais uma anecdota. É divertido, sem dúvida, mas fiquei aliviado quando cheguei ao fim. Mais que cem-e-tal páginas seria uma indulgência. Já chega. De volta aos romances.

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O Superman – Augusto Cid

António Ramalho Eanes (Eones, Superman) and Ernesto Melo Antunes (Melro). The image is, of course, aligned left

Ouvi falar deste livro no instagram. A Ana Luiz li-o há umas semanas. Naquela altura, eu estava a ler A Construção da Democracia em Portugal. “Epá!” pensei (mas confesso que pensei em inglês) “este livro tem bom aspeto e pode ser uma boa sobremesa depois de todo este espinafre não ficção” Comprei um exemplar duma loja de segunda mão porque é antigo e não é disponível nas livrarias online. Vale mesmo a pena. De súbito, todas as personagens da história que tinha lido anteriormente animaram se cá diante dos meus olhos. Eanes (EONES) no papel de Superman, nasceu no planeta CROPCON (baseado em Copcon que realmente na época pós-revolução) e viaja para Portugal onde tenta cumprir a sua missão histórica apesar dos esforços dos seus inimigos e concorrentes tal como Solares (Soares) e Fiasco (Vasco) Lourenço. Augusto Cid é, claro, um artista talentoso. O livro foi lançado em 1978, na época de instabilidade depois da revolução (Abril 1974) e a contrarrevolução (Novembro 1975), mas a sua carreira continuo até o seu falecimento recente. Dá para entender muito sobre o espírito do época, mas é óbvio que o autor tem desgosto do Eanes. A história não tem nada de simpatia pelo seu cargo. Portanto não é justo (mas quem disse que livros satíricos devem ser justos?) Recomendo a opinião de Ana Luiz neste site porque ela sabe mais do que eu e menciona algo da história do livro em si, e a resposta polémica do governo.

I usually put a link to the books I review on here but I don’t think you can get this easily. Augusto Cid has some more recent books though and you can buy those here.

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A Construção da Democracia em Portugal

A construção da democracia (Kenneth Maxwell)

Uff… Levei muito tempo nesta leitura mas valeu a pena. O escritor fez uma obra muito complete. O foco da história é a transição da ditadura para democracia, mas há um capítulo sobre a história mais longínqua do país. Dado este pano de fundo, ele explica os argumentos do General Spínola e os oponentes do regime Salazarista. É daí fora, mergulhamos dentro das águas turbulentos dos anos setenta: a guerra colonial, a revolução, a contrarrevolução, independência de Angola, despolitização das forças armadas, implantação de uma democracia viva, e o novo cargo do país dentro da CE e da NATO. A história mundial é sempre lá, lado a lado com os acontecimentos domésticos porque nada acontece num vácuo.

O que mais me chamou a atenção é a carácter esquerdista de tantas protagonistas nesta história. Claro está que a reação contra a extrema direita haveria de absorver uma influência da ala oposta, mas nunca apreciei antes disto, que o país aproximou-se tanto ao modelo soviético. Ao fim das contas, (nas palavras de autor, a lembrar-nos de uma profecia falhada de Kissinger) “Foi Karensky quem sobreviveu não Lenine. Foi o socialista moderado Mário Soares quem, no final, tornou presidente da República e o militar radical populista Otelo Saraiva de Carvalho quem foi, primeiro para a prisão e, depois, para a obscuridade”

Ups! Spoilers!