Comecei este livro no outono de 2024 e fiz uma pausa durante mais de um ano antes de terminar. É incrível! Como sempre, grande parte da ação tem lugar em sítios verdadeiros e as autoras explicam algumas coisas sobre os factos da zona onde os jovens estão. Mas este livro é mais divertido do que os outros que já li na série. Ri em voz alta. não me admira que os livros tenham tantos fãs.
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Aqui Dentre Faz Muito Barulho é um livro desses que fazem um ninho na mesa de cabeceira durante umas semanas porque o formato (pequenos textos de 2-3 páginas) é perfeito para quem precisa de ler alguma coisinha antes de dormir. Não exige muito do leitor, não nos deixa perturbados, e se não nos lembrarmos o que limos no dia anterior, não importa, porque a leitura de hoje tem um novo assunto. Já li vários livros do mesmo género, escritos por Miguel Esteves Cardoso e Ricardo Araújo Pereira. Este não me fez soltar tantas gargalhadas como previsto. Achei-o inesperadamente pensativo.
Levei-o comigo à Madeira em Novembro e terminei-o nos últimos dias de Dezembro.
Já escrevi um texto sobre um conto desta coleção há algum tempo, porque eu tive de ler o “teorema” como prate do curso sobre a cultura e a literatura portuguesa. O docente explicou o contexto da história (O protagonista é um dos assassinos de Inês de Castro). Adorei tanto que decidi ler os restantes histórias. Infelizmente, sem um professor para explicar, a experiência foi menos satisfatória…
O autor é madeirense, e a minha esposa já teve o livro na estante mas quando o mencionei no Insta alguém me chamou de erudito porque tem a reputação de ser uma leitura difícil. Podes crer, mas ainda assim, estou muito contente por ter lido e entendido um dos contos!
“7 Senhoras” de Margarida Madeira é mais uma banda desenhada mas tem um ritmo mais lento do que o do Astérix. Retrata as vidas de sete mulheres que a autora conhecia na juventude. Temos, por exemplo, uma bisavó, uma professora e uma senhora que faz parte da vizinhança, mas cujo nome a autora nem sequer sabe. Não há enredo nenhum, apenas uma vista microscópica destas vidas únicas, algumas ternas, outras absurdas, mas cada uma desperta a atenção da menina que um dia tornaria artista e autora. É uma homenagem às vidas escondidas que nos influenciam ao longo do caminho, cada uma à sua própria maneira.
Look at this mess! I hadn’t even started it and already I’d done this. This is why we can’t have nice things.
Adoro esta série de bandas desenhadas e estou muito feliz que os nossos heróis, Astérix e Obélix chegam finalmente na província romana de Lusitânia. A sua missão é libertar Malmevês, um empresário de garum (uma espécie de molho de mariscos) e o pai da Saudade, (uma mulher pela qual o Obélix está caidinho, embora não admita!). O Malmevês está preso numa cadeia romana porque é suspeito de um atentado contra o imperador, mas os gauleses espertos sabem descortinar o verdadeiro assassino, disfarçando-se como Tugas para entrar sem ser capturado.
Ainda bem que não havia partidos políticos da extrema-direita porque às vezes os visitantes ajudam muito.
Como sempre, os habitantes da terra onde a história tem lugar têm as características dos atuais habitantes do país moderno: comem bacalhau, construem calçadas mosaicas e cantam poemas tão melancólicas que quem os ouve desata logo em lágrimas.
Apesar da morte dos criadores, Goscinny e Uderzo, a série retém o espírito dos livros originais: humor, otimismo, alegria e inteligência.
Há uma mapa que estende da contracapa para a capa do livro. Na verdade, a viagem é curta. É possível caminhar aquela distância dentro de um dia
Além do território em si, a história enxertado pelo autor em VNMT, como já disse ontem, tem cinco personagens, entre elas três que merecem inclusão no Dicionário de Personagens da Ficção Português*. Nestes resumos daqueles resumos (por assim dizer), irei omitir os pormenores da história e concentrar no caráter de cada um.
Carlos é o herói da conta. O autor concretiza nele as ideais da revolução: singeleza, honestidade, generosidade. Na sua cara, them uma “boca desdenhosa, não por soberba mas por consciência de ‘uma superioridade inquestionável'” o que reflete, acho eu, a intenção por parte do autor que nós nos identificam com esta protagonista admirável. O conflito no seu peito entre a sua lealdade à Georgiana e o seu amor para Joaninha é motivo de ânsia, precisamente por causa das boas qualidades dele. O autor justifica-nos “rousseaunianamente” esta paixão.
A reação dele á aparência do frade mostra o sangue quente do homem, mas não «e fora do controlo, como dizemos quando deixa de atacar e em vez de cometer parricídio, junta-se ao exército liberal. Mais tarde, Carlos, após algum tempo em exílio onde “flirtara” com três irmãs britânicas a fio, “adquiriu facetas dândis”, mas ainda era capaz de tomar ação decisiva para romper os laços de amor. Também fala do amor da sua pátria, e a veemência do seu liberalismo, que dá origem ao desejo se tornar deputado. Como resultado, perde algo do seu espirito aventureiro e engorda nas vésperas da sua vida.
O artigo conclui com o seguinte parágrafo imelhorável
É bem um “herói” romântico, Carlos. De íntimo ferido no confronto da sua pureza primitiva com a poluição do grande mal e da sociedade dispersora, ganha configuração ficcional pela representação de um mundo subjetivo intenso, fragmentado, complexo, posto em relevo pela contraposição a várias personagens e pela articulação com um tempo histórico em devir, também exemplificativo do descambar fatal dos ideais.
O escritor do retrato dedica um parágrafo inteiro á aparência física da Joaninha. Não é bela mas tem “Um vulto airoso” e blabla, voz doce, olhos como esmeraldas, voz puro, árvores e espiritualidade e tal. Mas além disso tudo, ela “afasta-se, pois, dos estereótipos românticos da mulher-anjo ou da mulher-sílfide” e vive no vale que nunca abandonou, rodeado de rouxinóis e outras criaturas. É corajosa e ama sem reserva o seu primo.
Enlouquece quando ouve de como Carlos “caíra em fragmentação interior e “morte” moral no ceticismo, tornando-se incapaz de amar a inocente que poderia revocá-lo do abismo”
Explicando o lugar da mulher dos rouxinóis nesta história, Ofélia Paiva Monteiro diz o seguinte:
Joaninha, sem deixar de ter alguma consistência física e psicológica, “vale” sobretudo como poética representação da inteireza natural, irrecuperável para os que perderam, como Carlos, a unidade e a transparência nativas.
O frade é uma figura “seca, alta e um tanto curvada” da aparência, e “austero” com “crenças rígidas” e “lógica inflexível”. A sua natureza não é completamente sem simpatia mas afinal o frade representa o clericalismo do regime antigo mas também é o pai do herói romântico que tem de se submeter á raiva do filho, naquela cena miserável quando a verdade é descortinada. A consciência por parte de Frei Dinis do seu pecado imperdoável assombra a sua aparência física e as vezes até o faz tremer.
*Annoyingly, the first time I clicked on this it failed to load because there’s a problem with its security certificate, so I had to go into the security settings and tell it to ignore problems on this specific site. Doesn’t seem to happen in Edge, only Chrome.
**I had to squint at this for a bit. It’s an adverb meaning “in the manner of Jean-Jacques Rousseau”. There you go, try dropping that into your next conversation!
Termos usados nos textos que podem ser úteis no contexto académico
Oitecentista: que viveu no século XIX – os millennials daquela época
Metadiegética: Palavra não encontrada no Priberam, mas segundo este fio redditético, existem mais palavras na mesma família: um narrador extradiegético é o narrador do livro que o leitor tem nas mãos. Um narrador intradiegético é um narrador de uma historia dentro do livro que conta as aventuras de um terceiro (o redditor dá o exemplo da Sherazade nos “Mil e Um Noites”) e um narrador metadiegético é um narrador da hístoria contado pelo próprio narrador intradiegético, como por exemplo Simbad, o navegador e o protagonista d’O Marujo. Todos escrevem na terceira pessoa mas existem em níveis diferentes na contagem das histórias dentro da história principal! Uau! Nunca antes ouvi falar deste concepto!
Já esqueceste deste blogue? Eu também? Sei lá porque. A vida não é assim tão atarefada hoje em dia. Ou seja na verdade, ando com um bico-de-obra, mas passei por tempos piores. Consigo escrever mais, mas falto-me a motivação.
Mas hoje o meu insta está cheio de fotos de manifestações contra o fascismo e celebrações da democracia portuguesa que, com 51 anos, é mais nova do que eu.
Para comemorar este aniversário da liberdade, tentei ler o livro “Quanta Liberdade” de Rui Garcia e Gabriel Lagarto mas não me chamou a atenção. Provavelmente escolhi mal: encontrei o livro numa loja de segunda mão em Setúbal mas ele nem sequer existe no Goodreads, o que significa que poucos portugueses já leram! Tratam-se de um conjunto de textos e de desenhos rabiscados, montados num formato remanescente de uma pasta, usando a tipografia daquela época e com os carimbos e o lápis azul do Estado Novo. Tem bom aspecto mas infelizmente, achei os conteúdos fracos e incoerente.
Esta banda desenhada conta a história de uma rapariga madeirense, de uma família em crise, que foi levada para uma casa de acolhimento. Os quadrinhos são bem desenhados. É super fácil entender quem está a falar e o que é que está a acontecer. Em sumo, a execução da história é bem realizada. Quanto à história, tenho algumas dúvidas sobre como funciona o sistema de apoio de crianças. Tendo trabalhado neste ambiente no passado, parece-me pouco provável que um trabalhador de proteção de crianças tenha o direito de simplesmente encostar o carro na rua de um menino e dizer “entra no carro” como acontece neste livro. Ainda por cima, o comportamento dos empregados na casa de acolhimento é pouco profissional… Eu sei que cada país tem as suas normas mas… Uau, fiquei surpreendido com as palavras que usaram, e a falta de respeito para a privacidade das crianças. Não é abuso, nada disso, mas também não é muito simpático. Mas talvez este especto faça parte da história. Infelizmente não sei como os autores vão desenvolver este fio da história porque este livro é apenas o volume 1 de uma série, o que não é evidente pela capa, mas ainda assim, é, mesmo. Então, vai haver mais no futuro, mas esta parte tem uma conclusão satisfatória da primeira fase da nova vida dela, portanto não me deixou frustrado por não completar a história.
Just by pure chance I heard about another two Lusophonic Occurrences here in London this week.
One is the Utopia Film Festival, which started yesterday and goes on till the twelfth. The films look quite serious and not exactly entertaining but if I can shake the lurgy, I might go and see one towards the end of its run.
And the other is a weird one. It’s a brand new international Portuguese literary festival in London, on Saturday the 7th. But hang on, haven’t we already had a brand new international Portuguese literary festival in London, FLILP, in June this year? I mean, I’m grateful for all these international Portuguese literary festivals you’re bringing to my town, but there must be other towns and other countries that need brand new international Portuguese literary festivals!
Anyway, it’s called Letras Lusas Em Londres and it was organised by Alcino Francisco, who I actually met and spoke to at FLILP in June, where he was one of the guests, and bought a copy of his book.
It’s surprisingly hard to find details of the festival though. I can see a few people on Insta refer to it, and even an interview with Alcino himself, but I can’t find an official account for the event on Insta. Alcino Francisco’s own Instagram account is dormant. If I Google the name of the festival, there’s a Facebook page right at the top of the ranking, but when I click on the link I land on some random video clip, so I think the page was deleted. This news article describes it, but there are two links to the organisers’ websites and both of them are deadlinks.* I can see there’s a reasonably full list of guests on this page, but nothing like this glossy publicity materials FLiLP put out in the run-up to their launch. It’s all weirdly hush-hush really. I dug around all over the place. I found another blogger who had done a couple of posts about it, so he must be better informed than I am, but, again, I’m not seeing anything linking to some central place on the Web where the organisers have set out a programme, or what to expect or… Well, anything really. The woman who put together FLiLP seems much better organised, as well as… Ahem… More original.
An old friend of the family has suggested we go together but even if I wasn’t full of cold germs, I don’t think I’d want to trek over there because I’m not even sure it’s actually happening. That’s how bad the lack of information is.
Pela segunda vez neste mês, encontro-me sentado à mesa a escrever uma opinião sobre um livro mas com mais vontade de escrever sobre as circunstâncias da leitura em vez do seu teor.
Deixem-me explicar: este é um Audiolivro mas li-o na aplicação da Bertrand e a app da Bertrand é um verdadeiro monte de merda. De vez em quando, fecha-se inesperadamente e quando se reabre, a app esqueceu-se de onde ia. Isto aconteceu centenas de vezes.
Como resultado, li grande parte do livro mais do que uma vez, provavelmente saltei uns parágrafos e perdi (a) o fio à meada e (b) a minha vontade de viver.
Nada disto é culpa de Saramago, mas ainda assim, responsabilizo-o por ter escrito um livro que acabou por me causar tanta dor. Passou a ser o meu inimigo.
O livro não é típico da obra dele. Escreveu-o em 1947, e foi publicado sob o título d’A Terra do Pecado. O estilo idiossincrático de Saramago não se tinha ainda desenvolvido. O enredo, as frases e a voz autorial, todos fizeram-me lembrar dos poucos romances do século XIX que já li. Um Eça de Queirós ou um Camilo Castelo Branco.